Dibradoras http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br Mulher pode gostar, entender e praticar o esporte que quiser. Fri, 15 Jan 2021 13:59:10 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.2 Técnico do Corinthians: ‘Futebol feminino me permitiu completar trabalhos’ http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/2021/01/15/tecnico-do-corinthians-futebol-feminino-me-permitiu-completar-trabalhos/ http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/2021/01/15/tecnico-do-corinthians-futebol-feminino-me-permitiu-completar-trabalhos/#respond Fri, 15 Jan 2021 07:00:42 +0000 http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/?p=10937

Bruno Teixeira / Ag. Corinthians

O ano é 2021, mas a verdade é que desde março de 2020 parece que vivemos dias e meses intermináveis, de uma mesma saga em busca da sobrevivência. A pandemia da COVID-19 abalou estruturas, mexeu com o psicológico e exigiu do ser humano ferramentas de reinvenção, tanto práticas como de cunho emocional.

Foi preciso fazer do limão uma limonada, e um ótimo exemplo disso é o Corinthians Feminino. Nas mãos de Arthur Elias pela quinta temporada seguida, a equipe do Parque São Jorge foi campeã do Brasileiro Feminino e do Paulista da modalidade, únicas competições que o clube participou em um ano tão atípico (a Libertadores foi adiada).

Tanta coisa ruim acontecendo, ter esses momentos de alegria com o clube, de títulos, vitórias, apresentando uma evolução, a emoção é diferente pela dificuldade que o mundo está passando e com o futebol feminino não foi diferente”, disse o treinador em um bate-papo de pouco mais de uma horadois dias após a virada de ano – sobre Corinthians, renovação, carreira, pandemia e outras coisas, incluindo Seleção Brasileira.

Início 

Quem vê Arthur Elias na beira do campo sabe que o treinador é pura energia. Quinto filho de um total de seis (cinco homens e uma mulher), o comandante carrega consigo princípios herdados da família. “Sempre vivi minha vida com intensidade”.

Ter este suporte em casa foi fundamental quando o treinador decidiu pelo futebol. “Eles sempre me apoiaram, desde que joguei nas categorias de base, e o que eu aprendi com eles é que a partir do momento que a gente escolhe o que quer e gosta, fazer com intensidade, entrega e disciplina é importanteLiderar pessoas sempre fez parte da minha vida, desde pequeno, adolescente, é uma característica que carrego”, completou.

Arthur se relaciona com o futebol desde moleque, quando jogou em categorias de base e ainda carregava o sonho de ser um atleta. Parei já pensando em ser treinador”, completou.

Foto: Gabi Montesano

Aos 20 anos, o primeiro “grande desafio”, aos 25, o futebol feminino. “Eu tinha feito categorias de base masculina e isso foi importante para treinar a USP. Eu só aceitei o trabalho podendo fazer um projeto interdisciplinar. Sabia que ali era só um laboratório, eu queria conhecer mais a realidade”, disse Arthur.

“No mesmo ano eu já estava enfrentando o Santos, o Saad numa final. Muito rapidamente eu já conhecia as principais equipes da modalidade, o que me fez olhar como plano de carreira, onde poderia me destacar dentro de um cenário carente, desafiador. O interesse era evoluir como profissional, então precisei trabalhar muito para realizar a montagem de um time, toda estrutura necessária”, completou.

‘As coisas não vieram de graça, foram conquistadas’

Uma das coisas que Arthur Elias gosta de destacar sobre sua carreira é a importância de se cercar de bons profissionais. Depois da experiência com equipes universitárias, é no Centro Olímpico, ao lado desses bons profissionais, que o treinador chega pela primeira vez à glória máxima da modalidade nacional.

“O futebol feminino me trouxe essa possibilidade de terminar todos os anos, de completar meus trabalhos e nunca ser demitido, além de conseguir sempre ter pessoas extremamente competentes junto, mesmo sem ganhar dinheiro no começo. Quando vem o Centro Olímpico em 2010 e 2011 eu troco a minha comissão inteira e chego com aquele olhar de que dali você pode tirar mais, ter uma melhor estrutura, condições de realização, explicou o técnico.

O projeto no Centro Olímpico rendeu ao comandante seu primeiro Brasileirão Feminino, em 2013. De lá para cá o Corinthians entra na sua vida e soma à conquista mais dois Campeonatos Brasileiros (2018 e 2020), uma Copa do Brasil (2016), duas Libertadores (2017 e 2019) e o bi Paulista (2019 e 2020). Além disso, os expressivos números de sua comissão técnica que em 2021 vão para seu oitavo ano de trabalho: 204 jogos, 159 vitórias, 30 empates, 15 derrotas, 605 gols marcados e 121 gols sofridos.

“As coisas não foram entregues de graça, inclusive no Corinthians. Você precisa saber o momento de trazer as pessoas certas, alternativas para aquele lugar. É fácil pedir, difícil é criar alternativas”, falou Arthur.

‘Nossas atletas competem para serem cada vez melhores entre elas’

Corinthians virou o time a ser batido por todos os títulos que conquistou, e o Brasileiro chegou em 2020 com mais competitividade pelos times de camisa que tinham subido da segunda divisão: São Paulo, Palmeiras, Grêmio e Cruzeiro. O clube sabia dos desafios que teria, e correu atrás para “surpreender”.

 

“Nós não nos reinventamos. Evoluímos e trouxemos elementos novos que foram deixando aquilo que a gente já tinha de estrutura de jogo, ideia de jogo, mais complexo, imprevisível para esses adversárioe desafiador para as meninas, que toparam. É importante enxergar coisas novas, que você é capaz de fazer diferente, fazer mais, de responder a situações que na verdade estamos competindo com a gente mesmo para seguir vencendo”, contou Arthur, que completou explicando o que de fato mudou no Corinthians de 2020.

“A gente trouxe coisas diferentes, como a goleira participando ativamente do jogo. Fez com que eu colocasse uma jogadora a mais entre as linhas do adversário para chegarmos com volume maior, chegar ao gol criando chances. Mudamos esquema tático aprimorando ideias, conceitos, o sistema, a distribuição delas em campo foi algo novo. Ter uma linha de quatro segura, potencializaro meio de campo e o ataque respeitando melhor a característica do elenco, com duas centrais e duas meias abertas”, disse o técnico.

O resultado dentro de campo, que culminou com Brasileiro e Paulista de 2020, tem muito do que é feito nos bastidores de um clube que investe na modalidade. “Reflete para uma evolução de todos os profissionais. Quanto mais tenho uma equipe multidisciplinar, mais as atletas precisam aproveitar isso. O feminino sempre foi muito sofrido, nos últimos anos elas têm respondido de forma fantástica e aproveitando essas condições que são melhores, mas eu entendo que tem que ainda ser bem melhor”, afirmou Arthur.

“Nós podemos crescer muito mais ainda. Busco isso hoje dentro do Corinthians, dentro da modalidade, sei o quanto isso é importante para um esporte que tem sido cada vez mais competitivo. É uma questão de escolha, o investimento em estrutura, em profissionais, para mim é muito bom”, completou.

Melhor jogo

Em 20 de dezembro de 2020 o Corinthians fez, na visão de Arthur Elias, sua melhor exibição em quatro anos de projeto, e foi justamente numa final de campeonato. Após vencer, de virada, a ida por 3 a 1, o Timão goleou a Ferroviária, em Araraquara, por 5 a 0 e conquistou o bi do Paulistão Feminino.

 

O desempenho da equipe, principalmente no primeiro tempo, surpreendeu até o próprio treinador. “Foi um jogo marcante 4 a 0 no primeiro tempo, um domínio completo”, declarou o comandante, que continuou:

“Vínhamos de nove mata-matas seguidos em um mês. Tinha o estresse físico, mental e encontramos aquele equilíbro que eu sempre falo de você conseguir treinar e jogar, por isso rodamos tanto o elenco, para que elas treinem com qualidade. O time exerceu muito bem nosso trabalho, ideias, encaixou muito bem a marcação pressão com bloco médio, muito consistente na linha de baixo defensiva para ganhar as bolas e seguir na construção. Agredimos muito o gol, com muita dinâmica do meio. O meu meio fez o melhor jogo porque a gente tinha a Andressa como primeira volante, a Diany e a Zanotti como meias, tivemos uma rotação nesse triângulo muito grande o jogo todo. O time foi imprevisível, intenso, eficiente, tudo o que um treinador gosta”, finalizou.

O exemplo para o filho

Apelidado de “Rei” pela torcida corintiana, Arthur batalha para deixar um bom legado não só à equipe feminina, mas também a seu filho Aluísio, de 3 anos. Rodeado de mulheres por conta do trabalho, o treinador entende a responsabilidade de criar um filho homem em um mundo cruelmente machista.

 

“Com certeza me ajuda (o trabalho). A questão da mulher, do ambiente que eu vivo, o que isso representa, a luta de vocês… com certeza ele já cresce com uma outra visão. Na visão dele o futebol é mais feminino do que masculino, ele entende que as mulheres é quem jogam, é natural para ele”, afirmou o comandante.

