Dibradoras http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br Mulher pode gostar, entender e praticar o esporte que quiser. Tue, 21 May 2019 17:19:02 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.2 Formiga diz que Brasil aprendeu com derrotas e dará resposta à desconfiança http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/2019/05/21/formiga-diz-que-brasil-aprendeu-com-derrotas-e-dara-resposta-a-desconfianca/ http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/2019/05/21/formiga-diz-que-brasil-aprendeu-com-derrotas-e-dara-resposta-a-desconfianca/#respond Tue, 21 May 2019 16:59:02 +0000 http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/?p=6087

A seleção brasileira de futebol feminino embarca nesta terça-feira para a Copa do Mundo da França e com um retrospecto difícil na bagagem: são nove derrotas consecutivas – a última vitória em jogos oficiais aconteceu em julho de 2018.

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Mas para a jogadora mais experiente do Brasil, que irá para sua sétima Copa neste ano, ainda há tempo para “virar a chavinha”. Formiga falou à imprensa algumas horas antes do embarque e não fugiu das cobranças, dizendo que a seleção precisa dar uma resposta em campo às críticas que vem recebendo.

A responsabilidade aumenta (com a visibilidade). A gente tanto lutou e pediu para que tivesse essa visibilidade. Mas em meio à desconfiança, a gente tem que fazer um bom campeonato, dar a resposta. A gente precisa fazer nosso papel”, afirmou a meio-campista de 41 anos.

“Essas derrotas é claro que te deixam inseguro, os torcedores também se perguntam: será que vai agora? Acho que a gente tem que esquecer, as derrotas ensinam muita coisa. Agora a gente tem que se superar a cada dia, a gente precisa deixar as derrotas pra trás, virar a chave. Acredito que a gente vai conseguir ir bem nesse Mundial, mesmo com essa insegurança. Nós vamos recuperar essa confiança e melhorar muito.“

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Se na Copa do Mundo de 2015, o Brasil embarcou para o Canadá com apenas cinco dias de antecedência de seu jogo de estreia – e sem qualquer alarde da imprensa -, desta vez o cenário é bem diferente. A seleção vai para Portugal para quase 15 dias de preparação (com treinos programados de 23 de maio a 5 de junho) para depois ir a Grenoble, onde será a estreia. A diferença vai além do planejamento: agora, haverá também uma cobertura grande da imprensa, como, aliás, já está acontecendo. Formiga admite que sempre sonhou com essa visibilidade para o futebol feminino, mas entende que isso aumentará também as cobranças por desempenho dentro de campo.

“É uma coisa que eu sonhava muito. Continuo sonhando. É de se espantar ver tanta gente assim aqui. Mas nada disso vai valer se a gente não tiver empenho no Mundial”, apontou a jogadora.

Formiga se despediu da seleção em 2016 e aceitou voltar para mais uma Copa (Foto: Getty)

Com seis Copas de experiência, Formiga vê a evolução do futebol feminino no mundo e reconhece que a briga pelo título está mais acirrada do que nunca. Ela projeta uma semifinal como um “excelente resultado” para o Brasil e afasta qualquer possibilidade de uma eliminação na primeira fase.

“Às vezes as pessoas dizem: o empenho certo é vocês trazerem o caneco. Mas a gente sabe das dificuldades, as coisas não estão nas mil maravilhas. Acho que a gente chegando até uma semifinal, como já chegamos, é uma grande conquista para o futebol feminino, sem dúvida alguma. O que não podemos fazer de maneira alguma é colocar na cabeça que vamos voltar na primeira fase. Isso jamais”, chancelou. 

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O técnico Vadão foi questionado sobre esse histórico ruim de desempenho e resultado às vésperas da Copa do Mundo e disse que a seleção “já tirou as lições das últimas derrotas”.

“Agora teremos uma possibilidade de definição. Nos amistosos, cada hora jogávamos com um time porque era quem tínhamos à disposição. Tiramos as nossas lições desse período ruim, vamos esquecer isso e trabalhar melhor a equipe com todo mundo junto. Uma das lições foi que a gente pecou muito no passe. Nossa taxa de erro na Olimpíada nos passes era 10%, nós chegamos a 27% agora. Isso proporcionou muitos contra-ataques que a gente tomou. Acho que temos que melhorar essa organização, ter um pouco mais de acerto”, pontuou o treinador.

Seleção brasileira encerrou preparação para Copa com nove derrotas consecutivas  (Foto: CBF)

Visibilidade

A seleção brasileira aproveita de um momento único do futebol feminino na história. Nunca houve uma Copa do Mundo feminina que fosse tão comentada é esperada. Será também o Mundial mais visto das mulheres em campos, já que esse é o primeiro a ter transmissão de todos os jogos da seleção na maior emissora do país, a TV Globo. Na semana passada, foi possível ver o tamanho do interesse da imprensa pelo assunto quando o auditório da CBF ficou lotado para a convocação do Brasil para a Copa.

Hoje, no embarque, não foi diferente. Muitas câmeras – de filmagem e de foto -, muitos microfones e muitos jornalistas atentos às últimas palavras das jogadoras antes de embarcarem para o Mundial. Uma visibilidade que há muito tempo essas jogadoras e as que vieram antes delas esperam.

Mônica disputará sua segunda Copa do Mundo (Foto: Lucas Figueiredo/CBF)

“Acho que a gente sempre mereceu isso. É o mínimo que poderia acontecer pelo que a gente já faz e fez. Mas mostra o quanto a gente está evoluindo. Espero que isso só aumente, que mais gente vá ao estádio, que a TV continue transmitindo. Isso mostra que a gente tem um valor”, afirmou a zagueira Mônica, que estava nos Estados Unidos e voltou a jogar no Brasil neste ano, pelo Corinthians.

A seleção brasileira chega a Portugal, em Portimão, nesta quarta-feira onde fará sua preparação para o Mundial. No dia 5 de junho, a delegação segue para Grenoble, onde estreará contra a Jamaica em 9 de junho.

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Campeã olímpica em xeque com troca de técnicos: como Alemanha chega à Copa http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/2019/05/21/campea-olimpica-em-xeque-com-troca-de-tecnicos-como-alemanha-chega-a-copa/ http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/2019/05/21/campea-olimpica-em-xeque-com-troca-de-tecnicos-como-alemanha-chega-a-copa/#respond Tue, 21 May 2019 09:29:41 +0000 http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/?p=6074

Foto: Fifa

*Por Juliana Arreguy

Duas Copas do Mundo, oito Eurocopas, três medalhas de bronze e o ouro olímpico da Rio 2016. A lista de títulos da Alemanha deposita altas expectativas sobre a seleção no Mundial da França, que se inicia em menos de um mês. Apesar do currículo polpudo, a realidade da equipe envolve três mudanças no comando técnico em pouco mais de dois anos e coloca o time à prova com apenas quatro amistosos sob a batuta da nova treinadora, Martina Voss-Tecklenburg.

A saída da técnica Silvia Neid, em 2016, representou o fim de uma era. Para contextualizar, é importante entender o histórico dela na seleção: como jogadora, foi capitã nas Copas de 1991 e 1995 e, como treinadora, comandou o bicampeonato em 2007, o bronze na Olimpíada de Pequim (2008) e o ouro na Rio-2016. É a treinadora que esteve mais vezes no comando de uma equipe feminina em Mundiais e, não bastasse, é quem tem mais prêmios da Fifa como melhor técnica da modalidade (2010, 2013 e 2016).

O trabalho de Steffi Jones, que assumiu o posto logo após a conquista olímpica, não surtiu efeito a longo prazo: foi dispensada em março de 2018. A Federação Alemã justificou a mudança por uma “questão de resultados”; a lista envolve a eliminação da Eurocopa de 2017 nas quartas (com derrota para a Dinamarca), atuações abaixo da média nas eliminatórias da Copa (incluindo uma derrota para a Islândia) e a participação no torneio amistoso She Believes, em 2018, sem nenhuma vitória.

“A grande diferença entre a equipe que venceu a Olimpíada e o time eliminado na Eurocopa está na atitude das jogadoras. Com a Steffi Jones, o time não tinha plano de jogo definido, enquanto o grupo que foi campeão olímpico, mesmo com limitações em algumas partidas, sabia como se superar dentro de campo”, observa Bruno Bezerra, que acompanha a modalidade no país desde 2007 e é colaborador do site Planeta Futebol Feminino.

Cara nova

A Alemanha passou o restante de 2018 com Host Hrubesch, que também já treinou a seleção olímpica masculina, como técnico interino; foi sob o seu comando que as jogadoras garantiram a classificação para o Mundial na França.

Ao fim de novembro, foi anunciada a contratação de Martina Voss-Tecklenburg, outra ex-jogadora da seleção (1991-1999), para treinar a equipe. Seu histórico como técnica da Suíça entre 2012 e 2018 rendeu, em 2015, a primeira participação das suíças em uma Copa do Mundo. O estilo de jogo de Tecklenburg, na visão de Bezerra, segue a filosofia usada por Neid e pode render bons frutos.

“Com Silvia Neid, o time parecia mais definido em suas iniciativas em campo, diferente do que ocorreu com Steffi Jones. Agora, com Martina Voss Tecklenburg, a equipe volta a ter um estilo de jogar semelhante ao da Neid, inclusive utilizando o mesmo 4-2-3-1 que ela utilizava. O time passou a ser mais agressivo quando não tem a posse de bola, pressionando a saída das adversárias, e com as laterais subindo mais ao ataque”, avalia.

Silvia Neid ganhou tudo com a seleção alemã (Foto: Getty)

O que pode dar errado?

Conduzida por Tecklenburg, a Alemanha chega para a Copa com apenas quatro amistosos disputados em 2019 — o último deles, contra o Chile, será no dia 30 de maio. Até o momento, as três partidas disputadas envolveram duas vitórias (contra a França, por 1 a 0, e diante da Suécia, por 2 a 1) e um empate por 2 a 2 com o Japão.

Segundo Bezerra, as poucas demonstrações do coletivo são minimizadas pelo fato de quase todas as atletas da seleção jogarem no próprio país. “Sem o entrosamento necessário isso pode ser prejudicial, mas elas atuam em sua grande maioria em clubes da Frauen Bundesliga, então se conhecem bem”, explica.

