Dibradoras http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br Mulher pode gostar, entender e praticar o esporte que quiser. Wed, 18 Sep 2019 13:41:28 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.2 Como formar jogadoras? O desafio do Brasil na base do futebol feminino http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/2019/09/18/como-formar-jogadoras-o-desafio-do-brasil-na-base-do-futebol-feminino/ http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/2019/09/18/como-formar-jogadoras-o-desafio-do-brasil-na-base-do-futebol-feminino/#respond Wed, 18 Sep 2019 13:34:22 +0000 http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/?p=7924

Foto: Laura Zago / CBF

A formação de um jogador de futebol já é um grande desafio aqui no Brasil, onde não faltam meninos jogando bola, mas muitas vezes falta a estrutura correta para dar suporte a eles ao longo do desenvolvimento como atleta. Mas para formar uma jogadorA, o buraco é ainda mais embaixo. A começar porque a maioria delas não encontra clube para jogar até os 15 ou 16 anos. Quando finalmente ganha a chance em um clube, acaba tendo que pular etapas e estrear direto no profissional.

Essa é a realidade da maioria das jogadoras da seleção brasileira principal feminina hoje. Muitas delas nunca passaram por uma equipe de base, foram direto ao profissional. Agora, com as mudanças proporcionadas pela resolução da Conmebol que obriga times masculinos que disputam a Libertadores a manterem equipes principais e sub-18 femininas, o cenário começa a ficar diferente. Mas o desafio de formar uma atleta ainda com tão poucos clubes e competições disponíveis para categorias mais jovens ainda é enorme.

É essa missão que terão as novas comissões técnicas das seleções sub-20 e sub-17 por aqui. O melhor resultado que o Brasil já obteve nessas categorias em Mundiais foi um terceiro lugar em 2006 na Copa do Mundo sub-20 (o time que tinha a geração de Marta em campo). De 2010 para cá, foram 5 edições do torneio, e o Brasil só passou da fase de grupos uma vez.

Após quase um ano sem comando – e, consequentemente, sem atividade -, novos treinadores foram anunciados para as duas seleções de base e começam agora um trabalho com um objetivo ousado: formar as jogadoras que poderão levar o Brasil ao topo no futebol feminino.

 

São eles: Jonas Urias (técnico) e Jéssica De Lima (auxiliar) na sub-20 e Simone Jatobá (técnica) e Lindsay Camila (auxiliar) na sub-17. Jonas e Jéssica já estão passando pelos primeiros testes nesta semana na Liga Sul-Americana sub-19 na Argentina – o Brasil venceu o Uruguai por 6 a 1 e a Bolívia por 9 a 0 por enquanto. Conversamos com eles sobre como formar uma jogadora no país que só é do futebol para os homens.

Jonas Urias, técnico da sub-20, e Jéssica de Lima, sua auxiliar (Foto: Laura Zago / CBF)

– Desafio técnico

Esse, sem sombra de dúvidas, é o maior desafio para o desenvolvimento do futebol feminino como um todo. Não porque as mulheres não tenham técnica para jogar futebol, mas porque elas têm um inicio muito tardio com a bola nos pés e isso faz com que esse “atraso” muitas vezes tenha que ser tirado já no profissional.

Por exemplo, enquanto os meninos ganham a bola ainda na maternidade, as meninas costumam ganhar bonecas e, em geral, demoram mais para ter uma iniciação esportiva – uma pesquisa do IBGE revelou que enquanto 41% dos meninos começa a praticar esportes entre 6 e 10 anos de idade, menos de 30% das meninas têm a mesma experiência.

Sendo assim, elas começam a jogar bola mais tarde e também têm mais dificuldades para encontrar escolinhas de futebol ou clubes para desenvolver a prática. Não foi à toa que a menina Natália, que passou numa peneira masculina para o time sub-10 do Avaí, precisou pedir pra ser aceita numa equipe de meninos para seguir jogando em sua cidade.

Foto: Laura Zago / CBF

Sem clube, a menina acaba chegando aos 15, 16 anos sem ter tido base no futebol. E isso dificulta muito o trabalho dos clubes e das próprias seleções.

“Esse novo olhar para o futebol feminino (para a base) comparado à minha época é gigantesco, uma diferença muito grande.Ter base acelera demais o processo. Chega num estágio que a gente não precisa despender muito tempo de treinamento com situações básicas de futebol. O clube sofre muito com isso. Às vezes há jogadoras muito desniveladas tecnicamente jogando junto. Isso atrapalha o jeito de jogar, o modo de mudar o esquema tático, porque talvez a outra jogadora não tenha esse acompanhamento”, explicou Jéssica de Lima, auxiliar da seleção sub-20.

– Desafio na captação de atletas

Esse é uma consequência do primeiro problema. Como não se tem muitos clubes que investem na base do futebol feminino, restam “poucas” opções de jogadoras nesta idade para abastecerem as seleções.

Claro que esse “poucas” aqui faz sentido quando olhamos o contexto brasileiro. No chamado “país do futebol”, é claro que existem milhões de meninas jogando bola pelas ruas. Mas quantas delas estão desenvolvendo esse futebol em clubes, buscando uma carreira no esporte? Segundo dados de um estudo da Fifa divulgado em julho deste ano, são apenas 475 jogadoras abaixo dos 18 anos registradas em clubes brasileiros. Para se ter ideia do comparativo, nos Estados Unidos, são 1,5 milhão de atletas registradas nessa idade.

Foto: Laura Zago / CBF

“Precisamos conseguir a captação dessas atletas mais cedo. Precisamos dar condição de treinamento frequente e de qualidade para as meninas. Dar oportunidades para que elas iniciem mais jovens no futebol já pensando em um projeto de carreira”, pontuou Jonas, técnico da seleção sub-20.

– Desafio de competir

Se o futebol feminino como um todo já enfrenta um problema para preencher um calendário durante o ano todo, na base a situação é ainda mais complicada. Até 2017, não havia no país qualquer competição de base oficial para as mulheres. Tanto é que já aconteceu de equipes femininas entrarem em competições masculinas para conseguirem disputar algum torneio – como foi na Copa Moleque Travesso de 2016, vencida pelas meninas inclusive.

Há dois anos, a Federação Paulista de Futebol criou o Paulista sub-17. Neste ano, a CBF pela primeira vez organizou um torneio sub-18 para fazer jus à regra da Conmebol que exige que as equipes masculinas times femininos nesta categoria. Ainda assim, o torneio recebeu muitas críticas por ter acontecido com jogos acumulados em um intervalo de menos de 48 horas.

Equipe de base feminina do Centro Olímpico foi campeã da Copa Moleque Travesso em 2016 (Foto: Divulgação)

“Todo primeiro passo não é o ideal. Teve o sub-18, que teve reclamação, muita carga de jogo. Mas vai perguntar se a atleta quer jogar 3 ou 6 jogos? Ela quer seis. E competir forma. Se você pegar o futebol de 20 anos atrás, o masculino de 40 anos atrás, onde você não tinha tanto investimento na base, os jogadores só iam para jogo e isso já formava os craques. Jogar formava essas meninas. Jogar é sempre bom. Claro que a cada ano tem que melhorar, acho fundamental dizer que não é o ideal, porém desfrutar ao máximo do que tem”, avaliou Jonas Urias.

Ele reforça que a criação de mais campeonatos é o que fará a “máquina do futebol feminino” girar, preparando e formando as jogadoras cada vez mais cedo.

“Estamos vendo mais competições de base e isso gira a roda e faz com que os clubes comecem a investir também nas categorias de base do futebol feminino, dando condição de treinamento, de estrutura. Mais competições, jogos, isso é o primeiro passo para que a máquina do futebol feminino gire e a gente veja cada vez mais meninas jovens praticando futebol no Brasil”, concluiu.

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Corinthians ‘fura’ CBF e divulga 4 convocadas para seleção antes de Pia http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/2019/09/17/corinthians-fura-cbf-e-divulga-4-convocadas-para-selecao-antes-de-pia/ http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/2019/09/17/corinthians-fura-cbf-e-divulga-4-convocadas-para-selecao-antes-de-pia/#respond Wed, 18 Sep 2019 00:28:12 +0000 http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/?p=7929

Foto: Reprodução

A CBF anunciou na última segunda-feira que haveria uma coletiva de imprensa nesta quinta (19/09) para a convocação das jogadoras que irão disputar dois amistosos com a seleção brasileira feminina nas datas Fifa de outubro – contra a Inglaterra no dia 5 e contra a Polônia no dia 8.