“A mãe do Aluísio é antropóloga, o tanto que ela contribui para ele, sempre contribuiu para mim para entender mais afundo. O que eu realmente fico triste, mas é algo difícil de fazer na prática, é que eu gostaria de estar mais com ele, participar mais, dividir, mas o futebol me exige muito e eu tenho tentado sim o meu máximo poder trazer a figura do pai nessa divisão de responsabilidades que muitas vezes os pais deixam as tarefas de casa para as mães, e isso não está certo, eu tento me esforçar muito para que ele entenda isso”, completou.

Carregando o nome do irmão mais velho do papai, falecido em um acidente de carro, o pequeno Aluísio volta e meia aparece nos treinos do Corinthians. “Ele é nota mil e tem falado assim: ‘As meninas do Corinthians estão com saudade de mim, papai?’. Ele joga bola com a vizinha da idade dele. Isso tudo vai ser mais natural, espero que ele possa ser uma pessoa melhor do que eu, todos os pais têm esse objetivo”, declarou Arthur.

Vão querer cada vez mais nos vencer

Uma das particularidades do futebol feminino é não trabalhar com contratos longos – nem para atletas, nem comissão técnica. Portanto, todo fim de temporada é preciso sentar e avaliar quem fica, quem sai e quem chega.

 

Para 2021, o Corinthians renovou com 22 jogadoras das 28 que estiveram na temporada passada, contratou as atacantes Bianca Gomes, Miriã e Jheniffer e encerrou vínculo com Lelê, Taty Amaro, Mimi, Maiara, Pâmela e Suellen.

“Está tudo dentro do que a gente gostaria de fazer. O que a gente quer é manter o Corinthians forte, vemos que dá para tirar mais dessas atletas, que a fome é grande. Vamos seguir construindo com essa mentalidade de desafiar, encarar. Vejo essa consciência e desejo nessas atletas. É um ano especial de duas Libertadores, vamos defender todos os títulos que temos e quem sabe ter a oportunidade de buscar um confronto com uma equipe europeia, algo que nunca teve, que não é comum”, afirmou o comandante.

O clube ainda deve anunciar a chegada de uma goleira. Aliás, a perda de Lelê foi bastante sentida pela torcida. A arqueira acertou com o Benfica de Portugal e deixa o clube do Parque São Jorge após completar 100 jogos e ganhar sete títulos. “É a melhor goleira da história do Corinthians, com certeza. Esse ano de 2020 foi muito importante e uma das evoluções foi o posicionamento da nossa goleira no jogo, mas faz parte do processo e precisamos respeitar. Confio muito na Paty e na Tainá (goleiras reservas)”, apontou Arthur.

Futuro e seleção brasileira

Conquista após conquista, as redes sociais esbravejam por Arthur Elias no comando de algum time masculino ou à frente da Seleção Brasileira Feminina. Sobre o primeiro, o treinador revela já ter recebido convites, mas acredita não ser o momento para tal mudança.

 

O que eu penso é um passo de cada vez, saber que aquele passo para mim vai significar um avanço, que terei condições melhores de trabalho, oportunidade de crescer profissional. Tenho sido muito coerente com o que eu decido”, afirmou Arthur.

Eu acho que eu tenho ainda a acrescentar para o futebol feminino. Sei aonde eu cheguei, a responsabilidade que tenho de conduzir uma equipe tão vitoriosa, com cada vez mais repercussão, essa merecida valorização. Estar no Corinthians me proporcionou um crescimento grande. Sou grato ao clube, aos profissionais que estão comigo. Um dia vou sair, vai acontecer naturalmente”, completou.

Tratando de Seleção Brasileira Feminina, o treinador prefere não se colocar mais sob essa pressão. “Eu sempre tive o sonho e confesso que teve alguns momentos que imaginei estar mais perto dessa oportunidade. Mas com a experiência vamos vendo que é uma decisão que depende muito menos de mim, então o que eu penso é que se acontecer um dia vai ser muito prazeroso, de muito orgulho, mas não trabalho hoje planejando e nem contando com essa oportunidade”, apontou Arthur.

O primeiro compromisso do Corinthians na temporada é a Libertadores da América 2020, adiada para acontecer entre os dias 5 e 21 de março, na Argentina.

*Reportagem de Mariana Pereira

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Mais da metade das federações não realizou estadual feminino de 2020 http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/2021/01/08/mais-da-metade-das-federacoes-nao-realizou-estadual-feminino-de-2020/ http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/2021/01/08/mais-da-metade-das-federacoes-nao-realizou-estadual-feminino-de-2020/#respond Fri, 08 Jan 2021 07:00:54 +0000 http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/?p=10918

Mapa que detalha a situação dos estaduais femininos de 2020

As paralisações nas competições deram o tom do ano de 2020 no mundo dos esportes. No futebol feminino no Brasil, a situação se repetiu, mas com um agravante: até o final do ano, apenas 11 dos 26 estados realizaram o campeonato estadual para as mulheres. A falta de estrutura, que já é um dos maiores problemas da modalidade, tornou-se ainda mais relevante em um contexto em que a testagem de atletas para a Covid-19 se tornou parte do protocolo de segurança, bem como a higienização constante dos centros de treinamento e estádios para que as partidas pudessem ser realizadas.

Pensando nas mudanças que os estados deveriam promover, no início de dezembro a CBF emitiu um ofício determinando que os campeonatos estaduais de 2020 fossem realizados até 28 de março de 2021, de modo que as federações tivessem tempo para reorganizar seus calendários e suas competições. A entidade precisa da realização dos torneios para definir os participantes da Série A2 do Brasileiro feminino de 2021 – a segunda divisão nacional tem 27 vagas para os campeões estaduais.

No entanto, na primeira semana de janeiro, ainda não há informações sobre boa parte dos estaduais que não aconteceram.

Norte: pouco mais da metade da região fez o dever de casa

Na região Norte, quatro dos sete estados realizaram o torneio. Amapá, Amazonas, Rondônia, Pará organizaram campeonatos, com um número menor de times – o Rondoniense, por exemplo, foi disputado por apenas três equipes – e com duração também reduzida.

Amazonense feminino começou, mas ainda não terminou (Foto: FAF)

Em modelos com grupos únicos, dois campeonatos tiveram transmissão ao vivo: a Federação Amapaense de Futebol disponibilizou os jogos para assistir online através da plataforma MyCujoo, e em Rondônia os torcedores puderam acompanhar os jogos no Youtube da FFER.O Amazonense estava para terminar, mas teve a final suspensa até que o STJD julgue o caso de uma possível escalação irregular de jogadora por um dos clubes que disputaria a decisão.

Já os estados que ficaram devendo o campeonato nesse ano foram Acre, Roraima e Tocantins. Segundo a Federação Roraimense de Futebol, “existem programações para que aconteça uma seletiva em Janeiro para se conhecer o representante do estado em competições nacionais”. Não foi especificado se essa seletiva funcionaria como o estadual. As federações do Acre e de Tocantins não responderam às tentativas de contato.

Nordeste: situação alarmante

No Nordeste, a situação também foi longe do ideal: apenas duas federações sediaram o torneio em 2020. O destaque foi a Paraíba, que em dezembro viu o Botafogo-PB levantar a taça com direito a transmissão na TV local.

Botafogo-PB foi campeão estadual em 2020 (Foto: Divulgação)

Em Sergipe, o cenário foi diferente: a competição foi disputada antes da pandemia e terminou em fevereiro.

Três estados realizarão o torneio neste ano: Ceará, Rio Grande do Norte e Pernambuco, que chegou a iniciar a competição em novembro. No entanto, a disputa foi interrompida e adiada para este mês após a confirmação de 10 casos de Covid-19 incluindo atletas e comissão técnica do Sport.

No Ceará, era para o estadual começar agora, mas houve desistência de uma das quatro equipes que participariam. Agora, só Ceará, Fortaleza e São Gonçalo estão confirmados, e a Federação Cearense precisa definir uma nova data para a disputa.

Já a Federação Alagoana de Futebol realizou um campeonato de futebol feminino, mas não o Campeonato Estadual. Quem levou a Copa da Rainha Marta foi a União Desportiva do Alagoas, e ainda é incerto se o clube continuará sendo o representante do estado no Brasileirão A-2.

As federações do Piauí, Bahia e Maranhão não possuem informações sobre a realização da edição de 2020. Em entrevista ao site ne45, o presidente da Federação Baiana de Futebol, Ricardo Lima, afirmou que “se tratando do futebol feminino provavelmente não aconteça sua edição em 2020”.

Em 2019, o Bahia foi campeão estadual; sobre a competição de 2020, a Federação diz que não deve realizar para as mulheres (Foto: Divulgação)

No Centro Oeste, só o Distrito Federal salva

A pior região para o futebol feminino em 2020, no entanto, é o Centro-Oeste: Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul não tem informações sobre os campeonatos estaduais e não responderam aos e-mails para esclarecer dúvidas sobre os torneios. A boa notícia foi que o Distrito Federal realizou o Candangão Feminino com seis times em um campeonato que durou de outubro a dezembro e teve o Real Brasília como campeão. A final foi transmitida para a TV local e também foi disponibilizada pela internet através do Facebook da Federação de Futebol do Distrito Federal.

