Dibradoras http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br Mulher pode gostar, entender e praticar o esporte que quiser. Wed, 22 Jan 2020 13:14:02 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.2 Brasileiro feminino de 2020 terá número recorde de times profissionais http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/2020/01/22/brasileiro-feminino-de-2020-tera-numero-recorde-de-times-profissionais/ http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/2020/01/22/brasileiro-feminino-de-2020-tera-numero-recorde-de-times-profissionais/#respond Wed, 22 Jan 2020 07:00:43 +0000 http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/?p=9219

Foto: Felipe Blanco / Ferroviária

A quase duas semanas do início de um Campeonato Brasileiro feminino histórico, podemos dizer que já há motivos para comemorar. A série A1 (primeira divisão) deste ano terá um número recorde de equipes profissionais. Dos 16 clubes participantes, dez deles já não são mais considerados amadores – ou seja, 62% dos times que disputarão o torneio.

Isso já é um recorde. No ano passado, de 16, só sete equipes eram consideradas profissionais. Lembrando que os critérios para isso são, principalmente, o registro profissional das atletas na CBF. Isso acontece quando o clube emite o contrato profissional da jogadora no sistema CBF/Fifa (algo que só é possível quando a atleta tem um registro profissional CLT).

É importante ressaltar que, até pouco tempo atrás, era muito raro ver jogadoras de futebol recebendo salários com carteira assinada. Isso era privilégio de poucas. Agora, já dá para dizer que a maioria das atletas que entrarem em campo a partir do dia 8 de fevereiro na primeira rodada do Brasileiro feminino (A1) terá seu registro CLT.

As 10 equipes profissionais da primeira divisão neste ano são: Ferroviária, Internacional, Iranduba, Santos, Vitória e Flamengo (que já eram profissionais em 2019 na disputa da A1), além de Corinthians (que acabou de anunciar a profissionalização), Cruzeiro, Grêmio e São Paulo (que já assinavam a carteira das jogadoras em 2019 na disputa da segunda divisão). Desses, apenas o Vitória (BA) deve ter algumas atletas amadoras neste ano – o clube tinha profissionalizado todas do elenco em 2019, mas com a queda do time masculino para a segunda divisão, irá disputar o torneio feminino com uma equipe de base.

Na segunda divisão, são 36 clubes e a maioria ainda é amadora. Entre os times profissionais que disputarão a A2 neste ano estão América-MG, Atlético-MG, Ceará, Fortaleza e Tiradentes-PI. No entanto, o cenário ainda pode mudar até o início da competição dependendo do que os clubes apresentarem até lá – a segunda divisão começa em março.

Foto: Divulgação / Corinthians

Conquista significativa

Essa é uma conquista significativa, porque mostra o quanto a modalidade está em evolução no Brasil. Para se ter ideia, o primeiro clube a profissionalizar suas atletas apareceu apenas em 2015 – foi o Santos, na retomada do projeto do futebol feminino com o apoio do então presidente da época, Modesto Roma. Dali em diante, outros clubes começaram a fazer isso também para “conquistar” as jogadoras. Com o mercado cada vez mais aquecido com a presença dos times de camisa, a carteira assinada pode ser um diferencial para elas.

E é mesmo, se considerarmos que até cinco anos atrás, as jogadoras que atuavam uma vida inteira no futebol se aposentavam com a carteira vazia – tanto a carteira de trabalho, quanto a de guardar dinheiro. Isso porque muitos clubes sequer pagavam salário às atletas – era apenas uma ajuda de custo e, às vezes, uma bolsa na universidade. A carteira assinada era um sonho para elas, que tinham tantas incertezas nessa carreira tão sofrida – quando se tem um registro de trabalho, você tem garantias de FGTS e INSS que podem ser úteis em caso de desemprego, de tempo afastada do trabalho (por lesão, por exemplo) e de aposentadoria.

Foto: Igor Amorim / saopaulofc.net

Próximo passo

Se hoje há 10 dos 16 clubes da primeira divisão que profissionalizaram suas atletas, já começa a ser mais factível imaginar que nos próximos anos, já não haverá mais times amadores no futebol feminino (ao menos na elite do Brasileiro). Foi essa discussão que o técnico do Corinthians Arthur Elias levantou em coletiva de imprensa na última semana.

“O que eu entendo é que a gente está, num curto prazo, num momento de profissionalizar as competições. A CBF, no meu ponto de vista, deveria colocar a série A1 pelo menos em nível profissional, para atletas que tenham registro profissional. Isso gera um investimento maior, mas faz com que o mercado se desenvolva também”, afirmou o comandante corintiano.

Questionamos o Supervisor de competições do futebol feminino da CBF, Romeu Castro, sobre a possibilidade de tornar a série A1 profissional num futuro próximo – o que significaria, na prática, que somente equipes profissionais e atletas consideradas profissionais poderiam estar na disputa.

Foto: Divulgação Palmeiras

“Este é um processo que acredito que será irreversível para um futuro próximo. Mas que está sendo projetado com muito cuidado, pensando também na estrutura dos clubes sustentada via projetos incentivados e com participação do poder público. Temos que consolidar os avanços obtidos para garantir a sustentabilidade da modalidade dentro dos patamares estruturais e salariais que o futebol de mulheres merece”, afirmou.

A série A1 do Brasileiro feminino começa no dia 8 de fevereiro e terá pelo menos um jogo transmitido em rede nacional – Palmeiras x Corinthians às 14h do dia 9 de fevereiro terá transmissão na Band.

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Reformulação: Santos quer resgatar ‘sereias da vila’ – mas vai ter Vila? http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/2020/01/21/reformulacao-santos-quer-resgatar-sereias-da-vila-mas-vai-ter-vila/ http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/2020/01/21/reformulacao-santos-quer-resgatar-sereias-da-vila-mas-vai-ter-vila/#respond Tue, 21 Jan 2020 07:00:37 +0000 http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/?p=9211

Foto: Divulgação Santos FC

O Santos apresentou nesta segunda-feira o seu maior reforço para 2020: a atacante Cristiane, que estava no São Paulo. O último entre os grandes paulistas a divulgar seu elenco no futebol feminino, a equipe praiana passa por grande reformulação para esta temporada. Mesmo com o projeto mais antigo do futebol feminino entre São Paulo, Corinthians e Palmeiras, o Santos foi quem mais perdeu atletas de 2019 para 2020.

Foram 19 que saíram no total, incluindo a artilheira Glaucia, a atacante Patricia Sochor e a lateral Maurine – essa que esteve no projeto desde que ele foi retomado em 2015. Chegaram 15 (ainda estão chegando, na verdade), incluindo quatro dos tempos do surgimento das “Sereias da Vila”, um time que começou a fazer história no futebol feminino em 2009: a atacante Cristiane, as meio-campistas Erikinha e Thaisinha e a lateral Giovana. A ideia do clube é resgatar a tradição e as glórias daquele time, que conquistou tudo entre 2009 e 2010.

Mas se a ideia é essa, uma das dúvidas que surgem é se as jogadoras poderão jogar na Vila Belmiro, a casa do Santos. Foi lá que, em 2018, elas garantiram o recorde de público do estádio no ano, com quase 14 mil pessoas nas arquibancadas na final do Paulista. Em 2017, foram mais de 16 mil pessoas (lotação máxima), com muita gente ainda ficando para fora, na final do Campeonato Brasileiro contra o Corinthians. O estádio sempre foi uma força do Santos no futebol feminino e também uma conexão das jogadoras com a torcida, que é apaixonada pelas Sereias desde o projeto bem-sucedido que repatriou Marta em 2009. Mas no ano passado, elas não puderam jogar na Vila Belmiro.