Mas na tarde desta terça-feira, o Corinthians divulgou oficialmente quatro nomes da lista de 23 jogadoras que será anunciada pela técnica Pia Sundhage daqui dois dias. Por meio de suas contas nas redes sociais, o clube alvinegro anunciou que a goleira Letícia Izidoro,  zagueira Erika, a lateral Tamires e a meio-campista Vic Albuquerque estariam convocadas para os próximos amistosos.

A reportagem apurou que a atitude do clube não agradou à CBF. Ao final do dia, o Corinthians chegou a divulgar uma nota oficial para esclarecer o ocorrido.

 

“A diretoria de Futebol Feminino do Sport Club Corinthians Paulista esclarece que, nesta terça-feira, recebeu a confirmação da convocação das quatro atletas do clube para amistosos da Seleção Brasileira no mês de outubro e, visando a promoção das atletas, bem como do time nacional, publicou a notícia, como costumeiramente faz.

Aos que se sentiram prejudicados, deixamos nossas sinceras desculpas e reiteramos nossa satisfação em, mais uma vez, ceder atletas para a Seleção Brasileira. O futebol feminino do Corinthians está sempre à disposição e na busca pela evolução da modalidade”, dizia a nota.

 

Sequência de jogos

Corinthians e Ferroviária enfrentarão uma sequência intensa de jogos nas próximas semanas. Com as semifinais do Campeonato Paulista acontecendo entre os jogos das finais do Campeonato Brasileiro – ambas as equipes estão envolvidas nos confrontos -, serão quatro jogos em 10 dias. Com isso, a equipe alvinegra foi à CBF pedir a alteração das datas da decisão do torneio nacional.

A ideia do Corinthians era que os jogos que definirão o título – marcados para 22 e 29 de setembro – fossem adiados para novembro, depois da Libertadores. A CBF não acatou o pedido e confirmou, na noite de segunda-feira (16/09) as datas já previamente agendadas para as finais (a primeira em Araraquara, e a segunda em São Paulo).

Lista de convocação

Conforme manda o protocolo da Fifa, a CBF comunicou oficialmente nesta terça-feira os clubes que têm jogadoras convocadas para os amistosos – a regra exige essa comunicação 15 dias antes da data dos jogos.

Foto: Mowa Press

Em geral, a convocação acaba acontecendo exatamente com esse intervalo para evitar divulgações precipitadas. Desta vez, porém, a CBF acabou agendando a coletiva de Pia Sundhage para quinta-feira.

O Corinthians alega que apenas fez o que “costumeiramente faz” divulgando suas convocadas visando a “promoção das atletas e do time nacional”.

As atletas do time alvinegro que foram convocadas não desfalcarão o time na Libertadores feminina – as jogadoras voltam direto para Quito, onde começarão a disputa do torneio no dia 11 de outubro.

 

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DAZN transmitirá Libertadores feminina, que terá Corinthians em busca do bi http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/2019/09/17/dazn-transmitira-libertadores-feminina-que-tera-corinthians-em-busca-do-bi/ http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/2019/09/17/dazn-transmitira-libertadores-feminina-que-tera-corinthians-em-busca-do-bi/#respond Tue, 17 Sep 2019 11:00:21 +0000 http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/?p=7911

Foto: AFP

Em menos de um mês, Corinthians e Ferroviária – que também são finalistas do Campeonato Brasileiro – embarcarão para Quito, no Equador, para disputar a Libertadores feminina. A competição começa no dia 11 de outubro, vai até dia 27 e será transmitida pelo DAZN no Brasil.

A plataforma de streaming já é a detentora dos direitos da Copa Sul-Americana masculina e agora adquiriu também a Libertadores, principal competição sul-americana no futebol feminino. O torneio, que existe desde 2009 e tem domínio absoluto de times brasileiros – são 7 títulos de clubes daqui nas 10 edições da competição -, terá, pela primeira vez na história, a participação de 16 equipes num formato maior do que o dos outros anos. A transmissão dos jogos também vem como novidade, já que muitas outras edições não tiveram exibição no Brasil. Neste ano, o DAZN transmitirá todos os jogos de Corinthians e Ferroviária ao longo da competição.

Os dois clubes buscarão o bicampeonato da Libertadores. A equipe de Araraquara foi campeã em 2015 e tentará repetir o feito agora que ficou com a segunda vaga brasileira no torneio – que seria destinada ao vice-campeão brasileiro de 2018, Rio Preto, clube que encerrou as atividades no futebol feminino. O Flamengo, terceiro colocado, foi convidado em seguida, mas negou participar da disputa em uma decisão que veio da Marinha (já que o clube só dá a camisa ao projeto militar). Com isso, a Ferroviária ganha a chance de disputar o torneio no Equador ao lado de seu atual adversário da semifinal do Paulista e da final do Brasileiro.

O Corinthians foi campeão da Libertadores em 2017, quando ainda estava em parceria com o Audax. O técnico campeão era o mesmo de hoje, Arthur Elias, e algumas das jogadoras também – como é o caso da goleira Lelê, heroína daquela edição pegando duas cobranças na disputa de pênaltis que valeu o título. Agora, talvez na sua melhor fase desde que voltou a investir no futebol feminino, o time alvinegro embarcará para Quito após a decisão do Brasileiro em busca do sonho do bicampeonato.

Foto: Divulgação

O formato da competição neste ano terá quatro equipes a mais em relação a 2018. São 16 times divididos em quatro grupos – que ainda serão sorteados. Os dois melhores de cada chave se classificam para quartas-de-final, semifinal e final. A exclusividade de transmissão será do DAZN.

Histórico do torneio

A Libertadores feminina existe desde 2009, quando a primeira edição foi disputada no Brasil e teve o Santos como campeão em um time histórico, formado por Marta, Cristiane e companhia. Para se ter ideia, a superioridade das chamadas “Sereias da Vila” era tanta, que a final terminou 9 a 0 para a equipe brasileira diante do Universidad Autonoma, do Paraguai.

O Santos conquistaria o bicampeonato em 2010. O maior campeão da Libertadores até agora é o São José, com três títulos.

A competição sofreu com alguns problemas de organização nos últimos anos, mas a Conmebol tem investido mais para garantir que a Libertadores feminina ofereça uma melhor estrutura para os clubes. No ano passado, Manaus foi escolhida como sede do torneio, que contou com a participação de três equipes brasileiras (o então campeão nacional, Santos, o campeão da edição anterior, Audax – já sem a parceria do Corinthians – e o Iranduba como representante da cidade-sede). Os jogos tiveram públicos interessantes e aconteceram em um estádio digno de Copa do Mundo –  a Arena da Amazônia.

Desta vez, a Conmebol amplia a quantidade de equipes na disputa e também estende um pouco a competição, que costumava durar 10 dias e agora acontecerá em 15. Ainda não é o ideal para o principal torneio sul-americano entre as mulheres – espera-se que nos próximos anos haja mais mudanças para ampliar a disputa e o calendário -, mas ainda carrega o peso de ser uma Libertadores, que qualquer equipe brasileira sonha em ganhar.

As datas de estreia de Corinthians e Ferroviária na competição ainda não foram confirmadas, mas ambos os jogos terão transmissão do DAZN.

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Como Corinthians foi à 3ª final seguida e virou dominante entre as mulheres http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/2019/09/16/como-corinthians-foi-a-3a-final-seguida-e-virou-dominante-entre-as-mulheres/ http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/2019/09/16/como-corinthians-foi-a-3a-final-seguida-e-virou-dominante-entre-as-mulheres/#respond Mon, 16 Sep 2019 14:06:09 +0000 http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/?p=7901

Foto: Divulgação Corinthians

Faz três anos que o Corinthians voltou a investir no futebol feminino – primeiro por meio de uma parceria com o Audax, depois trazendo a modalidade para o clube – e, desde então, não houve uma temporada que o time tenha passado em branco. Campeão da (extinta) Copa do Brasil em 2016, campeão da Libertadores em 2017 e campeão brasileiro em 2018.

