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10 momentos que mostram que 2019 foi o ano do futebol feminino

Renata Mendonça

30/12/2019 04h00

O ano de 2019 foi, sem dúvida, marcante para o futebol feminino. E não foi apenas pela Copa do Mundo histórica na França. Foram muitos os acontecimentos ao longo dos últimos 12 meses que comprovam que essa temporada será para sempre lembrada pelas conquistas das mulheres em campo. Relembramos algumas delas aqui:

– Recorde de público na Europa: 60 mil pessoas no Wanda Metropolitano e 40 mil Allianz Stadium

Foto: Reprodução Twitter

Começou em janeiro deste ano, com um público de quase 50 mil pessoas para ver Athletic Bilbao e Atlético de Madri pelas quartas-de-final da Copa da Rainha na Espanha. Depois, em março, Atlético de Madri e Barcelona se enfrentaram por uma rodada do Campeonato Espanhol feminino no Wanda Metropolitano diante de 60.739 pessoas. Os ingressos se esgotaram em poucos dias e esse foi considerado um dia histórico para o futebol feminino entre clubes na Espanha.

Menos de 10 dias depois, outro recorde aconteceu, só que desta vez na Itália. Juventus e Fiorentina se enfrentaram no Allianz Stadium com 39.027 pessoas na arquibancada – a capacidade máxima do estádio é de 41.507. Um número impressionante que demonstra o crescimento da modalidade no país, que passou a investir mais recentemente e já obteve melhores resultados na Copa do Mundo – fazia 20 anos que a Itália não participava de um Mundial e, desta vez, elas chegaram nas quartas-de-final.

(Foto: Juventus.com)

– Maior edição da história do Brasileiro feminino

Neste ano, começou a valer a obrigatoriedade de Conmebol e CBF para os clubes da elite do futebol masculino investirem também no futebol feminino. Com isso, tivemos a maior edição da história do torneio com 16 equipes na primeira divisão (A1) e 36 na segunda (A2). Grêmio, Palmeiras, Cruzeiro e São Paulo subiram e, em 2020, serão vários os clássicos no torneio nacional com os quatro grandes de São Paulo e os dois grandes do Rio Grande do Sul disputando a divisão principal.

Foto: Divulgação Ferroviária

A Ferroviária foi a primeira bicampeã brasileira conquistando o título diante de um Parque São Jorge cheio, e na A2 o estreante São Paulo faturou o título em cima do Cruzeiro.

– Primeira vez que uma Copa do Mundo feminina foi transmitida na Globo

A maior emissora do país anunciou no início do ano que transmitiria pela primeira vez uma Copa do Mundo das mulheres. Na oitava edição do torneio, a Globo decidiu passar todos os jogos da seleção brasileira e ainda fez toda uma preparação na programação nos meses que antecederam o Mundial, inserindo matérias sobre as jogadoras nos jornais da casa e também nos programas de entretenimento.

Foto: Reprodução TV Globo

O resultado não poderia ter sido melhor. Com a Globo na jogada, a Copa do Mundo feminina bateu todos os recordes de audiência no Brasil – deu tão certo, que a emissora decidiu passar até mesmo a final entre Estados Unidos e Holanda, sem a seleção feminina em campo.

– Recordes de audiência na Copa do Mundo

Essa foi a Copa do Mundo feminina mais assistida da história. Foram mais de 1,1 bilhão de pessoas acompanhando os jogos em todos os tipos de mídia, segundo os dados divulgados pela Fifa. A audiência média por partida foi de 17,2 milhões de pessoas, o dobro da média de audiência por jogo registrada na última edição no Canadá (foi 8,39 milhões na época).

Foto: CBF

O Brasil hoje detém o maior recorde da história do Mundial feminino em termos de audiência – o jogo entre Brasil e França pelas oitavas de final foi assistido por mais de 30 milhões de pessoas. Até mesmo a final foi mais vista por aqui do que em qualquer lugar do mundo – mais de 19 milhões de pessoas acompanharam a decisão em território brasileiro. Números que derrubaram de vez o mito de que "futebol feminino não dá audiência".

– Marta se tornou a maior artilheira da história das Copas

Ao marcar um gol de pênalti diante da Itália no último jogo da primeira fase da Copa do Mundo, Marta atingiu a impressionante marca de 17 gols em Mundiais. Ela ultrapassou o alemão Miroslav Klose (que tinha 16) e assumiu o posto de maior artilheira da história das Copas, entre homens e mulheres. Ao superar a marca, ela ainda usou seu discurso para ressaltar a igualdade de gênero.

Foto: Reuters

"Esse recorde não é meu, é de todas nós, mulheres que lutamos por melhorias em todos os setores. Eu divido com todas vocês que lutam e trabalham e ainda têm que provar que são capazes de desempenhar qualquer tipo de atividade", afirmou a atacante na zona mista com muitas repórteres ao seu redor.

– Gritos de "equal pay" na final da Copa do Mundo

Um dos momentos mais simbólicos deste ano, sem dúvidas, aconteceu após o apito final da decisão entre Estados Unidos e Holanda na Copa do Mundo. Com a confirmação do tetracampeonato das americanas, que entraram na Justiça com um processo contra a Confederação do país pedindo tratamento igual com relação à seleção masculina, as quase 58 mil pessoas presentes gritaram "equal pay" nas arquibancadas.

