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Mais da metade das federações não realizou estadual feminino de 2020

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08/01/2021 04h00

Mapa que detalha a situação dos estaduais femininos de 2020

As paralisações nas competições deram o tom do ano de 2020 no mundo dos esportes. No futebol feminino no Brasil, a situação se repetiu, mas com um agravante: até o final do ano, apenas 11 dos 26 estados realizaram o campeonato estadual para as mulheres. A falta de estrutura, que já é um dos maiores problemas da modalidade, tornou-se ainda mais relevante em um contexto em que a testagem de atletas para a Covid-19 se tornou parte do protocolo de segurança, bem como a higienização constante dos centros de treinamento e estádios para que as partidas pudessem ser realizadas.

Pensando nas mudanças que os estados deveriam promover, no início de dezembro a CBF emitiu um ofício determinando que os campeonatos estaduais de 2020 fossem realizados até 28 de março de 2021, de modo que as federações tivessem tempo para reorganizar seus calendários e suas competições. A entidade precisa da realização dos torneios para definir os participantes da Série A2 do Brasileiro feminino de 2021 – a segunda divisão nacional tem 27 vagas para os campeões estaduais.

No entanto, na primeira semana de janeiro, ainda não há informações sobre boa parte dos estaduais que não aconteceram.

Norte: pouco mais da metade da região fez o dever de casa

Na região Norte, quatro dos sete estados realizaram o torneio. Amapá, Amazonas, Rondônia, Pará organizaram campeonatos, com um número menor de times – o Rondoniense, por exemplo, foi disputado por apenas três equipes – e com duração também reduzida.

Amazonense feminino começou, mas ainda não terminou (Foto: FAF)

Em modelos com grupos únicos, dois campeonatos tiveram transmissão ao vivo: a Federação Amapaense de Futebol disponibilizou os jogos para assistir online através da plataforma MyCujoo, e em Rondônia os torcedores puderam acompanhar os jogos no Youtube da FFER.O Amazonense estava para terminar, mas teve a final suspensa até que o STJD julgue o caso de uma possível escalação irregular de jogadora por um dos clubes que disputaria a decisão.

Já os estados que ficaram devendo o campeonato nesse ano foram Acre, Roraima e Tocantins. Segundo a Federação Roraimense de Futebol, "existem programações para que aconteça uma seletiva em Janeiro para se conhecer o representante do estado em competições nacionais". Não foi especificado se essa seletiva funcionaria como o estadual. As federações do Acre e de Tocantins não responderam às tentativas de contato.

Nordeste: situação alarmante

No Nordeste, a situação também foi longe do ideal: apenas duas federações sediaram o torneio em 2020. O destaque foi a Paraíba, que em dezembro viu o Botafogo-PB levantar a taça com direito a transmissão na TV local.

Botafogo-PB foi campeão estadual em 2020 (Foto: Divulgação)

Em Sergipe, o cenário foi diferente: a competição foi disputada antes da pandemia e terminou em fevereiro.

Três estados realizarão o torneio neste ano: Ceará, Rio Grande do Norte e Pernambuco, que chegou a iniciar a competição em novembro. No entanto, a disputa foi interrompida e adiada para este mês após a confirmação de 10 casos de Covid-19 incluindo atletas e comissão técnica do Sport.

No Ceará, era para o estadual começar agora, mas houve desistência de uma das quatro equipes que participariam. Agora, só Ceará, Fortaleza e São Gonçalo estão confirmados, e a Federação Cearense precisa definir uma nova data para a disputa.

Já a Federação Alagoana de Futebol realizou um campeonato de futebol feminino, mas não o Campeonato Estadual. Quem levou a Copa da Rainha Marta foi a União Desportiva do Alagoas, e ainda é incerto se o clube continuará sendo o representante do estado no Brasileirão A-2.

As federações do Piauí, Bahia e Maranhão não possuem informações sobre a realização da edição de 2020. Em entrevista ao site ne45, o presidente da Federação Baiana de Futebol, Ricardo Lima, afirmou que "se tratando do futebol feminino provavelmente não aconteça sua edição em 2020".

Em 2019, o Bahia foi campeão estadual; sobre a competição de 2020, a Federação diz que não deve realizar para as mulheres (Foto: Divulgação)

No Centro Oeste, só o Distrito Federal salva

A pior região para o futebol feminino em 2020, no entanto, é o Centro-Oeste: Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul não tem informações sobre os campeonatos estaduais e não responderam aos e-mails para esclarecer dúvidas sobre os torneios. A boa notícia foi que o Distrito Federal realizou o Candangão Feminino com seis times em um campeonato que durou de outubro a dezembro e teve o Real Brasília como campeão. A final foi transmitida para a TV local e também foi disponibilizada pela internet através do Facebook da Federação de Futebol do Distrito Federal.