Agora, em 2019, o clube chega fortíssimo nas três competições que disputa: está na semifinal do Paulista, na final do Brasileiro e embarcará para a disputa da Libertadores em outubro. A equipe comandada por Arthur Elias desde o início do projeto acumula uma sequência impressionante de 33 vitórias consecutivas. Não, você não leu errado. São 33 jogos sem derrota, sem empate, sempre terminando a partida à frente do placar. A última vítima foi o Flamengo, que empresta a camisa para um time muito bem treinado na Marinha e, mesmo assim, não conseguiu surpreender o Corinthians em nenhum dos dois jogos das semifinais – perdeu o primeiro por 2 a 1 e foi derrotado por 2 a 0 no último domingo no Parque São Jorge.

Diante do que se vê em campo, fica difícil imaginar uma equipe brasileira que poderia “parar” o Corinthians no atual cenário. A última derrota do time alvinegro foi no dia 21 de março, justamente para o Santos, equipe que conta com um investimento parecido, mas depois disso, os dois clubes já se enfrentaram novamente, e o Corinthians saiu em vantagem.

Fora de campo, também tem sido difícil encontrar um projeto com a mesma excelência do clube do Parque São Jorge. Isso é, inclusive, um dos fatores que ajudam a explicar tamanho sucesso. Com uma estrutura muito forte oferecida para o elenco treinar – a mesma utilizada pelo futebol de base do Corinthians – e um trabalho forte de divulgação e marketing (incluindo redes sociais exclusivas para a equipe feminina, e uma embaixadora do futebol feminino, que é Milene Domingues), o clube vai se consolidando como o mais forte no cenário do futebol das mulheres no país. Se há ainda uma “falha” nessa gestão, é o fato de as jogadoras ainda não terem carteira assinada.

Foto: Divulgação Corinthians

Investimento contínuo

A estratégia do Corinthians de voltar ao futebol feminino com uma parceria acabou sendo importante para convencer o clube internamente de que aquele era um investimento que valeria a pena. Enquanto atuava como “Corinthians Audax”, os coordenadores do projeto também trabalhavam nos bastidores a ideia de trazer o futebol feminino para a estrutura do próprio clube alvinegro. Conforme resumiu a diretora da modalidade desde aquela época, Cris Gambaré, o Corinthians “fez a lição de casa fora de casa”, mas isso também fez parte do processo no caminho do sucesso.

Foi uma trajetória que nós fizemos importante, começando com a parceria com o Audax, até o crescimento da modalidade. Trabalhando juntos por 12 meses lá e isso foi importante para que tudo desse certo. Nós fizemos a lição de casa na casa dos outros, aprendemos, erramos, acertamos, e optamos por estar no clube em gestão própria. Isso sempre compartilhado com apoio da presidência, da diretoria”, explicou Cris às dibradoras.

 

“Conseguimos trazer a modalidade e fazer esse trabalho aqui dentro. Foi quando a gente começou a entender o que é o futebol feminino, as deficiências de campeonatos, as necessidades das meninas, entendemos internamente e conseguimos buscar os melhores caminhos. Lógico que um time de camisa facilita, mas se você não tiver um bom direcionamento, um bom trabalho, você não chega a lugar nenhum”, resumiu. 

Falando em “bom direcionamento”, isso passa também pelas pessoas escolhidas pelo clube para tocar o projeto. Cris Gambaré é a responsável pelas questões fora de campo, e Arthur Elias é o cara para armar um time competitivo dentro de campo. A parceria dos dois tem sido muito bem-sucedida em ambos os lados. Primeiro porque Cris tem conseguido o apoio do clube para fazer os investimentos necessários na equipe – atualmente, o Corinthians é o time com maior orçamento na modalidade – e segundo porque Arthur tem montado um time quase que imbatível, que funciona muito bem mesmo quando tem inúmeras peças trocadas.

“O fato de termos uma boa sequência do trabalho, com a mesma comissão técnica, uma base do grupo se mantendo e contratando atletas com características favoráveis para adaptação a nossa maneira de jogar, contribuiu muito. O tempo de trabalho nos trouxe muita consistência tática, hoje trabalho com diferentes sistemas e estratégias, e as atletas entendem e executam muito bem porque temos comportamentos treinados que não mudam e uma identidade de jogo muito bem formada”, explicou Arthur.

(Foto: Mauro Horita)

Conquistas fora de campo

O fato de ter montado um projeto muito bom fez com que o Corinthians conseguisse resultados expressivos (títulos) já no início do trabalho no futebol feminino e isso, claro, ajudou o clube a começar a “gostar da ideia” de investir na modalidade.

Com isso, algumas pequenas “conquistas” foram somadas também fora de campo. Por exemplo, o Corinthians tem seu próprio ônibus personalizado para a equipe feminina. As redes sociais são exclusivas delas, o que permite uma produção maior de conteúdo sobre as jogadoras e também um engajamento maior do público – aliás, permite, inclusive, a construção de um público “específico” do futebol feminino. Não há um descolamento da equipe feminina das outras categorias, mas o fato de a comunicação ser exclusiva delas naquelas redes faz com que haja uma atenção maior para elas ali.

Foto: Divulgação Corinthians

Há também o uso do símbolo das conquistas recentes do clube na camisa das mulheres. Elas entram em campo com as “badges” comemorativas do título brasileiro em 2018 e da Libertadores em 2017.

Além disso, o Corinthians trouxe Milene Domingues para ser a embaixadora oficial da modalidade. Ex-jogadora e declaradamente corintiana, ela é a responsável por divulgar jogos, treinos e todas as atividades da equipe das mulheres. É comentarista nas transmissões da TV Corinthians e ajuda muito na promoção da imagem do time.

Foto: Divulgação Corinthians

“Hoje me orgulho de estar no Corinthians e de ter feito esse trabalho. É uma responsabilidade muito grande, hoje eles estão começando a respeitar a modalidade, então tenho muito orgulho do que estamos fazendo e onde queremos chegar. Temos uma embaixadora que nos ajuda muito. Estamos fazendo um feito histórico para o Corinthians e para o futebol feminino”, finalizou Cris.

“Nosso desafio é, fora do campo contribuir para tomadas de decisões importantes internamente pra ganharmos em estrutura de trabalho, respeito e conhecimento do futebol feminino, e dentro do campo treinar e conduzir a equipe para atuar dessa maneira, futebol bem jogado, com organização, variações e eficiência. É um trabalho exaustivo mas a recompensa é muito boa”, pontuou Arthur.

 

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Corinthians elimina Flamengo e brigará por bi do Brasileiro com Ferroviária http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/2019/09/15/corinthians-elimina-flamengo-e-brigara-por-bi-do-brasileiro-com-ferroviaria/ http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/2019/09/15/corinthians-elimina-flamengo-e-brigara-por-bi-do-brasileiro-com-ferroviaria/#respond Sun, 15 Sep 2019 18:58:41 +0000 http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/?p=7890

Tamires com cara de quem sabe onde vai colocar a bola (Foto: Corinthians)

Está difícil encontrar um adversário que consiga parar o Corinthians no futebol feminino. A equipe comandada pelo técnico Arthur Elias não sabe o que é perder ou empatar desde 21 de março deste ano. De lá para cá, foram 33 vitórias consecutivas, incluindo a deste domingo diante do Flamengo, que custou a eliminação do time carioca na semifinal do Campeonato Brasileiro (série A1).

Depois de ter vencido o primeiro jogo em Cariacica por 2 a 1, o Corinthians recebeu o Flamengo no Parque São Jorge com grande presença da torcida alvinegra e não teve muitas dificuldades para confirmar a classificação para mais uma final de Campeonato Brasileiro. Com um golaço de Tamires ainda no primeiro tempo, a equipe da casa manteve o placar confortável e o domínio do jogo para se garantir na decisão com 2 a 0 – Ingryd fez o segundo aos 44 da etapa final. O time alvinegro brigará pelo bicampeonato nacional enfrentando a Ferroviária, com o primeiro jogo acontecendo em Araraquara e o segundo em São Paulo.