Foto: Getty

O pedido é uma alusão à luta das americanas, principalmente, já que elas seguem ganhando menos do que os homens da seleção mesmo tendo resultados infinitamente melhores que os deles (tanto dentro de campo quanto fora dele, na geração de lucros). Além disso, faz parte da luta recente das mulheres pedindo igualdade com relação aos homens.

"Acho que todo mundo está pronto para ver esse debate evoluir para o próximo passo. Nós já passamos a fase do 'será que vale a pena?' ou 'o mercado não é o mesmo', etc, todo mundo já está cheio disso. Os torcedores estão cansados, as jogadoras estão cansadas disso, vamos avançar para o próximo nível da discussão. O que vem depois? Como nós apoiamos as federações, os programas de desenvolvimento de futebol feminino ao redor do mundo, o que a Fifa pode fazer, o que nós podemos fazer para apoiar as ligas do mundo todo", afirmou a americana Megan Rapinoe. "É isso o que as pessoas querem. As pessoas estão gritando por isso. Deem às pessoas o que elas querem".

– Prêmio de melhor do mundo da Fifa tem mulheres em destaque

Ao contrário do que normalmente acontece, neste ano foi o prêmio feminino que fechou a noite de gala da Fifa para os melhores jogadores do mundo. Primeiro, Lionel Messi recebeu pela sexta vez o troféu. Depois, veio Megan Rapinoe para encerrar a festa recebendo pela primeira vez o prêmio e fazendo um discurso histórico diante do presidente da entidade, Giani Infantino.

 

"Tem sido um ano incrível para o futebol feminino. Para aqueles que só estão notando agora esse potencial, tudo bem. Vocês estão um pouco atrasados, mas nós perdoamos. Só está começando", alfinetou. "Se realmente queremos mudanças significativas, precisamos de todo mundo se posicionando contra o racismo, contra a homofobia, pela igualdade de pagamentos. Peço a todos para emprestarem a plataforma de vocês para levantar outras pessoas. Compartilhem o sucesso de vocês. Nós temos uma oportunidade única de usar esse jogo tão lindo para mudar o mundo para melhor. Façam alguma coisa. Qualquer coisa. É isso que eu peço para todos. Temos um poder incrível nessa sala."

– Recorde de audiência no Campeonato Paulista feminino

O Campeonato Paulista feminino foi transmitido pela Rede Vida e teve os jogos decisivos na fase final também na grade de TV Cultura e Sportv. A audiência bateu recorde em todos esses canais – o SporTV chegou a liderar a audiência com jogo das mulheres e superou até mesmo a transmissão da Premier League que acontecia ao mesmo tempo na ESPN.

Victoria, autora do primeiro gol e artilheira do Corinthians no Paulista (Foto: Bruno Teixeira)

A final entre São Paulo e Corinthians bateu mais de 700 mil visualizações no Youtube da FPF. Essa, sem dúvidas, foi a edição do torneio com maior visibilidade que mostrou o potencial do campeonato, ainda mais com vários clássicos acontecendo na fase final.

– Recorde de público na final do Paulista

O jogo entre Corinthians e São Paulo que valia o título do Campeonato Paulista feminino bateu o recorde de público para uma partida de futebol feminino entre clubes no Brasil. Um total de 28.609 torcedores estiveram na Arena Corinthians prestigiando o jogo e até mesmo as jogadoras do São Paulo ficaram emocionadas em ver o estádio cheio para o futebol feminino.

Foto: Dibradoras

Mais uma marca histórica quebrada em 2019 que abre caminhos para que mais clubes acreditem no potencial do futebol feminino e invistam nisso em 2020.

– Pela primeira vez, amistoso da seleção feminina foi transmitido na Globo

Foto: Daniela Porcelli/SPP/CBF

Após o sucesso da Copa do Mundo, a Rede Globo também transmitiu pela primeira vez na história um amistoso da seleção feminina de futebol. Foi a final do Torneio Amistoso da China, entre Brasil e as donas da casa, em um domingo de manhã. O jogo registrou alto índice de audiência e representou também mais um momento histórico para o futebol feminino: quanto mais se mostrar e se falar da seleção das mulheres, mais o público se engajará com a modalidade.

Sobre as autoras

Renata Mendonça é jornalista, são-paulina, e apaixonada por esporte desde que se conhece por gente. Foi em um ~dibre desses da vida que conseguiu unir trabalho e paixão sendo jornalista esportiva. Hoje, sua luta é para que mais mulheres consigam ocupar esse espaço. Angélica Souza é publicitária, de bem com a vida e tem um senso de humor que, na maioria das vezes, faz as pessoas rirem. Alucinada por futebol - daquelas que não pode ver uma bola que já sai chutando - sabe da importância e responsabilidade de ser uma mulher com essa paixão. Nas costas, gosta da 10, e no peito, o coração é verde e branco e bate lá na Turiassú. Roberta Nina é aquariana por essência, são-paulina por escolha e jornalista de formação. Tem por vocação dar voz às mulheres no esporte.

Sobre o blog

Futebol não é coisa de mulher. Rugby? Vocês não têm força para jogar... Lugar de mulher é na cozinha, não no campo, na quadra, na arquibancada. Já ouviu isso muitas vezes, né?! Mas o ~dibradoras surgiu para provar justamente o contrário. Mulher pode gostar, entender e praticar o esporte que quiser. E quem achar que não, a gente ~dibra ;)

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