Real Brasília foi o campeão em 2020 (Foto; Divulgação)

No Sudeste, Espírito Santo não segue exemplo do seus vizinhos

Pelo segundo ano seguido, a final do Paulistão foi um grande evento no calendário esportivo do estado, e contou com transmissão para a TV aberta e a TV fechada, um marco para o esporte. A novidade positiva na região foi que em Minas Gerais a final aconteceu no Mineirão e também foi televisionada, além de estar disponível também na internet.

Foto: Agência Galo

No Rio de Janeiro, o torneio de 2020 está marcado para acontecer de janeiro a março, em um formato com 12 times na disputa. Para a temporada 2021, os planos são ainda maiores.

Segundo o diretor de competições da FERJ, Marcelo Vianna, “o Carioca de 2021 terá maior número de participantes e tem previsão inicial para o mês de outubro. Vale ressaltar que, com responsabilidade e acompanhamento da pandemia, está no radar da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro a realização do Feminino sub 17, a princípio, no mês de maio”.

Já no lado negativo, a Federação de Futebol do Estado do Espírito Santo (FES) não se pronunciou sobre o Capixabão. A previsão era que o torneio acontecesse de agosto a novembro, mas nem foi iniciado. Durante o ano, no entando, a federação organizou o Capixabão Masculino das Séries A e B, além de já decidir o calendário para a modalidade dos homens para 2021.

Sul: SC e PR sem previsão

Para terminar, a região Sul do Brasil teve bons e maus exemplos. No Rio Grande do Sul, Internacional e Grêmio disputaram a final em dezembro com direito a transmissão para a TV local e também pela internet. Em Santa Catarina, o torneio começou a ser realizado em março, foi paralisado por conta da pandemia, mas até agora não retornou. Já no Paraná, a Federação informou que não há condições de realizar o campeonato segundo as recomendações do Ministério da Saúde.

Foto: Mariana Capra/Divulgação Inter

O que diz a CBF

De acordo com a CBF, não há previsão de punição para os estados que não realizarem os campeonatos, já que se trata de um novo cenário. O problema, além da falta de continuidade no trabalho de desenvolvimento das atletas e da modalidade no Brasil, é que 27 dos 36 times que disputam a série A2 do Brasileirão são os vencedores dos campeonatos estaduais.

Com o início da disputa marcado para começar em maio, ainda há incerteza em relação aos representantes estaduais. Faltando apenas quatro meses para o início da competição, ainda não há previsão para que 11 federações realizem seus campeonatos e consigam enviar um representante para a segunda mais importante competição nacional. A CBF afirmou que a entidade está “aguardando a posição das federações” para “entender por que elas não pretendem fazer (os estaduais) e começar a levar sugestões para viabilizar”.

Enquanto essa situação não se resolve, listamos aqui os campeões estaudais de 2020 que já foram definidos. São eles: Oratório (AP), Esmac (PA), Real Ariquemes (RO), Botafogo-PB, Santos Dumont (SE), Atlético-MG, Corinthians (SP) e Internacional (RS).

*Reportagem: Laís Malek 

 

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Após recordes de audiência em 2020, futebol feminino vira aposta para TVs http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/2021/01/04/apos-recordes-de-audiencia-em-2020-futebol-feminino-vira-aposta-para-tvs/ http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/2021/01/04/apos-recordes-de-audiencia-em-2020-futebol-feminino-vira-aposta-para-tvs/#respond Mon, 04 Jan 2021 23:19:32 +0000 http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/?p=10900

Foto: Rodrigo Coca / Agência Corinthians

Primeiro, a expectativa era de que 2020 fosse um ano de crescimento exponencial para o futebol feminino. Depois de um 2019 histórico, registrando recordes de audiência com a transmissão da Copa do Mundo feminina na Globo, e com uma Olimpíada em vista, a previsão era a mais otimista possível por um grande crescimento da visibilidade para as mulheres em campo.

Mas aí veio a pandemia de coronavírus que parou o mundo e as perspectivas ficaram bem mais baixas. Realizar um campeonato, diante dessas circunstâncias, já seria uma vitória. Mas não é que o ano terminou com novos recordes a serem comemorados? Com o Brasileiro feminino, a Band registrou números de audiência impressionantes para o horário “nobre” do domingo (entre 20h e 22h). Os picos foram de 5 pontos, segundo o colunista de TV do Uol Esporte, Gabriel Vaquer, uma audiência somente registrada anteriormente nesse horário pelo Pânico na TV.

Com os jogos sendo mostrados também nas redes sociais, o Twitter teve um público acompanhando o Brasileiro feminino de 2020 três vezes maior do que no ano anterior. Mais de 5 milhões de pessoas assistiram aos jogos em 2020, contra 1,5 milhão em 2019. O engajamento nas conversas sobre o campeonato também aumentou 40%.

Foto: Bruno Cantini / Agência Galo

Nos estaduais, foi a vez do Facebook mostrar o potencial da modalidade transmitindo todos os jogos do Paulista feminino com uma picos de dezenas de milhares de pessoas simultaneamente assistindo. Na reta final, as TVs entraram em cena, com a Cultura e o SporTV, que também obtiveram bons números nas finais.

O Gaúcho feminino teve o Gre-Nal decisivo transmitido pela RBS TV pela primeira vez, e a audiência triplicou o que geralmente registrava para o horário. Em Minas, a final entre Atlético-MG e Cruzeiro foi exibida em TV aberta e repercutiu bastante com as mulheres disputando um título pela primeira vez no Mineirão reformado.

Foto: Mariana Capra/Divulgação Inter

Além das competições nacionais, houve transmissão até mesmo do futebol feminino internacional. A ESPN exibiu as semifinais e final da Champions League das mulheres e viu os jogos virarem um dos assuntos mais comentados do Twitter. Na final do Brasileiro feminino, a repercussão foi equivalente, quando o canal ganhou os direitos de TV fechada e transmitiu os dois jogos entre Corinthians e Avaí Kindermann.

Mesmo sem os Jogos Olímpicos de Tóquio, o futebol feminino conseguiu mostrar seu potencial em 2020. Se antes, o que se via era um “boom” de muita gente interessada em acompanhar jogos durante grandes eventos, e o tema cair em esquecimento depois dele, desta vez foi diferente. Claro que o engajamento não é comparável ao de uma Copa do Mundo transmitida pela Globo (como a de 2019), mas a repercussão dela gerou mais interesse das mídias em darem visibilidade ao futebol das mulheres e, com mais jogos exibidos, mais gente passou a se interessar em acompanhá-los.

O resultado foi tão expressivo, que a modalidade virou aposta para muitos canais em 2021. Os direitos de transmissão do principal campeonato (o Brasileiro feminino) são da Band até 2022, mas segundo informações adiantadas por Gabriel Vaquer no UOL, a Globo está na briga para exibir jogos das mulheres aos domingos pela manhã.

A Band, inclusive, investiu em transmissões exclusivamente femininas no ano passado contratando pela primeira vez uma narradora – Isabelly Morais – e pretende manter o investimento no futebol das mulheres.

Equipe 100% feminina na TV Bandeirantes: Alline Calandrini, Milene Domingues e Isabelly Morais (Foto: Reprodução/Instagram)

Já a ESPN, assim como faz no masculino investindo no futebol internacional, quer fazer o mesmo com o feminino. Após a boa repercussão dos jogos exibidos em 2020, a Disney já mapeia outras competições para apostar suas fichas nas mulheres. Atualmente, a emissora já tem os direitos da Champions feminina, da Copa da Rainha e Supercopa feminina da Espanha, e da FA CUP.

“Teremos uma série A1 ainda mais forte tecnicamente do que foi em 2020, e estamos com uma expectativa muito grande para a definição dos clubes classificados para a série A2, partindo das competições estaduais de 2020. Com o calendário cheio, as atletas e os clubes têm a possibilidade de manter as atividades por um período maior e, assim, o nível técnico das competições crescem, o interesse do público, dos patrocinadores e entramos em um ciclo virtuoso. Sendo assim 2021 tem tudo para ser mais um grande ano para o Futebol Feminino Brasileiro”, disse às dibradoras Aline Pellegrino, diretora de competições femininas da CBF.

Diante disso, o cenário de 2021 é novamente muito promissor para o futebol feminino. Com os Jogos de Tóquio programados para acontecer entre julho e agosto, a expectativa é que mais uma vez as partidas da seleção feminina registrem recordes de audiência – em 2016, dois jogos delas figuraram no top 10 das transmissões mais vistas dos Jogos do Rio. E o crescimento durante a Olimpíada deve respingar em mais visibilidade para os campeonatos locais.

