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Futebol feminino tem recorde histórico de público na Espanha

Renata Mendonça

31/01/2019 04h00

(Foto: Divulgação Facebook/Athletic Club)

Não é de hoje que a Espanha tem investido no futebol feminino e, por consequência, o desenvolvimento da modalidade acontece a todo vapor. Prova disso foi o novo marco conquistado em uma partida de quartas-de-final de Copa do Rainha na última terça-feira (29/1) na partida entre Athletic Bilbao e Atlético de Madri. Quase 50 mil pessoas estiveram no estádio San Mamés na cidade de Bilbao para prestigiar a partida.

Para sermos mais precisas, 48.121 torcedores foram às arquibancadas para ver um jogo que sequer valia o título. O número é recorde para o futebol feminino da Espanha e também para o estádio San Mamés nesta temporada – o maior público até então era o da partida entre Athletic e Real Madrid, no masculino, com 46.684. Está, inclusive, entre as maiores marcas do futebol feminino de clubes no mundo todo, perdendo apenas entre os jogos mais recentes para o recorde mexicano em 2018, quando 51.211 foram à final do campeonato nacional para ver Monterrey x Tigres.

Um feito impressionante para um clube – e um país, em geral – que tem acumulado bons exemplos no futebol feminino. A vitória do Atlético de Madri por 2 a 0 foi só um detalhe perto do enorme feito que esse jogo representou. O Athletic Bilbao, inclusive, é um dos times que mais tem conseguido divulgar a modalidade e atrair público para o seu estádio. Na semana anterior, em uma partida pelo Campeonato Espanhol, o clube já havia tido 40 mil torcedores nas arquibancadas para ver as mulheres jogando. 

O treinador do Athletic Bilbao ressaltou a importância desse recorde, apesar da derrota de sua equipe. "Estou muito orgulhoso do nosso time, da nossa camisa, da nossa torcida. O público respondeu de maneira fenomenal, foi uma pena a derrota por 2 a 0, que não refletiu o que se viu em campo", disse Joseba Agirre.

(Foto: Divulgação Facebook/Athletic Club)

Já o comandante adversário destacou o mérito de sua equipe ao ter conseguido êxito no jogo, mesmo diante de tamanha torcida rival. "Esse é um recorde pra toda a vida. Não haveria melhor cenário para conseguir essa classificação. Tivemos muito mérito por termos conseguido ganhar do Athletic com quase 50 mil torcedores aqui, é algo novo para nós", afirmou à imprensa espanhola o técnico do Atlético de Madri, José Luis Sánchez Vera.

Para melhorar ainda mais o espetáculo que se viu na partida, o Athletic promoveu um verdadeiro show à parte para fazer desse um jogo histórico. O clube convidou mais de 100 mulheres importantes do futebol espanhol e  da política e não cansou de reforçar a importância daquela partida na divulgação prévia. Resultado? Casa cheia, mesmo no inverno espanhol e em uma noite de chuva.

(Foto: Divulgação Facebook/Athletic Club)

A jogadora Erika Vázquez, capitã do Athletic, disse que era possível sentir a energia da torcida já de dentro do vestiário. "Ficamos muito orgulhosas da nossa torcida. Entramos em campo com o maior público da Europa, isso é impressionante e realmente nos motivou ao longo do jogo a correr mais e buscar o resultado. Infelizmente não foi possível. Mas pelo público e pelo que isso representa, estamos muito satisfeitas", afirmou a atleta.

Para se ter um pouco da ideia do tamanho desse número no contexto do futebol feminino, ele está simplesmente entre os maiores de todo o mundo (considerando clubes). Superou até mesmo o já impressionante público da final da FA Cup (Copa da Inglaterra) do ano passado entre os times femininos de Arsenal e Chelsea  com 45.423 torcedores no estádio.

E também todos os outros recordes da modalidade na Espanha – o anterior era de 2003, quanto o próprio Bilbao teve um público de 36 mil torcedores numa partida com o Híspalis, mas era uma partida que valia título. Nem mesmo a própria seleção espanhola que jogou neste mês contra os Estados Unidos em amistoso conseguiu um público perto disso – foram apenas 9.182 no estádio Rico Pérez de Alicante. 

(Foto: Divulgação Facebook/Athletic Club)

Mas não é à toa que esse recorde está vindo agora. Nos últimos cinco anos, a Espanha tem crescido bastante no futebol feminino. Varios dos clubes tradicionais do masculino já têm times fortes no feminino, como é o caso do próprio Athletic Bilbao, o Atletico de Madri e o Barcelona (tudo isso sem uma regra para obrigá-los, como está acontecendo agora no Brasil).

Além disso, há transmissões na TV de pelo menos um jogo por rodada e o interesse do público tem aumentado cada dia mais – comparando a temporada do Campeonato Espanhol feminino de 2016-2017 com a de 2017-2018, a audiência cresceu 40% segundo os dados oficiais da organização do torneio.

O investimento já tem dado resultado até na seleção. A Espanha foi campeã mundial sub-17 e vice-campeã mundial sub-20 no ano passado. Além disso, a seleção principal do país ocupa a 12ª colocação no ranking da Fifa, apenas duas abaixo do Brasil.

Seleção espanhola: campeão mundial sub-17 em 2018 (Foto: FIFA/Getty Images)

São fatos que só mostram o imenso potencial que o futebol feminino pode ter quando se investe nele de maneira correta e consistente. Não será mais tanta surpresa se a Espanha chegar às quartas ou a uma semifinal inédita de Copa do Mundo neste ano – lembrando que a seleção espanhola só disputou uma vez o Mundial (em 2015) e sequer passou da fase de grupos.

Sobre as autoras

Renata Mendonça é jornalista, são-paulina, e apaixonada por esporte desde que se conhece por gente. Foi em um ~dibre desses da vida que conseguiu unir trabalho e paixão sendo jornalista esportiva. Hoje, sua luta é para que mais mulheres consigam ocupar esse espaço. Angélica Souza é publicitária, de bem com a vida e tem um senso de humor que, na maioria das vezes, faz as pessoas rirem. Alucinada por futebol - daquelas que não pode ver uma bola que já sai chutando - sabe da importância e responsabilidade de ser uma mulher com essa paixão. Nas costas, gosta da 10, e no peito, o coração é verde e branco e bate lá na Turiassú. Roberta Nina é aquariana por essência, são-paulina por escolha e jornalista de formação. Tem por vocação dar voz às mulheres no esporte.

Sobre o blog

Futebol não é coisa de mulher. Rugby? Vocês não têm força para jogar... Lugar de mulher é na cozinha, não no campo, na quadra, na arquibancada. Já ouviu isso muitas vezes, né?! Mas o ~dibradoras surgiu para provar justamente o contrário. Mulher pode gostar, entender e praticar o esporte que quiser. E quem achar que não, a gente ~dibra ;)

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