Essa é a terceira vez consecutiva que o Corinthians chega à decisão do Brasileiro feminino – sob o comando de Arthur, o time perdeu a decisão em 2017 para o Santos, venceu o Rio Preto no ano passado e agora buscará o bi.

O jogo

O Corinthians, comandado por Arthur Elias desde 2016, quando voltou a investir no futebol feminino – primeiro com a parceria com o Audax, depois trazendo a modalidade para o clube – tem muito entrosamento e é um time muito organizado e com estilo de jogo bem definido. Com isso, mesmo diante dos importantes desfalques sofridos pela equipe ao longo da temporada – como foram os casos das atacantes Adriana e Gabi Nunes, que sofreram lesões no joelho -, o time permanece muito forte e muito dominante dentro de campo.

Neste domingo, embora tivesse a vantagem do empate, o Corinthians partiu para cima desde o início da partida e tentava sempre chegar ao gol nas articulações de Tamires, Vic e Millene lá na frente. Mas na metade da primeira etapa, o Flamengo começou a gostar do jogo, apertando a marcação da saída de bola corintiana e dificultando a principal característica da equipe de Arthur Elias, que é o toque de bola e a transição da defesa para o ataque.

Foto: Corinthians

Só que no momento em que estava pior no jogo, brilhou o destaque individual do Corinthians. Tamires, que é lateral-esquerda na seleção e atuava nesta posição em outros clubes, costuma jogar de meia-atacante com Arthur e puxou um contra-ataque lindo do campo de defesa. Saiu em disparada, atraiu a marcação, enquanto Millene abria pela esquerda e Vic abria pela direita. A decisão dela surpreendeu a todos com o chute para o gol ainda de fora da área. A bola foi direto para a “bochecha” do gol no lado esquerdo da goleira. Uma pintura da jogadora corintiana.

 

Com 1 a 0 no marcador, o Corinthians não recuou na segunda etapa. Em mais uma jogada de Tamires, Gabi Zanotti teve a chance de ampliar, mas chutou para fora. Depois, Juliete desperdiçou uma chance de ouro cara a cara com a goleira. Por último, foi a vez de Millene perder para a arqueira do Flamengo, Kaká. Faltando menos de 10 minutos para acabar, Vic rolou para Paulinha, que também perdeu mais um gol.

O Flamengo tentava chegar, mas parou na boa marcação corintiana com Mimi e Pardal na zaga e Erika na proteção do meio-campo. O placar foi ampliado aos 44 minutos com Ingryd, que aproveitou a bola de Vic e mandou para o fundo das redes. O resultado confirmou o Corinthians como finalista do campeonato. O time de Arthur Elias chega à decisão do Brasileiro com 18 vitórias em 19 jogos, uma campanha absolutamente impressionante.

Kindermann x Ferroviária

Depois do empate por 1 a 1 no primeiro jogo em Araraquara, as duas equipes estiveram em campo neste sábado em Santa Catarina para definir a vaga. No tempo regulamentar, a partida mais uma vez terminou empatada em 1 a 1, com a equipe paulista conseguindo o resultado após uma falha da goleira do Avaí/Kindermann.

Nos pênaltis, era a ex-goleira titular da seleção brasileira na Copa de 2015, Luciana, na Ferroviária, contra a goleira titular da Copa deste ano, Bárbara, pelo time catarinense. Brilhou a estrela de Luciana mais uma vez (ela já havia feito a diferença nas quartas contra o Santos), e a equipe de Araraquara confirmou a classificação para a decisão do Brasileiro.

O Corinthians foi o campeão nacional no ano passado, e a Ferroviária conquistou o título em 2014. Ambos buscarão o bi a partir da próxima semana – no dia 22 de setembro, será disputado o primeiro jogo em Araraquara às 14h e no dia 29 será a grande final em São Paulo – ambos com transmissão da Band.

Serão quatro confrontos consecutivos entre as duas equipes, que se encontrarão também nas semifinais do Paulista feminino (marcadas para começar na próxima quarta-feira, dia 19, às sete da noite, na Fonte Luminosa.

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Técnicos têm qualidade, mas falta humildade ao futebol brasileiro http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/2019/09/13/tecnicos-tem-qualidade-mas-falta-humildade-ao-futebol-brasileiro/ http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/2019/09/13/tecnicos-tem-qualidade-mas-falta-humildade-ao-futebol-brasileiro/#respond Fri, 13 Sep 2019 14:21:50 +0000 http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/?p=7883

Foto: AGIF

Nesta semana, repercutiu bastante por aqui uma declaração dada há alguns meses – muito antes de ter vindo ao Brasil comandar o Flamengo – do técnico Jorge Jesus a respeito dos treinadores brasileiros, que estariam “ultrapassados”, na opinião dele. Uma declaração, na minha opinião, infeliz, porque o português falou daquilo que não conhecia (ou conhecia muito pouco àquela altura) e de uma maneira generalizadora que é sempre complicada.

Duvido que ele mantenha sua opinião hoje, após alguns meses de trabalho por aqui. Existem, sim, técnicos ultrapassados no Brasil, como também existem em outros lugares do mundo. Como em toda profissão, há os bons e os ruins, os modernos e os ultrapassados. Mas essa declaração de Jorge Jesus despertou uma certa “ira” de muitos treinadores e comentaristas por aqui, o que acredito que diz muito sobre a maneira como a gente enxerga o futebol brasileiro: o melhor, o absoluto, o imbatível.

O tal “complexo de vira-lata”, expressão criada por Nelson Rodrigues justamente no contexto futebolístico da derrota de 1950 na Copa do Mundo, hoje sobrevive em quase todas as outras áreas, mas não no futebol. Na bola, nós nos achamos ainda os melhores do mundo sem discussão – ignorando que não somos, efetivamente, os melhores desde 2002 (última Copa do Mundo conquistada pela seleção brasileira) e desde 2007 (última vez que um brasileiro ganhou o prêmio de melhor do mundo, com Kaká). A falta desses títulos não quer dizer que nós não estejamos mais entre os melhores – mas apenas que há outros chegando para compartilhar o topo com o país que já produziu o melhor jogador (e a melhor jogadora) de todos os tempos, com Pelé e Marta.

Foto: Santos FC

E aí essa discussão chega ao auge quando se fala naquele que talvez até hoje seja o maior tabu do futebol brasileiro: a presença de treinadores estrangeiros tomando conta do “nosso futebol”. Na seleção brasileira (masculina), isso ainda é visto como uma “heresia”. Como poderiam permitir um nome estrangeiro para comandar o país pentacampeão mundial?

Acho que, por aqui, existe uma certa “arrogância” da nossa parte quando o tema é futebol. Por todos os feitos que o Brasil já conseguiu dentro de campo, por termos encantado o mundo com Pelé, Garrincha e companhia, por termos feito todos se apaixonarem por um time que sequer campeão foi (1982), e por termos mais títulos do que qualquer outro país, achamos que somos os melhores e ponto. Enquanto isso, todo mundo foi correndo atrás. Vieram novas filosofias de jogo, revoluções táticas, treinadores mergulhando nos estudos e criando novas tendências mundiais, e a gente aqui achando que “ser brasileiro basta” para manter o status de melhor do mundo.

Para se ter ideia, as licenças de treinadores na Europa começaram a existir em 1995. Em 2009, 15 anos depois, por uma exigência da Fifa, a CBF anunciou que criaria seus cursos – A “CBF Academy”, que hoje oferece a série de licenças para treinadores e gestores do futebol brasileiro, foi criada somente em 2016. Por muito tempo, os técnicos aqui foram formados com base na experiência que traziam do campo, como ex-jogadores, e no dia-a-dia de trabalho. Poucos buscavam cursos para aperfeiçoar seu conhecimento.

Na palestra da Brasil Expo chamada “A arte de ler o jogo”, os técnicos presentes pouco falaram sobre o tema central que dava título ao bate-papo. Dunga reforçou a “mania” que se tem no Brasil de “copiar modelos lá de fora” e disse que “só se fala em esquema tático quando um time perde”. Vagner Mancini chegou ao ponto de dizer que treinadores derrotados não deveriam ser obrigados a dar entrevista coletiva pós-jogo, porque “é muita pressão”. São discursos muito vazios para quem acha que o futebol brasileiro é tão soberano assim.