Em contraponto, Bezerra aponta que houve uma queda na qualidade do campeonato nacional, o que pode ser um problema para as atletas; na Copa, algumas adversárias vêm de ligas competitivas que ganharam força e investimento, como nos casos de França, Inglaterra e Estados Unidos.

“A Frauen Bundesliga tem perdido o prestígio de temporadas anteriores: o nível técnico deu certa decaída e os públicos tornaram-se decepcionantes. Mas, de toda a forma, continua sendo uma das principais ligas europeias do velho continente”, diz.

O peso da camisa

Vitoriosa nas Copas de 2003 e 2007, em dobradinha única no histórico dos Mundiais femininos, a Alemanha integra um seleto grupo de campeãs que inclui também os EUA (com três títulos), Noruega e Japão (um título cada). Na Copa de 2015, foi eliminada pelas americanas na semifinal e ficou com o quarto lugar após derrota para a Inglaterra.

Se a aposta da seleção que levou o bicampeonato era na força do elenco, para o Mundial de 2019 o maior trunfo da equipe está nas atuações individuais.

“O grande diferencial da equipe bicampeã mundial em 2003 e 2007 era um coletivo muito forte. Além disso, era uma seleção que não sofria tantos gols e era bastante eficiente no ataque. Na atual equipe, a defesa já não é tão forte como a dessa geração, mas o time possui mais talentos individuais que nos times de 2003 e 2007. Nenhuma característica evidente se repete, já que essa seleção alemã usa menos jogo direto e mais jogadas trabalhadas”, comenta Bezerra.

Nova técnica assumiu recentemente a seleção alemã (Foto: Fifa)

Da lista das 23 convocadas, divulgada nesta terça-feira (14), despontam nomes conhecidos como a atacante Alex Popp (Wolfsburg) e a meia Dzsenifer Marozsán (Lyon). A jogadora mais experiente, Lena Goessling, é a única com mais de 30 anos no elenco.

Sem ver nenhuma surpresa no elenco que vai à França, Bezerra cita outros dois nomes como destaques.

“A meio campista Giulia Gwinn e a atacante Lea Schuller podem ser as grandes surpresas desse time e principais apostas para esse mundial. Gwinn é do Freiburg, mas irá ao Bayern de Munique temporada que vem, já a Schuller joga no SGS Essen”, alerta.

A estreia da Alemanha pelo grupo B será diante da China, no dia 8 de junho. As outras adversárias serão Espanha (12/06) e África do Sul (17/06).

“Com um time renovado, a seleção deve passar de fase e é favorita no caminho até as semifinais, apesar de ter jogos duros pela frente. A Espanha tem um bom time, assim como China e África do Sul. São três equipes bem organizadas”, completa.

É importante destacar também o vídeo feito pela seleção alemã para promover a equipe feminina no Mundial da França. Com o intuito de contar uma história ainda desconhecida pela maioria dos alemães, a campanha fala sobre os preconceitos que as mulheres enfrentaram para jogar futebol na Alemanha e termina com a frase emblemática: “está tudo bem, vocês não precisam saber quem somos, só precisam saber o que queremos. Queremos jogar nosso próprio jogo”.

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Band alavanca audiência com futebol feminino em estreia das transmissões http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/2019/05/20/band-triplica-audiencia-com-futebol-feminino-em-estreia-das-transmissoes/ http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/2019/05/20/band-triplica-audiencia-com-futebol-feminino-em-estreia-das-transmissoes/#respond Mon, 20 May 2019 12:24:48 +0000 http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/?p=6056

Foto: dibradoras

O domingo sempre foi tradicionalmente um dia de futebol para os brasileiros, que se acostumaram a ligar a TV para acompanhar as transmissões depois do almoço ou mesmo a ir ao estádio para prestigiar as partidas de perto. Essa tradição ganhou um novo capítulo nesta semana. A Bandeirantes estreou suas transmissões do futebol feminino com um jogaço entre Santos e Internacional pelo Campeonato Brasileiro das mulheres e surpreendeu até mesmo os mais céticos com a modalidade.

O jogo foi às 14h no Pacaembu e, logo nos primeiros minutos, a audiência mostrava sinais de que a estratégia de apostar no futebol feminino – em vez do “Cine Band”, antiga atração do horário no canal – estava dando certo. Se, na programação anterior com filme nesse horário a Band registrava uma média de 1 ponto de audiência, com o Brasileiro feminino o pico chegou a 3.8 e a média ficou em 2.5.

Para se ter uma ideia do que significa essa medição, um ponto percentual de audiência nacional representa 254.892 lares com a TV ligada naquele canal – de acordo com os números padronizados pelo Ibope em 2019. A estimativa de telespectadores a cada ponto de audiência é de 693.788 pessoas. Isso significaria que, no pico da audiência do Brasileiro Feminino na Band, cerca de um milhão de lares no país estavam ligados no canal para ver o futebol das mulheres.

Você pode achar esse número pequeno pensando em um país inteiro, mas comparando a audiência do futebol feminino com a audiência que a Band registrava no mesmo horário com outra atração, dá para perceber a diferença: ela praticamente triplicou o número de pessoas acompanhando o canal naquele horário.

Com a narração de Ivan Bruno, comentários da ex-jogadora Alline Calandrini e do ex-goleiro Veloso, e reportagem de campo de Yara Fantoni  – além da apresentadora Paloma Tocci comandando a atração no intervalo -, a transmissão foi um sucesso também nas redes sociais. A hashtag #FutBand figurou entre as mais comentadas do Twitter durante a transmissão, mostrando o potencial que a exibição do futebol feminino na TV aberta pode ter.

“Eu particularmente estava muito ansiosa para essas transmissões. A Band se preocupou em passar antes do Mundial. Escolheram um bom jogo, Santos e Internacional, dois times de camisa, e a gente viu que foi um jogão. Durante a partida, eu confesso que não acompanhei as redes sociais, fiquei inteiramente no jogo. Quando fui ler os comentários, eu fiquei de queixo caído por ver como o pessoal assistiu, a repercussão foi absurda, foi para os trending topics”, afirmou às dibradoras Alline Calandrini.

“Uma coisa que eu vi também foi a audiência, a Band aposta muito no futebol feminino, então quando eu vi que eles ficaram muito felizes com o resultado, vi que estava dando certo e fiquei muito feliz. Acho que a transmissão foi muito legal, a Yara do campo trazendo as informações, entrevistando jogadoras, deixou a transmissão ainda mais rica. O Ivan, que narrou, é um cara que gosta do futebol feminino, ele estuda, tem um carinho diferente. E o Veloso achei que foi muito bem também, interessado. Fiquei muito feliz dentro de tudo o que aconteceu e com a repercussão. Foi um dia de realização.”

Jogaço

O jogo em campo fez jus a uma estreia muito digna para o futebol feminino na Band. O Santos, que entrou em campo defendendo uma invencibilidade de 8 jogos com 8 vitórias até ali, comandou as ações do ataque e fez a goleira do Inter, Yasmin, trabalhar o tempo todo. Mas em erros de saída de bola, o time comandado por Emily Lima acabou dando as oportunidades que a equipe colorada precisava. Com um chute lindo de fora da área, Fabi Simões abriu o placar aproveitando a trapalhada santista aos 12 minutos do primeiro tempo. Depois, Glaucia, a artilheira do Santos, fez o dela de cabeça para igualar o marcador aos 28 minutos. E antes ainda do apito para o intervalo, Mariana Pires ampliou para o Inter em mais um erro de saída de bola do time da casa.

Foto: Pedro Ernesto Guerra / Santos FC

O segundo tempo foi um show de ataque do Santos e uma eficiência incrível de defesa do Inter. O time do Sul jogou atrás, bastante fechado para tentar anular a conhecida ofensividade da equipe de Emily Lima. Nem a habilidade de Glaucia no chute ou nos passes foi suficiente para vencer a goleira Yasmin, que estava inspiradíssima na partida. O jogo terminou em 2 a 1 para as coloradas, que derrubaram a invencibilidade santista e assumiram o terceiro lugar na tabela. O Santos acabou perdendo a liderança para Corinthians pelo saldo de gols.

O alto nível da partida despertou comentários até mesmo de famosos que acompanharam a transmissão da Band. O humorista Marcelo Adnet foi um deles.

As transmissões do futebol feminino na Band serão fequentes neste ano. A emissora sempre foi conhecida por apoiar a modalidade ao longo da história – principalmente nos tempos áureos de Luciano do Valle – e, nesta temporada, acertou com a CBF a compra dos direitos do Brasileiro (séries A1 e A2) e exibirá sempre um jogo por rodada aos domingos às 14h.

Em um momento de grande crescimento do futebol feminino, ter as transmissões do principal campeonato nacional em uma TV aberta é essencial para fortalecer a cultura da modalidade no país. Cada vez mais meninas surgem querendo jogar bola e conseguem esse espaço aos poucos seja na escola, na rua com os meninos e até mesmo em clubes. É muito importante para elas terem essa referência na televisão, para acreditarem que um dia podem estar lá, jogando o principal torneio do país em rede nacional.

Para completar, a própria Rainha do Futebol, Marta, esteve no Pacaembu para prestigiar esse jogaço.

Foto: Pedro Ernesto Guerra / Santos FC

“Nunca aconteceu de passar todo domingo um jogo do futebol feminino, então é um momento muito diferente da nossa modalidade, e a gente tem que aproveitar, estar preparada para isso. Pessoas que não conhecem o futebol feminino terão a oportunidade de assistir a um jogão como foi o desse domingo. É importante para a menina olhar e se inspirar, falar ‘eu quero ser a Glaucia'”, afirmou Calandrini.

“Comecei vendo o jogo do Paulista feminino na Rede Vida entre Palmeiras e Audax no sábado de manhã. Depois teve a final da Champions League na ESPN. Vi Vitória e Flamengo pelo Twitter ainda no sábado. E aí no domingo esse jogaço. Querendo ou não, TV aberta tem uma chamada diferente porque a gente não está acostumado com isso. Estou muito feliz com tudo o que está acontecendo na modalidade, especialmente nesse fim de semana.”

