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Corinthians vence Paulista com recorde de público no futebol feminino

Roberta Nina

16/11/2019 12h59

Comemoração do primeiro gol na Arena Corinthians (Foto: Bruno Teixeira)

Neste sábado, a Arena Corinthians foi palco da decisão do 21º Campeonato Paulista de Futebol Feminino. Depois de vencer o São Paulo por 1×0 no primeiro confronto, realizado no Morumbi, o Corinthians sagrou-se campeão ao vencer por 3×0 com gols de Victoria, Juliete e Millene diante de 28.609 pessoas.

Com isso, o novo recorde de público entre clubes no Brasil é do Corinthians, que superou a presença de 25.300 pessoas na Arena da Amazônia, na partida entre Iranduba e Santos, no Brasileiro de 2017.

Este foi o segundo título da equipe alvinegra na temporada. Sob o comando do treinador Arthur Elias, o Timão venceu a Libertadores da América em outubro, no Equador, e agora conquista o estadual, título inédito na história do plantel feminino.

Sem perder um jogo (no tempo regulamentar) nas últimas 45 partidas e com uma campanha impecável durante todo o ano, o Corinthians fechou sua participação no Paulista com 20 jogos e 20 vitórias, marcando 67 gols e sofrendo apenas 7.

A artilheira da competição é Victoria Albuquerque, camisa 17 do Timão com 11 gols marcados. Depois dela, foi Millene quem marcou mais gols, oito no total. 

O jogo 

O Corinthians entrou em campo diante de uma grande festa promovida pela torcida. Ainda na execução do hino nacional, as jogadoras de ambos os clubes estavam visivelmente emocionadas.

Victoria, autora do primeiro gol e artilheira do Corinthians no Paulista (Foto: Bruno Teixeira)

Com a bola rolando, o time da casa abriu o placar aos 5 minutos de jogo com Victoria Albuquerque que, com um toque sutil, encobriu a goleira Carla do tricolor.

O primeiro tempo foi amplamente dominado pelo Corinthians. Aos 13 minutos, o Timão chegou com perigo no cruzamento de Juliete e cabeçada de Pardal.

Aos 17, Millene e Victoria tabelaram rumo ao ataque e no chute de Vic, a goleira Carla fez a defesa.

O único lance de perigo do São Paulo aconteceu aos 38 minutos em um chute de Brenda dentro da área, que exigiu boa defesa da goleira Tainá.

Aos 43 minutos, outra chance de perigo com o Corinthians. Millene arrancou do meio-campo, fez fila, mas o chute de Giovana Crivelari foi pra fora.

Assim como no primeiro tempo, o Timão voltou a campo no maior pique da etapa final e, aos 3 minutos, ampliou sua vantagem para 2×0 aproveitando um erro na construção da jogada são-paulina. Giovana arrancou rumo ao ataque, serviu Millene e Juliete chegou batendo pro gol.

Juliete, autora do segundo gol (Foto: Bruno Teixeira)

O Corinthians buscou o ataque o jogo todo. Com desvantagem no placar, o São Paulo ficou bastante apático e sem forças para buscar o gol.

Aos 25 do segundo tempo, a equipe visitante chegou com perigo. Dentro da área, Cristiane foi travada em tentativa de chute e, Brenda, na sobra, chutou pra fora.

Para sacramentar de vez a conquista corinthiana, Paulinha construiu a jogada, serviu Millene que marcou o terceiro gol alvinegro. A torcida foi à loucura e a camisa 14 tirou a camisa e jogou para o público na arquibancada.


Público, transmissão e audiência

Essa edição do Paulista Feminino já é especial por inúmeros fatores. Além do campeonato ser o mais longevo e equilibrado do país, a Federação Paulista de Futebol contou com a transmissão online de jogos e isso gerou um crescimento importante de audiência. 

Segundo dados da FPF TV, na comparação com 2018, a temporada deste ano já teve um aumento significativo no número de espectadores – cresceu 261%. A audiência do feminino no ano passado foi de 1,1 milhão somados os jogos transmitidos. Desta vez, mesmo com a transmissão da TV (a Rede Vida mostrou boa parte dos jogos), a audiência online também foi significativa atingindo 2,9 milhões de visualizações (sem contar os dois jogos da final).

Foto: Divulgação São Paulo

Esse crescimento é também algo que tem despertado a atenção de veículos de mídia tradicionais, como foram os casos do SporTV e TVCultura, que quiseram desta vez passar os jogos da decisão. O canal por assinatura, por exemplo, foi líder de audiência entre os canais esportivos no horário da primeira Final Majestosa (entre 11h e 13h). 

Isso significa que tinha mais gente ligada no SporTV vendo as mulheres em campo do que na ESPN Brasil assistindo ao jogo entre Manchester City e Southampton pela Premier League. A ESPN tinha Arsenal e Wolves nesse horário e também perdeu em audiência. E para fechar, a Fox, que transmitia um jogo da Bundesliga nesse horário entre Eintracht Frankfurt e Bayern de Munique (que acabou em goleada em cima do Bayern, por sinal), também ficou atrás da final do Paulistão feminino.

Comemoração do segundo gol corinthiano (Foto: dibradoras)

Outro ponto importante a destacar foi o engajamento dos clubes na decisão, abrindo o Morumbi e a Arena Corinthians para que as mulheres pudessem, de fato, jogar no estádio oficial dos times que defendem. No primeiro jogo, o São Paulo foi derrotado pelo Corinthians com pouco mais de 8 mil pessoas na arquibancada.

No duelo final, a Arena Corinthians recebeu mais 28 mil pessoas, que formaram filas quilométricas em torno do Parque São Jorge e do próprio estádio para a retirada prévia dos ingressos (foram retirados mais de 36 mil ingressos)

Com todo um trabalho de divulgação e engajamento da Federação, dos clubes e da mídia, sem dúvidas, essa edição do Paulista Feminino entra para a história em um ano transformador para o futebol feminino.

Lista de todos os campeões paulistas de futebol feminino:

1997: São Paulo
1998: Portuguesa
1999: São Paulo
2000: Portuguesa
2001: Palmeiras
2004: Ferroviária
2005: Ferroviária
2006: Botucatu
2007: Santos
2008: Botucatu
2009: Botucatu
2010: Santos
2011: Santos
2012: São José
2013: Ferroviária
2014: São José
2015: São José
2016: Rio Preto
2017: Rio Preto
2018: Santos
2019: Corinthians

Sobre as autoras

Renata Mendonça é jornalista, são-paulina, e apaixonada por esporte desde que se conhece por gente. Foi em um ~dibre desses da vida que conseguiu unir trabalho e paixão sendo jornalista esportiva. Hoje, sua luta é para que mais mulheres consigam ocupar esse espaço. Angélica Souza é publicitária, de bem com a vida e tem um senso de humor que, na maioria das vezes, faz as pessoas rirem. Alucinada por futebol - daquelas que não pode ver uma bola que já sai chutando - sabe da importância e responsabilidade de ser uma mulher com essa paixão. Nas costas, gosta da 10, e no peito, o coração é verde e branco e bate lá na Turiassú. Roberta Nina é aquariana por essência, são-paulina por escolha e jornalista de formação. Tem por vocação dar voz às mulheres no esporte.

Sobre o blog

Futebol não é coisa de mulher. Rugby? Vocês não têm força para jogar... Lugar de mulher é na cozinha, não no campo, na quadra, na arquibancada. Já ouviu isso muitas vezes, né?! Mas o ~dibradoras surgiu para provar justamente o contrário. Mulher pode gostar, entender e praticar o esporte que quiser. E quem achar que não, a gente ~dibra ;)

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