Foto: Vasco

Com a presença de Jorge Sampaoli no Santos, e Jorge Jesus no Flamengo trazendo conceitos diferentes – de um futebol ofensivo que, curiosamente, são raros justamente no país que inventou o “jogo bonito” -, muitos técnicos daqui passaram a se incomodar. Nesses últimos tempos, vimos declarações como a de Levir Culpi, dizendo que “Sampaoli seria o próximo técnico da seleção por ser tatuado e andar de bicicleta. Além de tudo, ele é argentino. Esse é o fuebol brasileiro hoje”.

Vanderlei Luxemburgo entrou nessa temática ainda no ano passado, quando afirmou que lá fora não viu “Absolutamente NADA de diferente. Quero que alguém me mostre algo que está acontecendo no mundo que nós não sabemos. Tudo que acontece no futebol, nós sabemos. O técnico brasileiro é excelente”.

É como se a gente se bastasse, pura e simplesmente por termos DNA brasileiro. E quando tentamos aprofundar a discussão, a resposta de muitos técnicos é: “não tem nada de diferente”, ponto. Isso é basicamente acabar com a discussão antes mesmo de ela existir.

Hoje, olhando para o que começa a acontecer na seleção brasileira feminina com a presença de uma técnica estrangeira, e olhando para o que tem acontecido no Campeonato Brasileiro com a presença de Jesus e Sampaoli, eu apenas fico imaginando o tanto que estamos perdendo por não abrir portas para esse intercâmbio – ou por termos fechado essas portas por tanto tempo.

Pia chegou ao Brasil “emocionada” pela chance de comandar a seleção (Foto: Mowa Press)

Pia Sundhage é bicampeã olímpica, tem um currículo invejável com conquistas no mundo todo, e ao chegar aqui, disse estar “realizando um sonho”. Rasgou elogios para o “futebol mais técnico e bonito do mundo” e tem todo o cuidado para dizer que não quer “mudar nada do estilo brasileiro”, apenas adicionar um pouco mais de “organização”. Jorge Jesus chegou a comparar a Libertadores com a Champions League e colocou o torneio sul-americano acima até em alguns quesitos. “A paixão nestes jogos é muito maior. Na Europa os estádios são cheios, mas a torcida não tem o calor do jogo como aqui no Brasil. Isso que é bonito”, disse. Sampaoli elogiou o Palmeiras no primeiro semestre e disse que seria muito difícil alcançá-los e também destacou o trabalho de Rogério Ceni no Cruzeiro logo na estreia do novo comandante.

Os estrangeiros já tiveram a humildade de reconhecer a qualidade e a história do futebol brasileiro. Falta nós mesmos admitirmos que temos falhas e que podemos, sim, buscar também do lado de fora ideias que contribuiriam para nossa evolução.

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Pai e irmão tentaram, mas foi ela quem se realizou no futebol e virou filme http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/2019/09/12/pai-e-irmao-tentaram-mas-foi-ela-quem-se-realizou-no-futebol-e-virou-filme/ http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/2019/09/12/pai-e-irmao-tentaram-mas-foi-ela-quem-se-realizou-no-futebol-e-virou-filme/#respond Thu, 12 Sep 2019 12:37:53 +0000 http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/?p=7863

(Foto: Divulgação)

O futebol sempre fez parte da família Nunes como se fosse mais um integrante da casa. A paixão que começou no pai também contagiou o filho, mas foi pelos pés de uma menina que o sonho de vestir a camisa de um grande clube e chegar à seleção brasileira se tornou real.

A protagonista da história é Gabi Nunes, de 22 anos e atacante do Corinthians. E todo esse envolvimento familiar com a bola estará nas telas do Cinefoot em São Paulo, no próximo sábado (14/9), no auditório do Museu do Futebol. O curta-metragem “Nunes FC” tem direção de Cristiano Fukuyama, Edson de Lima e Luiz Nascimento.

“Nós (diretores) moramos próximos da família Nunes e a ideia de fazer o filme surgiu de nossa interação com eles. Primeiramente falaríamos da redenção da Gabi após a primeira contusão que a tirou da seleção brasileira, na época sob o comando de Emily Lima. E depois, com a troca mais íntima com eles, a gente viu que a história era muito maior do que abordar somente a menina prodígio da família”, declarou Edson, um dos diretores do filme e responsável por “A Vitrine do Futebol Feminino”, espaço que reúne informações e histórias sobre o futebol feminino.

Gabi Nunes, a craque do Corinthians, declarou que vive um “momento único”  ao ver a história de sua família ser retratada em um filme. “Fiquei muito feliz e gostei do que foi apresentado. Meus pais sempre me incentivaram e me treinaram. Eles foram fundamentais para a minha carreira e por tudo que sou hoje”, declarou.

De pai para filho, de irmão para irmã

O sonho de se tornar jogador de futebol começa com o Roberto Nunes da Silva, pai de Gabi. Mas por falta de apoio e oportunidades, o desejo não se torna realidade. Depois, quem tenta seguir a trajetória incompleta pelo pai é o filho Roberto Nunes da Silva Junior, que chega a se tornar atleta profissional e tem conquistas importantes, mas foi com Gabi que família alcançou o auge.

(Foto: Divulgação)

Mas é claro que, por ser uma garota, a luta de Gabi não foi tão simples como a dos homens que compõe a sua família. Se a inspiração veio de casa, a sua maior luta começou fora dela, quando precisou encontrar um lugar para jogar ao lado de outras meninas. “Acompanhava meu irmão em seus jogos como profissional desde pequenininha e pedi uma bola de presente para meus pais”, revelou a atleta no podcast gravado com as dibradoras em abril de 2016. 

O lugar onde Gabi deu seus primeiros chutes foi na quadra de futsal do Grêmio Filsan, na Zona Norte de São Paulo, região onde morava. Ela tinha apenas sete anos quando precisou enfrentar – ainda tão nova – a primeira barreira. “Fui proibida de jogar porque comecei a me destacar e os dirigentes do time não queriam que meninas jogassem com meninos. Fiquei triste porque gostava muito”, revelou.

Anos depois, encontrou espaço no Macabi, do Clube Hebraica de São Paulo. Ela pagava uma mensalidade e jogava com mulheres mais velhas e amadoras – com cerca de 40 anos – e foi a ali a maneira que ela encontrou de estar perto da bola, sem precisar sofrer com proibições. 

Sereias da Vila: bicampeãs (Foto: Reprodução Twitter / Santos FC)

Com 12 anos seu sonho tomou forma. “Fui até Santos assistir a um jogo de futebol feminino. Estava acontecendo a Libertadores da América e eu vi a Marta e a Cristiane em campo e adorei”, contou. Embalada pela inspiração e com a ajuda de seu irmão que descobriu o trabalho do Centro Olímpico, Gabi passou a fazer parte das categorias do clube.

Começou no sub-15, passou pelo sub-17 e foi adquirindo experiências. No ano de 2015, foi artilheira do Campeonato Paulista com 12 gols defendendo o Osasco Audax. No final do mesmo ano, voltou para o Centro Olímpico e foi artilheira do Brasileiro Feminino com 14 gols em 12 jogos. E a partir daí, sua carreira ganhou notoriedade, chegou à seleção brasileira e enfrentou lesões que atrapalharam muito seu desenvolvimento.

Lutas e glórias

Gabi Nunes chegou ao Corinthians em 2016 e naquele mesmo ano já foi campeã da Copa do Brasil com direito a gol marcado na final contra o São José.

Pela seleção, defendeu a sub-17 e na sub-20 em 2016, foi vice-artilheira do Mundial da categoria marcando 5 gols em 4 jogos , recebendo a chuteira de prata como prêmio da Fifa. O troféu foi entregue por Marta enquanto Gabi disputava o Torneio Internacional de Manaus, já na seleção principal.

(Divulgação/CBF)

Em 2017, enfrentou o primeiro grande baque de sua carreira. Defendia a seleção quando rompeu o ligamento cruzado anterior do joelho esquerdo em um duelo contra os Estados Unidos. Passou por cirurgia e se afastou dos gramados por sete meses. Mas o pesadelo voltou no início no ano seguinte, quando rompeu o mesmo ligamento em um amistoso defendendo o Corinthians. Mais uma vez foi operada e enfrentou mais sete meses de recuperação. 