Real Brasília foi o campeão em 2020 (Foto; Divulgação)

No Sudeste, Espírito Santo não segue exemplo do seus vizinhos

Pelo segundo ano seguido, a final do Paulistão foi um grande evento no calendário esportivo do estado, e contou com transmissão para a TV aberta e a TV fechada, um marco para o esporte. A novidade positiva na região foi que em Minas Gerais a final aconteceu no Mineirão e também foi televisionada, além de estar disponível também na internet.

Foto: Agência Galo

No Rio de Janeiro, o torneio de 2020 está marcado para acontecer de janeiro a março, em um formato com 12 times na disputa. Para a temporada 2021, os planos são ainda maiores.

Segundo o diretor de competições da FERJ, Marcelo Vianna, "o Carioca de 2021 terá maior número de participantes e tem previsão inicial para o mês de outubro. Vale ressaltar que, com responsabilidade e acompanhamento da pandemia, está no radar da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro a realização do Feminino sub 17, a princípio, no mês de maio".

Já no lado negativo, a Federação de Futebol do Estado do Espírito Santo (FES) não se pronunciou sobre o Capixabão. A previsão era que o torneio acontecesse de agosto a novembro, mas nem foi iniciado. Durante o ano, no entando, a federação organizou o Capixabão Masculino das Séries A e B, além de já decidir o calendário para a modalidade dos homens para 2021.

Sul: SC e PR sem previsão

Para terminar, a região Sul do Brasil teve bons e maus exemplos. No Rio Grande do Sul, Internacional e Grêmio disputaram a final em dezembro com direito a transmissão para a TV local e também pela internet. Em Santa Catarina, o torneio começou a ser realizado em março, foi paralisado por conta da pandemia, mas até agora não retornou. Já no Paraná, a Federação informou que não há condições de realizar o campeonato segundo as recomendações do Ministério da Saúde.

Foto: Mariana Capra/Divulgação Inter

O que diz a CBF

De acordo com a CBF, não há previsão de punição para os estados que não realizarem os campeonatos, já que se trata de um novo cenário. O problema, além da falta de continuidade no trabalho de desenvolvimento das atletas e da modalidade no Brasil, é que 27 dos 36 times que disputam a série A2 do Brasileirão são os vencedores dos campeonatos estaduais.

Com o início da disputa marcado para começar em maio, ainda há incerteza em relação aos representantes estaduais. Faltando apenas quatro meses para o início da competição, ainda não há previsão para que 11 federações realizem seus campeonatos e consigam enviar um representante para a segunda mais importante competição nacional. A CBF afirmou que a entidade está "aguardando a posição das federações" para "entender por que elas não pretendem fazer (os estaduais) e começar a levar sugestões para viabilizar".

Enquanto essa situação não se resolve, listamos aqui os campeões estaudais de 2020 que já foram definidos. São eles: Oratório (AP), Esmac (PA), Real Ariquemes (RO), Botafogo-PB, Santos Dumont (SE), Atlético-MG, Corinthians (SP) e Internacional (RS).

*Reportagem: Laís Malek 

 

Sobre as autoras

Angélica Souza é publicitária, de bem com a vida e tem um senso de humor que, na maioria das vezes, faz as pessoas rirem. Alucinada por futebol - daquelas que não pode ver uma bola que já sai chutando - sabe da importância e responsabilidade de ser uma mulher com essa paixão. Nas costas, gosta da 10, e no peito, o coração é verde e branco e bate lá na Turiassú. Renata Mendonça é apaixonada por esporte desde que se conhece por gente. Foi em um ~dibre desses da vida que conseguiu unir trabalho e paixão sendo jornalista esportiva. Hoje, sua luta é para que mais mulheres consigam ocupar esse espaço. Roberta Nina é aquariana por essência, são-paulina por escolha e jornalista de formação. Tem por vocação dar voz às mulheres no esporte.

Sobre o blog

Futebol não é coisa de mulher. Rugby? Vocês não têm força para jogar... Lugar de mulher é na cozinha, não no campo, na quadra, na arquibancada. Já ouviu isso muitas vezes, né?! Mas o ~dibradoras surgiu para provar justamente o contrário. Mulher pode gostar, entender e praticar o esporte que quiser. E quem achar que não, a gente ~dibra ;)

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