Gramado cheio de lama no Ulrico Mursa (Foto: Pedro Ernesto Guerra / Santos FC)

Questionado sobre isso na coletiva de imprensa, o presidente José Carlos Perez se esquivou da responsabilidade. “A intenção é que jogue na Vila Belmiro esse ano. No ano de 2019, nós tivemos um treinador que achava que só ele poderia jogar na Vila. Nós queríamos muito um título naquele ano e acabamos cedendo a isso. Mas nós vamos lutar pra que elas também tenham direito de jogar na Vila que é a nossa casa”, afirmou o dirigente.

Apesar do compromisso em “lutar para que o time feminino volte a jogar na Vila”, o presidente deveria ter forças para determinar que isso acontecesse – se ele assim quisesse. Mas com a resposta superficial, ele dá a entender que a prioridade de decisão é do técnico do time principal masculino. E, se assim como Jorge Sampaoli, Jesualdo quiser a exclusividade de uso da Vila Belmiro, ele assim terá. As Sereias Da Vila que ganharam o apelido também pelo sucesso que faziam no estádio, enchendo as arquibancadas com frequência, talvez precisem de novo virar “Sereias do Ulrico Mursa”, um estádio com gramado bastante ruim, como ficou claro nas quartas-de-final do Brasileiro do ano passado.

 

Reformulação

O clube alega que a saída de 19 jogadoras não foi uma “debandada”, e sim uma reformulação do Santos para um novo projeto em 2020. Ainda assim, é inegável que o time que sempre foi referência na modalidade, ficou um pouco para trás em 2019. Agora, a ideia com a retomada da tradição das “sereias da Vila”, é voltar a ser modelo no futebol feminino. E o projeto começa com a chancela de ninguém menos que Cristiane.

“O presidente tem conversado muito comigo, tem sido muito franco, os projetos que ele tem na modalidade, eu falei: se isso sair do papel, vocês serão pioneiros. O torcedor santista tem um carinho absurdo não só por mim, mas por todas as jogadoras que passaram aqui, não à toa tem várias voltando. Nossa história está aqui dentro do clube, se você for ao Museu você vai ver nossos troféus e nossas conquistas”, afirmou a atacante.

Foto: Dibradoras

Se demorou um pouco mais para apresentar os reforços, o Santos garante que vai brigar pelos títulos de novo neste ano e para se manter no topo no futebol feminino. O time também passou por diversas mudanças na comissão técnica e contou com a chegada de uma novidade importante: a auxiliar técnica Sandra Santos.

No ano passado, Emily Lima era a técnica e Guilherme Giudice foi seu auxiliar. Com a saída de Emily, Guilherme assumiu e agora ele monta sua comissão com a participação de mulheres muito competentes: é o caso de Sandra, que foi coach na época de Emily na seleção brasileira e preparadora física depois no time da Vila – agora ela será auxiliar de Gui. Além disso, o treinador conseguiu contar com Pati Nardy para ser preparadora de goleiras. A ideia dela era jogar por mais um ano, mas ele fez a oferta de ela continuar seu trabalho no clube com as chuteiras penduradas, e a jogadora gostou da ideia. Na base, mais uma ex-jogadora que se preparou para atuar fora dos gramados terá uma oportunidade: a ex-goleira Thais Picarte será a coordenadora da base.

Entre os reforços, o Santos já confirmou as chegadas da meia Gaby Soares e da atacante Larissa do Flamengo, e deverá anunciar mais nomes do clube carioca: A lateral esquerda Fernanda Palermo, a meia Bia Menezes, e a zagueira Day

Na sexta-feira, o clube praiano fará uma apresentação oficial do elenco de 28 atletas para a imprensa, também na Vila Belmiro. As jogadoras usarão o CT Meninos da Vila para treinar, além de algumas estruturas do clube Marítima, que tem parceria com o Santos para o feminino e a base. Os locais de jogo ainda não estão definidos – mas os dirigentes sabem que há uma cobrança grande para que sejam na Vila Belmiro.

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Cristiane volta ao Santos: ‘Eles sabem que se faltar algo, vou cobrar’ http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/2020/01/20/cristiane-volta-ao-santos-eles-sabem-que-se-faltar-algo-vou-cobrar/ http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/2020/01/20/cristiane-volta-ao-santos-eles-sabem-que-se-faltar-algo-vou-cobrar/#respond Mon, 20 Jan 2020 16:10:11 +0000 http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/?p=9193

Foto: Dibradoras

A atacante Cristiane está de volta à Vila Belmiro. Quase dez anos após sua última passagem em 2011, a artilheira da seleção brasileira volta a fazer parte das Sereias da Vila, em um momento bem diferente do futebol feminino no Brasil. Se naquela época, a atacante deixou o Santos poucos meses antes da pior notícia para as jogadoras – o clube encerrou as atividades da equipe feminina no fim daquele ano -, desta vez não existe a menor chance disso acontecer. Até porque o futebol feminino virou obrigatório para os times de camisa (para cumprir as regras de Conmebol e CBF). Mas independentemente disso, a modalidade vem numa crescente de desenvolvimento em todo o país.

Cristiane apostou nesse crescimento ainda em 2019, quando decidiu voltar a atuar no Brasil e apostou no projeto do São Paulo, que retornava ao futebol feminino após anos sem investir nas mulheres. Lá, jogou pouco por conta de lesões e compromissos com a seleção brasileira – foram apenas nove jogos em todo o ano –  e acabou encerrando sua passagem sem ao menos uma reunião final. Agora, para esta temporada, Cris vê nas Sereias da Vila uma nova oportunidade para escrever uma história vitoriosa no clube que já fez parte de sua carreira e onde deixou inúmeros recordes – com a camisa santista, Cristiane se tornou a maior artilheira da história da Libertadores feminina com 15 gols na edição de 2009, e hoje é a quinta maior artilheira do clube no futebol feminino com 46 gols em 29 jogos (média de 1,5 por jogo).

“É um namoro antigo, houve conversas no passado, estou muito feliz com esse retorno. Nós tentamos uma conversa (com o São Paulo) e ela não aconteceu. Aqui, eles me mostraram a estrutura, já melhorou bastante. A gente sabe o quanto o torcedor gosta, tem muito carinho por nós. Eles foram francos, esse olho no olho é muito importante. E eles sabem que se faltar alguma coisa a gente vai conversar. Do tempo que eu passei aqui, nunca faltou nada. Não posso falar pelas que saíram, mas eles foram bastante francos comigo quanto a tudo”, afirmou Cristiane.

Foto: Dibradoras

O Santos foi pioneiro no retorno à modalidade em 2015, quando passou a já oferecer carteira assinada para as jogadoras (algo muito raro até hoje no futebol feminino). Mas com a saída do presidente Modesto Roma – que sempre foi um grande incentivador da equipe feminina -, houve algumas mudanças na estrutura oferecida para as atletas. Se antes elas dividiam o CT com a base e jogavam na Vila Belmiro, em 2019 as coisas não foram bem assim.

Boa parte dos jogos foram mandados no estádio Ulrico Mursa (com gramado muito pior) – incluindo as quartas de final do Brasileiro – e o local de treinos também variou. Ainda houve a saída da técnica Emily Lima antes das semifinais do Paulista e algumas incertezas sobre o projeto para esta temporada. Foram 19 atletas que saíram de um ano para o outro, mas agora o Santos parece disposto a mostrar um projeto forte de novo, inclusive com o retorno de Cristiane. A atacante será uma das vozes fortes ali para garantir que as promessas virem realidade.

 

O presidente José Carlos Perez admitiu que o futebol feminino merece mais atenção do clube e da mídia também. Ele disse que vai “lutar” para que elas joguem na Vila Belmiro, mas não garantiu que essa será a casa das Sereias da Vila em 2020.

