Dibradoras http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br Mulher pode gostar, entender e praticar o esporte que quiser. Thu, 05 Dec 2019 12:08:29 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.2 Cristiane diz que queria ter rendido mais no SPFC e busca espaço na seleção http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/2019/12/05/cristiane-diz-que-queria-ter-rendido-mais-no-spfc-e-busca-espaco-na-selecao/ http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/2019/12/05/cristiane-diz-que-queria-ter-rendido-mais-no-spfc-e-busca-espaco-na-selecao/#respond Thu, 05 Dec 2019 07:00:02 +0000 http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/?p=8948

Foto: CBF

A seleção feminina se prepara para seu último compromisso do ano, diante do México, nos dias 12 e 15 de dezembro e já faz os primeiros treinos físicos na Granja Comary sob a supervisão da técnica Pia Sudhage. Para a atacante Cristiane, essa é a primeira oportunidade de mostrar sua qualidade para a sueca, que chegou há quatro meses, mas ainda não havia convocado a artilheira do Brasil na Copa do Mundo deste ano.

Isso porque Cristiane sofreu com uma lesão na coxa nas oitavas de final do Mundial contra a França que a tirou de campo por mais de dois meses. Ela perdeu quase todo o resto da temporada com o São Paulo, voltou apenas para a fase final do Paulista e agora ganhou sua primeira chance nessa nova fase da seleção. Com isso, ela sabe que precisa “correr atrás do prejuízo” e está disposta a mostrar seu valor para a nova comandante.

“Está sendo importante essa oportunidade, fiquei muito tempo afastada, oscilando o ano inteiro por conta da lesão. Vai ser bacana trabalhar com ela esses dias, até para ela ela poder me conhecer melhor. Acho que não dá para ficar se garantindo só com o que eu fiz lá na Copa, é uma coisa nova agora, então tenho que correr atrás”, disse a camisa 11 às dibradoras.

Cristiane foi a artilheira do Brasil na Copa (Foto: CBF)

Artilheira do Brasil na Copa com quatro gols, Cristiane fez um Mundial excelente depois de ter passado quase um ano praticamente parada – ela fez pouquíssimos jogos antes de viajar para a França por conta de uma série de lesões que a tiraram de campo no ano passado. Depois da Copa, teve a previsão de que se recuperaria da lesão na coxa em cinco semanas, mas em seguida recebeu a notícia de que teria que esperar um pouco mais para voltar.

“Particularmente pra mim foi um ano de muitas oscilações, de me recuperar, ir bem na Copa, depois me lesionar de novo. Aí levei um tempo mais longo pra me recuperar, isso me deu uma desanimada. Tive um momento muito importante na Copa, mas eu queria ter rendido mais, principalmente no São Paulo”, admitiu a atleta.

No clube, a jogadora chegou com a grande contratação da retomada do futebol feminino no São Paulo, mas atuou em poucos jogos, só conseguindo estar em campo para as semifinais e finais do Campeonato Paulista. Ela ainda não tem definição sobre renovação de contrato para a próxima temporada, mas reconhece que gostaria de ter contribuído mais para a equipe, que encerrou o ano com o título da Série A2 do Brasileiro e o vice-campeonato Paulista.

“Sempre deixei muito bem claro para todo mundo e para as meninas dentro do grupo que faltou muito da minha parte, eu não consegui contribuir para o clube e para as meninas como eu gostaria. Mas quando você se lesiona, não tem o que fazer, você tem que esperar se recuperar pra voltar à ativa e não se lesionar de novo, no meu caso foi uma lesão um pouco séria. Acho que particularmente foi um pouco difícil nesse ponto em querer ajudar as meninas e o São Paulo.”

Foto: Dibradoras

Oportunidade nos amistosos

O esforço de Cristiane para voltar ao seu ápice físico tem sido intenso. Ela treinava em períodos extras além do clube e, mesmo quando entrou de férias das atividades do São Paulo, seguiu com os treinos físicos. Agora, na seleção, tem a tarefa de mostrar para Pia que merece uma vaga no time. O principal objetivo dela é disputar pela última vez a Olimpíada, no ano que vem.

“Eu estou procurando isso. Eu já tinha colocado isso, de jogar a última Copa, procurar estar dentro do grupo, porque como eu falei, é diferente agora, ela está dando oportunidade para todo mundo, ela precisa conhecer todo mundo. O meu objetivo é estar no grupo para disputar essa Olimpíada com as meninas”, reforçou. 

A treinadora, por sua vez, já elogiou Cristiane por sua eficiência dentro da área, mas deu o recado: na seleção dela, todas as jogadoras precisarão cumprir também um papel defensivo.

Seleção feminina se prepara para últimos amistosos do ano (Foto: CBF)

“Falei com a Cristiane, disse pra ela correr mais rápido e um pouco mais, porque era isso que ela estava fazendo. Ela é uma atacante, uma das melhores dentro da área, mas o jogo também acontece fora da área, então eu provavelmente vou pedir um pouco mais dela na questão do jogo coletivo na defesa”, afirmou a técnica às dibradoras.

“Essa é uma das nossas estratégias para não tomar gols. Nós não podemos ter uma ou duas jogadoras esperando pra atacar, todas precisa, estar incluídas na defesa. Claro que temos que entender como ela jogava antes, como isso vai mudar, eu tenho que ser paciente para ver isso acontecendo com todo mundo o tempo todo.”

Novas formações

Para esses amistosos, Pia chamou nomes diferentes para a seleção. Com as atletas europeias fora – por não ser data Fifa, a maioria delas não foi liberada pelos clubes -, a sueca quer observar novas formações em campo.

Foto: Mauro Horita / CBF

“Acho que esses jogos serão interessantes porque vou ver novas jogadoras em campo, vamos continuar o trabalho que estamos fazendo, talvez tenhamos uma ideia melhor da forma como queremos o time defendendo e atacando. Especialmente na situação de como ficamos atrás da bola no momento da defesa. No ataque, quero ver a seleção criando mais chances e mantendo a bola. Será um time diferente, vai ser interessante ver como elas vão se entrosar.”

A CBF ainda não informou os detalhes de venda de ingresso, mas os jogos acontecerão na quarta-feira, dia 12 de dezembro, às 21h na Arena Corinthians, e no domingo, dia 15, na Fonte Luminosa em Araraquara, às 18h30. Ambos terão transmissão do SporTV.

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‘Quero que meninas pretas olhem para mim e vejam que podem ser as próximas’ http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/2019/12/04/quero-que-meninas-pretas-olhem-pra-mim-e-vejam-que-podem-ser-as-proximas/ http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/2019/12/04/quero-que-meninas-pretas-olhem-pra-mim-e-vejam-que-podem-ser-as-proximas/#respond Wed, 04 Dec 2019 07:00:49 +0000 http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/?p=8935

Foto: Reprodução SporTV

Ligar a TV e ver mulheres comentando futebol em rede nacional é raro, mas até acontece. Agora ligar a TV e ver uma mulher negra como comentarista na bancada era simplesmente impossível – até o último mês pelo menos. No dia 20 de novembro, simbolicamente a data em que se comemora a “Consciência Negra” no Brasil, Rafaelle Seraphim foi chamada pela primeira vez para integrar o time de comentaristas do Redação SporTV. Mas não parou na data comemorativa. Desde então, toda semana ela ocupa uma cadeira ali dando sua opinião sobre o que acontece no futebol aqui e pelo mundo.

É sempre muito difícil cravar uma mulher como “a primeira” que fez isso ou aquilo no esporte, porque faltam registros de tudo o que já foi realizado por elas na história. Nunca se deu muita importância. Mas não há dúvidas de que Rafaelle, aos 29 anos, já é uma pioneira – se não foi a primeira mulher negra comentarista de futebol, ainda é a única atualmente.

“Eu não tenho precisão se isso já aconteceu em algum momento na história. Já tentei buscar e não encontrei. Mas em TV, em rede nacional, não me lembro de nenhuma mulher negra como comentarista. Como repórter, apresentadora, tem. Mas dando opinião na bancada, não”, afirmou a jornalista em entrevista às dibradoras.

Foto: Arquivo Pessoal

É exatamente por isso que Rafaelle Seraphim tenta ser a melhor referência possível para que as meninas negras que a assistem possam sonhar em um dia ocupar o mesmo lugar. Desde o primeiro dia em que foi chamada para comentar no Redação, ela recebeu muitas mensagens de mulheres e homens negros nas redes sociais falando da importância de se verem representados ali. Seu maior objetivo agora é não ser mais a única, e abrir portas para que outras comentaristas negras possam chegar.