Seu retorno ao futebol foi no início deste ano e, com força total, Gabi ajudou demais o Corinthians no começo do Paulista e do Brasileiro – chegando a brigar pela artilharia ao lado de Millene e Adriana.

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Oi pessoal passando aqui pra agradecer pelas mensagens que recebi ontem depois do jogo. Acabei lesionando o LCA do joelho direito, já passei por isso 2 vezes e agora mais uma, muitas vezes não entendemos e nunca vamos entender o por que de tudo isso, mas enfrentarei igual enfrentei as outras pra poder voltar ainda mais forte. Ontem era um dia especial, tão especial que Deus já tinha preparado tudo, ontem entrei com a Júlia no campo, ela me inspirou muito ontem na hora do jogo e logo que me lesionei ainda mais , ela nunca andou devido a uma doença rara nos músculos e quando senti que tinha sido algo mais sério comigo Deus confortou meu coração por que eu vou ter a chance de me recuperar e voltar a fazer o que amo e ela não vai ter a mesma oportunidade . Não sei os propósitos que Deus quer fazer na minha vida, mas um dia a gente entende e sei que minha história vai transformar vidas !

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Às vésperas da Copa do Mundo, mais uma lesão. Pela terceira vez a atleta lesionou o joelho, desta vez, o ligamento cruzado anterior do joelho direito. E novamente, a jogadora vêm enfrentando a mesma rotina de cirurgia, fisioterapia e paciência. 

“A lesão é um momento muito complicado porque você fica longe do que você mais ama, que é jogar futebol. É um momento muito triste quando a gente fica sabendo, mas tem que se levantar. Minha família sempre está ao meu lado me apoiando e também me aguentando porque não é fácil, um dia você tá feliz, no outro de mau humor. Estou me recuperando para voltar mais forte”, declarou Gabi às dibradoras.

(Foto: Bruno Teixeira)

O retorno de Gabi deve acontecer somente no ano que vem e, até mesmo pensando nas dificuldades enfrentadas pela jogadora, Edson pensa em preparar uma continuidade para o filme. “É um conteúdo que não é datado, ele pode ter uma sequência porque a Gabi está em atividade. Ela tem quebrado recordes e conquistado marcas importantes. Agora teve mais um problema de contusão, mas nossa ideia é que o filme seja atemporal e, na medida do possível, nós tenhamos a sequência dessa história. E ela também vai escrever por si só a história dela”, afirmou o diretor.

Gabi Nunes espera o que o filme possa inspirar as meninas e também as famílias.”Muitas meninas ainda não recebem o apoio dos pais e algumas delas falam sobre isso comigo pelo Instagram. Então acho que o filme que pode mostrar que o apoio da família é super fundamental para o crescimento de uma atleta e para apoiarem o sonho delas”, finalizou.

EXIBIÇÃO

Data: 14/09/2019
Local: Museu do Futebol
Endereço: Praça Charles Miler, s/n
Horário: 16h
Entrada: gratuita (ordem de chegada)

FICHA TÉCNICA

Título: Nunes FC
Direção: Cristiano Fukuyama, Edson de Lima e Luiz Nascimento
Produção: Acervo da Bola e A Vitrine do Futebol Feminino
Duração: 21 minutos
Site: http://www.acervodabola.com.br/nunesfc/

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Julgada pelo “crime” de torcer, iraniana foi morta pelo machismo http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/2019/09/11/julgada-pelo-crime-de-torcer-iraniana-foi-morta-pelo-machismo/ http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/2019/09/11/julgada-pelo-crime-de-torcer-iraniana-foi-morta-pelo-machismo/#respond Wed, 11 Sep 2019 22:24:42 +0000 http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/?p=7866

Foto: Getty Images

Uma torcedora de um clube de futebol do Irã colocou fogo em si mesma após o julgamento que poderia determinar sua prisão pela tentativa de ver um jogo do seu time no estádio. Seu “crime” foi esse: vestir-se de homem para conseguir fazer o que mais amava – torcer. As autoridades descobriram que era uma mulher disfarçada e deram ordem de prisão a Sahar Khodayari. Em 2019, uma mulher foi presa pelo simples fato de querer ocupar uma arquibancada.

Ela ficou alguns dias presa, depois aguardou meses pelo julgamento até que, no dia dele, soube que a decisão sobre seu futuro seria adiada. E soube também que poderia pegar até 2 anos de prisão. Ali mesmo, colocou fogo em si mesma. Um protesto pelo seu direito de ir e vir. Pelo seu direito de ser e existir – também no estádio de futebol. Esse caso tão trágico e tão simbólico ficará marcado para sempre para nos lembrar que o machismo mata. Não foi o fogo que tirou a vida de Sahar Khodayari. A opressão e a ausência de liberdade foram as causas de sua morte.

Vai ter quem apareça para dizer que o julgamento da torcedora não foi por ter ido ao estádio, mas sim por ter aparecido em público sem usar o tradicional hijab. Mas ela só apareceu assim porque tentou se disfarçar de homem para ir ao jogo. E só tentou se disfarçar porque, se fosse como mulher que é, seria proibida de entrar. “Ah, mas ela desafiou a lei”. Sim. Porque infelizmente foi isso que mulheres sempre precisaram fazer para conseguir os direitos mais básicos. Se não tivéssemos desafiado a lei, até hoje não poderíamos votar, não poderíamos trabalhar, nem poderíamos viajar sem autorização de um marido. Desafiar a lei nesse caso significa resistir, quando tentam te impedir de existir em determinados lugares. Um dia, essa proibição absurda finalmente cairá – e isso só vai acontecer por causa da luta dessas mulheres .

Foto: AFP

Conhecida como “blue girl” representando as cores do seu time, a jovem virou um dos assuntos mais comentados nas redes sociais do mundo inteiro em uma mobilização histórica e única de homens e mulheres para pressionar o Irã a acabar com a proibição das mulheres no estádio. Outros países de cultura islâmica já fizeram isso, e até mesmo em terras iranianas isso aconteceu em 2018, durante a Copa do Mundo da Rússia, quando telões foram montados em estádios e permitiu-se que as mulheres também ocupassem as arquibancadas para assistir aos jogos da seleção. A Fifa é ainda muito discreta nas suas manifestações e nunca ameaçou o Irã de qualquer punição mais severa por uma discriminação desse nível em pleno século 21.

Soubemos das notícias muito tristes do Irã e lamentamos profundamente esta tragédia. A Fifa transmite as suas condolências à família e aos amigos de Sahar. Reiteramos nossas convocações às autoridades iranianas para que garantam a liberdade e a segurança de todas as mulheres que participam de uma luta legítima para pôr fim à proibição dos estádios”, afirmou pelo Twitter. 

Alguém consegue imaginar um país proibindo negros de entrarem nos estádios em pleno 2019? Se o racismo passou a ser combatido há algum tempo pela entidade máxima do futebol – com campanhas e punições efetivas para qualquer manifestação racista nos estádios -, está na hora de ela também olhar para o machismo que ainda vigora como “lei” para banir as mulheres do estádios, como é o caso do Irã.

Clubes ao redor do mundo se manifestaram em solidariedade à torcedora. A Roma mudou as cores do seu escudo para azul e escreveu no Twitter: “Hoje nosso coração sangra azul por Sahar Khodayari. A beleza do jogo é nos unir, não nos dividir. Já é hora de todo mundo no Irã poder curtir uma partida de futebol junto”. O Barcelona também se posicionou pela mesma rede social: “O futebol é um jogo para todos – homens E mulheres, a todo mundo deveria poder curtir os jogos junto nos estádios”.

Chega a ser surreal que, a essa altura do campeonato, ainda precisemos lutar por direitos tão básicos como ir a um jogo de futebol. Mas a morte dessa torcedora iraniana não pode ser em vão. É mais do que urgente que o governo iraniano acabe com a proibição da presença feminina em estádios. É imprescindível que a Fifa e toda a comunidade do futebol se una em torno dessa causa.