Foto: Dibradoras

“A intenção é que jogue na Vila também. No ano de 2019 tivemos um treinador que achava que só ele poderia jogar na Vila. Nós acabamos cedendo a isso. Mas nós vamos lutar pra que elas também tenham direito de jogar na Vila que é a nossa casa”, afirmou o presidente santista, justificando que o técnico Jorge Sampaoli seria o responsável por ter tirado os jogos femininos do estádio.

“Elas merecem ter uma atenção maior do que tem hoje, a gente reconhece isso. Elas são heroínas de praticar um esporte que deveria ter muito mais apoio do que tem. Vocês da mídia são importantes para isso também”, afirmou José Carlos Peres.

No Santos, Cristiane já conquistou uma Copa do Brasil (2009), duas Libertadores (2009 e 2010) e fez parte de um time histórico ao lado de Marta e outras craques que lotavam a Vila Belmiro em seus jogos.

Sala de imprensa cheia para a coletiva de Cristiane (Foto: Dibradoras)

A reestreia de Cristiane pelo Santos deverá ser logo na primeira rodada do Campeonato Brasileiro na série A1, que está programada para acontecer no próximo dia 8 de fevereiro, contra o Flamengo, ainda sem local definido. O clube começa a temporada com um elenco de 28 atletas (duas a mais que ano passado) e uma reformulação completa (saíram 19, chegaram 15). Os reforços serão anunciados oficialmente ao longo dos próximos dias. Alguns deles serão: a zagueira Tayla, as meio-campistas Thaisinha e Brena,
as zagueiras Andressa Pereira e Day, a lateral Fernanda Palermo, as meias Gaby e Bia Menezes e a atacante Larissa.

Outra coisa importante é que o Santos terá uma auxiliar técnica nova. Sandra Santos, que já trabalhou na seleção brasileira com Emily Lima, fará parte da comissão do técnico Guilherme Giudice. Além dela, a goleira Pati Nardy, que se aposentou em 2019, será a nova preparadora de goleiras das Sereias. E a coordenação das categorias de base também será assumida por uma ex-jogadora que já acumula experiência dentro e fora dos gramados. São mulheres competentes assumindo a gestão do futebol feminino no clube.

Ataques nas redes sociais

Cristiane falou também sobre os ataques que recebeu de torcedores na sua saída do São Paulo. A jogadora chegou a fazer um desabafo em suas redes sociais, mas depois apagou. Uma página vinculada a um grupo de torcedores do São Paulo fez uma postagem criticando a jogadora por não ter ficado no clube e, a partir daí, ela recebeu inúmeras mensagens ofensivas em suas redes sociais.

“Foi difícil porque eu recebi críticas ofensivas e maldosas. Como eu falei, isso é diferente de criticar. Foi maldade. As pessoas não sabem o que está acontecendo, pegou o bonde andando sem nem saber de história nenhuma e vai na onda. Quando você tem muitos seguidores, você influencia as pessoas com o que você fala. Só que você não pode contar uma mentira, inventar uma história sem apurar o que aconteceu. E eu comecei a receber ataques pesados, e isso me fez mal. Aí entra no que eu falei da noção das pessoas. Usa a rede social para fazer o bem, não para ficar atacando atleta”, questionou.

“Atleta tem família, tem os pais, tem sentimento. Independentemente de ser trabalho, ser uma paixão pelo torcedor. Eu fico louca quando você fala uma coisa que não aconteceu. Você tem que sentar na minha frente e questionar o que aconteceu. Acho que as redes sociais são arma para o covarde que fica atrás delas para atacar as pessoas.”

Cristiane evitou falar sobre o São Paulo na coletiva, mas mencionou que tentou uma reunião com o clube antes de sair para discutir uma possível renovação, e os dirigentes não quiseram.

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Estátua de Pelé em Santos aparece com camisa 24: ‘futebol sem preconceito’ http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/2020/01/16/estatua-de-pele-em-santos-aparece-com-camisa-24-futebol-sem-preconceito/ http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/2020/01/16/estatua-de-pele-em-santos-aparece-com-camisa-24-futebol-sem-preconceito/#respond Thu, 16 Jan 2020 21:17:45 +0000 http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/?p=9181

Foto: Divulgação

A tradicional estátua de Pelé na cidade de Santos amanheceu nesta quinta-feira um pouco diferente. O monumento estava vestido com uma camisa da seleção brasileira – mas não era a tradicional 10, muito utilizada pelo Rei do Futebol nas décadas de 1960 e 1970. O número estampado nela era o 24.

+Por que os gritos homofóbicos no futebol precisam ser punidos

Há uma semana, veio à tona uma “polêmica” com esse número durante a apresentação do meio-campista Victor Cantillo no Corinthians. O jogador costumava vestir a camisa 24 no Junior Barranquilla (COL), mas ao chegar ao clube paulista, recebeu a 8 com direito a um comentário lamentável por parte do diretor de futebol, Duílio Monteiro Alves. “Vinte e quatro aqui não”.

É comum que clubes do futebol brasileiro não tenham a camisa 24 na numeração do seu elenco. Isso porque o 24 está associado ao veado no jogo do bicho, o que levou a uma rejeição homofóbica a esse número no meio esportivo. Uma “piada” de muito mal gosto que tomou proporções tão grandes a ponto de um clube excluir essa numeração das suas camisas.

O dirigente acabou tendo que se explicar no dia seguinte, já que a declaração repercutiu muito mal. “Quero me desculpar pela brincadeira infeliz e informal que fiz antes da apresentação do atleta Victor Cantillo. O Corinthians é o time do povo, é o time das minorias, é o time de todos, e sempre usa sua marca em favor de campanhas contra qualquer tipo de preconceito. Não temos nenhum problema com o número 24”, afirmou Duílio.

Foto: Divulgação

A ação com a camisa na estátua de Pelé ainda teve os autores revelados. Trata-se de uma intervenção urbana criada por pessoas ligadas ao segmento de comunicação com o intuito de reforçar a campanha #futebolsempreconceito – eles preferem não se identificar por questões de segurança.

A homossexualidade ainda é um dos maiores tabus do futebol. Até hoje, no Brasil, não há nenhum jogador que tenha assumido publicamente um relacionamento homossexual. E considerando que o futebol brasileiro tem centenas de clubes e dezenas de milhares de jogadores, é até ingênuo imaginar que entre eles não haveria um único atleta gay. O medo do assunto é tamanho, que ninguém sequer fala sobre isso.

Foto: Divulgação

A questão é tão “grave” que quando Emerson Sheik ainda jogava no Corinthians e postou uma foto dando um selinho em um amigo, houve protesto no CT do clube no dia seguinte. Casais gays relatam que, no estádio, evitam ao máximo demonstrar qualquer tipo de afeto com medo de serem agredidos. E alguns dos principais gritos de torcida entoados nas arquibancadas também fazem menção a frases homofóbicas.

É o caso do péssimo costume importado dos mexicanos na Copa do Mundo. O grito de “ô bicha” quando um goleiro vai bater tiro de meta é quase regra nos estádios paulistas, por exemplo. Felizmente, nos últimos tempos tem havido uma conscientização maior sobre essa causa e alguns jogos chegaram a ser paralisados por conta dessas manifestações homofóbicas na arquibancada – foi o que aconteceu em Vasco x São Paulo no ano passado e também do jogo entre Audax x Sport neste ano pela Copinha.

Alguns clubes começam a lançar campanhas ainda discretas em combate à homofobia no futebol, mas as ações ainda costumam ser pequenas. Falta talvez um engajamento maior das equipes para lutar contra esse problema que discrimina um grande público dos estádios. A ideia de “excluir” a camisa 24 da numeração de uma equipe mostra o quão atrasados estamos na discussão sobre isso. Que a ação com a estátua do Rei do Futebol em Santos sirva para clubes, federações e os próprios torcedores refletirem sobre seus papéis no combate à homofobia.