“O primeiro dia que participei do Redação eu tinha noção do que isso poderia causar. Porque por mais que mulheres estivessem ocupando esse espaço, ainda não tinha mulher negra pra comentar na bancada, eu sabia que isso poderia ter impacto. Como mulher negra eu tenho uma responsabilidade muito grande. De tentar manter ali uma representatividade”, disse.

“Se uma garota negra tiver esperança de que ela vai chegar lá porque ela me viu ali, se ela conseguir se reconhecer ali, já me deixa muito feliz. Quero que garotas pretas olhem pra mim e entendam que elas podem ser as próximas.”

Paixão pelo futebol

Rafaelle cresceu em Cavalcante, subúrbio da zona Norte do Rio de Janeiro, e teve em casa uma das maiores referências para gostar de futebol. A mãe é torcedora fanática e frequentadora de arquibancada, a avó também. A família toda é apaixonada por bola, e assim ela cresceu jogando e torcendo (só não seguiu a paixão pelo mesmo clube da família).

“Eu não consigo me lembrar de um momento em que o futebol não esteve na minha vida. Eu sempre vivi muito nesse ambiente, jogo bola desde nova, no colégio e no time do bairro”, contou.

Foto: Arquivo Pessoal

Quando chegou ao Ensino Médio, Rafaelle fez um curso profissionalizante em audiovisual e aos 18 anos passou a estagiar na Globosat. O trabalho não tinha a ver com esporte na época, mas ela já alimentava o sonho de ser jornalista. Na faculdade, teve a certeza do que queria: ser comentarista de futebol. Mas naquela época, ninguém entendia direito o que ela queria dizer com isso.

“Eu nunca tive referência para querer isso. As pessoas achavam que eu estava falando de ser repórter. E eu falava: não, não é isso, eu quero ser comentarista. As pessoas olhavam com cara de ‘tadinha, não existe essa possibilidade’. Ninguém levava a sério. As pessoas falavam: ‘ah, apresentadora?’. E eu: ‘não, eu quero ser a pessoa da bancada, comentando o que acontece no futebol’. As pessoas pareciam não entender o que eu queria dizer. Mas eu acreditava muito que isso era possível. Eu falava: cara, as coisas podem mudar. Sempre acreditei muito”, afirmou.

Primeiros comentários

Não foi fácil, nem rápido, mas aos poucos Rafaelle conseguiu trilhar o caminho para realizar o sonho de comentar futebol na TV. Primeiro, ela foi editora do próprio Redação SporTV de 2009 a 2016, mas na época só ficava atrás das câmeras. Aí em 2014 criou um blog onde escreveu sobre todos os jogos da Copa do Mundo e ali passou a reunir uma base boa de leitores. Em 2017, criou as redes sociais do “Dominando a Área”, onde falava sobre futebol sem mostrar o rosto – o dia em que fez isso, os seguidores quase caíram para trás ao descobrirem que a autora da página era uma mulher.

 

“As pessoas sempre que respondiam no direct achavam que estavam falando com um homem. Aí o Thiago, meu marido, falou pra eu botar a cara, para as pessoas verem que a página era de uma mulher. No primeiro vídeo que eu fiz, as pessoas ficaram chocadas. ‘CARACA, TU É MULHER! Pô, sou seu fã’, recebi várias mensagens assim”, conta.

Em 2018, foi convidada por Vanessa Riche, com quem havia trabalhado no SporTV, para participar do programa “Comenta Quem Sabe” da Fox Sports durante a Copa do Mundo. Na época, Rafaelle trabalhava como editora de outros canais da Globosat (nenhum relacionado a esporte), e os chefes a liberaram para fazer. Depois, vieram oportunidades para comentar jogos da seleção feminina e das seleções masculinas de base pela CBF TV. E aí algumas pessoas que trabalharam com ela no Redação voltaram a insistir para que os chefes a convidassem para o programa.

 

“Já tinham tentado me colocar no ar, mas era um momento muito diferente, ninguém tinha aberto essa porta (para mulheres) em nenhum lugar. Quando eu comecei a ir para a Fox, as pessoas falavam de mim no SporTV, mas ninguém conseguiu emplacar essa ideia. Aí depois dos trabalhos para a CBF TV esse ano, o pessoal da equipe do Redação falou com o (Marcelo) Barreto (apresentador) e ele gostou da ideia. Eles me chamaram pra mesa no dia da consciência negra, depois chamaram de novo e agora tenho ido toda semana”.

Foto: Arquivo Pessoal

Houve também quem dissesse que Rafaelle “não é negra” e diminuísse o feito dela ocupando o lugar na bancada do SporTV. A jornalista, porém, nem se incomoda em responder esses comentários. “Eu sempre me reconheci como negra pelo histórico da minha família, mas muita gente não me vê como negra. Como se houvesse um único tipo de negro no mundo. Dentro do movimento negro, tem uma coisa que se chama colorismo, que vai te ajudando a entender de acordo com sua ancestralidade o lugar que você ocupa. Eu sei que eu não passo pela mesma coisa que mulheres de pele mais escura passam porque eu não tenho tantos traços africanos presentes em mim. Mas se houver uma mulher negra que se sinta representada me vendo ali, já vai valer pelos comentários negativos.”

Ciente da representatividade que carrega, Rafaelle reforça a importância das mulheres seguirem juntas buscando o espaço que sempre mereceram no esporte. “A gente está fazendo um barulho que eles não têm mais como ignorar. Não é ter mulher por ter mulher, ou ter negro pra ter negro. É encontrar as pessoas competentes pra isso. A gente quer ocupar o espaço onde a gente tem competência. Tem muita mulher e tem muito negro que merece estar ali.”

 

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Filha de Pelé faz documentário sobre luta das jogadoras de futebol no mundo http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/2019/12/03/filha-de-pele-faz-documentario-sobre-luta-das-jogadoras-de-futebol-no-mundo/ http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/2019/12/03/filha-de-pele-faz-documentario-sobre-luta-das-jogadoras-de-futebol-no-mundo/#respond Tue, 03 Dec 2019 07:00:03 +0000 http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/?p=8928

Foto: Divulgação Global Goals Impact Games

A filha mais velha de Pelé lançará em 2020 um documentário sobre a história de luta das jogadoras de futebol ao redor do mundo. Kely Nascimento está produzindo um filme que tem como base a história de Laís Araújo, uma jovem brasileira que agora está nos Estados Unidos perseguindo o sonho de jogar bola, e o próprio “rei do futebol” é um dos produtores executivos da obra.

Se no Brasil, Pelé não é tão reconhecido por defender causas das minorias, a filha dele é ativista convicta pela igualdade de gênero e leva o pai junto para reforçar a importância dessa luta.

“Ele é um dos nossos produtores executivos. Eu disse que ele tem que apoiar, vamos ver se ele faz isso (risos)”, respondeu ela quando perguntamos qual seria o papel de Pelé na divulgação do filme. Kely reforçou que seu pai é um homem de uma geração mais conservadora e que é preciso entender as dificuldades dele em se posicionar sobre algumas questões por conta disso. “Ele nasceu na década de 1940, as coisas hoje são bem diferentes do que eram naquela época. Ele tem alguns pensamentos do tipo ‘o mundo é assim mesmo’, mas sim, eu tenho sido bem clara com ele sobre a importância da participação dele para promover essa ideia e espero que vocês me ajudem a não deixá-lo escapar”, brincou. 

Kely é embaixadora da “Global Goals World Cup” e, nos Estados Unidos, criou o projeto “Mulheres Guerreiras do Futebol”, que inclui o documentário e uma campanha global em parceria com a ONU para reforçar a causa da igualdade de gênero no futebol. Conhecemos o trabalho dela durante nossa visita aos Estados Unidos para participar do programa do governo americano chamado “International Visitor Leadership Program” na área de empoderamento da mulher pelo Jornalismo Esportivo.

A ideia do filme veio bastante inspirada na história de Laís, uma garota da periferia de Salvador que sempre jogou futebol com os meninos e sonhava em ter uma oportunidade de vestir a camisa da seleção brasileira. Ela teve muitas portas fechadas ao longo da vida, mas conseguiu ser aprovada em um time universitário dos Estados Unidos, na Universidade da Flórida e é lá começou a construir sua carreira. Ela foi capitã da seleção sub-20 no Mundial de 2016 e, atualmente, está jogando na Austrália, uma das ligas que mais têm investido no futebol feminino.