Com mais espaço na mídia, o futebol feminino começa a atrair mais patrocinadores e investimentos. Não à toa, em 2020, o Campeonato Brasileiro ganhou dois patrocínios (Guaraná Antártica e Riachuelo). Caso a Globo entre na jogada para transmitir os jogos, o interesse das marcas deverá ser ainda maior.

É como sempre dissemos aqui. Não adianta dizer que “ninguém quer ver futebol feminino” se as pessoas nunca tiveram sequer a chance de querer, já que os jogos não eram exibidos. Com os campeonatos na TV, temos uma boa amostra de que há bastante gente interessada em assistir às mulheres em campo. E quem não gosta sempre terá a opção de mudar de canal.

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Craque na areia, Zanotti foi para o campo aos 21 e virou 10 do Corinthians http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/2020/12/12/craque-na-areia-zanotti-foi-para-o-campo-aos-21-e-virou-10-do-corinthians/ http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/2020/12/12/craque-na-areia-zanotti-foi-para-o-campo-aos-21-e-virou-10-do-corinthians/#respond Sat, 12 Dec 2020 13:29:54 +0000 http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/?p=10888

Foto: Reprodução Instagram

*Por Mariana Pereira

O futebol se faz presente na vida de Gabriela Maria Zanotti Demoner desde sempre. O pai quase um atleta profissional, a mãe acompanhando a filha inclusive dentro de quadra, o avô o fã número um da sua carreira.

“Eu diria que os maiores incentivadores da minha carreira foram meus pais. Meu pai jogava, minha mãe sempre gostou muito, jogou comigo, foi mais presente pela disponibilidade. Meu avô, que hoje não está mais aqui, sempre foi um apaixonado pelo meu futebol, fazia questão de levar todas as matérias de jornal nos lugares que ia. Sempre esteve presente em viagens, fazia tudo para ajudar até o próprio time onde eu estava”, conta a atleta.

Mas, se engana quem ache que o futebol que Gabi Zanotti pratica hoje na carreira é o mesmo de anos da sua vida. Natural do Espírito Santo, foi com o beach soccer que a camisa 10 do Corinthians fez sua primeira viagem internacional para defender o Brasil. “Eu comecei no interior do Espírito Santo, depois fui morar em Vitória. Jogava beach soccer e viajei para disputar um torneio na Espanha representando a Seleção Brasileira”, explica a jogadora.

Leia mais: Formada em Administração, camisa 10 da Ferroviária quase deixou o futebol

A migração para o campo acontece apenas quando Zanotti vai para os Estados Unidos, em 2006. Antes disso, foi o futsal que tirou a atleta pela primeira vez do Espírito Santo. “Meu início mesmo de forma profissional posso dizer que foi no futsal, em Santa Catarina. Foi a primeira vez que eu saí do meu estado para jogar em algum clube, então grande parte da minha carreira foi no futsal. Aí quando eu fui para os EUA que fiz a transição para o campo pela Universidade. Fiquei por lá de 2006 a 2010”, afirma Gabi.

Ao voltar para o Brasil, a meio-campista chama a atenção do Santos durante um torneio em que defendia o Foz Cataratas, do Paraná. Na mesma época, recebe a primeira oportunidade na Seleção Brasileira e logo depois que sai do Peixe, já encontra Arthur Elias, seu atual técnico e com quem conquistou seu primeiro Campeonato Brasileiro, em 2013 no Centro Olímpico, e posteriormente Libertadores, Paulista e mais dois nacionais com o Corinthians.

“Eu e o Arthur começamos a trabalhar em 2012 após minha saída do Santos. Ele tem uma comissão técnica maravilhosa, então quando você trabalha ao lado de pessoas capacitadas, empenhadas como é o Arthur e toda a comissão dele, em um clube que te dá toda uma estrutura, tem uma diretora que luta pela modalidade, facilita muito nosso trabalho dentro de campo”, aponta Zanotti.

Foto: Reprodução Instagram

Ao desembarcar no Parque São Jorge, em 2018, a camisa 10 já encontrou um projeto em ascensão na modalidade. Não à toa e muito graças à Cris Gambaré, mulher forte por trás do futebol feminino do clube, o Timão chega à sua oitava final consecutiva dos últimos campeonatos que participou desde 2016. “Realmente eu só tenho a agradecer por isso, por ter conseguido responder muito bem esse papel. É consequência de muito trabalho, sequência num trabalho, isso tem dado muito resultado e muitos frutos para essa equipe do Corinthians”,

Além dos Estados Unidos, Gabi Zanotti também passou por Coréia e China. Aos 35 anos e com uma boa bagagem na modalidade, a atleta reconhece o crescimento do futebol feminino no Brasil, especialmente o de São Paulo, e coloca Corinthians e Ferroviária como as grandes forças. “A cada ano que passa, com o investimento de clubes de camisa, tem fortalecido ainda mais nossa modalidade aqui, abrindo mais espaço para atletas”, explica a jogadora.

Foto: Rodrigo Corsi / FPF

“Corinthians e Ferroviária são as grandes potências que hoje temos no Brasil e isso mostra também que quando você tem um planejamento, uma sequência de um trabalho, isso dá resultado. É importante que os outros clubes também vejam dessa forma”, enfatiza.

A menina que começou na rua com a molecada, que se divertia nas pracinhas e pulava muro de quadra para jogar futsal, chega para esta final de Paulistão com o prêmio de Craque da Partida da final do Brasileirão 2020 na bagagem. Ela, Arthur Elias e o Corinthians buscam mais uma vez fazer história no futebol feminino. “É muito bacana. A modalidade só tem a crescer com isso e a gente, lógico, mais uma vez feliz de estar participando de mais uma final de Campeonato Paulista”, finaliza a camisa 10 do Timão.

 

Corinthians e Ferroviária buscam o bicampeonato do Paulistão Feminino. O Timão é o atual campeão, já o time Grená se considera tetra (2002, 2004, 2005 e 2013), porém, a Federação Paulista de Futebol aponta que em 2002 não houve Campeonato Paulista. Já em 2004 e 2005, o campeão foi o Extra/Fundesport, time da cidade de Araraquara que posteriormente recebeu a marca da Ferroviária no projeto.

As finais acontecem neste domingo (13 de dezembro) e no próximo (20 de dezembro) às 11h com transmissão do Facebook, da Cultura, SporTV e rádio CBN.

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Camisa 10 da Ferroviária estudou nos EUA e voltou pra ser craque no Brasil http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/2020/12/12/formada-em-administracao-camisa-10-da-ferroviaria-quase-deixou-o-futebol/ http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/2020/12/12/formada-em-administracao-camisa-10-da-ferroviaria-quase-deixou-o-futebol/#respond Sat, 12 Dec 2020 13:16:44 +0000 http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/?p=10882

Foto: Millena Cravo/Ferroviária SA

*Por Mariana Pereira

O campeonato estadual feminino mais longevo do Brasil chega na sua reta final. Corinthians e Ferroviária abrem a decisão do Paulistão Feminino 2020 já neste domingo (13) na Arena Barueri, em Barueri, às 11h. O jogo da volta acontece em Araraquara, no dia 20 de dezembro, também às 11h.

Após passarem por Palmeiras e Red Bull Bragantino, respectivamente, nas semifinais, os times reeditam a final do Campeonato Brasileiro Feminino de 2019 e também a da Libertadores da América do mesmo ano. Na conta? Um título para cada lado: o nacional para a Ferroviária e o internacional para o Corinthians.

Foto: Millena Cravo/Ferroviária SA

Não apenas o troféu estará em jogo nas duas partidas decisivas. Haverá também o confronto de camisas 10: de um lado Aline Milene, da Ferroviária, do outro, Gabi Zanotti, do Corinthians.

Juventude e experiência que garantiram às meio-campistas presença na Seleção do Brasileirão 2019. Na temporada 2020, o mesmo número de gols marcados: sete para cada uma. Neste especial, contaremos a história de cada uma delas.

Leia mais: Gabi Zanotti era craque na areia, migrou para o campo aos 21, e hoje é camisa 10 do Corinthians

Estudo ou futebol?

Cria da bola, aos sete anos a mineira de Belo Horizonte já dava seus primeiros dribles. Aos 10, entrou na escolinha de futebol para jogar ao lado de meninos, como de costume à época. “Nada foi fácil para mim. Hoje temos na Ferroviária, por exemplo, Sub-15, Sub-17 e isso é maravilhoso”, diz a atleta.

Três anos depois, foi no Atlético Mineiro sua primeira oportunidade na carreira. No Galo, Aline Milene permaneceu até os 18 anos para depois rodar por times do Mato Grosso do Sul e do Paraná. E então, chega o maior desafio da sua vida.

“Meu pai sempre puxou a minha orelha que eu precisaria estudar e continuar jogando bola. No Brasil seria impossível fazer os dois com o mesmo patamar de dar o meu melhor, ia chegar o momento que eu teria que escolher um ou outro. Então, a Samhia Simão (atleta do Flamengo) me indicou para o treinador dela lá nos Estados Unidos”, explica Aline. “Foi muito difícil os três primeiros meses. Um amigo de Moçambique me ajudou bastante, ele falava português e inglês. Mas, foi uma das melhores decisões que eu fiz em toda a minha vida, aconselho demais quem tiver a oportunidade de ir”, completa.