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Com ambição, Ferroviária mantém campeãs e quer brigar por títulos em 2020 http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/2020/01/16/com-ambicao-ferroviaria-mantem-campeas-e-quer-brigar-por-titulos-em-2020/ http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/2020/01/16/com-ambicao-ferroviaria-mantem-campeas-e-quer-brigar-por-titulos-em-2020/#respond Thu, 16 Jan 2020 15:25:45 +0000 http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/?p=9169

(Foto: Jonatan Dutra/Ferroviária SA)

Campeã brasileira, semifinalista do Campeonato Paulista e vice-campeã da Libertadores da América, a Ferroviária viveu um ano intenso e vitorioso em 2019. Sob o comando de Tatiele Silveira, a equipe mesclava a experiência de nomes como o da goleira Luciana, da zagueira Andreia Rosa e da volante Maglia, com a habilidade da craque Aline Milene no ataque.

Não foi nada fácil encarar a imbatível equipe do Corinthians na final do campeonato nacional – que acumulou um recorde com mais de 40 jogos sem perder – e a taça foi decida nos pênaltis, sagrando a equipe do interior paulista  bicampeã da competição. “O ano de 2019 foi muito especial, especialmente pelo título brasileiro e pelo vice da Libertadores. Nós temos objetivos e metas bem traçados para este ano e o principal é defender esse título brasileiro. A gente sabe que a competição vai ser de altíssimo nível, com grandes equipes e fico feliz de estar vivendo esse momento de crescimento e evolução”, afirmou a treinadora Tatiele em entrevista exclusiva às dibradoras. 

+ Brasileiro feminino tem a mesma premiação há 4 anos; campeão levou 120 mil

Para 2020, o elenco da Ferrinha contará com 26 atletas, a maioria delas são remanescentes do ano passado. O grande diferencial do clube para a montagem do elenco neste ano foi valorizar as atletas que permaneceram na equipe, trazer reforços pontuais e promover atletas da base.

“Claro que atletas foram valorizadas e a gente pode ir ao mercado buscar reforços importantes para a temporada de 2020. Apesar da mídia às vezes não dar a devida importância ao tamanho da Ferroviária dentro do futebol feminino, as jogadoras tem essa noção de que o patamar do time hoje é muito grande. Então, a gente consegue igualar nossas possibilidades pela valorização que as atletas tem, pelo projeto e trabalho realizado no clube”, afirmou Tatiele.

Foto: Divulgação

Entre as contratações da Ferroviária estão as meias Patrícia Sochor (que estava no Santos) e Sâmia (que estava no Flamengo/Marinha), a volante Amanda Brunner (estava no Iranduba), a lateral-esquerda Bruna Natieli (que defendeu o 3B da Amazônia em 2019) e a atacante Elisa (que também estava no Iranduba).

Duas atletas estão fazendo a transição da base para o profissional, a atacante Maísa atacante a zagueira Prado. “São meninas que ainda tem idade para ajudar a Ferroviária na categoria sub-18, mas esse ano farão parte do elenco profissional e, no momento competitivo, irão auxiliar nossa base que já tem um trabalho sério e desenvolvido”

Tradição e exemplo

O time feminino da Ferroviária nasceu de uma parceria com a prefeitura de Araraquara em 2001. De lá pra cá, a equipe já foi campeã de tudo entre as mulheres: tetracampeã paulista, bicampeã brasileira, uma Copa do Brasil e uma Libertadores.

Em seis anos de disputa, a Ferroviária foi a única equipe a ser bicampeã do Campeonato Brasileiro feminino. Na campanha da primeira fase do torneio nacional de 2019, a Ferroviária classificou em sétimo lugar, na penúltima vaga, conseguindo a pontuação no sufoco na reta final. Não era favorita diante das Sereias da Vila, atuais campeãs paulistas, nem mesmo diante do Kindermann, terceiro colocado na tabela. Ainda assim, venceu as duas equipes nos pênaltis. 

(Foto: Jonatan Dutra/Ferroviária SA)

A grande final colocou frente a frente o time com a melhor campanha do Brasileirão, o Corinthians (que perdeu uma única vez na competição) e a Ferroviária, que fez um campeonato regular, mas com muita superação dentro de campo. O primeiro jogo, em Araraquara, acabou 1×1 e o feito foi bastante comemorado pelas atletas. Na decisão em casa, o Corinthians tentou de todas as formas furar o bloqueio da defesa afeana e superar a goleira Luciana, grande heroína do time nas fases finais. A decisão acabou acontecendo nos pênaltis e a estrela da arqueira brilhou mais uma vez.

+ Como Ferroviária se mantém no topo, mesmo com grandes no futebol feminino

“O fato da Ferroviária ser um clube de interior não interfere nas nossas ambições. E nós vamos brigar para continuar figurando entre os protagonistas da nossa modalidade. Acreditamos muito no nosso grupo e na qualidade que esse elenco já nos mostrou que tem. Estamos buscando jogadoras de muita qualidade e claro, fomentar o futebol feminino dentro do nosso clube com a categoria de base.”

Os pilares que sustentam o grande trabalho feito pela Locomotiva são: profissionalização das atletas, formação e integração da base com o elenco profissional e gestão. Neste último quesito, a Ferroviária enfrentou uma perda considerável no final do ano com a saída de Ana Lorena Marche, que atuava como gerente de futebol feminino no clube desde 2017 e que, a partir de 2020, será coordenadora de futebol feminino na Federação Paulista de Futebol.

Ana Lorena (a segunda, da direita para a esquerda) ficou dois anos na gestão da Ferroviária (Foto: dibradoras)

Sabendo da importância de contar com uma gestora que conheça e atue na modalidade feminina, a Ferroviária já trouxe uma substituta para ocupar o cargo de Lorena. Será Carolina Vallim de Melo, de 40 anos, ex-jogadora de futebol e tem formação em administração, com mestrado em gestão de negócios e pós graduação em marketing operacional.

“A Lorena fez um grande trabalho na Ferroviária e, com certeza, fez parte e conduziu muito bem o projeto e o elenco formado por ela nessas conquistas. E a Carol é uma nova gestora, uma pessoa que tem o conhecimento dessa parte de grandes grupos, ela vem do mundo corporativo e já trabalhou em grandes empresas, então vai trazer um pouco dessa gestão que ela tem nesse outro ramo”, declarou Tatiele. 

Carol foi goleira do SAAD, onde conquistou o título do primeiro Campeonato Brasileiro Feminino sub-17, em 1997. Jogou também pelo São Paulo, sendo campeã paulista de 1997. Depois, foi atuar nos Estados Unidos, pela equipe do National American University. No país americano, se formou em administração e fez mestrado em gestão de negócios. Também foi treinadora e gestora de futebol universitário. Ficou 15 anos nos Estados Unidos e voltou ao Brasil em 2012, trabalhando como gestora de empresas multinacionais. Carol também é pós-graduada em Marketing Organizacional na Unicamp.

“Ela também traz essa experiência de fora do Brasil no contexto do futebol feminino universitário dos Estados Unidos e a experiência como gestora. Carol vem pra nos conduzir nesse setor extra-campo como uma facilitadora do nosso dia-a-dia, de deixar tudo alinhado para que a gente possa se preocupar exclusivamente com a parte de campo. Ela vai conduzir toda parte de administração e me dar tranquilidade para ter o dia-a-dia com qualidade, estrutura e dando suporte para que a gente possa continuar sendo o mais competitivo possível”, concluiu a treinadora.

Calendário 2020

No ano passado, as fases finais do Paulista precisaram ser reagendadas por conta da Libertadores da América, já que a Conmebol definiu a sede da competição somente no segundo semestre e reservou duas semanas do mês de outubro para a realização do torneio.