A partir da história dela, o documentário viaja para Inglaterra, Itália, França e Tanzânia – além do Brasil – e vai retratando a realidade de luta das mulheres no futebol. Há também a participação de grandes nomes do futebol mundial, como Julie Foudy, campeã olímpica e mundial pelos Estados Unidos, Marta, seis vezes melhor do mundo, Billie Jean King, lendária jogadora de tênis, e também outros grandes nomes do futebol masculino, como o próprio Pelé e também Neymar.

“A paixão que elas têm pelo futebol não é muito diferente em cada um dos países. As dificuldades de uma menina que quer jogar futebol são parecidas também. Mas acho que a coisa mais legal é que a gente se surpreendeu muito com o sentimento que encontramos nessas meninas. Eu esperava encontrar muita raiva nelas e uma certa frustração pela realidade que elas vivem. E tudo o que encontramos foi gratidão. Em todos os lugares que passamos, encontramos muito esse sentimento de gratidão pela trajetória que elas construíram”, afirmou Kely.

Laís Araújo, jogadora que saiu de Salvador para buscar uma carreira fora do Brasil, é a personagem principal do documentário (Foto: Divulgação)

Visitando instalações de clubes como Santos, Manchester City, PSG, Juventus e Orlando Pride, entre outros, o documentário trata sobre as barreiras que ainda existem para o futebol feminino e a diferença de tratamento com relação ao futebol masculino. Em muitos lugares, a estrutura de treinos para as mulheres era bastante precária.

“Falando do lado negativo, houve muitos lugares que nós vimos homens que trabalham na área de assessoria do clube com um nível alto de resistência ao futebol feminino, uma certa irritação até, uma atitude indignada de ter de lidar com um time feminino. Ainda hoje ter que ver isso é muito triste”, contou a filha de Pelé.

“Por outro lado, há alguns caras que acabam tendo que cuidar do futebol feminino na assessoria porque foi o que sobrou pra eles. E alguns realmente abraçam a causa. Um deles até falou: ‘com o time masculino é muito fácil, eles fazem propaganda para eles mesmos. Mas o time feminino não. Toda vez que eu consigo uma nota pra elas no jornal, eu quero brindar com champagne'”.

Kely Nascimento e a produtora executiva do filme, Susie DeLellis Petruccelli, saíram em busca de pessoas que aceitassem bancar o projeto e conseguiram a verba necessária. Agora, o objetivo é lançar o produto antes da Olimpíada de 2020 para aproveitar um momento em que se está falando muito sobre futebol feminino. A cineasta acredita no poder das redes sociais para ajudar na conscientização sobre a importância da igualdade de gênero também no esporte.

“Por muitos anos, foram muitas pessoas incríveis em lugares isolados do mundo lutando para que mulheres tivessem os mesmos direitos no futebol que os homens têm. O direito de conseguir construir uma carreira jogando o esporte que elas amam. É o momento de usar os recursos que temos para mostrar essas pessoas, uni-las e criar um movimento com elas”, reforçou.

 

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Ex-técnica do Brasil, Emily Lima assume seleção equatoriana http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/2019/12/02/ex-tecnica-do-brasil-emily-lima-assume-selecao-equatoriana/ http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/2019/12/02/ex-tecnica-do-brasil-emily-lima-assume-selecao-equatoriana/#respond Mon, 02 Dec 2019 07:00:50 +0000 http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/?p=8920

(Foto: CBF)

Emily Lima está de malas prontas e com um novo desafio. Segundo apurou o blog, no dia 05 de dezembro ela assumirá o comando da seleção equatoriana de futebol feminino. O contrato da treinadora terá duração de três anos com o intuito de classificar a equipe para a Copa do Mundo de 2023. Se o objetivo for alcançado, ela permanece no comando da seleção por mais um ano.

O site da Federação Equatoriana de Futebol já destaca que na próxima quinta-feira, ao meio-dia, será apresentado o novo corpo técnico da seleção feminina do país.

No dia 15 de novembro, a jornalista esportiva Belén Quinatoa, do Equador, divulgou a notícia em seu Twitter. No Brasil, a treinadora não se manifestou sobre o assunto, mas a reportagem confirma que, neste período, Emily já tinha conversado com os dirigentes da Federação Equatoriana e que o interesse surgiu por parte deles, dias após o pedido de demissão feito pela técnica para o Santos Futebol Clube.

Além de comandar a seleção principal do Equador, Emily Lima fará um trabalho integrado com o futebol de base e fará a coordenação das seleções. Neste início, ela será a comandante dos times Sub-20 e Sub-17 nos Campeonatos Sul-Americanos das duas categorias no ano que vem, mas a ideia da Federação é ter uma comissão técnica para cada uma das equipes posteriormente.

O melhor resultado alcançado pela seleção equatoriana foi a classificação para o Mundial de 2015, realizado no Canadá. Foi a primeira e única vez em que a equipe profissional feminina disputou uma Copa do Mundo. Já as seleções de base nunca se classificaram para o Mundial.

De jogadora à treinadora

Emily Lima tem 39 anos e foi jogadora de futebol por cerca de 15 anos. Com 13 anos, passou em um teste no SAAD, uma das equipes pioneiras do futebol feminino. Atuou como volante, ganhou diversos títulos (Torneio Primaveira, Paulista, Brasileiro e Carioca) e passou por outras equipes, como São Paulo, Palestra de São Bernardo, Barra de Teresópolis e Veranópolis.

Fora do país, jogou na Espanha (Baloncesto Estudiantes, Sporting Huelva, Puebla de la Calzada, Prainsa Zaragoza e Unió Esportiva LEstartit). Se naturalizou portuguesa e defendeu a seleção lusitana entre 2007 e 2009. Encerrou sua carreira no Napoli, da Itália, aos 29 anos por conta de uma lesão no joelho. 

Emily Lima, a primeira mulher a comandar uma seleção na CBF durou apenas 10 meses no cargo (Foto: Fernanda Coimbra/CBF)

Começou a se preparar para ser treinadora de futebol e o primeiro clube onde trabalhou foi a Portuguesa de Desportos. Entre 2011 e 2012, treinou a equipe feminina do Juventus, em São Paulo e, no ano seguinte, recebeu o convite para assumir a sub-17 da Seleção Brasileira de Futebol Feminino, e depois também o sub-15.

Como foi pouco valorizada na época, decidiu assumir o comando da equipe do São José, onde começou a se consolidar na atividade. Comandando a equipe da Águia do Vale, Emily venceu o Paulista de 2015 e os Jogos Abertos e Regionais do mesmo ano. Em 2016, foi vice-campeã da Copa do Brasil.

Em 2017, foi convidada para assumir o comando da seleção feminina do Brasil e se tornou a 1ª mulher a assumir esse cargo. Seu trabalho durou apenas 10 meses e Emily Lima foi demitida sob a justificativa de maus resultados. Após a decisão tomada pela CBF, diversas jogadoras manifestaram publicamente e foram contra a demissão da treinadora. Na época, Andréia Rosa, Maurine, Fran, Rosana e Cristiane pediram dispensa da seleção brasileira.

Emily Lima comandou o Santos (Foto: Pedro Ernesto Azevedo / Santos FC)

Em 2018, Emily assumiu o comando do Santos Futebol Clube, clube onde se tornou campeã paulista e vice-campeã da Libertadores da América no mesmo ano. Em setembro deste ano, pediu demissão após eliminação da equipe no Campeonato Brasileiro diante da Ferroviária nas quartas-de-final.

Em dezembro, a treinadora concluirá o curso chamado “Licença Pro” da CBF, a mais alta certificação para os técnicos profissionais do futebol brasileiro. Antes disso, será apresentada oficialmente como treinadora da seleção equatoriana com coletiva marcada para o próximo dia 5/12.

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Campeã de tudo no Corinthians, Grazi projeta futuro na carreira da sobrinha http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/2019/11/29/campea-de-tudo-no-corinthians-grazi-projeta-futuro-na-carreira-da-sobrinha/ http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/2019/11/29/campea-de-tudo-no-corinthians-grazi-projeta-futuro-na-carreira-da-sobrinha/#respond Fri, 29 Nov 2019 07:00:49 +0000 http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/?p=8895

(Foto: Bruno Teixeira/Agencia Corinthians)

Só atuando pelo Corinthians, Grazi tem mais de 100 jogos. De carreira, são mais de 20 anos desde que deixou seu campinho de asfalto e a molecada de Brasília para trás para buscar seu sonho e se consolidar com uma das grandes jogadoras que o país já teve.

