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“Deem às pessoas o que elas querem”: Rapinoe ecoa pedido por igualdade

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07/07/2019 15h58

Campeã, artilheira e eleita como melhor jogadora da Copa do Mundo que terminou hoje, com título da seleção dos Estados Unidos, Rapinoe reforçou um coro dos torcedores que lotaram o estádio da final entre Estados Unidos e Holanda. Durante a cerimônia de premiação do torneio, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, foi chamado ao palco para entregar medalhas e acabou vaiado por mais de 57 mil pessoas.

Em seguida, o dirigente ouviu um grito uniforme das arquibancadas: "Equal pay", que pode ser traduzido como "pagamentos iguais", uma crítica à diferença na premiação da Copa do Mundo masculina para a feminina.

Na Copa da França, a seleção americana receberá US$ 30 milhões, com possibilidade de o valor ser dobrado na Copa do Mundo de 2023. Já a seleção masculina que vencer o Mundial do Qatar no ano anterior receberá US$ 400 milhões. É a condição que os torcedores em Lyon decidiram não aceitar.

"Eu amei (os gritos). Ter um estádio lotado mostra que o movimento está crescendo. É incrível ver isso no estádio em que estão o presidente da França (Emmanuel Macron), da Fifa (Infantino), delegados de todos os lugares do mundo. É isso o que as pessoas querem. As pessoas estão gritando por isso. Deem às pessoas o que elas querem", sentenciou Rapinoe, o nome do tetracampeonato dos Estados Unidos.

"Acho que todo mundo está pronto para ver esse debate evoluir para o próximo passo. Nós já passamos a fase do 'será que vale a pena?' ou 'o mercado não é o mesmo', etc, todo mundo já está cheio disso. Os torcedores estão cansados, as jogadoras estão cansadas disso, vamos avançar para o próximo nível da discussão. O que vem depois? Como nós apoiamos as federações, os programas de desenvolvimento de futebol feminino ao redor do mundo, o que a Fifa pode fazer, o que nós podemos fazer para apoiar as ligas do mundo todo", afirmou a atacante.

"Nós, todas nós jogadoras desse Mundial, fizemos o melhor espetáculo que alguém poderia querer ver nessa Copa. Não poderíamos ter causado melhor impressão, não poderíamos ter sido melhores embaixadoras. Está na hora de avançar essa conversa. E passar um pouco de vergonha em público não machuca ninguém", finalizou.

Hoje, em Lyon, Rapinoe fez o gol que abriu a vitória por 2 a 0 diante da Holanda ao converter cobrança de pênalti contra a goleira holandesa Van Veenendaal, eleita a melhor da Copa do Mundo.

Mais do que a reconhecida qualidade em campo,  ela é uma atleta que não se cala diante das injustiças que acontecem ao seu redor e que ainda lidera as americanas em um processo judicial contra a US Soccer (confederação americana de futebol) por igualdade de condições de trabalho e de pagamento com relação à seleção masculina. Para além de ser craque dentro de campo, Rapinoe é um exemplo gigantesco fora dele e merece todas as nossas reverências.

Sobre as autoras

Renata Mendonça é jornalista, são-paulina, e apaixonada por esporte desde que se conhece por gente. Foi em um ~dibre desses da vida que conseguiu unir trabalho e paixão sendo jornalista esportiva. Hoje, sua luta é para que mais mulheres consigam ocupar esse espaço. Angélica Souza é publicitária, de bem com a vida e tem um senso de humor que, na maioria das vezes, faz as pessoas rirem. Alucinada por futebol - daquelas que não pode ver uma bola que já sai chutando - sabe da importância e responsabilidade de ser uma mulher com essa paixão. Nas costas, gosta da 10, e no peito, o coração é verde e branco e bate lá na Turiassú. Roberta Nina é aquariana por essência, são-paulina por escolha e jornalista de formação. Tem por vocação dar voz às mulheres no esporte.

Sobre o blog

Futebol não é coisa de mulher. Rugby? Vocês não têm força para jogar... Lugar de mulher é na cozinha, não no campo, na quadra, na arquibancada. Já ouviu isso muitas vezes, né?! Mas o ~dibradoras surgiu para provar justamente o contrário. Mulher pode gostar, entender e praticar o esporte que quiser. E quem achar que não, a gente ~dibra ;)

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