+ Confuso, calendário do futebol feminino faz time esperar 40 dias por final

O cruzamento de datas aconteceu por inúmeros fatores, mas a falta de organização, ausência de diálogo com os clubes e a definição tardia por parte da Conmebol sobre a Libertadores foram os principais fatores que bagunçaram o planejamento já traçado pela CBF e FPF. 

Neste ano, há ainda a realização dos Jogos Olímpicos de Tóquio e, por conta deste evento, haverá uma interrupção no Campeonato Brasileiro entre os dias 31 de maio e 23 de agosto. A FPF ainda irá realizar uma reunião para comunicar os clubes sobre a realização do Paulista Feminino.

Tatiele Silveira, treinadora da Ferroviária (Foto: Ferroviária/Site Oficial)

“Com certeza vai ser um ano muito intenso. Somos privilegiados por estar participando das principais competições do futebol feminino. Por ser ano olímpico, já temos o calendário com aquela parada dos Jogos, então com essa previsão antecipada a gente já consegue direcionar melhor nosso planejamento. Sabemos que vai bater em algum momento, mas esperamos que a gente possa ter um calendário um pouco menos intenso principalmente nos momentos finais e que não aconteça o que aconteceu em 2019 com fases decisivas em conjunto”, disse Tatiele.

+ Quem é a primeira mulher a comandar um time campeão brasileiro de futebol

E assim, desafiando times de camisa, calendário apertado e buscando se manter no topo do futebol brasileiro, a Ferroviária está pronta para encarar mais uma temporada. “Temos os pés no chão, sabemos que vai ser muito difícil, mas nós temos a ambição de defender o título brasileiro, ser competitivo e brigar por outros títulos também em 2020”, afirmou a primeira treinadora a conquistar um título nacional no formato mais recente do campeonato.

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O que esperar do São Paulo no futebol feminino em 2020? http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/2020/01/15/o-que-esperar-do-sao-paulo-no-futebol-feminino-em-2020/ http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/2020/01/15/o-que-esperar-do-sao-paulo-no-futebol-feminino-em-2020/#respond Wed, 15 Jan 2020 07:00:05 +0000 http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/?p=9160

Foto: Igor Amorim (saopaulofc.net)

Campeão da série A2 do Brasileiro e vice-campeão paulista em 2019, o São Paulo retornou ao futebol feminino já com um projeto bem-sucedido. Mesmo com atletas mais novas e pouco experientes e com uma estrutura ainda deficitária, o clube teve sucesso e agora fará sua estreia na primeira divisão nacional com grandes desafios pela frente.

+Cristiane tentou ficar, e SPFC não quis; declarações incomodaram diretores

Para isso, o São Paulo apresentou reforços nesta terça-feira no CT da Barra Funda e prometeu um time competitivo neste ano. Com perdas importantes, como as da meia Ary Borges e das atacantes Cristiane, Ottilia e Valéria, o clube ficou com oito jogadoras que já estavam em 2019, subiu mais cinco da base e contratou outas oito para fechar o elenco com 26 atletas. As atacantes Glaucia (que veio do Santos) e Duda (que estava no Avaldsness da Noruega) são os principais nomes do grupo que foi apresentado à imprensa.

“O mercado se aqueceu bastante, a gente aproveitou oportunidades de mercado para trazer atletas que pudessem agregar”, afirmou o técnico Lucas Piccinato.

“A gente acabou trazendo 31 atletas no ano passado, ninguém se conhecia, montamos um time do zero. Agora a gente tem uma base de 13 jogadoras que estavam aqui. Metade do elenco me conhece e conhece minha maneira de trabalhar. Estou bem ansioso, se essa equipe der liga, vai ser muito competitiva”, completou.

Foto: Igor Amorim / saopaulofc.net

Apesar de contar com um bom investimento para os padrões do futebol feminino – e com carteira assinada para todas as jogadoras, algo que ainda é raridade na modalidade -, o São Paulo esbarrou numa dificuldade na hora de atrair jogadoras: o da estrutura. O clube atualmente disponibiliza o campo sintético do social para as jogadoras (que precisam dividir horários com os associados) e a academia funciona no mesmo esquema. Houve jogadoras que até ouviram propostas financeiras melhores do São Paulo para este ano, mas preferiram outros clubes por conta desse aspecto. Para amenizar a situação, o Tricolor busca encaixar treinos para as mulheres na Barra Funda e em Cotia (no CT da base).

“A gente vai usar toda a estrutura de treinamento que o São Paulo oferece, a Barra Funda, Cotia e o social, para poder dar o melhor para as atletas. Será uma questão de demanda, vamos entender quando é mais necessário um treino nessas estruturas, será uma estratégia da comissão técnica quando precisar. Sobre estádio, nós vamos usar Cotia a princípio, com a possibilidade de mandar alguns jogos maiores aqui na capital”, informou o treinador.

Uma coisa que chamou a atenção também na apresentação foi a presença de apenas homens na comissão técnica da equipe – contrariando uma recomendação da própria Fifa, que chega a exigir mulheres nas comissões técnicas de suas competições femininas. Em 2019, o clube contou com o bom trabalho da ex-jogadora Nildinha na equipe técnica, mas ela acabou demitia no início deste ano.

Foto: Igor Amorim / saopaulofc.net

“Agradeço muito a passagem que a Nildinha teve aqui. A diretoria optou por fazer essa troca. Mas nós temos a intenção de trazer mulheres para essa comissão”, disse Lucas.

Perguntas como essa tiveram que ser direcionadas a ele, porque ninguém entre os dirigentes do futebol feminino do clube esteve na coletiva de imprensa – nem Antonio Luiz Belardo, diretor, nem Amauri Nascimento, coordenador.

Força do elenco

Bem reforçado para o ataque, o São Paulo talvez sinta mais falta de alguns nomes no meio-campo para fazer o papel de Ary Borges na criação das jogadas ofensivas. Essa é uma posição ainda carente no elenco de Lucas, mas o treinador já vê algumas possíveis soluções – como acionar Duda para jogar no meio ou também usar mais a jovem Yayá atuando adiantada.

“Óbvio que perder uma jogadora como a Ary é muito difícil. Mas a gente está tranquilo com a Yayá, a própria Duda tem condição de fazer esse meio-campo, então acho que a gente vai conseguir solidificar uma maneira de jogar para abastecer a Glaucia”, observou.

Na defesa, Bruna Cotrim e Thais Regina ganharam o reforço da jovem Lauren Leal, de apenas 17 anos, que vem de títulos na base do São Paulo para estrear no profissional neste ano.

“Tive 5 anos de base, acho que se você for perguntar para as meninas mais velhas, nenhuma delas teve isso, todas foram direto para o profissional. E esse é um processo muito importante pro atleta, onde ele realmente cresce no futebol. Agora é a realização de um sonho, jogar num time grande profissional. Aprendi muita coisa, amadureci muito nesse tempo todo, e esse vai ser um ano de muito aprendizado, quero aprender muito com as meninas mais velhas aqui”, afirmou a jogadora, que tem grandes expectativas pelo sucesso que o futebol feminino tem alcançado no mundo todo.

Nova atacante do São Paulo, Duda já tinha jogado com Thais Regina no Sport (Foto: Dibradoras)

“O momento é muito bom, o mercado da bola, muitas especulações de contratações, acho que esse ano vai ser maravilhoso para o futebol feminino, com a Olimpíada também”.

Se em 2019, o time do São Paulo era visto como jovem (média de idade de 23 anos), agora o clube buscou se reforçar com atletas um pouco mais experientes. O técnico Lucas disse na coletiva que esse foi um dos seus objetivos na ida ao mercado: amadurecer o elenco. E com certeza uma das melhores apostas é a atacante Glaucia, que distribuiu assistências e colecionou gols no ano passado pelo Santos.