Aos 38 anos, Grazielle Pinheiro Nascimento, camisa 7 do Corinthians coleciona títulos pelos clubes por onde passou e também pela seleção brasileira. Com o objetivo de atuar profissionalmente por mais dois anos, a meia já tem definida como missão o que irá fazer quando se aposentar: cuidar da carreira de sua sobrinha Emily que, com apenas 9 anos de idade, já desponta como uma grande craque, assim como foi sua tia. 

“Esse é um dos pedidos de minha irmã e meu cunhado. Eu tenho mais cinco sobrinhos, todos homens, mas eles não sabem nem chutar uma bola”, revelou em entrevista às dibradoras.

A sobrinha de Grazi se chama Emily em homenagem à treinadora (Foto: Arquivo pessoal)

Apelidada de “Martinha” pelos colegas da escola, o nome da sobrinha de Grazi homenageia a treinadora Emily Lima, que foi companheira da jogadora alvinegra no final dos anos 90, quando jogaram juntas no São Paulo. 

“Eu frequentava muito a casa da Emily, éramos muito próximas. Minha irmã se apaixonou por esse nome porque toda vez que me ligavam e perguntavam onde eu estava, eu dizia ‘estou na casa da Emily’. Nem sei se a Emily sabe dessa história”, disse Grazi.

Trajetória vencedora

Aos sete anos de idade, Grazi dava seus primeiros chutes na rua onde morava. Naquele tempo, ela recorda que havia escolinha de futebol, mas todas eram exclusivamente masculinas. Foi acompanhando o pai nos campos da várzea que seu amor pelo futebol foi crescendo.

Quando tinha 13 anos, Grazi passou a jogar pela Sociedade Esportiva do Gama e um dirigente do clube indicou a jogadora para Romeu Castro – hoje Supervisor de Futebol Feminino na CBF -, que na época era presidente do SAAD Esporte Clube. 

Grazi no SAAD Esporte Clube (Foto: Acervo pessoal/Romeu Castro)

“Trouxemos a Grazi por um período de experiência e ela jogou o primeiro campeonato sub-17 da história em Cabo Frio, no Rio de Janeiro. Ela teve uma participação avassaladora, foi artilheira do time e o SAAD foi campeão. Vimos que era uma jogadora promissora e encaixamos ela na equipe do São Paulo, que o SAAD coordenava”, nos contou Romeu.

E assim, tão nova, ela saiu de Brasília para buscar seu sonho em São Paulo. “Tinha apenas 13 anos na época e tinha a questão da escola. Eu ficava indo e voltando pra Brasília a cada quatro ou cinco dias. Fiquei nessa por um ano e meio até meu pai mandar eu decidir: ficar em São Paulo pra jogar bola e estudar ou voltar pra casa só para estudar.”

Ela decidiu ficar em São Paulo e em 1996 integrou a equipe do SAAD ao lado de outras 50 mulheres, entre elas, Juliana Cabral e Emily Lima. Em 1997, o São Paulo Futebol Clube foi montado com algumas atletas que faziam parte do SAAD. “Fui uma felizarda, fiz parte daquele timaço e foi ali que conquistei meu primeiro título Paulista, aos 17 anos”, relembrou Grazi. 

Grazi foi campeã da Libertadores com o Santos em 2010 (Foto: Acervo pessoal)

“Ela era uma jogadora habilidosa, com visão incrível de gol, uma das grandes goleadoras do futebol feminino. Teve um começo meteórico pelo São Paulo e depois colecionou passagens consistentes pelos clubes onde passou”, reforçou Romeu. E não foram poucas as equipes que defendeu: Portuguesa, Botucatu, Santa Isabel, Levante (da Espanha), Santos, América-RJ, Tiradentes-PI, Centro Olímpico, Audax e Corinthians.

Defendo clubes, Grazi foi nove vezes campeã paulista, tem duas Copas do Brasil, três Brasileiro e três Libertadores.

Vice campeã olímpica e campeã Pan-Americana

Pela seleção, fez parte da equipe comandada por Renê Simões que conquistou a histórica medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Atenas. Na época, ela defendia a equipe de Botucatu que era formada por meninas da cidade. “Nós tínhamos um único uniforme que era usado para jogar e treinar, guardo ele até hoje”, contou.

Aline Pellegrino, Grazi, Renata Costa e Cristiane com a medalha de prata em Atenas (Foto: Arquivo pessoal)

Na véspera da final olímpica em Atenas, Grazi estava muito ansiosa. Dividia o quarto com a zagueira Renata Costa e para acalmar seu nervosismo, pegou uma bandeira do Brasil e começou a escrever mensagens nela, como “100% Botucatu” e outras frases como forma de agradecimento ao time por estar ali, representando o Brasil.

No momento do pódio, Grazi levou a bandeira com ela e a cena ficou mundialmente famosa.”Quando voltei, todo mundo estava me esperando na entrada da cidade com carro de bombeiros. Foi ali que começou a mudar a história da modalidade em Botucatu. O prefeito passou a apoiar e levar bastante jogadoras pra lá, como a Bagé, Renata Costa, Carol Carioca, Formiga, e foram os anos em que o Botucatu ficou no topo”, revelou.

Grazi no Torneio Internacional jogado no Pacaembu (Foto: Acervo pessoal)

Com a camisa do Brasil, a jogadora também alcançou o 3º lugar na Copa do Mundo em 1999 e 2º lugar na Copa de 2007. Em Jogos Pan-Americanos, foi campeã no Rio de Janeiro em 2007 e vice-campeã em 2011, em Guadalajara.

‘Quando vou embora de Brasília, é sempre como se fosse a 1ª vez’

“Meu pai é meu principal apoiador e minha mãe também. Se não fosse por eles eu não estaria aqui”, declarou a meia. Mais velha entre os três irmãos, ela conta que quando volta para São Paulo, a emoção bate mais forte. “Toda vez que vou para Brasília e volto pra casa, parece a primeira vez. Meu pai e minha mãe choram”, disse a atleta.

Grazi pela Libertadores deste ano (Foto: Bruno Teixeira/Agencia Corinthians)

Grazi sempre sonhou em ser jogadora de futebol e sabia que conseguiria realizar. “Sou muito dedicada, muito elétrica e sempre quero mais”, revelou. Mais dois anos jogando em alto nível e Grazi tem em mente que cuidará da carreira da sobrinha.

“Dia desses, a Emily não foi para a escola porque estava resfriada. Aí, o diretor do colégio bateu na casa da minha mãe perguntando por ela porque o time estava disputando o Interclasses e precisavam dela para jogar. Mesmo doente não pensou duas vezes, vestiu o uniforme e foi jogar. Ela é atacante e a única menina que joga no time dos meninos”, conta a tia orgulhosa.

Emily, a única menina entre os garotos (Foto: Arquivo pessoal)

A ideia de Grazi é trazer Emily – ou a “Martinha” – para São Paulo e colocá-la em alguma escolinha ou time de futebol onde ela possa jogar com meninas de sua idade. “Já falei que ela não tem que se comparar a ninguém, ela tem que construir a carreira e a própria história dela. E é isso que Emily vai fazer e se depender de nós, os familiares, vamos dar todo o apoio.”

Dona de uma trajetória vencedora, o objetivo da camisa 7 do Timão era ver o futebol feminino se consolidar no Brasil e fazer parte desse momento. E ela conseguiu. “Meu desejo é permanecer aqui. Joguei um ano na Espanha e tive outras propostas para jogar fora, mas meu sonho sempre foi permanecer no Brasil, porque eu queria que a coisa aqui andasse de alguma forma e deixar meu nome gravado na história do país. A gente tem tanta jogadora conhecida mas que não tem a sua historia completamente feita no Brasil e eu posso me orgulhar disso, porque o que eu ainda tô plantando e o que já plantei não vai ser apagado.”

O ano de 2019 foi especial para Grazi, que levantou a taça do Paulista e da Libertadores pelo clube do Parque São Jorge. A jogadora que se inspirava em Formiga e Tânia Maranhão – duas atletas com longas e vitoriosas carreiras -, hoje é referência para a sobrinha, que trilhará caminhos mais fáceis no futebol graças às pioneiras como a tia e suas parceiras de campo.