PS: Lembrando que, para os que não gostam do futebol feminino, há sempre a opção de mudar de canal 😉

 

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Só o Real Madrid de Di Stéfano conseguiu feito de Lyon na Champions http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/2019/05/18/so-o-real-madrid-de-di-stefano-conseguiu-feito-de-lyon-na-champions/ http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/2019/05/18/so-o-real-madrid-de-di-stefano-conseguiu-feito-de-lyon-na-champions/#respond Sat, 18 May 2019 20:20:25 +0000 http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/?p=6046

Foto: Reuters

O Lyon foi mais uma vez campeão da Champions League, desta vez vencendo o Barcelona na final com direito a “chocolate” (4 a 1 no placar), e confirmou sua hegemonia absoluta na Europa. Esse foi o tetracampeonato consecutivo do clube francês na competição e o sexto na história. Não há nenhum clube entre as mulheres que tenha conseguido o feito. E, entre os homens, só o Real Madrid do lendário Di Stéfano fez algo parecido.

Na década de 1950 e 1960, o Real Madrid reinou absoluto no continente europeu. Mais precisamente de 1955 a 1960 foram cinco títulos consecutivos do time espanhol na Champions League. O Lyon, no feminino, está trilhando o mesmo caminho e, até aqui, já garantiu o tetra de 2016 até 2019. Contra Wolfsburg e PSG nas temporadas 2015-2016 e 2016-2017, o título veio com vitória apertada nos pênaltis. Mas nos últimos dois anos, foram goleadas – e exatamente pelo mesmo placar, 4 a 1, primeiro sobre o Wolfsburg na prorrogação no ano passado e agora sobre o Barcelona, com os 4 gols franceses tendo sido marcados no primeiro tempo.

E olha que o time catalão não fica tão atrás assim do Lyon em termos de investimento. O Barcelona tem pelo menos sete jogadoras que têm boas chances de estarem na Copa, como por exemplo a goleira espanhola Paños, a atacante Pina e a meio-campista Putellas, todas da Espanha, a meia-atacante Andressa Alves, do Brasil, as atacantes Toni Duggan, da Inglaterra, e Oshoala, da Nigéria, além da meia holandesa Lieke Martens. Mas mesmo com esse timaço, o Barça não viu a cor da bola no primeiro tempo e foi engolido pelo Lyon.

Foto: Getty

Há que se explicar o fenômeno do time francês, que tem a jogadora bola de ouro, Ada Heherberg como principal destaque – ela fez três gols nessa final, que constrói uma hegemonia aparentemente inabalável no cenário europeu. Claro que o elenco é fortíssimo, com pelo menos nove jogadoras selecionáveis – a maioria da França. Craques absolutas que representarão o país sede da Copa do Mundo, como a zagueira Renard, a meia Amandine Henry e a atacante Le Sommer. Ainda tem a lateral inglesa Lucy Bronze, a zagueira canadense Kadeisha Buchanan, a meia japonesa Saki Kumagai, a camisa 10 alemã Marozsán, a atacante argentina Sole James e, claro, a artilheira absoluta, a norueguesa Ada Hegerberg.

Mas não é só o plantel de qualidade que faz o Lyon disparar na frente dos outros no cenário do futebol feminino. O que ajuda também a explicar essa hegemonia é que esse investimento não começou ontem. A capitã do Barça explicou um pouco por que a equipe francesa se tornou “o time a ser batido” na Europa de uns tempos para cá.

“Nos últimos anos, eles foram um dos primeiros clubes a investir no futebol feminino. Por isso eles estão no topo. Eles têm uma série de qualidades, mas não são invencíveis”, afirmou Vicky Losada, na véspera da partida.

O Lyon nasceu oficialmente em 2004 como “Olympique Lyonnais” feminino e de lá para cá conquistou 13 títulos do Campeonato Francês consecutivos -, 9 Copas da França, sendo seis consecutivos, e seis Champions League (4 consecutivas). Mais do que isso, o Lyon perdeu apenas DOIS JOGOS nas últimas nove temporadas da liga nacional francesa. 

Foto: Getty

O investimento e atenção com o futebol feminino é tanto  por parte do Olympique Lyonnais que os principais jogos da Copa do Mundo deste ano serão em Lyon.  Semifinais e final serão sediados no Parc Olympique Lyonnais, com capacidade para mais de 59 mil pessoas.

Todo esse domínio no futebol feminino fez até mesmo um dos principais jornais do mundo, o “The New York Times” fazer uma reportagem na última sexta-feira com o título “O time mais dominante do mundo não é o que você pensa”. A matéria faz um comparativo do Lyon com Real Madrid dos últimos anos (tricampeão da Champions, mas que não manteve o mesmo alo nível nas competições locais), o Barcelona (conquistou 8 dos últimos 11 títulos espanhóis, mas não é campeão europeu desde 2015), o New England Patriots, com três vitórias nos últimos 5 Super Bowls disputados, o Golden State Warriors, que pode ser tricampeão da NBA neste ano de maneira consecutiva. E todos eles não chegam à supremacia absoluta do Lyon.

Isso fez com que o clube francês atingisse um outro nível no futebol feminino. Hoje, ele é objeto de desejo das melhores jogadoras do mundo. Não se diz não ao Lyon. E, ainda assim, jogadoras como Lucy Bronze descrevem o ambiente interno como “bastante tranquilo”, sem qualquer briga de egos. Ela diz que “nunca conheceu pessoas com tanta humildade”, como viu as jogadoras superestrelas do time francês. Tudo isso vai alimentando um clube que se sobressai a todos os outros.

“Alex Morgan foi para a França para crescer como jogadora todos os dias. Ela conseguiu isso jogando com as melhores jogadoras do mundo todos os dias. Conquistar campeonatos era maravilhoso, a estrutura de treino era de primeira, mas o segredo do sucesso ali é justamente acumular tantas jogadoras incríveis. Elas criaram o ambiente perfeito de treino”, relatou o empresário de Morgan, Dan Levy, ao “The New York Times.

Foto: Reuters

No Lyon, há exatamente a mesma estrutura de treino e preparação física para a equipe masculina e feminina. Elas têm acesso aos mesmos equipamentos que eles e recebem do presidente e dos dirigentes a mesma atenção que eles.

“O Lyon não é perfeito, mas tem muita coisa que outros clubes não têm. Os meninos e as meninas crescem e aprendem juntos na escolinha da base, então os jogadores acabam mais integrados. O sucesso de um dos times não é visto como uma ameaça ao outro. Eu nunca vi isso em outro lugar. Em geral, os homens são vistos em um time de futebol como os ‘superstars’ enquanto as mulheres não são encaradas com a mesma importância”, afirmou a lateral Lucy Bronze.

Não é à toa que o Lyon consegue a maior hegemonia da Europa no futebol após a era Di Stéfano no Real Madrid. É difícil saber por quanto tempo isso vai continuar, porque cada vez mais clubes europeus estão investindo no futebol feminino com o objetivo de derrubá-lo do topo. Mas o exemplo dado pelo clube francês é o melhor possível.

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Mulheres finalmente estão sob holofotes, mas ainda convocadas por homens http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/2019/05/16/mulheres-finalmente-estao-sob-holofotes-mas-ainda-convocadas-por-homens/ http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/2019/05/16/mulheres-finalmente-estao-sob-holofotes-mas-ainda-convocadas-por-homens/#respond Thu, 16 May 2019 20:00:30 +0000 http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/?p=6020

(Foto: Laís Torres/CBF)

Por Renata Mendonça e Roberta Nina 

Falta menos de um mês para a estreia da seleção brasileira na Copa do Mundo Feminina e, nesta quinta-feira, o técnico Vadão convocou as 23 jogadoras que irão para a França em busca de uma conquista inédita. O treinador, que também foi o comandante do Brasil na Copa de 2015, mudou poucos nomes com relação ao torneio de quatro anos atrás: apenas oito jogadoras diferentes.

O que também não mudou foi a gestão do futebol feminino na CBF, que segue comandada por homens – e homens que não haviam atuado no futebol feminino antes de chegar à seleção. Algo impensável de acontecer, de maneira contrária, no futebol masculino. Assim como em 2015, as mulheres foram convocadas para a mais uma Copa por homens.

O anúncio das convocadas

Este ano, o anúncio das jogadoras que irão representar o país no Mundial foi bem diferente do que aconteceu em 2015, quando o anúncio das atletas foi feito apenas pelo site da CBF, sem a necessidade de qualquer coletiva de imprensa com o treinador. Na época, não havia tanto interesse da mídia nessa cobertura. Além disso, o Brasil chegou ao Canadá quatro dias antes de sua estreia e não fez qualquer aclimatação no país da Copa.

Desta vez, tudo foi diferente. Uma coletiva de imprensa foi organizada pela CBF em sua sede e muitos jornalistas marcaram presença. De quatro anos para cá, o futebol feminino cresceu bastante, despertando interesse cada vez maior do público, como se viu na Olimpíada de 2016, quando duas das 10 maiores audiências da Globo vieram da modalidade, com as quartas-de-final e semifinal da seleção feminina. Sendo assim, essa Copa terá mais visibilidade, cobertura inédita até mesmo da maior emissora do país e, consequentemente, muito mais cobrança em cima da CBF com relação à seleção feminina.

Auditório da CBF no Rio de Janeiro estava lotado. Edu Gaspar, coordenador técnico da seleção masculina também compareceu (Foto: dibradoras)

Marco Aurélio Cunha, diretor de futebol feminino na entidade, abriu o evento dando um panorama sobre a modalidade e sobre como será o planejamento da equipe feminina nos próximos dias até a estreia, no dia 9 de junho contra a Jamaica em Grenoble. Na sequência, Vadão anunciou os nomes das atletas que representarão o Brasil em sua oitava Copa do Mundo.

Com o auditório lotado e participação massiva dos jornalistas de grandes veículos do país, o dirigente e o treinador responderam as perguntas da imprensa por quase uma hora. A reportagem do dibradoras esteve presente na coletiva de imprensa e questionou o técnico sobre a queda de rendimento da equipe, já que 15 das 23 jogadoras que irão disputar o Mundial da França são as mesmas que jogaram o último Mundial em 2015, no Canadá.