 

Após concluir a universidade e ser campeã na terra do Tio Sam, a saudade da família já beirava o insuportável, e aí que entra a Ferroviária na vida da meio-campista. “Decidi voltar para ficar mais perto da família. Em Araraquara, sete horinhas no máximo estou em casa. Sete mil km não é tão fácil assim”, brinca a jogadora.

“Em 2017 a (Ana) Lorena (Marche) entrou em contato comigo, queria me trazer para a Ferroviária e eu disse que gostaria muito, mas que precisava terminar minha faculdade (de administração) nos EUA. Em janeiro de 2019 quando eu voltei para o Brasil já recuperada da minha lesão no joelho, me ligaram novamente falando da oportunidade, aí eu pensei que não tinha nada a perder. Eu já queria antes, já conhecia o projeto que é sensacional e eu sempre coloquei que queria jogar um Brasileirão na minha carreira”, completa.

Na equipe de Tatiele Silveira – a primeira mulher a ganhar o campeonato nacional como treinadora –, Aline Milene não só realizou o sonho de jogar o Brasileiro, como venceu a competição na primeira vez que disputou. “Conheci a história da Ferroviária por causa do feminino. Um clube grandioso, tem todos os títulos grandes da modalidade, fico feliz em fazer parte da história da Ferroviária”, completa.

Foto: Tiago Pavini

Eleita a melhor meia do campeonato na temporada 2019, o desempenho da camisa 10 atraiu os olhares da técnica da Seleção Brasileira Feminina. “Esse trabalho da Pia (Sundhage) é muito importante, ela tem dado oportunidade para meninas que nunca foram convocadas, meninas novas, e eu cada dia mais continuo trabalhando firme para poder disputar uma vaga para as Olimpíadas”, aponta a atleta.

Como já destacou, o início no futebol não foi fácil para Aline. Hoje com 26 anos, ela relembra a dificuldade em acessar jogos do feminino e se identificar. “Meu primeiro contato vendo jogos mesmo foi no Pan em 2007, quando a Seleção Brasileira foi campeã. Foi quando consegui ver Marta, Formiga e companhia. Eu não tive referência feminina, sempre tive masculina”, aponta a jogadora.

“Hoje nós temos mulheres à frente de tudo. Hoje essas meninas de 13, 14, 15 anos podem ver mulheres jogando futebol e isso é muito importante, incluindo esse trabalho de base. No Atlético eu jogava com meninas de 18 anos, sendo que eu tinha 13”, finaliza.

“Mulheres à frente de tudo” reflete muito bem o time que Aline Milene escolheu por jogar até 2021, quando se encerra o contrato da atleta com a Ferroviária. Por lá, oito cargos são ocupados pelo sexo feminino.

Foto: Lucas Figueiredo/CBF

“Nós temos uma comissão recheada de mulheres. É treinadora, assistente técnica, preparadora de goleiras, coordenadora, supervisora, psicóloga, supervisora da base, assessora de imprensa. A gente fica muito feliz com essas realizações de mulheres em cargos ocupados por homens. A gente vê hoje a Duda, a Pelle, a Lorena, é tudo o que a gente esperava porque as mulheres têm o potencial de entender mais ainda o futebol feminino, a luta diária, o que elas vão levar para os dirigentes terem o contato mais fiel com a modalidade”, enfatiza Aline. “A gente não vem para tomar o lugar do masculino, queremos só a mesma dedicação, visibilidade, trabalho”, completa.

As mulheres do departamento de futebol feminino da Ferroviária em 2019 (Foto: dibradoras)

Prestes a entrar em campo na sua terceira final com a Ferroviária, a camisa 10 aproveita o momento para fazer um balanço individual e coletivo na temporada 2020. “Um ano atípico para todos nós como seres humanos. Como se adaptar ao novo tudo? Rotina, cabeça, mentalmente é uma coisa muito difícil de lidar. Começamos bem o Brasileiro Feminino, tivemos altos e baixos e fomos derrotadas pelo Palmeiras (quartas de final), acontece, faz parte do futebol. Eu também tive altos e baixos nessa temporada, não fiz um papel gigantesco como fiz na temporada anterior e agora que estou voltando”, pontua Aline.

“A gente fica com sentimento de gratidão de estar na final numa temporada onde a gente colocou objetivos e não conquistamos o primeiro, que era o Brasileiro. Agradeço a oportunidade de disputar um título. O Paulistão é uma competição muito forte, com grandes equipes. Saber que nosso trabalho está sendo coroado. Serão dois grandes jogos”, conclui a camisa 10 das Guerreiras Grenás.

As finais do Paulista Feminino acontecem neste domingo (13 de dezembro) e no próximo (20 de dezembro) às 11h com transmissão do Facebook, da Cultura, SporTV e rádio CBN.

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Atletas brancos precisam agir contra o racismo http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/2020/12/10/atletas-brancos-precisam-agir-contra-o-racismo/ http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/2020/12/10/atletas-brancos-precisam-agir-contra-o-racismo/#respond Thu, 10 Dec 2020 13:10:41 +0000 http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/?p=10874

Foto: AFP

*Por Júlia Belas

O mundo do esporte, de novo, vive as repercussões de um caso de racismo. Desta vez, foi na Champions League, no duelo entre PSG e Istanbul Basaksehir. O quarto árbitro Sebastian Coltescu, que se dirigiu a Pierre Webó, membro da comissão técnica do time turco, de forma racista. O que aconteceu depois foi inédito.

Não só pelo fato de todos os jogadores terem deixado o campo e os times terem se recusado a jogar naquele dia. Não só pelo fato de que vimos um questionamento duro por parte da imprensa, tanto a que cobria o jogo quanto a que debateu o caso depois em mesas redondas, nas redes sociais e em outras plataformas. Nem mesmo pelo fato de a Uefa ter adiado a partida e suspendido o cartão vermelho dado a Webó por se revoltar com as ofensas.

Foi inédito porque deu esperanças de uma mudança efetiva nas atitudes de atletas brancos em casos de racismo no esporte. Um dos campeonatos mais importantes do mundo foi obrigado a parar e ouvir que o racismo é inaceitável e que o espetáculo não deve continuar quando atletas sofrem agressões. Deveria ser simples, mas não é.

Durante a pandemia, e especialmente após o caso George Floyd, as manifestações de jogadores de basquete nos Estados Unidos e de nomes como Lewis Hamilton, Richarlison e tantos outros, uma pergunta que sempre surgiu foi “por que outros atletas negros não se posicionam contra o racismo?”.

Getty Images

O racismo é parte da estrutura brasileira e mundial. A nossa sociedade foi construída com base em conceitos racistas, que atuam de diversas maneiras. Quando se pensa no futebol, apenas 4% dos jogadores ganham mais de R$ 5 mil reais por mês. Estas exceções à regra temem perder o espaço que conquistaram.

Os exemplos de jogadores e outros profissionais negros que foram punidos após denunciar e reagir ao racismo no meio futebolístico estão aí para provar: Barbosa, cuja trajetória é marcada por um jogo e acabou generalizando todas as gerações futuras de goleiros negros; Aranha, ex-goleiro que ganhou fama de encrenqueiro ao se posicionar (como ele mesmo fala) e perdeu oportunidades, tendo que encerrar a carreira; Taison, que reagiu a insultos racistas das torcidas e foi expulso; Roger Machado, que era o único treinador negro da Série A com o Bahia e, ao ser demitido, foi criticado por parte da torcida dizendo que o clube deveria focar no futebol e “deixar o ativismo de lado”.

O racismo gera trauma e viver em uma sociedade racista é viver constantemente este trauma. Os gatilhos aparecem toda vez que um jogador é agredido. Fora dos campos, casos como os de George Floyd, João Alberto Silveira Freitas e tantos outros homens e mulheres negros mortos de forma violenta por essa mesma estrutura são gatilhos. Durante a pandemia, entre as mortes por COVID-19 registradas no Brasil, a de negros foi 40% maior do que a de brancos – e isso é uma marca especialmente cruel desta estrutura.

A população negra sofre, mas erroneamente se pensa que pessoas negras são as únicas inseridas neste sistema. O racismo é uma relação de poder. O privilégio branco é silencioso: não se fala de branquitude, não se fala do seu papel na sociedade. Quando pessoas brancas procuram entender mais sobre o racismo, não entendem o seu papel e os seus privilégios e acabam se omitindo. Não existe aliança antirracista com omissão.

A discussão na imprensa após o caso na França foi baseada na união dos jogadores, na atitude efetiva tomada pelos dois grupos e na liderança de nomes como Demba Ba, Neymar e Mbappé. Apesar de atletas negros terem liderado o movimento, eles foram apoiados pelos colegas brancos, seus aliados naquele momento. Esta é uma atitude muito exigida, mas que na prática, não acontece. Eles usaram as suas plataformas e privilégios para dar apoio aos companheiros e adversários.