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‘Estou no lugar certo, na hora certa’, diz Pia sobre seleção feminina http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/2019/11/28/estou-no-lugar-certo-na-hora-certa-diz-pia-sobre-selecao-feminina/ http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/2019/11/28/estou-no-lugar-certo-na-hora-certa-diz-pia-sobre-selecao-feminina/#respond Thu, 28 Nov 2019 14:47:58 +0000 http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/?p=8896

Foto: CBF

A técnica Pia Sundhage já foi bicampeã olímpica comandando o “melhor time do mundo” nos Estados Unidos, já dirigiu a seleção de seu país natal e faturou a prata nos Jogos Olímpicos do Rio e parecia já ter conquistado tudo o que qualquer técnico de futebol poderia sonhar. Mas neste ano, surgiu o novo desafio: comandar a seleção brasileira feminina. E ela não titubeou.

O Brasil é “o país do futebol”, e Pia sempre ouviu isso desde muito pequena. Cresceu ouvindo as histórias de como o time de Pelé e cia encantou os suecos mesmo faturando o título da Copa do Mundo na casa deles em 1958. E agora, o objetivo dela é fazer desse também o país do futebol feminino. Por incrível que pareça, não parece ter havido melhor momento na história do que esse para fazer isso acontecer.

“Eu estou muito orgulhosa de estar aqui. Eu tenho muita sorte. Tem muita coisa acontecendo agora no futebol feminino. Esse ano foi algo realmente inovador. Se você falar sobre Inglaterra x Alemanha em Wembley (quase 80 mil pessoas no estádio), é incrível muita gente. Mas eu penso que quando a gente fala sobre futebol feminino, a gente tinha que estar no Brasil. Eu estou no lugar certo e na hora certa. Tem muita coisa que a gente pode fazer aqui”, afirmou a treinadora em coletiva de imprensa realizada nesta quarta-feira na CBF.

“Os Estados Unidos venceram muita coisa, a Alemanha também, mas a gente tem que mencionar o Brasil quando a gente fala de futebol. E agora a gente tem que adicionar aí o futebol feminino nisso. Eu estou muito feliz de estar aqui”, reforçou.

Foto: CBF

Pia faz parte da mudança que está em curso no futebol feminino por aqui. Ela chegou como uma unanimidade para comandar uma seleção cheia de talentos, mas que sofria com a falta de organização tática. Além disso, é um nome vitorioso e que já tem história na modalidade, e agora veio ajudar o Brasil a conseguir suas estrelas para as mulheres. Mas o melhor de tudo é que ela veio em um momento em que a torcida brasileira finalmente teve a oportunidade de conhecer a seleção feminina e se apaixonar por ela. Por isso, não demorou muito para Pia virar celebridade por aqui. Por onde ela passa, distribui selfies e retribui carinho aos agora amantes do futebol feminino.

“É um momento diferente. Quando eu jogava pela seleção sueca na década de 1970, ninguém me perguntava se eu estava orgulhosa de vestir aquela camisa. Hoje todo mundo pergunta como eu me sinto em estar aqui. E sim, estou muito orgulhosa e feliz por estar no Brasil nesse momento.”

Com os campeonatos femininos conseguindo mais visibilidade, os jogos passaram a ter um público maior, que culminou no recorde registrado na Arena Corinthians para a final do Paulista, quando quase 30 mil torcedores estiveram lá para ver Corinthians e São Paulo. Além disso, a audiência das transmissões, tanto dos torneios de clubes, quanto dos amistosos da seleção, também têm batido recordes. Tudo isso deixa Pia empolgada para o futuro – pensando inclusive na possibilidade do país sediar a Copa do Mundo feminina em 2023 (o Brasil se candidatou, mas compete com outros oito países).

“Seria sensacional se a gente tivesse a Copa do Mundo feminina aqui. Aquela garotinha, aquele garotinho, teriam a chance de assistir ao mais alto nível do futebol feminino. Isso significa muito. Quando você fala de futebol no mundo inteiro, você fala do Brasil. Seria o momento perfeito para o futebol feminino se a Copa do Mundo fosse aqui”, reforçou.

(Foto: Daniela Porcelli/CBF)

Preparação olímpica

Prestes a completar quatro meses no cargo – e seguindo para sua quarta convocação -, Pia já vê alguma evolução na seleção brasileira sob seu comando, principalmente na organização defensiva. Nos próximos amistosos, que não serão em datas Fifa, a treinadora não pôde contar com atletas que atuam na Europa e deu chance para muitas outras que atuam no Brasil mostrarem seu valor. O período de treinos também vai ser maior (13 dias) e isso faz com que Pia tenha mais tempo para mostrar suas ideias ao time.

“Acho que o Brasil é muito bom em retomar a posse de bola, mas em primeiro lugar a gente falou sobre saber estar atrás da bola. Estar mais organizado, com ou sem a bola. Acho que a gente está um pouco melhor nisso. Contra o Canadá, a gente conseguiu parar a equipe delas. Se eu estou satisfeita? Não, de forma nenhuma, mas está um pouco melhor”, pontuou.

Foto: Mauro Horita/CBF

Desde que chegou, a técnica reforça sempre que não quer perder a qualidade técnica do Brasil no ataque, mas sim deixar o time organizado, sabendo se defender em todos os setores.

A gente não está falando só sobre quem está na defesa, mas do time inteiro, a defesa começa na Marta, na Bia Zaneratto. Se você melhora a defesa, você terá um ataque muito melhor. Precisamos chegar mais perto do gol. Vocês sempre vão reconhecer o Brasil técnico, só que um pouco mais organizado na defesa.”

A seleção feminina terá mais dois jogos para fechar o ano – ambos contra o México, sendo o primeiro no dia 12 de dezembro, na Arena Corinthians (São Paulo) e o segundo dia 15 de dezembro na Fonte Luminosa (Araraquara). As informações sobre horários das partidas e ingressos ainda não foram divulgadas.

 

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Sem Marta, seleção feminina jogará na Arena Corinthians em dezembro http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/2019/11/27/sem-marta-selecao-feminina-jogara-na-arena-corinthians-em-dezembro/ http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/2019/11/27/sem-marta-selecao-feminina-jogara-na-arena-corinthians-em-dezembro/#respond Wed, 27 Nov 2019 19:40:57 +0000 http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/?p=8882

Foto: CBF

A seleção feminina de futebol fechará o ano com mais dois amistosos marcados para dezembro, fora das datas FIFA oficiais. No próximo dia 12, o Brasil jogará na Arena Corinthians, em São Paulo, e depois no dia 15, o time comandado por Pia Sundhage atuará na Fonte Luminosa, em Araraquara. Em ambos os jogos, o adversário será o México.

Nesta quarta-feira, a treinadora convocou 27 jogadoras para um período de treinos entre os dias 2 e 15 de dezembro, incluindo esses dois amistosos. A prioridade foi chamar atletas que atuam no Brasil ou Estados Unidos, países onde a temporada do futebol feminino já acabou (algumas exceções foram feitas em dois casos em que os clubes liberaram atletas da China e da Europa).

A atacante Marta será desfalque do time nesse período. Ela está de férias após ter encerrado a temporada no Orlando Pride, mas pediu dispensa para ter um descanso e também para cumprir compromissos comerciais já acertados previamente.

“Marta era pra vir alguns dias, mas ela tem um calendário difícil no fim do ano, muitos compromissos com patrocinadores. Ela é a jogadora mais famosa, mais vencedora, e também tem um papel importante para ser um espelho para inspirar as meninas. Nós conversamos muito e entendemos que ela precisa ter um descanso nesse momento”, disse a treinadora.

Outra ausência importante será a da goleira Bárbara, titular da seleção, que pediu para não estar nessa convocação pois está em fase final de exames na Faculdade de Enfermagem.

A lista anunciada tem várias novidades, incluindo a atacante Cristiane, convocada pela primeira vez desde que Pia chegou ao comando. Ela passou por muitos problemas de lesão após a Copa e havia sido poupada dos últimos amistosos.

A sueca convocou 17 nomes que atuam no futebol brasileiro, destacando principalmente as jogadoras que atuam no Corinthians, atual campeão da Libertadores e do Paulista – foram seis jogadoras do time alvinegro: a goleira Lelê, a lateral Tamires, a zagueira Erika, a meia Gabi Zanotti, e as atacantes Milene e Vic Albuquerque.

O retorno de Zanotti, camisa 10 do Corinthians, à seleção também já era pedido há muito tempo pelos torcedores e Pia rasgou elogios a ela. “Gabi Zanotti foi a melhor jogadora do último jogo que vi, a final do Campeonato Paulista. Estou curiosa para vê-la jogar na seleção, ela é uma ótima meia”, disse.