Vadão e Marco Aurélio Cunha durante o anúncio das 23 convocadas na CBF (Foto: Laís Torres/CBF)

“Realmente mantivemos uma base, uma base que acreditamos muito. Houve muitas atletas novas, até mais jovens como a Letícia (goleira), a Andressa e a Camilinha da sub-20, e esse ano puxamos a Geyse da sub-20. Então a gente também tem uma mescla boa de atletas diferentes. A Adriana foi a gente que trouxe quando ela ainda jogava no Rio Preto. A gente investiu em atletas mais jovens, mas essa é uma base que é significativa para nós e achamos interessante manter o maior número de jogadoras em condições”, afirmou.

Vadão completou sua resposta dizendo que os últimos resultados negativos já são parte do passado. “Temos entender que agora é um momento de correção. Lá na Olimpíada, tínhamos aquela base com seleção permanente que a CBF bancou tudo para que a gente chegasse forte, da maneira como chegamos, taticamente e fisicamente bem treinados, então tivemos o privilégio de estar juntos e treinando. Nesse período desses resultados negativos, a gente jamais treinou. A gente se apresentava e em dois dias jogava. Às vezes treinava um ou dois dias e às vezes não, dependendo da viagem”, recordou.

Reconhecimento às pioneiras

Durante a coletiva, questionamos também sobre o pouco reconhecimento que a Confederação demonstra pelas ex-atletas que começaram a defender o Brasil em competições oficias há 30 anos. Marco Aurélio Cunha foi quem respondeu essa pergunta, afirmando que jamais esqueceram as atletas do passado. “Quando cheguei em 2015, a Marcia Tafarel esteve conosco no Mundial,a Sissi esteve também como assistente pessoal em jogos nos Estados Unidos, a Duda esteve também em Tampa, recentemente a Pretinha e Michael Jackson também estiveram presentes. Nunca deixamos de reconhecê-las dentro das possibilidades. As pessoas que moram fora do país e têm seus trabalhos localizados em outros pontos, também tem seus compromissos. E nós, dentro do possível, lembramos sim da história de cada uma. O que falta talvez seja uma matéria, fazer um filme, coisas assim. Mas dentro do conceito de lembrança, elas jamais foram esquecidas”, afirmou o dirigente.

Primeira seleção feminina formada em 1988 (Foto: Acervo pessoal/Museu do Futebol)

Para efeito de comparações, às vésperas de mais um Mundial, a seleção norte-americana homenageou a equipe campeã na Copa de 1999 durante um amistoso na Califórnia, apresentando ao público cada uma das atletas que fez parte desta conquista. A seleção alemã lançou um vídeo especial para esta Copa reforçando a mensagem sobre como o futebol das mulheres começou a ser praticado no país e a Inglaterra escolheu algumas personalidades para anunciar os nomes das convocadas, entre os destaques estavam as ex-jogadoras Kelly Smith e Alex Scott.

Aqui no Brasil, um vídeo simples e bonito foi produzido com a participação de jogadoras das categorias de base do Fluminense no Rio Janeiro e outros torcedores que anunciavam o nome das 23 jogadoras que irão para o Mundial.

Só homens falando de mulheres

Uma das perguntas que chamou a atenção foi feita por um jornalista (homem) e deixou claro – mais uma vez – como faz falta a presença feminina dentro de uma comissão técnica. “Vadão, tem uma pergunta que só você é capaz de responder. O que dá mais trabalho, um vestiário com 23 homens ou com 23 mulheres?”

(Foto: Laís Torres/CBF)

A resposta foi aquela dentro dos padrões e para ilustrar sua fala, Vadão citou um jogo onde a arbitragem não estava apitando muito bem e as jogadoras brasileiras ficaram exaltadas com isso no vestiário. “Existem características diferentes, mas no masculino não tem tanto isso (de ficarem nervosos). Às vezes uma discussão ou outra, mas é muito raro. Com as mulheres é com frequência. Quando elas estão nervosas, a frequência é maior. Às vezes é um pouco mais difícil acalmar as mulheres naquele momento, homem é um pouco mais fácil. Esse tipo de característica feminina não tem como você mudar, você tem que aprender a lidar. Acho mais difícil na hora do conflito acalmar as mulheres”, opinou.

Quem assiste futebol feminino percebe que a dinâmica do jogo é bem diferente do masculino. Não se vê as jogadoras dando muitos carrinhos durante as partidas, não acontecem entradas maldosas e nem brigas com expulsões dentro de campo, bem diferente do que ocorre com o sexo oposto. E ainda assim, o treinador caiu no clichê dizendo em alto e bom tom que é difícil acalmar as mulheres na hora do conflito.

Nomes contestados e ausências 

Durante a coletiva e pelas redes sociais, muita gente questionou a não convocação de atletas que atuam pelo Santos. Vadão citou a convocação de Tayla, que agora defende o Benfica, mas foi convocada em outras situações quando jogava pelo time santista. Acreditamos que ausência dessas jogadoras tenha acontecido porque foram pouco testadas durante o período pré-Copa. Em nossa avaliação, a volante Maria é uma das opções que poderia ter ganhado mais chances na equipe brasileira.

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Veja a convocação da #SeleçãoFeminina para a Copa do Mundo da França! #GuerreirasdoBrasil #JogaBola

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Além das jogadoras do Santos, nenhuma atleta do Flamengo/Marinha – que também se destaca no cenário nacional – apareceu na lista. Entre as 23 selecionadas, apenas seis jogam no Brasil, mas cinco delas são remanescentes do outro Mundial: Bárbara, Fabiana, Erika, Mônica e Cristiane – as quatro últimas voltaram a jogar no Brasil recentemente. Portanto, a única jogadora que foi convocada atuando no Brasil foi Adriana, atacante do Corinthians.

Rafaelle e Bruna Benites ficaram de fora por conta de lesões. Camilinha, do Orlando Pride, se recuperou recentemente e ganhou uma chance na equipe. A lateral Letícia é uma novidade e nomes que participaram de algumas convocações, como Darlene e Thaisinha ficaram de fora da lista. A ausência de Gabi Zanotti (camisa 10 do Corinthians) também foi questionada durante a coletiva e o técnico Vadão afirmou que apenas usou seu critério de escolha. “É engraçado porque a imprensa tem preferência, a torcida tem preferência, às vezes o dirigente tem preferência, mas o treinador não pode ter”, declarou.

Preparação para a Copa

A equipe do Brasil terá uma preparação específica para o Mundial que começará já no próximo dia 22 de maio em Portugal. As jogadoras treinarão por lá até o dia 05 de julho para aclimatação ao fuso horário e clima europeu antes da estreia.

Confira abaixo os nomes convocados em 2015 e agora, em 2019: 

Convocação de 2015:

Goleiras: Bárbara, Luciana e Leticia
Zagueiras: Géssica, Mônica, Tayla e Erika
Laterais: Fabiana, Poliana, Rafaelle e Tamires
Meio-campo: Andressa, Formiga e Thaisa
Meias-atacantes/atacantes: Andressa Alves, Maurine, Bia Zaneratto, Darlene, Gabi Zanotti, Marta, Rosana, Raquel e Cristiane.

Convocação de 2019

Goleiras: Aline (Tenerife -ESP), Bárbara (Avaí/Kindermann) e Letícia (Corinthians)
Laterais: Fabiana (Internacional), Letícia Santos (Sand-ALE), Tamires (Fortuna-DIN) e Camila (Orlando Pride-EUA)
Zagueiras: Érika (Corinthians), Kathellen (Bordeaux-FRA), Mônica (Corinthians) e Tayla (Benfica-POR)
Meio-campistas: Andressinha (Portland-EUA), Formiga (PSG-FRA), Adriana (Corinthians) e Thaísa (Milan-ITA) Atacantes: Bia Zaneratto (Incheon Steel Red Angels-COR), Cristiane (São Paulo), Raquel (Huelva-ESP), Debinha (North Carolina-EUA), Geyse (Benfica-POR), Ludmilla (Atlético de Madri-ESP), Marta (Orlando Pride-EUA) e Andressa Alves (Barcelona-ESP).

Atualização: A atacante Adriana, do Corinthians, acabou cortada na tarde desta quinta-feira por conta de uma lesão sofrida no jogo desta quarta-feira, contra o Santos.

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Futebol feminino é chato? O clássico Santos x Corinthians prova o contrário http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/2019/05/16/em-jogaco-visto-por-poucos-corinthians-vence-santos-e-se-isola-no-paulista/ http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/2019/05/16/em-jogaco-visto-por-poucos-corinthians-vence-santos-e-se-isola-no-paulista/#respond Thu, 16 May 2019 07:00:58 +0000 http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/?p=6018

(Foto: Bruno Teixeira)

Quarta-feira, estádio do Pacaembu, três da tarde. O atual campeão paulista entrou em campo para receber o atual campeão brasileiro pela sexta rodada do Campeonato Paulista Feminino. De um lado o Santos e do outro o Corinthians. Um jogão pra ninguém botar defeito, afinal poucas pessoas assistiram a partida in loco que acabou em 3×2 para o Timão.

É de se lamentar muito que o confronto entre os melhores times do estado tenha acontecido em um horário tão ingrato. Pouquíssimas pessoas ocuparam as arquibancadas do Pacaembu para ver um primeiro tempo avassalador do Corinthians e o segundo tempo em que o Santos empatou o jogo logo nos primeiros minutos da segunda etapa, mas sofreu a virada quase no fim.

“Não deu pra respirar”

Foi assim que a narradora Elaine Trevisan definiu a partida. Ela estava em uma das cabines de transmissão do Pacaembu fazendo a narração do jogo para o Facebook da Federação Paulista de Futebol (FPF). No gramado, a sensação era a mesma e em um piscar de olhos, um lance de perigo era perdido.

O começo do jogo foi bem equilibrado. Emily Lima – treinadora das Sereias da Vila – pedia a todo instante para a equipe “subir” e pressionar a saída de bola do Corinthians. Quando o Santos começava a ir para cima, sofreu o gol do Corinthians marcado por Giovanna Crivelari aos cinco minutos de jogo, após belo lançamento de Gabi Zanotti. 

O primeiro tempo, aliás, foi todinho de Gabi Zanotti que reinava no meio-campo corinthiano. Distribuía as jogadas, acelerava o ataque e acalmava o jogo quando preciso. E o segundo gol saiu aos 32 minutos en uma roubada de bola de Giovanna que tocou para a Millene, servindo Adriana. Com ela, o Timão fez 2×0 e a camisa 16 marcou seu quinto gol assumindo a artilharia do campeonato. 