 

“Eu não pego como pressão, porque no Santos também já tinha muita pressão. Eu tive uma aposta grande da Emily (técnica), mesmo eu não estando com a parte física tão boa. A pressão eu deixo para vocês falarem. Sei que por tudo o que eu fiz no ano passado, a expectativa é grande para esse ano, mas vou deixar as coisas acontecerem, quero fazer um ano ainda melhor agora”, disse a atacante.

Além dela e de Duda, o São Paulo trouxe Mylla, Kamilla e Carol (atacantes), Thais Helena (goleira), Gislaine (zagueira) e Dani (lateral-esquerda).

A estreia do clube no Brasileiro deste ano será em 9 de fevereiro contra o Cruzeiro em Belo Horizonte.

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Cristiane tentou ficar, e SPFC não quis; declarações incomodaram diretores http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/2020/01/14/cristiane-tentou-ficar-e-spfc-nao-quis-declaracoes-incomodaram-diretores/ http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/2020/01/14/cristiane-tentou-ficar-e-spfc-nao-quis-declaracoes-incomodaram-diretores/#respond Tue, 14 Jan 2020 14:12:33 +0000 http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/?p=9152

(Foto: Renata Damasio/saopaulofc.net)

O São Paulo anunciou, há um ano, a contratação de Cristiane para marcar o retorno do clube ao futebol feminino. À época, a jogadora disse, inclusive, que o projeto apresentado pelo clube a convenceu a apostar no time do Morumbi para seu retorno ao Brasil. Com propostas de Barcelona e Lyon, a atacante da seleção brasileira preferiu ficar no Brasil para poder cuidar da mãe, que estava com um problema de saúde, e retomar sua carreira após uma sequência de lesões e um período de depressão.

A temporada dela esteve longe do esperado. Cristiane precisou ter paciência com a recuperação das contusões e ficou bastante tempo fora dos gramados. Pediu liberação ao São Paulo para tentar ficar 100% a tempo da Copa do Mundo feminina e se apresentou antes à seleção brasileira para fazer a preparação física. No Mundial, deu quase tudo certo – ela teve um ótimo desempenho, foi artilheira do Brasil no torneio, mas retornou com nova lesão e ficou quase dois meses afastada novamente. Mal participou da campanha do título brasileiro da A2 e voltou a tempo das semifinais e finais do Paulista.

Considerando o fato de que jogou muito pouco pelo Tricolor, Cristiane se sentia em falta com o clube e gostaria de ficar por mais uma temporada por conta disso. Ela deixou claro no fim do ano passado que a estrutura oferecida ali, no entanto, deixava a desejar – o São Paulo é o único dos 4 grandes do estado que coloca as mulheres para treinar em campo sintético; além disso, a academia é compartilhada com os associados – e pedia algumas melhorias para 2020, ano em que o time disputará a primeira divisão do Brasileiro.

O São Paulo, porém, sequer tentou renovar o contrato da atacante para este ano. Houve uma tentativa de marcar uma reunião para conversar sobre esta temporada e a possibilidade de renovação, mas o clube cancelou o encontro por entender que não queria mais contar com ela em 2020.

Diante disso, é inevitável questionar: quem não quer contar com Cristiane no elenco? É como se você tivesse o Ronaldo no time e sequer se importasse em tentar negociar para que ele ficasse mais uma temporada.

A reportagem  apurou que as declarações de Cristiane sobre a estrutura oferecida pelo clube (treinos em campo sintético e academia compartilhada com associados) incomodaram os dirigentes.

Na coletiva de imprensa do técnico Lucas Piccinato após a apresentação da nova equipe tricolor, ele respondeu sobre a não renovação do contrato de Cristiane.

“Em relação a Cris, agradeço muito ter podido trabalhar com uma jogadora desse porte, jogadora diferente que eu já tinha trabalhado anteriormente, foi uma jogadora muito importante pro São Paulo mostrar a sua cara nesse retorno ao futebol feminino. Infelizmente pra gente ela não conseguiu jogar, acho que isso atrapalhou um pouco tanto o clube, quando a jogadora, isso frustrou um pouco as duas partes, porque  o clube também tinha interesse em ver ela jogando mais. Em relação a não renovação, a gente pensou bastante em um novo perfil, novas características, mas sempre com muito respeito à história e à capacidade que ela sempre teve. De coração, espero que ela tenha um 2020 brilhante”, afirmou.

É de se estranhar também que ao menos não tenha havido uma reunião, ainda que fosse para encerrar o ciclo de forma mais respeitosa. Seria mais digno, mais justo com uma atleta desse tamanho, que está no top 3 entre os maiores artilheiros da história da seleção brasileira. Até porque a estrutura oferecida pelo São Paulo realmente deixa a desejar se comparada a dos outros times de camisa.

Diante do burburinho nas redes sociais de que Cristiane não ficaria no São Paulo, logo começaram os “ataques” de torcedores questionando a atleta pela decisão. Há que se reforçar primeiro que a decisão foi do próprio clube – nesse caso, seriam os dirigentes que deveriam ser questionados. A atleta chegou a se manifestar nas redes sociais.

“Toda história tem dois lados, mas tem pessoas que só optam por uma. Elas preferem acreditar naquilo que leem ou na fofoca dita, em vez de procurar os lados para tentar saber a verdade. Eu JAMAIS vou aceitar que falem coisas que não existem ou mentiras para denegrir a minha imagem. Não pastei à toa junto de um monte de atleta que por ANOS tentou fazer com que o futebol feminino fosse valorizado. Não gosta de mim? Para de me seguir. Acha que não fiz por onde? Para de me seguir. Agora inventar mentiras e ainda vir falar que sou jogadora aposentada, vá se lascar. Se ainda estou na seleção e graças a Deus tem clube me querendo, é porque eu tenho valor e porque essas pessoas me respeitam acima de tudo”, afirmou.

O São Paulo começou o projeto do futebol feminino dando indícios de que seria um dos principais clubes do país na modalidade, trazendo as jogadoras para morar no Morumbi e apresentando todas elas num treino que aconteceu no próprio estádio. Mas ao longo do ano, o fato do clube não ter criado uma estrutura adequada para as jogadoras prejudicou até mesmo preparação para jogos – houve treinos que precisaram ser encerrados mais cedo porque era preciso liberar o campo sintético para os associados.

Claro que não é simples criar essa estrutura e entendemos que há um processo dentro de qualquer clube para que o futebol feminino se torne efetivamente parte dele. Mas ao que parece, o time do Morumbi está ficando para trás, já que Corinthians e Santos já criaram uma cultura de futebol feminino há mais tempo, o Palmeiras mostrou estar disposto a abraçar a modalidade neste ano e, enquanto isso, as perspectivas no São Paulo para ter uma estrutura mais adequada de treinamento não existem.

Da parte de Cristiane, ela ainda está definindo o futuro para 2020 – o Santos é um dos interessados.

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Com inauguração de CT ‘democrático’, Bahia se aproxima mais da torcida http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/2020/01/13/com-inauguracao-de-ct-democratico-bahia-se-aproxima-mais-da-torcida/ http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/2020/01/13/com-inauguracao-de-ct-democratico-bahia-se-aproxima-mais-da-torcida/#respond Mon, 13 Jan 2020 13:50:55 +0000 http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/?p=9141

Inauguração do CT Evaristo de Macedo (Foto: Felipe Oliveira/EC Bahia)

Por Juliana Lisboa, de Salvador, para coluna “~dibres com dendê”

No último sábado, dia 11, o Esporte Clube Bahia abriu as portas do novo centro de treinamento para uma grande inauguração para a torcida. De acordo com o clube, 7 mil sócios encararam a estrada para conhecer as novas dependências do tricolor, que ficam entre os municípios de Camaçari e Dias D’Ávila, a cerca de 60 km de Salvador.