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Aos 64 anos, ela faz ultramaratonas de 200 km: “O esporte me salvou” http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/2019/09/11/aos-64-anos-ela-faz-ultramaratonas-de-200-km-o-esporte-me-salvou/ http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/2019/09/11/aos-64-anos-ela-faz-ultramaratonas-de-200-km-o-esporte-me-salvou/#respond Wed, 11 Sep 2019 07:00:16 +0000 http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/?p=7848

Foto: Divulgação

Mônica Otero tem 64 anos e sempre gostou de caminhada. Até aí você pode pensar que é normal, afinal esse é o esporte preferido dos idosos. Mas não é bem isso. As “caminhadas” dessa mulher que se descobriu atleta aos 51 anos de idade são de uma média de 160 ou 200 quilômetros e duram alguns dias. São as chamadas ultramaratonas, nem tão conhecidas no Brasil, mas que se revelaram a maior paixão de Mônica quando sua vida virava de cabeça para baixo.

Imagine descobrir um câncer aos 40 anos de idade. E, no meio da recuperação, ver um casamento ruir, em um relacionamento abusivo, que termina deixando um vazio da separação até mesmo dos filhos. Diante de todo esse contexto, Mônica se viu prestes a cair em depressão. Para uma mulher da idade dela, que cresceu aprendendo que sua vida deveria ser dedicada à família, que suas prioridades ficariam sempre em segundo plano e que a felicidade da casa importava mais do que a sua, era difícil demais se ver nessa situação. Que utilidade ela poderia ter em um mundo onde não fosse esposa, mãe ou dona de casa?

“Eu tinha casa, marido, filhos e, de repente, eu não tinha mais nada. Meu filho foi morar com o pai por uma decisão judicial. Um casamento não acaba por acaso. Foram 28 anos de muitos desentendimentos, brigas, muita tristeza mesmo. Acho que se não fosse o esporte, eu não sei o que teria acontecido comigo. Eu com certeza teria entrado numa depressão profunda. Eu queria ser motivo de orgulho pros meus filhos, e o esporte entrou na minha vida e foi a grande guinada para isso, algo que me salvou”, afirmou Mônica às dibradoras.

Foi quase que por acaso que o esporte apareceu na vida dela, quando um câncer a fez refletir sobre, curiosamente, a morte. Ao descobrir a doença já em estágio avançado no intestino, Mônica precisou fazer tratamentos intensivos e ali, pela primeira vez, teve a percepção de que poderia estar desperdiçando muito tempo vivendo de maneira infeliz.

“O câncer, na realidade, foi um divisor de águas na minha vida. Eu falei: o que eu estou esperando? O que eu estou esperando para fazer as coisas que eu gosto? Até então, eu vivia para a família, o que estava bom para eles, estava bom pra mim. Fazia tudo por eles e nada por mim. Aí pensei: se Deus está me dando segunda chance, por que não vou fazer algo por mim?”.

De peregrina a ultramaratonista

Desde a infância, Mônica sempre gostou de caminhar. Ela lembra que vivia dando voltas nos quarteirão da casa onde morava em Andradina, interior de São Paulo, quando ainda era pequena, e a mãe não entendia nada. Era um costume de criança, que permaneceu na vida adulta. Os filhos e o marido jogavam futebol aos finais de semana e, enquanto isso, ela caminhava sem rumo. Até que um dia, depois de ter superado a doença, foi para a Espanha com a família decidida a fazer o caminho de Santiago de Compostela – são muitas as rotas possíveis, e Mônica escolheu uma de 500 km.

Na volta para o Brasil, descobriu as peregrinações que existiam no país e resolveu fazê-las. Não tanto pela religião, mas principalmente pelo prazer de andar. Em uma delas, conheceu Mario Lacerda, um ultramaratonista que acolheu Mônica nesse esporte.

“O Mario Lacerda é meu padrinho, porque ele que me levou pras ultras. Ele morava nos EUA e, um dia, me ligou dizendo que estava trazendo uma ultramaratona para o Brasil e que queria que eu participasse. Eu achei muito esquisito, nem sabia o que  era uma ultramaratona, mas ele explicou e sugeriu que eu fosse andando. Eu topei. A prova foi em janeiro de 2006, aí na largada, todo mundo começou a correr, e eu a andar. Eu fiz 160 km em 36 horas, parei na Serra da Mantiqueira porque a equipe estava cansada e eu não poderia continuar sem a equipe”, contou.

Foto: Arquivo Pessoal

Foi aí que começou a “carreira” de Mônica no esporte, aos 51 anos, e foi ali que ela reconheceu a juventude que poderia ter praticando aquela modalidade. O próximo desafio foi três meses depois e um pouco mais ousado: completar o trajeto todo da ultramaratona no Brasil – 217 quilômetros. Mônica finalizou o percurso depois do fim do tempo do regulamento, mas não desistiu em nenhum momento.

“Faltando uns 30 km, já tinha dado o horário da prova e eu continuava andando sozinha. Aí queriam mandar um carro para me buscar porque eu não ia concluir dentro do tempo. Insisti para não me tirarem da prova, aí um outro atleta concordou em me acompanhar até o fim. Eu estava dormindo em pé já, mas ao final de 67 horas, eu cruzei a linha de chegada em Paraisópolis. Mesmo fora do prazo, eu fui a primeira mulher brasileira a fazer 135 milhas, eu concluí”, diz, orgulhosa.

Dali em diante, Mônica não parou mais. Foi para o Deserto de Mojave em 2007 percorrer a mesma distância, só que no calor de 6oºC e, para essa, ela treinou e até foi para lá antes para uma aclimatação. Concluiu os 217 quilômetros em 54 horas, desta vez dentro do tempo estipulado no regulamento.

Mônica tenta aliviar o calor do deserto em uma caixa de gelo (Foto: Arquivo Pessoal)

“Fui a primeira mulher sul-americana a trazer essa medalha para o Brasil. Uma pessoa que era uma dona de casa, conseguir fazer isso, é realmente impressionante. De repente, comecei a viver nesse meio do esporte. Eu fui depois para o deserto do Saara, sem experiência, sem nada, e concluí também. Virou uma paixão. Hoje eu durmo e acordo pensando nisso, na próxima prova, no próximo desafio”, afirmou.

As primeiras medalhas femininas da América do Sul em Ultramaratonas (Foto: Arquivo Pessoal)

Lições

Em um dos momentos que mais duvidou de sua capacidade, que se viu no fundo do poço e sem conseguir enxergar qualquer coisa positiva em si mesma, foi quando o esporte mostrou para ela sua maior força. Quando que Mônica poderia imaginar que ela poderia completar trajetos de mais de 200 quilômetros no meio do deserto, sem dormir, sem comer direito e com hidratação limitada? No esporte, ela se viu capaz. Capaz até mesmo de realizar uma ultramaratona.

Foto: Arquivo Pessoal

“Devido a muitos anos de caminhada, eu tenho grande dificuldade em correr. Mas se eu concluo uma ultramaratona dentro do tempo, não importa se eu estou caminhando, trotando, correndo, o importante é concluir respeitando o regulamento. Acho que todo mundo tem que fazer esporte, dentro da sua capacidade. Hoje eu vejo que o destino que me escolheu, porque eu não era dessa área, eu me engajei nela porque estava passando por um momento difícil na vida, e isso acabou sendo minha salvação, a minha válvula de escape. Se eu continuo bem, feliz, eu devo isso ao esporte”, reconheceu Mônica, que além de participar de ultramaratonas, trabalha em equipes de apoio a atletas e agora está lançando um projeto para levar pessoas para a caminhada e a corrida.

Foto: Arquivo Pessoal

“Abrir uma empresa aos 64 anos e começar um projeto novo, só o esporte poderia fazer isso na minha vida. Enquanto muitas pessoas nessa idade pensam em se aposentar, pra mim não iria preencher a vida ficar em casa. O esporte está correndo nas minhas veias hoje.”

A história da Mônica faz parte de uma série chamada “Elas estão só começando”, co-criada pelo PlayPlus e ESPNW com produção da Bossa Nova Entretenimento. No projeto, há outras três histórias de mulheres que tiveram suas vidas transformadas pelo esporte e que já destacamos em nosso blog: Aline Silva da luta olímpica, Priscila da Silva, do basquete, e Sabrina Galdino, do futebol.