Não vou questionar se a Uefa teria adiado a partida se houvesse torcida nos estádios ou se os jogadores ainda interromperiam a partida se as agressões partissem do seu próprio clube. Isso nós nunca saberemos. Nem vou questionar qual vai ser a punição a Coltescu – isso é assunto para outra hora. Hoje eu falo do avanço.

Foto: AFP

Há esperança de que esta atitude seja um ponto de partida para outros times se unam do mesmo jeito no futuro. Atletas brancos podem se posicionar e estar ao lado dos companheiros negros, em vez de minimizar as suas lutas. O precedente já está posto. A esperança agora é de que jogadores e jogadoras – especialmente levando em consideração a existência da mulher negra em uma sociedade machista e racista – sintam-se seguros para compartilhar, denunciar e combater essa estrutura sem o medo de perder um espaço que lutaram tanto para conquistar.

Infelizmente, teremos outros casos de racismo no futebol. Teremos comentários racistas e preconceituosos como o de Jorge Jesus e vários outros anônimos nas redes sociais. Fora do mundo da bola, o racismo segue vivo e atuante. Mas, por um momento, tivemos esperança por esse passo em busca de um mundo menos desigual no futebol. Mais do que um avanço, é um estímulo para continuar a luta.

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Campeão de tudo: como o Corinthians virou o melhor time feminino do país http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/2020/12/06/campeao-de-tudo-como-o-corinthians-virou-o-melhor-time-feminino-do-pais/ http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/2020/12/06/campeao-de-tudo-como-o-corinthians-virou-o-melhor-time-feminino-do-pais/#respond Mon, 07 Dec 2020 00:42:39 +0000 http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/?p=10857

Foto: Divulgação Corinthians

O Corinthians conquistou o bicampeonato brasileiro feminino neste domingo ao vencer o Avaí Kindermann por 4 a 2 (gols de Gabi Nunes, Gabi Zanotti duas vezes e Vic Albuquerque) na Neo Química Arena. Este foi o sexto título desde a retomada do investimento do clube no futebol feminino, em 2016 – primeiro na parceria com o Audax, depois com o Corinthians trazendo o time para a sua estrutura.

Neste período, o projeto encabeçado por Cris Gambaré e comandado dentro de campo por Arthur Elias colecionou troféus e recordes: dois Brasileiros, duas Libertadores, uma Copa do Brasil e um Campeonato Paulista.

Mais do que os títulos, o desempenho em números também impressiona. O Corinthians chegou a uma sequência de 48 jogos de invencibilidade entre 2019 e 2020. Assim como no ano passado, por enquanto tem apenas uma derrota na temporada. E o título deste domingo veio com a melhor campanha da história do Brasileiro feminino desde que ele existe num formato assim (2013): aproveitamento de 88%, com 18 vitórias, dois empates e uma derrota – 57 gols marcados, apenas 10 sofridos. Até então, a melhor campanha havia sido a do Santos em 2017, campeão justamente em cima das rivais corintianas, com 83,3% de aproveitamento de todos os pontos disputados.

Foto: Rodrigo Coca / Agência Corinthians

Não por acaso, naquele ano, era o Santos a grande referência do Brasil no futebol feminino. Com as Sereias da Vila, o time da Baixada Santista oferecia a melhor estrutura e as melhores condições de trabalho para as mulheres em campo. O cenário mudou nos últimos anos. Não que o Santos ainda não tenha um projeto relevante na modalidade, mas o Corinthians conseguiu se tornar, aos poucos, o principal time feminino do país.

Vale ressaltar que, no futebol masculino, tanto Santos quanto Corinthians vivem crises financeiras e de gestão. O time corintiano, porém, conseguiu deixar os problemas fora de campo, sem que eles tivessem algum reflexo na estabilidade da equipe feminina.

Gestão e trabalho a longo prazo

Há, talvez, dois nomes que ajudam a explicar esse sucesso: Cris Gambaré, diretora de futebol feminino, e Arthur Elias, técnico que completou, neste domingo, 200 jogos à frente da equipe.

Cris Gambaré (à direita) é responsável pela coordenação do futebol feminino no Corinthians (Foto: Roberta Nina/ Dibradoras)

Cris foi quem levou o projeto do futebol feminino corintiano para a diretoria alvinegra e fez com que ele saísse do papel na parceria com o Audax em 2016. Ela costuma dizer que “o Corinthians fez a lição de casa na casa dos outros”, mas que foi um período de muito aprendizado, imprescindível para que, quando investisse na gestão própria, o clube já tivesse conhecimento para ter mais acertos do que erros

O trabalho dela passou também por convencer Andrés Sanchez, então presidente do Corinthians, a investir numa modalidade pela qual ele não tinha nenhuma simpatia. Por incrível que pareça, hoje, o cartola virou um fã declarado do time feminino.

“O Andrés, que não gostava, e a gente sabe muito bem do que aconteceu anos atrás, e ele não gostava. Hoje, ele fala de boca cheia, com emoção o quanto ele quer ajudar a gente, o quão satisfeito ele está com o que a gente está fazendo. Sem a estrutura que o Corinthians nos fornece, a gente não conseguiria fazer um grande trabalho”, disse a zagueira corintiana Erika às dibradoras ainda em 2019, após o título Paulista.

Foto: Bruno Teixeira/Ag. Corinthians

Além da boa gestão, outro fator importante para tornar o Corinthians um time tão vencedor foi a manutenção do bom trabalho de Arthur Elias e sua comissão técnica. Hoje, muitas das jogadoras que atuaram com ele desde 2013 (quando foi campeão brasileiro com o Centro Olímpico) ainda estão na equipe, o que favorece um entrosamento impossível de ser encontrado em qualquer outra equipe do Brasil. Suas ideias de jogo já estão tão bem compreendidas pelo elenco. Nesta temporada, o Corinthians rodou ainda mais o time, variando as escalações, mas nunca a forma de jogar. Se em 2019, a atacante Millene destoou como a maior artilheira do campeonato, com 19 gols, neste prevalece o coletivo. A maior goleadora da equipe foi Crivellari, com sete gols.

“A sequência do trabalho, o fato de ser a mesma comissão técnica, uma base do grupo se mantendo, com contratações favoráveis para a adaptação a nossa maneira de jogar. O tempo de trabalho nos trouxe muita consistência tática, hoje trabalho com diferentes sistemas e estratégias e as atletas entendem e executam muito bem porque temos uma identidade de jogo muito bem formada. E também é importante ressaltar o trabalho em conjunto com a Cris (Gambaré), nossa diretora, que traz todo o suporte que precisamos”, afirmou Arthur Elias às dibradoras.

Quem poderá derrubar o Corinthians?

Os resultados têm feito o Corinthians assumir uma hegemonia no futebol feminino nacional. Se antes, o Santos tinha tradição de investir na modalidade e montou times históricos como aqueles que tinham Marta, Cristiane e companhia e levaram o caneco da Libertadores em 2009 e 2010, atualmente é o clube do Parque São Jorge quem mais oferece estrutura e condições de trabalho para as jogadoras.

Deu Corinthians no primeiro dérbi do Brasileiro Feminino (Foto: Rodrigo Coca / Agência Corinthians)

Com nomes de destaque da seleção feminina, como a lateral esquerda Tamires, a zagueira Erika, a meio-campista Andressinha, a atacante Adriana, e a goleira Letícia a equipe corintiana mescla experiência com juventude e assume um protagonismo absoluto no futebol das mulheres.

E o sucesso do Corinthians faz com que seus rivais “se mexam” para tentar derrubar a hegemonia que começa a ser construída pelo time alvinegro. O Palmeiras, que voltou a ter uma equipe feminina em 2019, já fez um investimento maior em 2020 com mais contratações e uma estrutura melhor para as atletas. O São Paulo também busca se fortalecer, assim como o Santos, que apostou em Cristiane nesta temporada.

Ainda há equipes tradicionais do futebol feminino, como a Ferroviária, campeã em 2019, o Avaí Kindermann, vice em 2020, que prometem manter um alto nível de competitividade, tentando fazer frente aos times de camisa. O Campeonato Brasileiro feminino mais competitivo de todos os tempos terminou com o Corinthians campeão – mas o desafio da equipe de Arthur Elias tende a ser maior a cada ano.

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Lesionada em 2019, Adriana voltou para ser protagonista do Corinthians http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/2020/12/05/lesionada-em-2019-adriana-voltou-para-ser-protagonista-do-corinthians/ http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/2020/12/05/lesionada-em-2019-adriana-voltou-para-ser-protagonista-do-corinthians/#respond Sat, 05 Dec 2020 07:00:20 +0000 http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/?p=10837

Foto: Laura Zago / CBF

*Por Mariana Pereira

Chegamos à grande final do Campeonato Brasileiro Feminino 2020. O “agora ou nunca” para Corinthians e Avaí/Kindermann acontece neste domingo, às 20h, na Neo Química Arena após o empate em 0 a 0 no jogo de ida na Ressacada, em 22 de novembro.