Atletas do Flamengo/Marinha, do Palmeiras, do São Paulo, Ferroviária, São José , Avaí/Kindermann e Internacional também foram novidades na lista.

Questionada sobre a repetição de nomes na zaga e a ausência de atletas como Pardal, titular do Corinthians há quatro anos e considerada a melhor zagueira do Paulista, ela explicou que busca versatilidade entre as jogadoras de defesa visando a Olimpíada.

“Só temos 18 jogadoras na Olimpíada, 16 de linha. O plano é ter 6 defensoras e por isso pensamos em jogadoras que atuem em mais de uma posição. A Rafaelle joga na lateral, a Kathellen também”, afirmou a treinadora.

Confira a lista divulgada pela treinadora:

Goleiras: Letícia (Corinthians), Luciana (Ferroviária), Carla (São Paulo), Gabrielli (Flamengo).

Defensoras: Tamires (Corinthians), Fernanda (Flamengo), Erika (Corinthians), Rafaelle (China), Bruna Benítes (Internacional), Tayla (Benfica), Kathellen (Bordeaux), Isabella (Palmeiras), Giovana (Abaldsness), Bruna (Avaí Kindermann)

Meio-campistas: Fabiana (Inter), Luana (Jeonbuk KSPO), Gabi Zanotti (Corinthians), Aline Milene (Ferroviária), Debinha (North Carolina), Poliana (São José), Andressinha (Portland Thorns), Chu (China)

Atacantes: Cristiane (São Paulo), Milene (Corinthians), Vic Albuquerque (Corinthians), Duda (Avaldness), Beatriz Zaneratto (Icheon Hyundai)

 

 

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Futebol feminino conquista cartolas do masculino: até Andrés mudou de ideia http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/2019/11/27/futebol-feminino-conquista-cartolas-do-masculino-ate-andres-mudou-de-ideia/ http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/2019/11/27/futebol-feminino-conquista-cartolas-do-masculino-ate-andres-mudou-de-ideia/#respond Wed, 27 Nov 2019 08:22:19 +0000 http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/?p=8871

Foto: Divulgação

Atual protagonista absoluto no futebol feminino, o Corinthians hoje é o clube que oferece a melhor estrutura para as mulheres em campo em todo o país. Mas um cenário como esse era impensável há exatos 10 anos, quando o clube tinha no comando o mesmo Andrés Sanchez, que atualmente ocupa a presidência de novo. Foi esse mesmo cartola que encerrou o projeto do futebol feminino em março de 2009 dispensando todas as jogadoras e dizendo a elas com todas as letras que “não gostava de futebol feminino”.

“Depois que os campeonatos acabaram, o Andrés falou que teríamos mudanças, que teríamos um orçamento reduzido, mas garantiu que todas as jogadoras seriam mantidas. Mas não foi isso que aconteceu. Ele foi desleal com a gente. O Andrés Sanchez não gosta de futebol feminino. Chegou até a dizer isso em uma reunião”, afirmou a jogadora Karina à época.

Andrés nunca teve papas na língua em seus anos de cartola no futebol brasileiro e não se podava de declarações polêmicas. Ele dizia publicamente que não gostava mesmo da modalidade e demorou a dar o braço a torcer. Mas por incrível que pareça, esse momento chegou. Após ver a arena com 30 mil pessoas para torcer pelas mulheres na final que terminou com o Corinthians vencendo o São Paulo por 3 a 0, o presidente se emocionou junto com a equipe campeã.

“A gente tem que agradecer muito à diretoria do Corinthians e ao presidente, sim, o Andrés, que não gostava, e a gente sabe muito bem do que aconteceu anos atrás, e ele não gostava. Hoje, ele fala de boca cheia, com emoção o quanto ele quer ajudar a gente, o quão satisfeito ele está com o que a gente está fazendo. Sem a estrutura que o Corinthians nos fornece, a gente não conseguiria fazer um grande trabalho”, disse a zagueira corintiana Erika em entrevista às dibradoras na premiação das melhores jogadoras do Paulista feminino.

Erika cita mudança de pensamento de presidente do Corinthians (Foto: Roberta Nina / Dibradoras)

Não foi simples “convencer” Andrés e outros diretores do Corinthians de que investir no futebol feminino era uma boa ideia. Não à toa, o projeto começou como uma parceria com o Audax em 2015 e só em 2018 virou uma gestão própria do clube alvinegro. Foi preciso muito trabalho principalmente da coordenadora da modalidade, Cris Gambaré, que está no projeto desde o início e aos poucos foi quebrando o preconceito do cartola e mostrando para ele que é possível ter retorno financeiro com a equipe das mulheres.

O investimento do Corinthians atualmente no futebol feminino incluindo todas as categorias (profissional e base) e todos os custos com logística, salários de jogadoras e comissão técnica, é R$3 milhões. Considerando que somente em folha salarial, de acordo com os dados fornecidos pelo clube ao sistema da CBF, o Corinthians gastou R$96 milhões em 2019 com o futebol masculino, o valor investido nas mulheres não representa nem 3% disso.

É claro que o futebol masculino gera mais retorno também, dado que ele é transmitido em TV aberta, tem mais patrocinadores e etc. Ainda assim, o futebol feminino começa a dar mostras do seu potencial. Neste ano, o Corinthians conseguiu alguns patrocinadores apoiando a equipe feminina e já conta com propostas de novos para 2020. O planejamento do clube é que até 2021 a modalidade já traga lucro – ou seja, em três anos de investimento na gestão própria (de 2018 a 2021), o novo negócio começará a dar resultado, de acordo com as projeções.

Cris Gambaré (à direita) é responsável pela coordenação do futebol feminino no Corinthians (Foto: Roberta Nina/ Dibradoras)

Para conseguir isso, no entanto, é de suma importância que o clube e seus principais dirigentes “comprem a ideia” do futebol feminino e não apenas mantenham a modalidade para cumprir a obrigatoriedade exigida por CBF e Conmebol. A mudança de postura de Andrés sem dúvidas ajuda muito a gestão de Cris Gambaré e sua equipe para manter o time feminino no topo.

Outros cartolas

Ainda existe muita resistência por parte dos tradicionais cartolas brasileiros com relação ao futebol feminino. No ano passado, o gerente de futebol do Cruzeiro falou às dibradoras que o clube só investiria na modalidade para “o time masculino poder disputar as competições” e reforçou que o clube não tinha interesse no futebol das mulheres.

“O Cruzeiro hoje está trabalhando o assunto como pré-requisito para o time profissional disputar série A e Libertadores. Não existe um direcionamento, um interesse do clube em fazer futebol feminino. Hoje a postura do clube é de cumprir um pré-requisito para um objetivo final que é o time profissional masculino”, afirmou Marcone Barbosa à época. Hoje, porém, há uma interpretação diferente, segundo a coordenadora do futebol feminino por lá, Barbara Fonseca. Ela enxerga que o clube já começa a ver com outros olhos a modalidade – vice-campeão brasileiro na A2, o clube garantiu o acesso à primeira divisão e fará a final do Mineiro no próximo dia 7 de dezembro contra o América.

São Paulo recebeu troféu de vice-campeão paulista em premiação (Foto: Roberta Nina / Dibradoras)

No caso do São Paulo, o clube também começou tímido e não é hoje o que oferece uma das melhores estruturas do Brasil para as mulheres. Mesmo contratando a artilheira da seleção brasileira, Cristiane, o time do Morumbi ofereceu campo de gramado sintético para as jogadoras treinarem e a academia do social. Ainda assim, a camisa 11 revelou ter tido uma conversa com Raí pedindo mudanças para 2020 e disse ter conseguido uma resposta positiva.

(Foto: Renata Damasio/saopaulofc.net)

“Pra esse ano, a gente entende, e o próprio Raí assumiu, que tinham algumas dificuldades. Conversamos muito sobre isso, eu fui muito sincera como eu sempre sou. Falei: olha, Raí, hoje a nossa estrutura está abaixo. Para o ano que vem, se você pretende ser referência, trazer atleta de seleção, então precisa melhorar a estrutura, a gente tem que ter um campo de grama, não dá para ser sintética, precisa de uma academia, não dá pra usar uma academia antiga…ele sabe disso. São coisas que eu procurei trazer para ele porque acho que isso vai ajudá-lo também a melhorar o São Paulo, a equipe feminina, atrair atletas de seleção, porque se não tiver isso, elas não vão vir”, reforçou a atacante.