Isso por si só já demonstra a forma com que o torcedor tricolor tem abraçado a nova fase do Bahia, que se tornou um clube democrático após a intervenção judicial que depôs o então presidente, Marcelo Guimarães Filho, e abriu o clube para a participação direta da torcida na escolha dos dirigentes.

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Essa foi a tônica das celebrações do dia: entre os vários discursos de integrantes da diretoria na solenidade, feita especialmente para a torcida, a menção à democracia e da importância da participação dos torcedores e torcedoras no processo de crescimento do Bahia e sua consolidação como “clube do povo” foi constante.

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A memória do clube e o resgate de ídolos foi também algo que ficou marcado no novo espaço. A começar pelo nome do CT, Evaristo de Macedo – homenagem em vida ao técnico campeão brasileiro de 1988, responsável direto pela segunda estrela do escudo do time. A chance de ver e falar com o ex-treinador, aliás, foi o que motivou vários torcedores e torcedoras a comparecerem à inauguração.

Outros jogadores símbolo do Bahia, como João Marcelo, Zé Carlos e Baiaco, também participaram da celebração e foram bastante assediados por jornalistas e, principalmente, torcedores. Tanto os mais velhos, que viram os atletas em campo, como os mais novos, cientes da importância deles para os dias de glória do clube.

Inauguração do CT Evaristo de Macedo (Foto: Felipe Oliveira/EC Bahia)

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Mas além dos heróis em campo, cada espaço do novo CT presta uma homenagem a pessoas que fizeram história no clube: funcionários, como Adherbal Amaral, que faleceu no ano passado; torcedores-símbolo, como Rubi Confete, também falecido; jornalistas, como Armando Oliveira; ou os sete torcedores que morreram na tragédia da Fonte Nova, em 2007. O Bahia dedicou um memorial feito a partir de ruínas do antigo estádio e assinado pelo artista plástico Bel Borba.

Claro que teve festa, mini trio, food truck, copo comemorativo… Mas o que mais marcou a inauguração da nova estrutura foi o esforço do clube de continuar se aproximando cada vez mais do seu torcedor. Em tempos de debate (pertinente, diga-se) de clube empresa, é muito positivo ver times que apostam no modelo associativo e que conseguem mostrar que a democracia também pode ser um modelo sustentável e saudável de gestão.

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Palmeiras abraça futebol feminino e dá lição de inclusão com jogadora surda http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/2020/01/13/palmeiras-abraca-futebol-feminino-e-da-licao-de-inclusao-com-jogadora-surda/ http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/2020/01/13/palmeiras-abraca-futebol-feminino-e-da-licao-de-inclusao-com-jogadora-surda/#respond Mon, 13 Jan 2020 13:37:21 +0000 http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/?p=9135

Foto: Divulgação Palmeiras

Em 2019, o Palmeiras foi um dos últimos clubes a definir como seria seu projeto no futebol feminino em cumprimento à obrigatoriedade da Conmebol e da CBF. Com uma apresentação feita às pressas, o clube buscou uma parceria com a cidade de Vinhedo, importou o projeto da Ponte Preta com técnica e jogadoras e sequer fez coletiva com as atletas – no evento realizado na Academia de Futebol, só os homens falaram (o diretor de futebol feminino, Alberto Simão, o prefeito de Vinhedo e o então diretor de futebol, Alexandre Mattos).

Tudo mudou completamente em 2020. O clube começou o ano já anunciando um pacote de reforços incluindo jogadoras vindo de seus rivais (São Paulo e Santos) e fez uma apresentação completa no último sábado na Academia de Futebol. Se no ano passado, as atletas foram lá só para tirar foto, desta vez elas chegaram a treinar no campo do CT e foram as protagonistas na coletiva de imprensa. No domingo, foi a vez de um evento no Allianz Parque – pela primeira vez, as jogadoras tiveram a chance de treinar na arena diante da torcida, que compareceu e aplaudiu o novo elenco feminino (foram cerca de 2 mil pessoas no estádio para acompanhar o treino aberto).

Tudo isso já mostra um pouco de como mudou o nível de atenção que o Palmeiras começa a dar para o futebol feminino. Mas para além da apresentação, um momento histórico marcou a apresentação das atletas na Academia de Futebol. A jogadora Stefany Krebs, campeã mundial pela seleção brasileira de futsal para surdos no ano passado, fez todo mundo se emocionar na sala de imprensa. Ela sempre sonhou em jogar num time de ouvintes e exalava felicidade ao ser anunciada como jogadora do Palmeiras. Na coletiva, ela respondia às perguntas em libras e sua mãe era a intérprete no microfone.

 

“Minha única diferença para elas é que eu não escuto. Mas o futebol é o mesmo. Tenho certeza que a gente vai encontrar formas de se comunicar em campo”, disse a jogadora.

Durante a coletiva, Stefany falou sobre o quanto sonhou com essa oportunidade. Com a presença dela no elenco, as outras atletas já estão aprendendo a se comunicar em libras. A própria goleira Karen trocou alguns sinais com ela ao longo do evento. O diretor de futebol feminino, Alberto Simão, também fez questão de apresentá-la ao público em libras. E enquanto as outras atletas iam respondendo às perguntas dos jornalistas, um intérprete traduzia tudo para que Stefany fizesse parte do evento por completo (e não só quando as perguntas eram direcionadas a ela).

Foi um momento histórico para o futebol e uma lição de inclusão dada pelo Palmeiras e pela Stefany no CT. Se todo mundo diz que “futebol é uma língua universal”, a gente pôde ver isso na prática no sábado com Stefany treinando com as atletas e mostrando em campo o quanto pode contribuir com o time do Palmeiras.

Foto: Divulgação Palmeiras

Investimento

Se no ano passado, nós criticamos aqui o descaso do time alviverde com o futebol feminino, fazendo as coisas de última hora e sem demonstrar preocupação em divulgar os jogos da equipe das mulheres, hoje precisamos elogiar a mudança de postura que o clube teve nesta temporada. Reformas estão sendo feitas na estrutura de treinamento para as atletas em Vinhedo e há um planejamento para tentar trazê-las mais vezes para treinar em São Paulo, usando a estrutura de excelência que o Palmeiras fornece para o masculino.

O novo elenco palmeirense, reforçado pelas meias Ary Borges, Angelina e Stefany, pelas atacantes Rosana e Ottilia, a zagueira Augustina e a goleira Karen, não é um dos mais caros do país, mas com certeza é um dos mais qualificados. O diretor Alberto chamou o pacote de “contratações pontuais” planejadas ao longo dos últimos oito meses.

Foto: Divulgação Palmeiras

“Nós passamos os últimos oito, nove meses estudando o mercado. Identificamos os pontos onde precisávamos nos reforçar e fomos atrás de contratações pontuais para fortalecer o elenco. Nós não estamos gastando mais, como o pessoal falou. Saíram oito atletas, trouxemos oito atletas. O que convenceu todas elas a virem para cá não foi dinheiro, mas o projeto que apresentamos. Hoje eu posso te falar com toda a certeza que ninguém tem uma estrutura melhor que a nossa no Brasil”, afirmou às dibradoras.

“Hoje a gente tem um respeito muito grande de todas as áreas do Palmeiras. Não é simples tirar uma capitã do Santos, do São Paulo. E não foi com poderio financeiro. Tiramos pelo projeto.”