Inclusive, a primeira partida da decisão evidenciou por que Corinthians e Avaí/Kindermann chegaram à final do maior campeonato nacional da modalidade. Com projetos sólidos voltados ao futebol feminino, por trás das equipes há dois grandes treinadores que duelaram tática e tecnicamente deixando o “gran finale” para Itaquera.

Além de Arthur Elias e Jorge Barcellos, ambos os times possuem bons elencos, é claro, e peças importantes que desequilibram. Pelo lado das paulistas, por exemplo, Adriana foi eleita a Craque da Partida em Florianópolis e por pouco não tirou o zero do placar.

A temporada 2020, aliás, tem sido iluminada para a atacante, que acabou ficando fora dos gramados por nove meses por conta de uma lesão em 2019.

A frustração

Foi em uma tarde ensolarada de Pacaembu que Adriana Leal da Silva teve seu sonho de defender a Seleção Brasileira em uma competição mundial interrompido. Diante do Santos, pela sexta rodada do Campeonato Paulista, a atleta de 24 anos sofreu sua segunda grave lesão de joelho justamente ao marcar o segundo gol da partida, que terminou em 3 a 2 para o Corinthians.

Seu nome estaria entre as convocadas no dia seguinte para disputar a Copa do Mundo feminina, na França. Porém,  foi constatada lesão no ligamento do joelho esquerdo, e então Adriana foi cortada do Mundial, e também perdeu o restante da temporada pelo Corinthians, que incluiria final de Paulista, Libertadores e Brasileiro. “Claro que é sempre complicado estar fora, ainda mais por lesão, mas eu sempre estava motivando as meninas da melhor maneira possível para que elas conquistassem aqueles títulos. Naquele ano não era só delas, era meu também”, conta a jogadora.

 

Foram longos nove meses de recuperação para enfim Adriana ter o tão esperado reencontro com as competições. E foi logo num dérbi, na estreia do Corinthians no Brasileiro Feminino 2020, em Vinhedo. Na rodada seguinte, diante do Avaí/Kindermann, gol da camisa 16. De lá para cá, ela se tornou a vice-artilheira da equipe na competição com seis gols e voltou a ser peça fundamental na equipe de Arthur Elias.

“Graças a Deus eu voltei muito bem da minha segunda lesão no joelho, que foi um momento bem difícil para mim. Eu tive que repensar muitas coisas e minha família me ajudou bastante, minha esposa Natália esteve sempre do meu lado, assim como minhas companheiras de clube e principalmente a comissão técnica. Eu tive um suporte muito grande do Corinthians, tive a oportunidade de tratar a lesão no profissional do masculino e isso me ajudou bastante para que eu voltasse ainda melhor, sempre jogando em alto nível, que é a minha principal prioridade no momento”, diz a atleta.

Foto: Rodrigo Coca / Agência Corinthians

A volta por cima credenciou Adriana a estar novamente com a Seleção Brasileira Feminina, que se prepara para os Jogos Olímpicos de Tóquio, adiado para o ano que vem por conta da pandemia de Covid-19. Sob o comando da técnica Pia Sundhage, a jogadora do Corinthians foi chamada nas duas vezes que permitiam atletas atuantes no Brasil.

“Foram dias muito importantes para mim,  sempre saí de lá com uma bagagem muito grande de aprendizado. A Pia é uma ótima treinadora, assim como toda a comissão que me passa uma confiança muito grande. Nessa última convocação, principalmente, eu saí de lá uma atleta bem melhor e bem mais preparada para que eu possa corresponder a todas as expectativas possíveis que eles esperam de mim. Agora é me preparar cada vez melhor e se Deus quiser beliscar uma vaguinha na lista dela (Pia) para as Olimpíadas, que é um grande objetivo para mim e sonho para qualquer atleta”, afirma Adriana.

Em busca do seu segundo título Brasileiro, onde já possuí um com o próprio Corinthians, em 2018, a piauiense se diz bastante animada para a finalíssima de domingo e destaca a evolução da competição ao longo dos anos.

Foto: Divulgação

“Eu estou bem feliz e bastante motivada. A gente trabalhou muito o ano inteiro para estar preparada para esses momentos que sabíamos que iria acontecer. Os times evoluíram bastante e a cada ano os campeonatos estão sendo mais difíceis. Desde o início, o Arthur montou um grupo com grandes jogadoras e isso facilita muito o nosso trabalho porque mesmo que uma não jogue, o nível do time continua o mesmo e isso é o que nos faz fortes e nos faz chegar bem preparadas em cada final”, explica Adriana. “A gente está bem feliz com isso, vamos com tudo para sermos campeãs e também chegar à final do Paulista e atingir o nosso objetivo, que é vencer”, pontua.

Os caminhos de Adriana mostram que a lesão sofrida em 2019 apenas pausou a ascensão da atleta na modalidade. Artilheira do Campeonato Brasileiro Feminino em 2018, com 14 gols, craque da Partida no jogo de ida da final 2020 e presença frequente nas listas de Pia, seria um clube estrangeiro o próximo passo da camisa 16 na carreira?

“Todo atleta pensa em jogar fora do país e comigo não é diferente. Eu tenho o objetivo sim de jogar fora, mas acho que temos que pensar direitinho porque não dá para ir para qualquer time. Assim que terminar a temporada eu vou sentar direitinho com o meu empresário e ver como vão ficar as coisas para o ano que vem”, explica Adriana.

Antes disso, ela tem um desafio importante pela frente: primeiro, a final do Brasileiro feminino no domingo (com transmissão da Band, ESPN, Twitter @BrFeminino e Rádio CBN); depois, a semifinal do Paulista. Até o dezembro, o foco da atacante está em conquistar todos os títulos possíveis com a camisa alvinegra.

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Time de tradição no feminino, Avaí Kindermann tem craques formadas em casa http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/2020/12/05/time-de-tradicao-no-feminino-avai-kindermann-tem-craques-formadas-em-casa/ http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/2020/12/05/time-de-tradicao-no-feminino-avai-kindermann-tem-craques-formadas-em-casa/#respond Sat, 05 Dec 2020 07:00:18 +0000 http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/?p=10841

Foto: Divulgação

*Por Mariana Pereira

Se de um lado, o Corinthians reúne algumas das principais craques do futebol feminino no país, do outro, o Avaí Kindermann aposta num projeto sem estrelas renomadas, mas com muita qualidade no jogo coletivo para buscar o título brasileiro.

Finalista em 2014 ainda sem a “camisa” do Avaí, o Kindermann sempre foi um time de muita tradição no futebol feminino. E isso aconteceu também pelo trabalho que o clube fazia no futsal. Hoje um dos principais nomes do time, Julia Bianchi começou seus ~dibres justamente nas quadras do clube catarinense.

Eleita por duas vezes a Craque da Partida nas semifinais do Brasileiro Feminino 2020 diante do São Paulo, Julia respira o Avaí Kindermann desde 2011, quando tinha apenas 14 anos. Foi no clube de Caçador que a atleta iniciou sua trajetória com a bola, só que no futsal antes de migrar para o campo.

“Eu fico muito feliz por ter sido eleita a Craque da Partida e agradecida a todos que votaram, que reconheceram meu desempenho, meu trabalho. Mas eu devo muito isso às minhas companheiras de equipe porque o futebol é coletivo, a gente não joga sozinha, então se eu consegui conquistar essa premiação individual foi graças a todo o trabalho coletivo por de trás disso”, salienta a atleta.

Foto: Twitter @BRFeminino

Natural de Lajeado Grande, Santa Catarina, Julia passou por Centro Olímpico, Ferroviária e Madrid CFF antes de retornar ao Avaí Kindermann, em 2016. Ela não esteve presente na campanha de 2014, que levou o clube à final do nacional. Entretanto, o seu retorno acontece junto com a retomada do clube na modalidade, ou seja, com a chegada de Jorge Barcellos no comando do elenco.

“Para mim, particularmente, está sendo um momento bem especial. Chegar à final do Brasileirão foi extremamente importante e satisfatório porque a gente vem em um trabalho de anos aqui (no Avaí/Kindermann), tentando manter a base e contratando peças importantes que nos ajudam a melhorar nosso trabalho em equipe. Nos anos anteriores tínhamos uma formação tática e apostávamos nela durante o campeonato todo. Esse ano a gente pôde ter algumas variações táticas e acho que isso tem beneficiado a nossa equipe, tanto coletivamente quanto individualmente”, explica a jogadora.

A camisa 10 cresceu junto com o Avaí Kindermann ao longo da competição e isso atraiu a atenção da técnica Pia Sundhage. Na última data FIFA, Julia não só esteve presente na convocação, como estreou pela equipe principal e fez um dos gols da vitória do Brasil por 8 a 0 diante do Equador. Uma das representantes dessa nova geração, ela faz questão de enaltecer o desenvolvimento da Seleção com o passar dos anos.