Aos poucos, os cartolas começam a entender que o futebol feminino pode ser um ótimo produto para o clube, e não somente um compromisso para cumprir uma obrigatoriedade.

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Gestão do Flamengo teve ano ‘quase perfeito’: mas faltou futebol feminino http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/2019/11/26/gestao-do-flamengo-teve-ano-quase-perfeito-so-faltou-futebol-feminino/ http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/2019/11/26/gestao-do-flamengo-teve-ano-quase-perfeito-so-faltou-futebol-feminino/#respond Tue, 26 Nov 2019 07:11:58 +0000 http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/?p=8864

(Foto: Ursula Nery)

Campeão carioca, campeão brasileiro e campeão da Libertadores. O Flamengo teve um ano dos sonhos no futebol e calou todos os críticos. E, diante do sucesso dentro de campo, não dá para esquecer o caminho trilhado fora dele para que isso fosse possível: anos de uma reestruturação financeira e uma gestão responsável deixaram o clube em condições de montar a seleção que tem hoje no elenco para poder brigar sempre por títulos. Hoje, o Flamengo não é só o time da maior torcida do Brasil – é também o time com o maior poder de investimento do país e, por isso, pode sonhar alto nos próximos anos e se manter no topo.

Foi um caminho quase perfeito até aqui. Faltou apenas um detalhe, um assunto que o Flamengo parece sempre se esquivar na hora de comentar – o investimento no futebol feminino. O clube mantém uma parceria com a Marinha desde 2015, onde é responsável apenas por organizar logística, enquanto o setor de exército paga os salários, oferece a estrutura de treinos e comanda a gestão da equipe. Nem mesmo a montagem do elenco fica nas mãos do Flamengo, já que as atletas precisam passar em concurso militar para poderem vestir a camisa rubro-negra. E a decisão sobre prioridades de disputa também é da Marinha – o que fez com que o time feminino desistissem de disputar a Libertadores neste ano para jogar os Jogos Mundiais Militares.

Foto: Divulgação Flamengo/Marinha

A grande “reclamação” dos clubes de camisa sobre a obrigatoriedade de investir no futebol feminino (em regra imposta pela Conmebol e pela CBF) é a “falta de dinheiro” para bancar um projeto que não tem, na cabeça deles, retorno financeiro. Pois bem, se tem algum clube que não pode reclamar de falta de dinheiro, é o Flamengo. O superávit de 2019 deve chegar a mais de R$74 milhões (dados de outubro). Além disso, o argumento de que o futebol feminino “não dá retorno” está começando a ficar pra trás. Já estão começando a surgir patrocinadores para os times femininos – o Corinthians, por exemplo, conta com a Estrela Galícia na equipe das mulheres e já tem boas propostas para ampliar isso no ano que vem; o São Paulo tem a Giuliana Flores; o próprio Campeonato Brasileiro feminino ganhou patrocínio da Uber. Será que o clube da maior torcida do Brasil não seria capaz de atrair marcas interessadas em apoiar o futebol feminino rubro-negro?

Raiza comemora o gol marcado na decisão contra o Fluminense (Foto: Marcelo Cortes/Flamengo)

Quando procurado, o Flamengo diz que a parceria com a Marinha “é ótima para os dois lados”. E questionado sobre possíveis planos futuros para assumir essa gestão, o clube desconversa e dá uma resposta pouco objetiva.

“O clube trabalha com um planejamento a longo prazo. Hoje temos a categoria Sub-18, que disputou o Brasileiro da categoria (e ficou em quinto lugar com apenas cinco meses de trabalho) e o Campeonato Carioca. Estamos investindo nessas meninas, dando todo apoio possível e vamos manter tudo isso nos próximos anos. Nessa edição do Carioca Adulto, algumas jogaram no time profissional e a ideia é que essa transição aumente mais em 2020. Temos a Maria Peck, atleta nossa de apenas 15 anos, que foi convocada recentemente para a Seleção Brasileira Sub-17 e é considerada uma das melhores do país na posição e na categoria. Pretendemos fazer mais peneiras no Rio de Janeiro (como já fizemos duas esse ano) e seguir buscando atletas. Nós queremos fidelizar o futebol feminino e ajudar a modalidade a crescer ainda mais no Brasil”, afirmou Vítor Zanelli, vice-presidente do futebol de base (pasta em que está o futebol feminino).

Foto: Divulgação Flamengo/Marinha

A torcida já cobra há algum tempo um comprometimento maior do Flamengo com o futebol feminino. Na final do Carioca neste ano, mas uma vez se ouviu na arquibancada o grito: “Não é mole, não, assume logo o feminino do Mengao”. 

Mas a reportagem apurou que existe uma resistência interna quanto à participação do clube no futebol feminino. Alguns dirigentes não têm interesse e demonstram até certo desprezo pela modalidade. Até mesmo para conseguir um posicionamento para esta reportagem, foi preciso insistir bastante na comunicação, e nenhum pedido de entrevista formal com o responsável do clube pelo futebol feminino foi aceito – até porque, formalmente, não existe uma pessoa específica que cuide da gestão da modalidade de perto.

Organizada presente para apoiar o Flamengo (Foto: Laís Malek)

O que o Flamengo (e muitos outros clubes) ainda não enxergaram é que o futebol feminino hoje não deve ser pensado como um “projeto social”, nem ter caráter “beneficente”. Há inúmeros sinais de que esse é um mercado com potencial enorme, aqui e no resto do mundo. Não à toa a Copa do Mundo feminina na França bateu recordes de audiência e de interesse de mídia e patrocinadores. Não é por acaso que a “Womens Super League” na Inglaterra já tem patrocínio milionário da Barclays e segue aumentando a média de público a cada jogo (e o investimento dos clubes também). A Espanha tem um crescimento expressivo também de audiência e de público nos estádios – tanto que as atletas que jogam no pais chegaram a entrar em greve para pedir melhores pagamentos e condições de trabalho de um negócio que já começa a ser lucrativo para os clubes que investiram nele. No Brasil, chamou a atenção também a audiência de jogos do Brasileiro e do Paulista feminino, além do recorde de público de quase 30 mil pessoas na arena Corinthians na final do estadual. Para o Brasileiro de 2020, já existe disputa de TVs para definir quais canais irão transmitir. O momento não poderia ser mais propício. E não dá pra negar o potencial do Flamengo, tanto para investir, quanto para lucrar com o futebol feminino 

Vale ressaltar: há ainda que se questionar sobre a forma como o clube tem lidado com as famílias que reivindicam indenizações pela tragédia do Ninho do Urubu. Um dos episódios mais tristes da história do Flamengo que ainda está muito mal resolvido.

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Melhor zagueira do Brasil, Pardal é multicampeã, mas não tem chance na seleção http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/2019/11/25/melhor-zagueira-do-brasil-pardal-e-multicampea-mas-nao-tem-vez-na-selecao/ http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/2019/11/25/melhor-zagueira-do-brasil-pardal-e-multicampea-mas-nao-tem-vez-na-selecao/#respond Mon, 25 Nov 2019 07:00:40 +0000 http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/?p=8841

(Foto: Bruno Teixeira/Agência Corinthians)

A menina Ingrid Carolina Frisanco que cresceu em Boituva jogando bola na rua com os irmãos jamais imaginava que conquistaria títulos de tamanha expressão no futebol feminino. Campeã de tudo vestindo a camisa do Corinthians (Copa do Brasil, Brasileiro, Libertadores e Paulista), a zagueira Pardal, de 26 anos, tem mais de 140 jogos pelo Timão e assume que vive o melhor momento de sua carreira.

Se Pia Sundhage, treinadora da seleção brasileira feminina, ainda não se rendeu ao futebol consistente da camisa 3 do clube paulista, os amantes do futebol feminino não se conformam com a ausência de Pardal na equipe nacional. A própria jogadora  declarou em entrevista às dibradoras que, por muito tempo, esperou uma chance. Hoje, ela prefere não se empolgar mais e seguir trabalhando no clube.

Já me perguntaram sobre isso, mas sou muito pé no chão, porque eu já tive tanta decepção de esperar que agora eu prefiro me surpreender. Claro que às vezes eu penso que gostaria de ter uma oportunidade, não só eu, mas tantas outras meninas que merecem ser observadas e ter um espaço”, disse. 

