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Com apoio da filha de Bob Marley, Jamaica garante vaga inédita para Copa

Roberta Nina

20/10/2018 04h00

Seleção jamaicana comemora classificação para o Mundial (Foto: Getty Images)

Pela primeira vez na história, a Jamaica irá disputar uma Copa do Mundo de Futebol Feminino. O feito alcançado pelas Reggae Girlz aconteceu na noite da última quarta-feira (17/10), no Texas, quando a equipe jamaicana derrotou o Panamá por 4×2 nos pênaltis, após empate em 2×2 no tempo regulamentar.

Com o resultado, a Jamaica ficou em terceiro lugar no CONCACAF Women's Championship e se tornou o primeiro país caribenho a se classificar para o Mundial feminino que acontece no ano que vem, na França. A conquista das garotas aconteceu em uma data emblemática, exatamente 20 anos depois da equipe masculina ter chegado à sua primeira Copa do Mundo, em 1998 – também realizada na França.

Além da data, o sonho só se tornou realidade graças à Cedella Marley, filha primogênita da figura mais famosa do país, o cantor Bob Marley. Com apoio financeiro e atuando como embaixadora da seleção, o resultado foi alcançado a longo prazo. "Papai provavelmente não ficaria surpreso, quando eu coloco meu dedo em alguma coisa, algo bom acontecesse. Ele diria tipo, 'essa é minha menina"', afirmou Cedella em entrevista à BBC.

Como o jogo foi muito nervoso – com a Jamaica sofrendo o empate por duas vezes durante os 90 minutos e depois com a decisão por pênaltis, Cedella afirmou que precisou se acalmar durante a partida. "Saí e comecei a meditar. Quando a última penalidade chegou, estávamos todos no chão", afirmou ao mesmo veículo. "Em muitos momentos em que eu tive que sair da sala porque eu estava ficando tonta (assistindo ao jogo)"

A história precisa ser relembrada, já que a seleção deixou de existir em 2010, quando a Federação Jamaicana de Futebol (JFF) cortou o financiamento para a equipe. Com isso, o time foi totalmente desclassificado no ranking mundial da Fifa por conta dos três anos de inatividade.

Quatro anos depois, em 2014, Cedella Marley passou a apoiar a equipe nacional através da Fundação Bob Marley, e se tornou embaixadora oficial da equipe. "Acredito firmemente que toda garota deve ter a oportunidade de perseguir seus sonhos, seja futebol, música, negócios, seja lá o que for", disse ela, antes da campanha de qualificação sem sucesso do Reggae Girlz para o Canadá 2015.

Além de contar com o apoio da Fundação que leva o nome do cantor jamaicano, a seleção feminina também recebe um auxílio complementar da Fundação Alacran, que é uma instituição de caridade registrada no Reino Unido que planeja construir escolas de música na Jamaica.

Cedella sempre acreditou que a equipe feminina pudesse se destacar na modalidade, isso é claro, se recebessem a mesma quantia de investimento que as estrelas do atletismo do país recebem, por exemplo. E a maior estrela do esporte jamaicano não deixou de homenagear as meninas da seleção. Pelo Twitter, Usain Bolt festejou: "Parabéns para as #ReggaeGirlz pela classificação para a Copa do Mundo Feminina em 2019, na França."

Cedella Marley tem 51 anos e já foi cantora na banda da família 'Ziggy Marley e Melody Makers', Agora, além de ser embaixadora da seleção feminina de futebol, é diretora executiva da gravadora de seu falecido pai e designer de moda. Ela foi a responsável pela criação do vestuário jamaicano para as Olimpíadas de Londres 2012.

A presença de Cedella foi primordial para que o objetivo inédito fosse alcançado. "Esse apoio da Fundação Bob Marley tem sido tão importante para nós", disse o técnico da Jamaica, Hue Menzies, ao site FIFA.com. "Bob Marley adorava futebol, claro. Cedella continuou essa paixão e ela realmente quer ajudar o futebol feminino na Jamaica. "

Cedella desenvolveu os uniformes da equipe jamaicana nos Jogos Olímpicos, em 2012 (Foto: Getty Images)

A equipe nacional conta com a experiência de algumas jogadoras que atuam na Europa, em clubes importantes da Holanda, Suécia e Islândia. O restante da equipe tem experiência na liga norte-americana.

Na Jamaica, há uma nova liga de futebol feminino que começou a ser disputada neste ano. "Esta é uma oportunidade rara e importante para as jogadoras exibirem o futebol feminino na frente de um público em casa", disse Menzies, treinador da seleção, nascido na Inglaterra e criado na Jamaica, com larga experiência na profissão atuando nos Estados Unidos.

Seleção jamaicana (Foto: Getty Images)

No dia 28 de outubro, a seleção jamaicana de futebol feminino fará um amistoso em Londres contra o Nottingham Forest Ladies. "Ainda temos muito a provar. Muitas pessoas fazem história, mas a única maneira de manter nossa relevância é continuar vencendo. Não competimos para nos classificar, competimos para vencer", afirmou Cedella à BBC.

Jamaica, Canadá e Estados Unidos são os países que representarão a CONCACAF na Copa do Mundo Feminina na França, no próximo ano.

Sobre as autoras

Renata Mendonça é jornalista, são-paulina, e apaixonada por esporte desde que se conhece por gente. Foi em um ~dibre desses da vida que conseguiu unir trabalho e paixão sendo jornalista esportiva. Hoje, sua luta é para que mais mulheres consigam ocupar esse espaço. Angélica Souza é publicitária, de bem com a vida e tem um senso de humor que, na maioria das vezes, faz as pessoas rirem. Alucinada por futebol - daquelas que não pode ver uma bola que já sai chutando - sabe da importância e responsabilidade de ser uma mulher com essa paixão. Nas costas, gosta da 10, e no peito, o coração é verde e branco e bate lá na Turiassú. Roberta Nina é aquariana por essência, são-paulina por escolha e jornalista de formação. Tem por vocação dar voz às mulheres no esporte.

Sobre o blog

Futebol não é coisa de mulher. Rugby? Vocês não têm força para jogar... Lugar de mulher é na cozinha, não no campo, na quadra, na arquibancada. Já ouviu isso muitas vezes, né?! Mas o ~dibradoras surgiu para provar justamente o contrário. Mulher pode gostar, entender e praticar o esporte que quiser. E quem achar que não, a gente ~dibra ;)

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