Foto: Divulgação Palmeiras

Alberto admite que não é ideal ter o elenco feminino em Vinhedo, porque a maior base de torcedores do Palmeiras é em São Paulo, capital. O fato de as jogadoras estarem lá cria até um distanciamento com o clube – no sábado, vimos um funcionário da Academia de Futebol assistindo ao treino das meninas e comentando: “nossa, eu nem sabia que o Palmeiras tinha time de futebol feminino”. Isso é algo que os dirigentes buscam mudar aos poucos. Cada vez mais trazer o futebol feminino para dentro do clube, com mais treinos em São Paulo e uma integração maior com a sede palmeirense.

“Hoje, a gente prioriza oferecer a melhor estrutura possível para elas e isso a gente consegue lá em Vinhedo. Renovamos a parceria para 2020, mas a gente vai estudar isso ano a ano. O que posso te garantir é que lá elas têm excelência, uma estrutura completa da melhor qualidade”, disse.

“O Palmeiras não fez os maiores investimentos, pode ter certeza. O Palmeiras, na minha opinião, fez a melhor gestão. A gente nunca vai ter o plantel fechado, estamos analisando mercado, estamos observando atletas. O importante é manter a filosofia do clube. Esse é um projeto que a gente almeja ser vencedor esse ano. A gente é um clube que está num segundo ano apenas. O importante é fornecer uma estrutura profissional e digna. Nós pontuamos os problemas que nós detectamos. Estamos atacando nossos problemas, internamente sabemos onde temos que melhorar”, observou o dirigente.

A meta traçada pelo Palmeiras neste ano é chegar às semifinais de todas as competições que disputar – as principais serão a série A1 do Brasileiro e o Campeonato Paulista. Com esse projeto, dá a entender que é possível sonhar até mesmo com o título em algumas delas.

 

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Corinthians, Palmeiras, SPFC ou Santos: quem se reforçou mais no feminino? http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/2020/01/10/corinthians-palmeiras-spfc-ou-santos-quem-se-reforcou-mais-no-feminino/ http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/2020/01/10/corinthians-palmeiras-spfc-ou-santos-quem-se-reforcou-mais-no-feminino/#respond Fri, 10 Jan 2020 07:00:55 +0000 http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/?p=9126

Foto: Divulgação / Corinthians

A entrada dos clubes de camisa definitivamente esquentou o mercado do futebol feminino. A regra da Conmebol e da CBF, que fez Palmeiras e São Paulo investirem também nas mulheres (Corinthians e Santos entraram antes da obrigatoriedade), entrou em vigor no ano passado, mas foi neste ano que ela teve um efeito definitivamente significativo para as jogadoras.

Isso porque, com mais clubes no páreo, aumenta a procura por atletas para a montagem de um elenco qualificado e o mercado, naturalmente, se aquece. Foi o que se viu nesses primeiros dias de 2020 – e até nos últimos de 2019. Os clubes passaram a anunciar seus reforços – fossem eles renovações de contratos de quem já estava lá ou novas contratações – e, nas redes sociais, os torcedores já se animaram com o que vem por aí para esse ano.

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Se em 2019, o Corinthians foi absoluto e terminou o ano com 45 jogos de invencibilidade e dois títulos (Libertadores e Paulista), para esta temporada a disputa promete ficar mais acirrada com os reforços dos rivais.

Foto: Divulgação Palmeiras

O Palmeiras foi um dos que mais agitou esse mercado. Se em 2019, o time alviverde foi mais discreto no futebol feminino, trazendo poucos nomes conhecidos e apostando num projeto já pronto – trazido pela então técnica Ana Lúcia, que levou suas jogadoras da Ponte Preta para lá – na parceria com a cidade de Vinhedo (onde as meninas moram, treinam e jogam), desta vez o clube investiu. Começou com um anúncio bombástico que gerou polêmica para os torcedores tricolores – a meio-campista Ary Borges e a atacante Ottilia fecharam com o Palmeiras em 2020. Depois, veio a meio-campista Angelina, jovem promissora que brilhava no Santos até o ano passado. Aí, o anúncio da craque consagrada e veterana Rosana, medalhista olímpica e a mais experiente do elenco, que representa um grande reforço para a equipe alviverde. Além disso, a goleira Karen e a meia Stefany também são nomes confirmados.

O São Paulo perdeu duas das principais jogadoras do elenco campeão da série A2 em 2019, mas trouxe também grandes nomes para reforçar a equipe, como a atacante Gláucia (considerada uma das melhores do Brasileirão do ano passado) e a também atacante Duda, que estava jogando no Alvaldness da Noruega e volta ao Brasil ainda jovem após uma grande estreia na seleção brasileira nos amistosos de dezembro.

Foto: Divulgação

Além disso, o São Paulo ainda tenta renovar o contrato de Cristiane, que não decidiu ainda se ficará no Tricolor mais uma temporada. A atleta pede melhorias ao clube, que ainda oferece uma estrutura limitada para o futebol feminino (os treinos são em campo sintético e a academia é compartilhada com os associados), e a situação deve ser definida até o início da próxima semana, quando haverá apresentação oficial do time – marcada para 14 de janeiro no Morumbi.

Duda jogava na Noruega (Foto: Divulgação)

Já o Santos foi um dos times que se desfez ao final da última temporada, sofrendo com uma “debandada” de jogadoras com as quais o clube não quis/conseguiu renovar. Ainda assim, aos poucos as Sereias da Vila também começam a se reforçar. O clube terá a volta da zagueira Tayla, e da meia-atacante Thaisinha, além das contratações de cinco atletas do Flamengo – as zagueiras Andressa Pereira e Day, a lateral Fernanda Palermo, as meias Gaby e Bia Menezes e a atacante Larissa.

E pra finalizar, um time que já era forte, o Corinthians se reforçou principalmente mantendo a base de um time que já é multicampeão. O técnico Arthur Elias renovou e conseguirá ter à disposição praticamente todo o time titular de 2019 – que ainda ganhou um reforço de peso: a meio-campista da seleção brasileira Andressinha, que estava no Portland Thorns (EUA). O impacto do anúncio foi tão grande, que ela chegou a figurar nos assuntos mais comentados do Twitter na última quinta-feira. A lateral direita Poliana, que tem passagens pela seleção brasileira, também foi contratada.

Além disso, a camisa 10, Gabi Zanotti, a lateral Tamires, as zagueiras Erika e Pardal, e as atacantes Vic Albuquerque e Giovana Crivelari, todas garantiram permanência no Timão. Somente a artilheira Millene se despediu após uma temporada fora de série no clube em 2019.

Foto: Divulgação / Corinthians

Fica até difícil dizer quem chega mais forte na briga por títulos em 2020. O Corinthians sai na frente automaticamente porque mantém uma base vencedora há quase quatro anos e ainda terá o grande reforço de Andressinha. Mas o Palmeiras chegou de vez no futebol feminino e vai tentar fazer frente ao rival – aliás, em um mês, os dois medirão forças pela primeira vez na série A1 do Brasileiro feminino num dérbi que promete (9 de fevereiro em Vinhedo). O São Paulo tenta não ficar para trás já se reforçando bastante no ataque e mantendo a defesa vencedora de 2019. E o Santos está em reformulação, mas promete honrar a tradição das Sereias da Vila no futebol feminino.

Sem sombras de dúvidas, se a temporada passada já foi histórica em muitos aspectos para o futebol das mulheres, essa promete ser ainda mais competitiva e cheia de rivalidade.

OBS: Nesse post, nos restringimos nesse post a falar dos clubes de São Paulo, mas há novos vindo aí para falar do Gre-Nal que vem aí na primeira divisão (e do Inter que montou também um timaço para chegar como mais uma força para brigar por título), do futebol mineiro, que terá o Galo com o técnico importado do rival e o Cruzeiro estreando na primeira divisão no feminino (enquanto o masculino joga a segunda), e dos times do Norte e Nordeste. 

 

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