(Foto: Pedro Ernesto Guerra Azevedo/ Santos FC)

No segundo tempo a chuva também entrou em campo e, ainda assim, a bola não parou de balançar as redes. O Santos voltou botando pressão e se lançou ao ataque. Após duas tentativas – com Amanda Gutierrez e Paola Villamizar – Maria tirou o placar santista do zero após um chutaço de dentro da área, 2×1.

Três minutos depois, o empate veio com a venezuelana Paola Villamizar que, de fora da área, deu um toque por cima da goleira Lele para empatar a partida. Mesmo depois de tantas reviravoltas, nenhuma das equipes queria sair do Pacaembu sem a vitória. Isso ficou bem claro a todo instante. 

Comemoração de Villamizar após o empate (Foto: Pedro Ernesto Guerra Azevedo/ Santos FC)

Embalado pelos gols, o Santos ia pra cima, mas o Corinthians não se intimidava. Com chances criadas lá e cá, foi o oportunismo do Corinthians que levou a melhor. Após rápida cobrança de escanteio, Cacau tocou para Marcela que alçou a bola na área e lá estava ela, Gabi Nunes para cabecear para o gol. A camisa 9 do Corinthians marcou seu quarto gol na competição.

Um jogão!

“Muito feliz pelo clássico, um jogo muito bom, mas a gente mostrou que foi Corinthians, na raça. Muito feliz pelo gol e pela atuação das meninas até o fim, cada uma correu pelo time e estou feliz pela vitória”, afirmou Gabi Nunes ao dibradoras.

Elenco corinthiano (Foto: dibradoras)

Cacau, que entrou no segundo tempo no lugar de Adriana, contou que o entrosamento da equipe foi fundamental para conquistar os três pontos. “Dois gols saíram assim, na rapidez e a gente se entendeu. Isso mostra também o entrosamento do grupo porque não é algo que a gente combina, acontece natural no jogo. Quando vi a Marcela se aproximando (do escanteio) e eu falei para ela: ‘vai’. E foi muito rápido, a Nunes estava na área, esperta, onde faz a diferença e fez o gol”, declarou.

Emily, treinadora do Santos, costuma sair rouca de tanto cobrar sua equipe em campo, mas para enfrentar o Corinthians nesse jogo, optou por jogar com o time reserva. “Sempre são muito bons os jogos contra o Corinthians  Por mais que a gente tenha feito uma opção de jogar com um time alternativo, com menos minutos jogados, elas mostraram que essa é a força do Santos, independente de quem está jogando. Conseguimos mostrar para nós mesmas que, se a gente quiser chegar, a gente chega. Saio muito satisfeita mesmo com a derrota pela força do grupo. Não deu resultado hoje, mas pode ser que dê resultado lá na frente”, declarou ao blog.

Emily Lima e comissão técnica santista (Foto: dibradoras)

Para 2019, o foco do time da Vila Belmiro é a conquista do Brasileirão e Emily não esconde essa preferência. “Isso já está muito bem planejado com a nossa diretoria. Nosso objetivo é colocar o Santos novamente na Libertadores e para isso precisamos ser campeãs do Brasileiro e estar focadas”, afirmou.

Para aqueles que perderam a chance de ver esse jogaço no Pacaembu, lamentamos muito. Para aqueles que insistem em afirmar que futebol feminino é chato e sem técnica, sentimos informar que estão perdendo tempo com jogos errados. Foi uma tarde de clássico com futebol em altíssimo nível.

Aos corinthianos que vivem reclamando dos jogos monótonos do time comandado por Fabio Carille, não percam a oportunidade de ver as mulheres do Timão em campo, jogando de maneira envolvente, com uma zaga sólida, um meio de campo muito criativo e uma linha de frente letal.

Próximos jogos 

As duas equipes voltam a campo pelo Campeonato Paulista no dia 26 de maio. O Santos enfrentará o Taubaté no Joaquinzão, às 15h e o Corinthians recebe a Portuguesa no Parque São Jorge, no mesmo horário.

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Para além das quatro linhas: mulheres soltam a voz em jogos femininos http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/2019/05/15/para-alem-das-quatro-linhas-mulheres-soltam-a-voz-em-jogos-femininos/ http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/2019/05/15/para-alem-das-quatro-linhas-mulheres-soltam-a-voz-em-jogos-femininos/#respond Wed, 15 May 2019 12:23:33 +0000 http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/?p=6000

(Foto: Pedro Ernesto Azevedo / Santos FC)

Que o futebol feminino tem ganhado espaço e visibilidade por aqui já é sabido. Os campeonatos Paulista e Brasileiro – com série A1 e A2 – cresceram em número de equipes participantes e a divulgação dos jogos e times tem acontecido com frequência, seja nas redes sociais dos clubes, na mídia e até mesmo nas emissoras de televisão.

Tudo começou com uma parceria entre CBF e o Twitter que passou a transmitir um jogo do Brasileirão Feminino por rodada na plataforma. Na sequência, a TV Bandeirantes – canal que historicamente sempre foi apoiador da modalidade – anunciou que transmitirá um jogo do campeonato todo domingo, às 14h. E mais recente, a Rede Vida fechou acordo com a Federação Paulista de Futebol (FPF) para transmitir o Estadual da modalidade. 

Mas além do espaço conquistado pelas mulheres em campo, a participação feminina tem ido além das quatro linhas, ocupando cargos que por muito tempo foi negado, como a narração. Tanto o Brasileiro Feminino, quanto o Paulista ganharam transmissões comandadas por mulheres. Na competição nacional, Natália Lara narrou o jogo entre Santos e Flamengo no último sábado, e no estadual, Elaine Trevisan dará voz aos jogos pela Rede Vida.

A voz de uma mulher ao microfone dando o tom das partidas de futebol ainda causa estranhamento em muitas pessoas, mas essa realidade começou a mudar no ano passado quando dois programas incentivaram o aparecimento dessas vozes.

Mulheres ao microfone

Natália Lara e Elaine Trevisan ganharam mais destaque nessa época, participando respectivamente do “Narra quem Sabe” do canal Fox Sports e o “A Narradora Lays” promovido pelo Esporte Interativo. O primeiro, escolheu três nomes para compor a equipe de narradoras da Fox durante a Copa do Mundo na Rússia e o segundo escolheu a voz Vivi Falconi para narrar a semifinal da Champions League entre  Real Madrid e Bayern de Munique direto do Santiago Bernabéu. 

Após sucesso na Copa, Fox contrata narradora

Elaine foi finalista do “A Narradora Lays” e, trabalhando na Rede Vida desde 2015, começou a soltar a voz. Em 2017, ela narrou um jogo do Campeonato Brasileiro masculino diretamente do Morumbi pela Rádio Poliesportiva. Na ocasião, jogavam São Paulo x Bahia e, ao lado de Natália Santana e Juliana dos Santos, fez história em uma transmissão 100% feminina – algo que não acontecia desde a década de 70.

Transmissão 100% feminina na Rádio Poliesportiva em 2017 feita por Natália Santana, Juliane Santos e Elaine Trevisan

Depois de narrar algumas partidas femininas para a FPF que transmitia os jogos via Facebook no ano passado, agora a voz de Elaine poderá ser ouvida pelo público na emissora em que trabalha. A Rede Vida irá transmitir partidas do Paulistão Feminino, aos sábados, a partir das 11h e Elaine enxerga esse momento do futebol feminino com extremo otimismo.

“Acredito que a modalidade passa por um momento de grande visibilidade e que nunca viveu. E não é só isto. O desenvolvimento e atenção das equipes em relação a estrutura física e financeira, formação multidisciplinar, é algo que nunca tinha visto. Acredito que são conquistas que só apontam para um esporte ainda mais sólido”, afirmou ao dibradoras.

Elaine foi finalista do programa “A Narradora Lay’s” (Foto: Reprodução/Esporte Interativo)

Natália Lara tem 25 anos, é formada em Rádio e TV pela Faculdade Cásper Líbero e especializada em Locução e Narração Esportiva pelo SENAC. Entre as mais de 300 inscrições que o programa “Narra quem Sabe” recebeu, seis mulheres foram selecionadas para participar dos treinamentos na emissora. Natália foi uma delas e ao longo de sua trajetória, já narrou o heptacampeonato da Copa América Feminina pela CBF TV e recentemente narrou a final do Paulistão entre Corinthians e São Paulo pela web-rádio Arena Esportes e assim, foi a primeira mulher a realizar esse feito.

Narradoras que participaram do “Narra Quem Sabe” em 2018. Natália é a segunda, da esquerda para a direita (Foto: Divulgação)

No último sábado (11/5), Natália narrou o duelo dos líderes do Brasileirão Feminino, Santos x Flamengo, diretamente do Pacaembu pelo perfil @BRFeminino via Twitter e, para ela, o crescimento do futebol feminino vai continuar acontecendo. “Eu acredito que a tendência é sim continuar crescendo pelo mundo, principalmente pela quantidade de mídias que se mobilizaram pra fazer a cobertura e quantas pessoas temos trabalhando diariamente pra fazer o futebol feminino crescer, coisa que já irreversível, felizmente! Mas acho que todas temos um pouco de medo que aconteça a mesma coisa que nas últimas Olimpíadas, de voltar a ficar em segundo plano após o final da Copa”, afirmou ao blog.

Garimpando informações

Tanto Elaine quanto Natália revelaram que ao fazer narrações de jogos femininos, um fator atrapalha bastante o trabalho delas: a falta de informações sobre as jogadoras. “É muito difícil o acesso (à informação), pois muitos clubes não disponibilizam tantos detalhes como fazem com os elencos masculinos, e por isso precisamos buscar em várias fontes diferentes e tirar o famoso ‘leite de pedra’. Qualquer informação encontrada é importante. Já nas modalidades masculinas, muitas vezes fica até difícil filtrar por conta do excesso”, contou Natália.

Natália Lara no Allianz Parque (Foto: Arquivo pessoal)

Elaine destacou a importância de ter informações extras das jogadoras para compor sua transmissão. “No futebol feminino, algumas atletas ainda estão experimentando as posições. Tem jogadora que atua de atacante ou meia em um time e em outro, com um novo técnico, descobre que é uma boa volante ou ponta. Sem contar que tem jogadora que é mãe, que mora em cidade diferente dos familiares, trabalha em outros ramos fora do futebol.  Gosto de conhecer mais a fundo cada história. E em relação a narração, gosto de dar uma temperada com bom humor também, e no feminino rola uma identificação.”