Tudo começou na rua

Com 10 anos de idade, ela começou a dar seus primeiros chutes na rua em que morava, na cidade de Boituva (interior de São Paulo). Ali, ao lado dos irmãos e amigos, a menina magrinha, das canelinhas finas, sequer se lembra de ter tido referências femininas no esporte que hoje é sua carreira. “Eu brincava na rua, mas acho que nem sabia que existia o futebol feminino”, relembrou. 

Um tio que ficou sabendo que haveria uma peneira para meninas na equipe do Juventus (da capital paulista) e incentivou a sobrinha a participar. Com a família ao lado e uma amiga que também era sua parceira nas peladas de rua, ela foi para São Paulo fazer o teste.

Pardal defendeu o Juventus por 10 anos (Foto: Blog do Lira)

“Você vê como são as coisas, né? Naquele dia, a minha amiga passou no teste e eu não. Eu estava arrasada e ela feliz. Mas ela só teve apoio da mãe, o pai não queria que ela jogasse e, por causa disso, eu fui chamada para jogar no clube na vaga que era dela”, relembrou.

Foi ali na Moóca, sobre o comando da treinadora Magali Aparecida Fernandes, que o futebol de Pardal começou a se desenvolver. Única mulher no meio de quatro irmãos, Pardal saiu de Boituva e se alojou nas dependências do Juventus, clube que defendeu por 10 anos. “Foi uma loucura. Meu pai era mais tranquilo, minha mãe ficava mais preocupada”, contou sobre o início da carreira.

 A equipe juventina tem muita tradição na modalidade feminina e por ali, jogaram grandes atletas, como Tamires e Cristiane. A treinadora Emily Lima também passou por lá, treinando o time no início de sua carreira. “Eu cheguei a jogar com a Pelle (Aline Pellegrino, atual diretora de futebol feminino na Federação Paulista de Futebol). Formei dupla de zaga com ela quando ela estava quase parando de jogar. Também joguei ao lado da Erika e da Tamires, mas elas não lembram de mim. Eu era uma pirralha, né?! Era mais uma menina entre tantas que estavam ali, em um teste, seria difícil de lembrar”, conta.

Quando a treinadora Magali foi demitida do clube, Pardal foi jogar no Botafogo da Paraíba. O ano era 2013 e com a chegada de Emily no Juventus, a treinadora insistiu para que a zagueira voltasse para o clube. “A Emily me ligava muito , queria que eu voltasse e dizia que queria trabalhar comigo. Terminei o contrato que tinha com o Botafogo e voltei, joguei por um ano sob o comando da Emily.”

Pardal defendendo o Audax/Corinthians em 2016 (Foto: Leandro Martins/AllSports)

Depois da longa trajetória no Juventus, Pardal defendeu clubes menores do interior – mas com grandes êxitos na modalidade, como o São Manuel, Botucatu e Rio Preto. De volta à São Paulo, ela jogou pelo Centro Olímpico em 2015 e Audax em 2016. Com a fusão do time de Osasco com o Corinthians, Pardal se garantiu entre as titulares do clube alvinegro para não mais sair.

Seleção brasileira

Foi jogando pelo Juventus que veio a primeira oportunidade nas equipes de base da seleção brasileira. Com 16 anos, foi convocada pelo treinador Marcio Gaspar para defender a sub-17 em jogos e competições. “Eu jogava de volante, mas às vésperas do Sul-Americano, a zagueira se machucou e foi cortada. Como eu era 1ª volante e tinha noção defensiva, me colocaram na zaga. No começo fiquei apreensiva, mas aceitei numa boa”, recordou.

Também foi titular da sub-20 e, sob o comando de Caio Couto, foi campeã sul-americana em 2012. Aquele time contava com nomes como o das goleiras Dani Neuhaus e Lelê, além das jogadoras Tayla, Andressa Alves, Andressinha, Ketlen, Bia e Thaisinha.

(Foto: Divulgação)

Pela seleção principal, a chance chegou também sob o comando de Emily Lima, em uma convocação de observação em 2017. Entre as 26 relacionadas pela treinador na época, 18 eram estreantes na categoria e muitas delas já haviam passado pela equipe sub-20. Pardal era uma delas e, mesmo conquistando títulos e se mantendo como titular em um dos clubes mais fortes do Brasil, a zagueira não teve nova chance.

“Eu já fui muito mais apegada a isso (estar na seleção). E quando fui muito apegada a isso, tive muita decepção. Eu estava bem, queria ir. Pô, joguei na categoria de base, cheguei na principal, então a chance de ir é maior e comigo não aconteceu isso. Até o ano passado cogitavam que eu seria convocada com o Vadão e acabei não indo. E esse ano pra mim, profissionalmente falando, foi o meu melhor ano, mas chegou um momento da minha carreira que eu decidi não pensar mais e não pensei”, afirmou. 

Pardal treinando na Granja Comary sob o comando de Emily Lima (Foto: Kin Saito/CBF)

Em dezembro deste ano, a seleção brasileira de futebol terá um amistoso no Brasil, mas sem adversário, data e local definidos. A treinadora Pia deve convocar apenas atletas que atuam no Brasil e nos Estados Unidos, mas Pardal acredita que não será chamada.

“Sendo sincera, eu tô de boa e acredito que não vá (ser convocada). Mesmo indo só atletas do Brasil, acho que não vou. Posso me surpreender, mas prefiro que seja assim. Se tiver que acontecer, vai acontecer, senão, boa sorte pra quem está lá e eu vou fazer o meu melhor dentro do clube que é o que me dá de comer e beber todos os dias. Então, eu penso no Corinthians, que pra mim já é uma seleção. Jogar ao lado dessas meninas é uma seleção também!”, desabafou Pardal que é a atleta que mais atuou no ano pelo Corinthians, ficando de fora em apenas três jogos.

Próximos passos

Há poucos dias, Pardal conquistou o título que tanto sonhava, o Campeonato Paulista. “Já tinha ganhado a Libertadores, ganhei a Copa do Brasil, o Brasileiro, e faltava o Paulista. Todos foram muito importantes, mas esse do Paulista teve um gostinho diferente e eu queria muito. No ano passado, eu bati na trave porque perdi para o Santos aqui (na Fazendinha), então eu falei ‘não é possível, esse ano tem que vir’. E deu tudo certo. O Paulista desse ano teve um gosto especial.”

Toda a família da zagueira é corinthiana, então, defender o clube do coração para ela é motivo de orgulho. Ver a Arena Corinthians com mais de 28 mil torcedores no dia da final contra o São Paulo, foi um dos momentos mais especiais da trajetória da jogadora.

(Foto: Rodrigo Coca/Agência Corinthians)

“Por mais que eu seja nova, eu peguei uma época bem dura também. Imaginava que iria ter aquele público, só que a gente imagina mas sem aquela certeza. Meu, foi emocionante demais. Quando a gente entrou pro hino nacional e viu a torcida… foi uma coisa de louco, não tem explicação, pode perguntar pra qualquer uma.”

Se sua próxima temporada será vestindo a camisa do Corinthians, Pardal ainda não sabe. Times de fora e também do Brasil já sondaram a zagueira e ofereceram contratos tentadores. “Recebi propostas boas, de times de camisa e até ouvi um deles dizer ‘eu quero te tirar daí’ (do Corinthians).”

“Também penso em jogar fora e todo final de ano eu recebo propostas. Mas avalio bem porque se for pra ir e ganhar o mesmo que ganho aqui ou um pouco mais, não vou, não compensa. Tem que ser uma proposta boa, mas esse ano eu recebi algumas de fora e até de outros times aqui do Brasil mesmo. Vamos ter uma reunião ainda, primeiro quero ouvir o que o Arthur (treinador) e o Corinthians tem pra falar e aí eu vou decidir o que fazer”, revelou.

(Foto: Divulgação FPF)

Fechando mais uma temporada jogando em alto nível, sem enfrentar lesões, Pardal é uma das mais cotadas a levar o prêmio de melhor zagueira da competição paulista pelo segundo ano consecutivo. Sua parceira de defesa, Erika, também é uma das indicadas e, se Pardal cresceu sem referências para inspirar, hoje escolhe Erika como uma das jogadora que mais gostou de ter ao lado. “Duas jogadoras que gostei de jogar são aqui do Corinthians: a Mimi porque estamos há muito tempo juntas, temos muito entrosamento, não precisamos nem falar, só olhar. E depois a Erika, por ser a Erika, ela agrega demais.”

Para a dupla de zaga do Corinthians se efetivar como titular da seleção falta apenas um detalhe: uma única chance para Pardal mostrar o que sabe.

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