 

“Eu e outras atletas pudemos notar ao longo do campeonato que a Pia e toda a comissão observam os jogos. Isso já é uma mudança muito grande e muito importante para nós que atuamos no Brasil. Essa questão também de jogar com uma nova camisa, escudo próprio é bem positivo porque nós, quanto atletas, defendendo a seleção vamos buscar a nossa própria estrela. As mudanças vêm acontecendo dentro da seleção. Tem grande destaque toda essa gestão da CBF também, profissionalizando cada vez mais o futebol no Brasil”, afirma a meia.

E não é só o trabalho na equipe brasileira que impressiona a jogadora. Uma atleta em específico encheu os olhos de Júlia durante sua passagem com a Seleção. “Nesse período em que eu tive a oportunidade de atuar com algumas jogadoras, eu fiquei muito feliz e inspirada em ver a Formiga jogar. A forma como ela conduz o trabalho dentro de campo, conversando com as demais jogadoras, orientando, é muito diferente, é bem especial. Eu já era fã do futebol da Formiga, e com certeza depois dessa convocação, sou ainda mais”, exalta Júlia.

Foto: Thais Magalhaes / CBF

Em busca do seu primeiro título de Campeonato Brasileiro, a camisa 10 do Avaí Kindermann vê como trunfo da sua equipe a boa relação entre o elenco. “Claro que a gente vê no campeonato muitas equipes com jogadoras que já têm o seu nome consolidado no futebol feminino nacional e a nossa equipe não tem muitas dessas jogadoras. Então, eu acredito que muito se deve a força do nosso grupo, trabalho em equipe. A gente tem uma confiança muito grande uma na outra, uma amizade muito grande e sempre se fala ‘A equipe se torna uma família’ e eu consigo enxergar isso no Kindermann de uma forma muito clara, que nos tornamos uma família que uma luta pela outra dentro de campo”, pontua Julia. “O trabalho em equipe ao longo do campeonato todo nos credenciou a estar nessa final”, conclui.

O jogo de volta entre Corinthians e Avaí Kindermann será exibido no Twitter do BR Feminino, na Band, ESPN e também na Rádio CBN. É o futebol feminino dominando todas as plataformas!

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Seleção feminina goleia Equador por 8×0 em último amistoso do ano http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/2020/12/01/selecao-feminina-goleia-equador-por-8x0-em-ultimo-amistoso-do-ano/ http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/2020/12/01/selecao-feminina-goleia-equador-por-8x0-em-ultimo-amistoso-do-ano/#respond Wed, 02 Dec 2020 02:27:32 +0000 http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/?p=10816

Foto: Mariana Sá/CBF

Nesta terça-feira, a seleção brasileira encarou seu último amistoso do ano. Assim como aconteceu na última sexta-feira (27/11), o Brasil enfrentou novamente o Equador e, mais uma vez, venceu a equipe comandada por Emily Lima. O placar foi 8×0 para o Brasil, com gols de Debinha, Luana, dois de Andressa Alves, dois de Rafaelle, Júlia Bianchi e Érika

A partida aconteceu no Morumbi e essa foi a primeira vez que as mulheres do Brasil jogaram uma partida no estádio do São Paulo Futebol Clube.

Dentro de campo, o Brasil controlou todas as ações desde os primeiros instantes e pressionou muito a saída de bola da equipe equatoriana. A seleção chegou com perigo ao ataque aos 27 segundos de jogo, quando Debinha levou perigo ao gol adversário.

E não demorou muito para o Brasil abrir o placar. Ludmila rabiscou pelo lado esquerdo, cruzou rasteiro na área e Debinha apareceu no primeiro pau para completar de letra para o gol. Esse foi o 10º gol da camisa 9 desde que Pia Sundhage chegou ao comando da equipe, em julho de 2019.

A atacante é artilheira da Era Pia com 10 gols (Foto: Mariana Sá/CBF)

Com quase quatro minutos de jogo, Andressa Alves também foi acionada pelo lado esquerdo e chutou cruzado, exigindo que a goleira Morán se esticasse toda para impedir o segundo gol. Um minuto depois, Rafaelle cabeceou para o gol após escanteio e também levou perigo ao Equador.

Aos 15 minutos de jogo, o Brasil ampliou. Jucinara cruzou pra área, a zaga equatoriana afastou mal e a bola sobrou pra Luana na entrada da área. Ela acionou Debinha dentro da área, mas a camisa 9 perdeu a bola e, na sobra, Luana finalizou encobrindo a goleira Morán.

Dois minutos depois, Andressa Alves começa a jogada acionando Debinha pelo lado esquerdo. Ela vai até a linha de fundo e cruza para a área buscando Ludmila. A camisa 19 erra o cabeceio e Andressa Alves aparece livre para completar para as redes.

Na comemoração, a camisa 7 fez o famoso sinal de “sai zica”, já que esse foi o primeiro gol de Andressa Alves sob o comando de Pia Sundhage. A meia não marcava com a camisa do Brasil desde fevereiro de 2019, em jogo antes da Copa do Mundo, diante da Inglaterra.

Aos 20 minutos veio o quarto gol. Em cruzamento pela esquerda, Luana colocou a bola na cabeça da zagueira Rafaelle que subiu sozinha para marcar seu segundo gol na era Pia.

Aos 23, a goleira Morán evitou o quinto gol brasileiro após defender com os pés um chute de Ludmila na cara do gol.

Aos 33 minutos, mais uma jogadora estreou pela seleção brasileira. A meio-campista Luana sofreu uma falta e sentiu o tornozelo. A treinadora do Brasil colocou Julia Bianchi, meio-campo do Avaí/Kindermann, no jogo.

Aos 43, Andressa Alves sofreu falta no lado esquerdo do ataque. Na bola parada, Debinha colocou na área e Rafaelle desviou de cabeça e marcou seu segundo gol na partida e o quinto da seleção brasileira.

A zagueira Rafaelle marcou dois gols de cabeça contra o Equador (Foto: Mariana Sá/CBF)

No último minuto do primeiro tempo, Ludmila pressionou a saída de bola das equatorianas, fez o desarme e partiu pelo lado direito do campo. Dentro da área, cruzou na medida para Andressa Alves empurrar para as redes, de carrinho. E assim acabou a primeira etapa: 6×0.

No segundo tempo, Pia fez quatro alterações: saiu Bruna Benites para entrada de Camilinha, Jucinara para entrada de Tamires e  Giovana no lugar de Ludmila (estreia da jogadora de 17 anos que atua no Barcelona e tem nacionalidade americana e espanhola). A treinadora também fez mudança no gol, tirando Bárbara e colocando Lelê pro jogo.

Aos 4 minutos de jogo, Ana Vitória foi acionada pela linha de fundo no lado direito, cruzou rasteiro para a área e a estreante Giovana chutou por cima do gol adversário.

Giovana tem 17 anos e fez sua estreia pela seleção principal (Foto: Mariana Sá/CBF)

Na etapa final, o Brasil tocou mais a bola e não marcou tão em cima do Equador, mas a equipe de Emily Lima é muito frágil, com pouco repertório e tem muita dificuldade de construir jogadas ofensivas.

Com o jogo controlado, Pia Sundhage fez mais duas alterações no time. Saíram Ana Vitória e Andressa Alves e entraram Chu e Adriana.

Aos 25 minutos, o Equador vacilou na saída de bola, Chu fez o desarme e partiu pra cima da marcação. Pelo lado direito, ela cruzou na área e a estreante Julia Bianchi abriu o compasso e completou de joelho, marcando seu primeiro gol com a camisa brasileira.

Aos 34 minutos, Camilinha partiu rumo ao ataque e foi parada com falta na entrada da área, pelo lado direito. Tamires alçou a bola na grande área na cabeça da zagueira Érika, que marcou o oitavo gol brasileiro. Essa foi a 4ª assistência de Tamires em jogadas que resultou em gols sob o comando de Pia Sundhage.

Perto dos 40 minutos finais, Giovana partiu para a área em jogada individual, limpou a marcadora, mas chutou pra fora. Além dela, Debinha também perdeu chance de frente pro gol e Formiga arriscou um chute colocado da entrada da área, mas a bola subiu demais.

Foto: Mariana Sá/CBF

O jogo acabou 8×0 para o Brasil, que foi soberano durante todo o jogo, finalizando 37 vezes para o gol contra apenas 2 chances por parte do Equador. Este placar foi o mais elástico da seleção sob o comando de Pia Sundhage.

Depois de oito meses sem jogar, o Brasil se despede de 2020 com duas vitórias sobre o Equador e visando os Jogos Olímpicos de Tóquio, em julho do ano que vem.

Números da Seleção Brasileira sob o comando de Pia Sundhage

13 jogos: 8 vitórias, 4 empates e 1 derrota

40 gols marcados e 5 gols sofridos

Artilheiras da era Pia: Debinha (10 gols), Bia Zaneratto (5) e Formiga (3)

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