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Ontem, foi dia de me divertir, trabalhar, aprender e resenhar. Entrevistar pessoas que fizeram/fazem a diferença no esporte em uma modalidade que quase nem gosto #sqn, o futebol feminino. 😍 Que noite! Quantas histórias! ⚽🙋⚽ Parabéns @dibradoras e @museudofutebol pela organização e realização, foi sensacional! <img src=" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" />" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /><img src=" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" />" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /><img src=" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" />" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> #futebolfeminino

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Outra mulher que marcou presença na transmissão de Santos x Flamengo foi a jornalista Gabriela Nolasco, responsável pela reportagem. “Foi meu primeiro trabalho em campo, e eu fiquei bem nervosa. Já havia feito algumas vezes para algumas rádios mas nada igual falar para a câmera, fiquei bem grata pelo convite e espero que se estenda. O caso da CBF TV com parceria do Twitter é um crescimento entre futebol e jornalismo esportivo feminino, e é maravilhoso ver um investimento amplo de dois seguimentos que se unem”, contou à reportagem.

Gabi Nolasco durante as transmissões do Brasileirão Feminino (Foto: Arquivo Pessoal)

Gabi também faz parte do Joga Delas, canal esportivo feminino que está no ar há um ano. “O espaço foi criado para produzir conteúdos de qualidade e livremente, uma vez que há perspectivas femininas (dentro e fora de campo), que estão em falta pela baixa inserção desse público no mercado, que agregam para o cenário futebolista, mas passam batidas. Ou seja, unir as mulheres dentro e fora de campo. Estamos aqui para ajudar todas”, afirmou a jornalista que além do conteúdo no site, está fazendo análises dos grupos da Copa do Mundo Feminina por meio de um podcast chamado “A França é Delas”.

Referências e sonhos

Entre as inspirações no jornalismo esportivo, Gabi destaca Glenda Kozlowski e Renata Fan, mas também lembra da norte-americana Doris Burke. “A Glenda é uma inspiração, passa emoção, comecei acompanhar desde a Copa do Mundo 2006, na Alemanha. Ela fala com propriedade e é uma das grandes jornalistas do mundo, comenta desde futebol até o skate. E uma referência mundial é a Doris Burke, primeira mulher a analisar e reportar os jogos de NBA, sem dizer a história fantástica dessa mulher”, revelou.

E assim, mulheres passam a ser influenciadas por mulheres. Natália ainda sonha em narrar os maiores eventos esportivos e revela não ter preferência entre os jogos masculinos e femininos. “Acredito que cada um tem a sua particularidade, e são muito gostosos de se transmitir, mas é sempre extremamente gratificante transmitir futebol feminino e poder exaltar o trabalho das mulheres”, contou.

Natália participando da transmissão pela CBF TV (Foto: Arquivo pessoal)

Elaine também tem objetivos a cumprir que envolvem a modalidade feminina e, quem sabe, possa realizá-los em 2019? “Não é de hoje, não é segredo, e ainda acredito que realizarei esse sonho: narrar a Copa do Mundo de Futebol Feminino. E por que não este ano, né?”

E quando o assunto é referência feminina, Gabi segue o mesmo caminho. “Com tudo, mulheres me inspiram. Ser mulher é batalhar todos os dias por seu direito, por mais que tenha referências, é incrível o espaço que estamos ganhando no meio esportivo. Todas essas pioneiras e referências estão nos dando capacidade de crescimento no jornalismo esportivo feminino e todas são insubstituíveis.”

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Brasil já teve gênio antes de Marta. E a rejeitou por um cabelo raspado http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/2019/05/14/brasil-ja-teve-genio-antes-de-marta-e-a-rejeitou-por-um-cabelo-raspado/ http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/2019/05/14/brasil-ja-teve-genio-antes-de-marta-e-a-rejeitou-por-um-cabelo-raspado/#respond Tue, 14 May 2019 14:24:40 +0000 http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/?p=5986

Foto: Getty

Não faz muito tempo que o Brasil teve outra camisa 10 brilhando dentro de campo no futebol feminino. Antes de Marta surgir, houve uma outra brasileira que encantou os olhos do mundo costurando no meio-campo, driblando quem aparecesse pela frente e fazendo golaços de fora da área com uma canhota poderosa. Sisleide Lima, que ficou conhecida desde sempre como Sissi, fez parte da primeira seleção brasileira de mulheres já formada, em 1988, e atuou com a camisa amarela até 2000. Só não jogou mais porque não deixaram.

O futebol foi um esporte proibido para mulheres no Brasil de 1941 a 1979 por um decreto-lei que dizia: “Às mulheres não se permitirá a prática de desportos incompatíveis com as condições de sua natureza, devendo, para este efeito, o Conselho Nacional de Desportos baixar as necessárias instruções às entidades desportivas do país.” E, mesmo quando a proibição caiu na teoria, na prática as mulheres continuaram sendo impedidas de jogar por uma “convenção cultural” que sempre ensinou: bola é coisa de menino, boneca é coisa de menina.

Para Sissi, isso não foi exatamente um problema. Porque se não podia brincar com a bola do irmão em Esplanada, pequena cidade do nordeste baiano onde nasceu, ela “degolava” suas bonecas para fazer a sua própria. E foi assim, chutando cabeça de boneca, que a garota foi, aos poucos, mostrando ao pai que tinha talento. Ele bem gostaria que o filho fosse jogador de futebol. Restou contentar-se com a filha seguindo essa carreira. E olha que ela brilhou e, por muito tempo, foi a melhor 10 que esse país já viu entre as mulheres. O problema é que, hoje em dia, pouca gente sabe dessa história. E isso tem muito a ver com um simples corte de cabelo.

Já era uma rebeldia suficiente uma mulher da década de 1980 e 1990 querer jogar futebol. Mas raspar o cabelo? Aí já era demais. E foi justamente no auge de sua carreira, como artilheira da Copa do Mundo de 1999, quando o Brasil conquistou um terceiro lugar histórico, que a camisa 10 voltou para casa de cabeça lisa – literalmente. Ela tinha feito uma promessa de raspar o cabelo se a seleção conseguisse um bom resultado, e aí teve que cumprir. O que Sissi não imaginava era o efeito que seu mero corte de cabelo teria para a sociedade da época.

“O que eu passei, não foi fácil, não. Sofri preconceito de todos os lados, da CBF, das pessoas. Os olhares, os comentários. Mas chegou um momento que eu falei: não tô nem aí. Não é isso que vai me definir como pessoa. O importante é que eu me sinta bem comigo mesma”, disse Sissi às dibradoras.

Foto: Allsport

O cabelo raspado passou a ser uma característica dela por muito tempo. Não por uma questão de “teimosia” em romper com os padrões que a CBF e a sociedade esperavam dela naquele tempo, mas porque a jogadora passou por um momento que marcaria para sempre sua vida. Quando atuava nos Estados Unidos, em 2000, Sissi atendeu o pedido de uma dirigente do clube para visitar um garoto de uma escola local que tinha câncer e sofria bullying por ser careca. O encontro dos dois gerou uma conexão eterna e, quando o menino faleceu, algum tempo depois, a jogadora decidiu usar sempre o cabelo daquele jeito para homenageá-lo.

O garoto com o time em que Sissi jogava (Foto: Arquivo pessoal)

“Aquela experiência mudou completamente minha vida. Parecia que a gente se conhecia há anos. Foi na base do espanhol, porque eu não falava inglês direito na época. Eu me senti realmente tocada com o que estava acontecendo com ele. Convidei a família dele pra ver os jogos, ele entrou no campo com a gente. Ele tinha 11 anos, muda a maneira como você vê as coisas. Depois que eu saí de lá, eu só chorava. Como pode um garoto com 11 anos, com a vida pela frente, estar passando por tudo aquilo? Até hoje eu falo para as minhas jogadoras: não voltem para casa nenhum dia sem terem conquistado algo. Porque amanhã vocês podem nem estar aqui.”

‘Tiveram que me engolir’

Foi Zagallo que se consagrou com essa frase, mas ela resume muito o que foi a passagem de Sissi pela seleção brasileira. Craque com a bola nos pés e contestadora, sem papas na língua, a presença da camisa 10 na seleção brasileira incomodava. Ela cobrava ali dentro o mínimo que as atletas não recebiam da CBF. E em campo entregava gols, assistências e uma categoria jamais vista no futebol das mulheres. Artilheira da Copa do Mundo de 1999 com 7 gols, artilheira do Campeonato Sul-Americano com 12, a camisa 10 foi o primeiro nome do futebol feminino do Brasil a ganhar o mundo.

Foto: Allsport

Mas para a confederação, não ficava bem vender a imagem daquela seleção com uma mulher de cabelo curto, raspado, que fugia aos padrões considerados “femininos” na época.

“Na CBF, acho que chegou uma época que eles falaram ‘a gente tem que aturar’. Por ser a Sissi, eles tiveram que engolir o fato de eu ser daquele jeito. Eu lembro muito bem que outras pessoas eram selecionadas para dar entrevista por serem mais femininas. Mas em 1999, eles tiveram que me engolir. Porque eu estava jogando bem, fazendo gols, aí os jornalistas vinham e queriam entrevistar a Sissi, eles não tinham como falar não”, conta.

É dessa época também um episódio que hoje ela quer apagar da memória. Em uma sessão de fotos para uma revista que Sissi não se lembra qual era, a jogadora precisou se transformar. Maquiagem, roupas desconfortáveis, até batom, e um momento que ela descreve agora como “o pior da sua vida”.

“Na seleção, tive que fazer umas fotos para uma revista, aí tive que botar maquiagem. Depois eu falei: nunca mais vou fazer isso. Fazer essas coisas pra ser aceita. Falei: nunca mais vou deixar alguém me dizer o que eu tenho que fazer. Na hora, eu fiquei chocada. Foi a pior coisa que eu fiz na minha vida. Pra ser aceita. Ter um lado feminino. Eu perdi vários convites pra fazer outras coisas nesse sentido depois, porque não aceitei mais”, relata.