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Várzea resgata futebol raiz: mulheres também são protagonistas no terrão http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/2019/09/10/varzea-resgata-futebol-raiz-mulheres-tambem-sao-protagonistas-no-terrao/ http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/2019/09/10/varzea-resgata-futebol-raiz-mulheres-tambem-sao-protagonistas-no-terrao/#respond Tue, 10 Sep 2019 07:00:02 +0000 http://dibradoras.blogosfera.uol.com.br/?p=7827

(Foto: Divulgação / Copa Rainha)

O futebol de várzea é tradição em São Paulo e reúne milhares de meninos, homens, idosos e todo o tipo de apaixonado por esse esporte nos campos de terra espalhados pela cidade. A origem do termo vem do tipo de campo em que o jogo era disputado, sempre em lugares de terra batida, como na margem do rio Tietê. Não deixa de ser uma modalidade da popular “pelada”, praticada em todo o país.

Segundo dados do IBGE e PNAD, mais de 15 milhões de pessoas praticam o futebol de forma amadora no Brasil e só na capital paulista existem mais de 400 campos de várzea, cerca de 3.000 times e mais de 75 mil jogadores amadores. A maioria dos praticantes pertencem à classe C.

(Foto: Divulgação / Copa Rainha)

O mais interessante é que, se um dia a várzea também foi ocupada quase que exclusivamente por homens, já há algum tempo o terrão também tem sido um território feminino e, cada vez mais, as mulheres têm tido destaque por ali, tanto dentro, como fora de campo.

Longe dos holofotes da mídia e dos prêmios milionários dos campeonatos renomados, a várzea vem abrindo espaço para elas, que reportam, apitam, treinam e jogam nos campos de periferia da cidade de São Paulo.

Repórter raiz

Vicky Pinheiro é uma delas, que cresceu prestigiando o futebol do pai, goleiro varzeano da equipe de Caieiras e hoje é repórter e comentarista de jogos da várzea. Tudo começou no ano passado, de brincadeira, quando o amigo e narrador Ron Borges a convidou para comentar as partidas enquanto ele narrava. E com um som ligado ali na beirada do campo, Vicky começou a analisar os times que estavam jogando.

Vicky é repórter de várzea desde o ano passado (Foto: Reprodução/Instagram)

Palmeirense e frequentadora assídua de arquibancada, comentar sobre futebol sempre foi algo muito natural para ela e, por conta disso, levar esse conhecimento para a várzea não foi difícil, mesmo que não seja tão simples conhecer os jogadores e esquemas táticos de cada time. “Às vezes nem eles têm uma posição única definida. Para comentar, tem que prestar bastante atenção no posicionamento, quem atua mais no meio-de-campo, quem rouba mais a bola“, revelou.

O jornalista Marcelo Mendez, da TVila Sports se encantou ao ver Vicky comentando os jogos da várzea na beira do gramado. Achou muito corajosa e de muita personalidade aquela garota ali, falando alto e em bom som o que via dentro de campo. “Me chamou muito a atenção quando a vi comentando futebol de várzea com microfone aberto pro estádio inteiro ao lado do Ron Borges. Ela tem muita determinação e é uma mulher inteligente. Me propus a ajudá-la em se tornar uma repórter e eu não tinha dúvidas de que daria certo”, afirmou Marcelo. 

Ver essa foto no Instagram

 

Finalizada mais uma rodada do Desafio ao Galo, e temos um novo Galo no programa. O Favela Heliópolis venceu a equipe do R4 em uma atuação excelente da equipe. Com direito á Hat-trick de Eder Paulista, o favela venceu com o placar de 5×0. A equipe apresentou grande qualidade técnica tanto na parte ofensiva, quanto na parte defensiva. O técnico Marcelinho soube aproveitar bem suas peças e destaco a bela atuação do lateral direito Sam, que apoiou muito bem e foi responsável pelas assistências em dois gols marcados. O R4 não encontrou espaços para criação de jogadas devido a boa proposta de marcação apresentada pelo adversário. E vamos aguardar a próxima batalha semana que vem, ás 10h pela Rede Brasil. Tmj👊🏻

Uma publicação compartilhada por Vicky Pinheiro (@vickypinheiro93) em

Aos 26 anos, Vicky participa ativamente de alguns programas, como na web rádio Bate Fundo Esportivo onde é repórter de campo, na rádio Voz do Esporte onde é comentarista sobre o futebol de elite, na TVila Sports onde é colaboradora como repórter de campo e, desde abril deste ano, atua também na reportagem do Desafio ao Galo, tradicional torneio de várzea paulista e que é exibido todo domingo, às 10h da manhã, pela Rede Brasil.

Vicky é formada em Administração, mas cada vez mais tem atuado com comunicação e deseja se especializar na área. Para trabalhar no Desafio ao Galo, a comentarista acredita que conseguiu a vaga por ser habituada com a várzea e por ter uma linguagem com uma pegada mais descontraída.

“Tenho uma sintonia bacana com o Joseval Peixoto (narrador) e eles queriam resgatar aquela nostalgia do torneio, mas de uma maneira reformulada. Durante a transmissão, eu dou opinião sobre a partida, sobre tática, faço brincadeiras, é bem bacana!”, revelou.

Vicky vê a várzea como porta de entrada para alcançar vôos mais altos na profissão e espera, um dia, trabalhar em uma grande emissora de TV. É fã de Ana Thaís Matos e admira muito a postura da jornalista analisando esquemas táticos e dando opinião nos programas e transmissões. “Ela não é uma personagem. Ela tem opinião formada e consegue se impor ao lado dos homens.”

Além de trabalho, a várzea é também um escape que seu lado torcedora encontra para fugir da atual elitização do futebol brasileiro. “Sempre que vou ao estádio torcer pelo Palmeiras eu sinto falta do Palestra Itália. Não havia barreiras na rua, a arquibancada era de cimento, os ingressos eram baratos. Hoje, até mesmo em alguns setores do estádio, o torcedor é mais quieto, ninguém canta. O público mudou e é isso que acaba me aproximando da várzea, onde ainda existem bandeiras e sinalizadores.”

Copa Rainha

Tradicional entre os homens, os campeonatos de várzea também estão surgindo para as mulheres e, pelo segundo ano consecutivo, Fabio Santos de 42 anos tem se empenhado para realizar a Copa Rainha. Começou como um projeto social e com arrecadações e parcerias, o campeonato feminino deste ano terá 24 equipes femininas participando, 10 times a mais do que no ano passado.

Equipes participantes (Foto: Divulgação)

“Na periferia as pessoas não têm muitas oportunidades e o esporte resgata a disciplina e a educação. As meninas ficam longe de bebidas, de cigarros, não ficam ociosas. Dentro de campo, elas jogam umas pelas outras e depois colhem os frutos”, afirmou Fábio.

A jogadora Thaisinha, do Red Angels da Coréia do Sul e que já vestiu a camisa da seleção brasileira é madrinha da Copa Rainha e, no ano passado, colaborou com os custos da competição. Apelidado de “Paulo Nobre da Várzea”, o empresário do ramo de alimentação, Fábio Loiola, é também um grande apoiador do futebol feminino de várzea e investe anualmente na competição.

Thaisinha é madrinha da Copa Rainha (Foto: Divulgação)

Os jogos acontecem sempre aos domingos e meninas a partir de 14 anos já podem participar. Este sábado (14/9) será a abertura do torneio e o atual campeão, PS9 (equipe da Casa Verde) enfrentará o Real Atlético do Parque Santo Antônio.

“Todas as 24 equipes estarão presentes na abertura e vai ser um grande evento. Para este ano, esperamos premiar o vencedor com R$ 3.500 mil reais e o vice com R$ 1.500. Além disso, vamos fornecer fardamentos para os quatro finalistas”, revelou Fabio que está em vias de fechar o Estádio do Pacaembu para acontecer a grande final no dia 10 de novembro com direito a trio de arbitragem feminino também.

A taça da Copa Rainha (Foto: Divulgação/Copa Rainha)

Além disso, a competição conta com um aplicativo disponível para download que leva o nome do campeonato para as pessoas acompanharem os resultados e taça especial para as campeãs. “O troféu é uma réplica da Premiere League, a coisa mais linda”, revelou Fabio.

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