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Cristiane diz que queria ter rendido mais no SPFC e busca espaço na seleção

Renata Mendonça

05/12/2019 04h00

Foto: CBF

A seleção feminina se prepara para seu último compromisso do ano, diante do México, nos dias 12 e 15 de dezembro e já faz os primeiros treinos físicos na Granja Comary sob a supervisão da técnica Pia Sudhage. Para a atacante Cristiane, essa é a primeira oportunidade de mostrar sua qualidade para a sueca, que chegou há quatro meses, mas ainda não havia convocado a artilheira do Brasil na Copa do Mundo deste ano.

Isso porque Cristiane sofreu com uma lesão na coxa nas oitavas de final do Mundial contra a França que a tirou de campo por mais de dois meses. Ela perdeu quase todo o resto da temporada com o São Paulo, voltou apenas para a fase final do Paulista e agora ganhou sua primeira chance nessa nova fase da seleção. Com isso, ela sabe que precisa "correr atrás do prejuízo" e está disposta a mostrar seu valor para a nova comandante.

"Está sendo importante essa oportunidade, fiquei muito tempo afastada, oscilando o ano inteiro por conta da lesão. Vai ser bacana trabalhar com ela esses dias, até para ela ela poder me conhecer melhor. Acho que não dá para ficar se garantindo só com o que eu fiz lá na Copa, é uma coisa nova agora, então tenho que correr atrás", disse a camisa 11 às dibradoras.

Cristiane foi a artilheira do Brasil na Copa (Foto: CBF)

Artilheira do Brasil na Copa com quatro gols, Cristiane fez um Mundial excelente depois de ter passado quase um ano praticamente parada – ela fez pouquíssimos jogos antes de viajar para a França por conta de uma série de lesões que a tiraram de campo no ano passado. Depois da Copa, teve a previsão de que se recuperaria da lesão na coxa em cinco semanas, mas em seguida recebeu a notícia de que teria que esperar um pouco mais para voltar.

"Particularmente pra mim foi um ano de muitas oscilações, de me recuperar, ir bem na Copa, depois me lesionar de novo. Aí levei um tempo mais longo pra me recuperar, isso me deu uma desanimada. Tive um momento muito importante na Copa, mas eu queria ter rendido mais, principalmente no São Paulo", admitiu a atleta.

No clube, a jogadora chegou com a grande contratação da retomada do futebol feminino no São Paulo, mas atuou em poucos jogos, só conseguindo estar em campo para as semifinais e finais do Campeonato Paulista. Ela ainda não tem definição sobre renovação de contrato para a próxima temporada, mas reconhece que gostaria de ter contribuído mais para a equipe, que encerrou o ano com o título da Série A2 do Brasileiro e o vice-campeonato Paulista.

"Sempre deixei muito bem claro para todo mundo e para as meninas dentro do grupo que faltou muito da minha parte, eu não consegui contribuir para o clube e para as meninas como eu gostaria. Mas quando você se lesiona, não tem o que fazer, você tem que esperar se recuperar pra voltar à ativa e não se lesionar de novo, no meu caso foi uma lesão um pouco séria. Acho que particularmente foi um pouco difícil nesse ponto em querer ajudar as meninas e o São Paulo."

Foto: Dibradoras

Oportunidade nos amistosos

O esforço de Cristiane para voltar ao seu ápice físico tem sido intenso. Ela treinava em períodos extras além do clube e, mesmo quando entrou de férias das atividades do São Paulo, seguiu com os treinos físicos. Agora, na seleção, tem a tarefa de mostrar para Pia que merece uma vaga no time. O principal objetivo dela é disputar pela última vez a Olimpíada, no ano que vem.

"Eu estou procurando isso. Eu já tinha colocado isso, de jogar a última Copa, procurar estar dentro do grupo, porque como eu falei, é diferente agora, ela está dando oportunidade para todo mundo, ela precisa conhecer todo mundo. O meu objetivo é estar no grupo para disputar essa Olimpíada com as meninas", reforçou. 

A treinadora, por sua vez, já elogiou Cristiane por sua eficiência dentro da área, mas deu o recado: na seleção dela, todas as jogadoras precisarão cumprir também um papel defensivo.

Seleção feminina se prepara para últimos amistosos do ano (Foto: CBF)

"Falei com a Cristiane, disse pra ela correr mais rápido e um pouco mais, porque era isso que ela estava fazendo. Ela é uma atacante, uma das melhores dentro da área, mas o jogo também acontece fora da área, então eu provavelmente vou pedir um pouco mais dela na questão do jogo coletivo na defesa", afirmou a técnica às dibradoras.

"Essa é uma das nossas estratégias para não tomar gols. Nós não podemos ter uma ou duas jogadoras esperando pra atacar, todas precisa, estar incluídas na defesa. Claro que temos que entender como ela jogava antes, como isso vai mudar, eu tenho que ser paciente para ver isso acontecendo com todo mundo o tempo todo."

Novas formações

Para esses amistosos, Pia chamou nomes diferentes para a seleção. Com as atletas europeias fora – por não ser data Fifa, a maioria delas não foi liberada pelos clubes -, a sueca quer observar novas formações em campo.

Foto: Mauro Horita / CBF

"Acho que esses jogos serão interessantes porque vou ver novas jogadoras em campo, vamos continuar o trabalho que estamos fazendo, talvez tenhamos uma ideia melhor da forma como queremos o time defendendo e atacando. Especialmente na situação de como ficamos atrás da bola no momento da defesa. No ataque, quero ver a seleção criando mais chances e mantendo a bola. Será um time diferente, vai ser interessante ver como elas vão se entrosar."

A CBF ainda não informou os detalhes de venda de ingresso, mas os jogos acontecerão na quarta-feira, dia 12 de dezembro, às 21h na Arena Corinthians, e no domingo, dia 15, na Fonte Luminosa em Araraquara, às 18h30. Ambos terão transmissão do SporTV.

Sobre as autoras

Renata Mendonça é jornalista, são-paulina, e apaixonada por esporte desde que se conhece por gente. Foi em um ~dibre desses da vida que conseguiu unir trabalho e paixão sendo jornalista esportiva. Hoje, sua luta é para que mais mulheres consigam ocupar esse espaço. Angélica Souza é publicitária, de bem com a vida e tem um senso de humor que, na maioria das vezes, faz as pessoas rirem. Alucinada por futebol - daquelas que não pode ver uma bola que já sai chutando - sabe da importância e responsabilidade de ser uma mulher com essa paixão. Nas costas, gosta da 10, e no peito, o coração é verde e branco e bate lá na Turiassú. Roberta Nina é aquariana por essência, são-paulina por escolha e jornalista de formação. Tem por vocação dar voz às mulheres no esporte.

Sobre o blog

Futebol não é coisa de mulher. Rugby? Vocês não têm força para jogar... Lugar de mulher é na cozinha, não no campo, na quadra, na arquibancada. Já ouviu isso muitas vezes, né?! Mas o ~dibradoras surgiu para provar justamente o contrário. Mulher pode gostar, entender e praticar o esporte que quiser. E quem achar que não, a gente ~dibra ;)

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