Foto: Arquivo Pessoal

O esporte sempre teve esse lado com as mulheres. Em vez de se exigir resultado, performance, exige-se beleza. Por muito tempo, essa ideia de “atletas-musas” predominou e o auge disso provavelmente foi quando o Campeonato Paulista de futebol feminino inseriu a beleza, literalmente, no regulamento em 2001. A regra falava em “enaltecer a beleza e sensualidade das jogadoras para atrair o público masculino”. E ali, cabelo curto para mulheres estava completamente proibido.

“Em 2001, teve o Campeonato Paulista e aí fizeram essa regra da beleza. Tinham me convidado antes para voltar a jogar no Brasil. Eu falei: dane-se, não preciso disso. Será que é tão difícil entender que o que a gente quer fazer é jogar e não mostrar beleza? A gente tem que mostrar talento. Eles achavam que iriam colocar público no estádio só com beleza, mas acho que o tiro saiu pela culatra”, afirmou Sissi.

‘O pão que o diabo amassou’

Sissi construiu uma história linda no futebol brasileiro. Foi craque do São Paulo nos tempos de auge do futebol feminino por aqui, entre 1997 e 2000, levando o time a conquistar tudo, incluindo dois títulos no Campeonato Paulista e um do Brasileiro e chegou a fazer a torcida tricolor gritar para o o técnico do time masculino na época, Muricy Ramalho: “ei, Muricy, coloca a Sissi”.

Na seleção, esteve no Mundial experimental de 1988, na Copa de 1995 e de 1999, e nas Olimpíadas de 1996 e 2000. Tem três títulos sul-americanos, um terceiro lugar no Mundial e dois quartos lugares nos Jogos Olímpicos. O que, se considerar o não investimento e o descaso com o futebol feminino à época, já é muito. Em 2017, foi considerada a quinta maior jogadora século pela Federação Internacional de História e Estatística do Futebol (IFFHS) – Pretinha e Roseli são as outras brasileiras da lista de 33 nomes.

Mas a decepção maior é ver toda essa história ser esquecida e ignorada, sem qualquer reconhecimento por quem a construiu.

Foto: AFP

“Nunca houve reconhecimento. Nada. O que eu vejo agora, as meninas que fizeram parte, elas estão abandonadas, não têm reconhecimento, oportunidade de trabalhar pelo futebol feminino. O que a gente fez, foi por amor, não tinha dinheiro nenhum na época. Eu não sei se vai ter uma seleção igual aquela. A gente passou por um bocado. Minha geração comeu o pão que o diabo amassou”, resume.

“São poucos os que reconhecem o que a gente fez no passado. Hoje a seleção está onde está por causa das gerações que vieram do passado. Quem fez parte daquela geração sabe o que a gente teve que passar pra fazer o que a gente amava. Foi aquele grupo que batalhou pra caramba. Eu fico puta quando não vejo esse reconhecimento. Aqui nos Estados Unidos é muito diferente. Essa geração nova, elas não esquecem o que a geração da Mia Hamm, da Brandi Chastain fez. Tá aí a diferença.”

Sissi hoje é técnica de uma equipe de futebol feminino de base nos Estados Unidos. Ela estará na França para acompanhar a Copa do Mundo – mas não a convite da CBF. A eterna camisa 10 tem pouquíssimo contato com a atual seleção, chegou a ser assistente pontual em um amistoso da equipe nos Estados Unidos em 2015, mas nem teve oportunidade de contar sua história para as meninas. “Eu só pude ouvir, não pude falar”, descreve. Um dos maiores nomes do nosso futebol nunca teve sequer um jogo de despedida.

 

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O melhor Santos do Brasileiro não é o de Sampaoli http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/2019/05/13/o-melhor-santos-do-brasileiro-nao-e-o-de-sampaoli/ http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/2019/05/13/o-melhor-santos-do-brasileiro-nao-e-o-de-sampaoli/#respond Mon, 13 May 2019 12:54:45 +0000 http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/?p=5969

Emily Lima comanda o Santos em campanha impecável: 8 vitórias em 8 jogos (Foto: Pedro Ernesto Azevedo / Santos FC)

Muito tem se falado do Santos de Sampaoli em 2019. O técnico argentino chegou no início do ano e transformou a equipe da Vila Belmiro, mesmo sem tantos nomes de peso entre os reforços – e mesmo perdendo seus dois principais atacantes para o Flamengo nesta temporada (Gabriel e Bruno Henirque). É o time que “joga bonito”, que encanta a torcida e que, hoje, após a quarta rodada, lidera o Campeonato Brasileiro ao lado do Palmeiras.

Mas tem outro Santos encantando na principal competição do país e que não recebe tantos holofotes quanto o de Sampaoli. As chamadas “Sereias da Vila” fazem uma temporada impecável no Campeonato Brasileiro de futebol feminino (Série A1, a primeira divisão) com números que impressionam.

Se o time comandado por Sampaoli tem três vitórias e um empate em quatro jogos, com sete gols pró e dois gols contra, as mulheres comandadas pela técnica Emily Lima somaram oito vitórias em oito jogos, com 25 gols marcados e só dois gols tomados.

Aí pode vir gente dizer que o “futebol feminino é muito desnivelado”, por isso é mais fácil conseguir esses resultados. Sim e não. Porque se a gente olhar o futebol masculino, também há uma diferença abissal de orçamento entre o Santos e o CSA, por exemplo, mas esse jogo acabou empatado em 0 a 0. Entre as mulheres, as Sereias já enfrentaram alguns dos principais times do torneio, candidatos ao título – e de orçamento similar ou superior -, como o atual campeão brasileiro, Corinthians, e o até então também invicto no campeonato Flamengo – este, inclusive, foi o jogo do último sábado, em que o time carioca saiu na frente aos 5 minutos de jogo, e o Santos virou a partida vencendo por 2 a 1, derrubando assim o penúltimo invicto para manter a sua própria invencibilidade.

Dos quatro adversários que vêm logo abaixo da equipe santista na tabela, o time de Emily Lima já enfrentou três e venceu todos: 2 a 1 em cima do Corinthians (2º colocado) fora de casa, 2 a 0 em cima do Kindermann (5º colocado) também fora de casa, e 2 a 1 sobre o Flamengo (3º colocado) no Pacaembu. O próximo jogo será justamente contra o Internacional, 4º lugar da tabela, jogando em casa e com transmissão da Band, no próximo domingo, às 14h.

“Não tem segredo, acho que é trabalho. Quem estiver do meu lado sabe que eu estresso com o trabalho. Mas o trabalho sempre vem com esses resultados. Acredito muito no trabalho e vou continuar acreditando. Isso é fruto de um planejamento que nós fizemos em um ano dentro do Santos, nós modificamos algumas coisas, a gente reduziu o elenco, conseguimos planejar um pouco melhor o ano e os resultados são consequência”, afirmou às dibradoras Emily Lima, a comandante das Sereias.

(Foto: Pedro Ernesto Azevedo / Santos FC)

“Neste ano a gente colocou como meta o Campeonato Brasileiro, a gente precisa colocar novamente o Santos na Libertadores. Indepentendemente se eu vou estar lá ou não, a gente precisa deixar o Santos melhor do que nós encontramos. Isso é o que eu e toda minha comissão técnica pensamos e as atletas já acreditam nisso. Elas abraçaram a causa. A gente está aqui para instruir, para dar os toques, mas elas sabem fazer as coisas. A gente direciona e elas fazem as coisas acontecer aqui dentro.” 

Estilo de jogo

O interessante é notar que o Santos de Sampaoli e o Santos de Emily Lima não têm em comum somente o fato de estarem vencendo as partidas. Os dois treinadores têm um estilo de jogo parecido, de toque de bola da defesa até o ataque (são raros os “chutões” dos goleiros), com passes curtos e eficientes, muita criação e grande ofensividade. E chama a atenção a posse de bola: contra o Flamengo, no sábado, as Sereias ficaram com ela em 60% do tempo. O destaque do time vai para Gláucia, artilheira com 8 gols e líder de assistências, com 9.

“Isso é também resultado de um trabalho que elas começaram a acreditar também no ano passado. O que era jogar. Tem meninas que me relataram que ‘agora estão jogando’. Por exemplo, as zagueiras disseram pra mim: ‘agora eu estou jogando com a bola’. Isso é interessante, fazer com que isso se desenvolva. Quer dizer que isso é certo ou errado? Não, é o modo que a gente hoje no Santos gosta de jogar, pode ser que de outra forma dê certo também, mas eu e a comissão, a gente acredita que com a qualidade técnica que a nossa equipe tem, vale tentar isso”, disse a técnica.

“É muito passe, é ficar com a bola, mas não é ficar com a bola por ficar, às vezes em uma transição eu não preciso ficar com a bola, eu posso fazer 1, 2, 3 passes e chegar ao gol para finalizar. Tem certos momentos, momento de organização ofensiva, ficar com a bola, momento de transição, buscar o ataque rápido, então são coisas que elas foram entendendo. E hoje elas têm muito claro na cabeça delas, em setores do campo elas sabem o que fazer. A virada (contra o Flamengo) foram elas que tiveram a consciência, a maturidade, a calma de ficar com a bola que a gente vai criar e chegar no gol do adversário”.

 

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“Que é isso time? Tamo atrás, vamo buscar. Pra frente, pra frente”. A @emilylima_oficial gritou, e as @sereiasdavilaoficial atenderam. O Santos perdia sua invencibilidade no @brfeminino com o @flamengo saindo na frente após o gol de Larissa aos 5 minutos de jogo. Só que o empate saiu com menos de 10 minutos, na linda finalização de Maria. Depois, a artilheira @glaucia.cristiano9 garantiu a virada. Foi um jogaço no Pacaembu, com dois dos melhores times do Brasil. Mas deu Santos mais uma vez, o time que lidera absoluto a competição com 8 vitórias em 8 jogos, 25 gols marcados e DOIS sofridos. Há que se admirar o trabalho de um time que pressiona, toca a bola e não se intimida mesmo quando está atrás do placar. O segredo? A @emilylima_oficial disse pra gente que é “trabalho”. E a @glaucia.cristiano9 não hesitou em concordar. Melhor pra torcedora Tia Noemia, que gritou o jogo todo: “peeega ela, peeeega”, mas depois comemorou dançando. Um belíssimo sábado de futebol e Pacaembu ❤️ #futebol #futebolfeminino #brasileirofeminino #pacaembu #jogadoras #santosfc #flamengo #mulheresnofutebol #futebolraiz #torcedora #sereiasdavila #visibilidadeparaofutebolfeminino #igualdade #girlpower #futebolbrasileiro #jogobonito

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Apesar de terem muitas semelhanças no modo de trabalho, Emily e Sampaoli têm pouco contato no dia a dia do Santos. Pelo distanciamento que o futebol profissional masculino acaba tendo da base e do feminino, fica difícil possibilitar essa troca de experiências entre os treinadores. Mas a técnica admite que é uma admiradora do trabalho do argentino.

“Até gostaria de ter mais contato com ele. Mas ainda existe uma distância muito grande. Não só com o feminino. Mas entre base e profissional. Isso é algo que é cultural. Acho que eles poderiam criar coisas ali dentro para que todos os treinadores tivessem esse contato para o crescimento do clube. Mas a gente tenta buscar de outra forma o conhecimento que o cara tem, ele propõe o jogo, sim, mas tem o momento certo de fazer as coisas, eles conseguem ter essa leitura. O jogo contra o Grêmio (1ª rodada do Brasileiro) pra mim é um jogo espetacular, ele propõe o jogo, mas no momento que ele tem que ser reativo, ele é reativo e mata o jogo. É isso que a gente tem que aprender e estudar olhando os jogos”, pontuou.

O Santos é líder absoluto do Brasileiro feminino com 24 pontos e, no Paulista, está em segundo do grupo, atrás do Corinthians. Os dois times, aliás, se enfrentam no meio de semana pelo estadual, quarta-feira, às 15h no Pacaembu.

RAIO-X DO SANTOS DE EMILY LIMA

  • Média de posse de bola por jogo: 63%
  • Média de Finalizações por jogo: 20
  • Média de passes dados por jogo: 530

 

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De mãe para a filha: como Isabel inspirou Carol a ser mãe e atleta http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/2019/05/12/de-mae-para-a-filha-como-isabel-inspirou-carol-a-ser-mae-e-atleta/ http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/2019/05/12/de-mae-para-a-filha-como-isabel-inspirou-carol-a-ser-mae-e-atleta/#respond Sun, 12 May 2019 07:00:03 +0000 http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/?p=5950 Quando Isabel Salgado, então jogadora de vôlei do Flamengo e da seleção brasileira, apareceu grávida de seis meses e ainda assim jogando em alto nível nas quadras do país, muita gente se chocou. Afinal, como é possível uma mulher praticar exercícios pesados e continuar jogando durante a gestação?

Isabel atuando pelo Flamengo em sua segunda gestação (Foto: Reprodução TV Globo)

Apesar do tema ainda dividir opiniões, hoje a aceitação e o acesso à informação mudou um pouco essa realidade, mas o que ainda precisa ser discutido e melhorado são as garantias que uma mulher atleta precisa ter durante a gravidez e nos meses pós-gestação. Se no mercado de trabalho já é difícil ser mulher e mãe, no esporte é quase uma
escolha eliminatória.

Leia também: + Ela deixou o futebol 2 vezes pelo filho, mas voltou e vive auge na seleção

E são muitos os exemplos de mulheres que precisaram optar entre ser mãe ou profissional na área esportiva. E aquelas que optaram pela maternidade, sabiam do risco que correriam para voltar em alto nível e passaram por dificuldades físicas e emocionais. Destacamos a história de Carol Solberg, filha de Isabel que, assim como a mãe, decidiu ter filhos sem abrir mão do esporte. Fácil não foi, mas quem disse que ela desistiria?

Tal mãe, tal filha

Isabel é mãe de quatro filhos, três deles são atletas da mesma modalidade. Na ocasião da foto acima, a ex-jogadora estava grávida de Pedro Solberg, seu segundo filho que nasceu em março de 1986. Mesmo depois da maternidade, a ex-jogadora não abriu mão da carreira e os levou pelos países onde atuou, entre eles o Japão.

Isabel e seus quatro filhos: Pilar, Pedro, Carol e Maria Clara (Foto: Divulgação)

Assim como a mãe, Carol Solberg – que faz dupla com Maria Elisa nas areias – também desejava ter filhos e quis conciliar a maternidade com a carreira. Ela é mãe de José (seis anos) e Salvador (de três anos).  “Na verdade sempre tive vontade de ser mãe, nunca pensei em seguir minha carreira até o fim para engravidar depois. Estava buscando a vaga na Olimpíada em 2012 e quando vi que eu e minha irmã não iríamos conseguir (na época, Carol jogava com sua irmã, Maria Clara), decidi engravidar. Na segunda vez também aconteceu assim, estava com vontade, já sabia como era. Treinei nas duas gestações porque eu estava bem, tranquila, me cuidava porque eu sabia que queria voltar a jogar logo depois. E nas duas vezes eu voltei a treinar um mês depois. Quando eles tinham três meses, eu já viajei para jogar com eles”, revelou Carol em entrevista ao podcast das dibradoras pela rádio Central3.

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#tbt ❤️

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Mesmo com duas gestações tranquilas, Carol revela que não existe uma receita certa. Cada filho é diferente e cada mulher enfrenta particularidades em cada gravidez. Mas quando se trata de uma atleta, onde seu desempenho depende muito do corpo, a pressão para voltar ao físico desejado exige muito da mulher. E são poucos os clubes e federações que tem a real dimensão do que envolve a maternidade.

Isabel com Carol Solberg (Foto: Divulgação)

No vôlei de praia, especificamente, a condução da carreira é bem diferente daquelas que ficam sob a gestão de uma Federação. É uma modalidade que depende demais de patrocínios próprios para que as atletas tenham condições de brigar por títulos importantes –  como a Olimpíada – e também bancar as viagens e o staff profissional, contratando, gerindo e pagando por eles (treinador, psicólogo, nutricionista, fisioterapeuta, massagista, preparador físico, ortopedista, analista de desempenho, assessor de imprensa e etc.). Quando Carol e Maria Elisa se juntaram em maio de 2017 investiram do próprio bolso para conseguirem dar start na parceria. 

“Foi muito difícil amamentar e treinar em alto nível. Dei sorte porque quando eu tive o José (em 2012), eu estava treinando com a seleção. Estava concentrada em Saquarema com minha babá, com meu filho e eles ficavam do lado da quadra. Então quando eu ouvia ele gritando, eu parava no meio treino, jogava uma água no peito e amamentava. Várias vezes passei por situações de ouvir meu filho chorar no meio do jogo. Quando acabava a partida, eu saia correndo para dar de mamar”, disse Carol.

Carol Solberg com os filhos José e Salvador (Foto: Divulgação)

Carol relembrou que na gravidez de José contou com o apoio de patrocinadores que foram muito importantes durante esse período. “Me deram muita força, estive em alguns eventos participando de outras maneiras sem ser jogando e foi legal. Mas na gestação do Salvador eu não tive nenhum patrocínio, nada. Tive até alguns tipos de estresse com Federação, com pontos (do ranking) e foi bem chato.”

Um desses episódios chatos envolvia a maneira como é feita a pontuação do ranking e a obrigação de voltar rapidamente à ativa. “Depois da gravidez, despenquei no ranking e no vôlei de praia você mantém cerca de 75% ou 80% dos pontos depois do nascimento do seu filho. Acho isso um absurdo, deveria manter 100% afinal, eu parei porque eu estava grávida”, opinou Carol.

“São poucas as mulheres no Circuito Mundial que tem filhos então esse assunto até pouco tempo não era falado porque as meninas esperavam engravidar para discutir sobre. Mas também acho que muita gente opta por ganhar dinheiro e aproveitar 100% da carreira, mas claro que é uma escolha que acontece assim porque se tivéssemos mais garantias dos nossos direitos totais, seria mais fácil de tomar essa decisão. Isso começou a ser conversado entre as atletas e a Associação somente no ano passado”, completou.

A dupla em ação em Fortaleza (Foto: Ana Patrícia Inovafoto CBV)

Um episódio em especial relatado por Carol às dibradoras deixou bem claro a maneira como alguns gestores pensam a maternidade – ou melhor, não pensam. A busca por resultados e lucros escondem a empatia que toda mulher precisa receber após ter um filho para se recolocar profissionalmente.

“Meu primeiro torneio pós-gravidez no Brasileiro, eu estava sem ponto nenhum (no ranking), tinha caído do torneio principal e por isso fui jogar um qualify que é um torneio tipo liga B e viajei com meu filho aos quatro meses. Eu amamentava a noite inteira, de duas em duas horas e esse era um torneio que, se você chegasse até a final, estaria classificada automaticamente para o torneio principal do Banco do Brasil. Eu cheguei na final, consegui meu objetivo que era me classificar e decidi não jogar a decisão porque eu estava morta, tinha chegado ao meu limite, amamentava a noite toda e estava exausta. Avisei que não iria jogar a final e um cara (da organização) queria me processar, me ameaçou. Eu estava com um bebê de quatro meses, amamentando, sabe? Achei isso uma falta de respeito”, revelou.

Maria Elisa e Carol buscam vaga nos Jogos de Tóquio (Divulgação FIVB)

Aos 31 anos e depois de duas gestações, Carol Solberg vive sua melhor fase profissional e está também no auge da forma física. Ao lado de Maria Elisa venceu a temporada 2017/18 do Circuito Brasileiro, foi eleita a melhor jogadora  e Maria recebeu o prêmio de melhor saque. Em 2018, elas terminaram como o 3º melhor time do mundo. Em 2019, o foco esta totalmente voltado para a corrida olímpica, que iniciou em abril e segue até fevereiro do ano que vem.

“Meu sonho é conseguir essa vaga olímpica. Tento pesar nisso como uma coisa boa, tento não botar isso como um peso. Quero ter certeza quando acabar esse ciclo que eu cuidei de todas as coisas que eu acredito ser importantes pro meu time. E eu acho que tem que buscar ponto a ponto, torneio a torneio, sem ficar pensando tanto a cada etapa, senão fica muito pesado. Estamos nos preparando, temos uma equipe super legal que a gente confia e a acredita. A preparação é diária.”

+ Ouça o podcast das dibradoras com Carol Solberg e Maria Elisa, no ar pela Central3:

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