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Torcida enche estádio na liga feminina dos EUA e grita por igualdade

Renata Mendonça

26/07/2019 12h31

Foto: Divulgação Portland Thorns

O Portland Thorns é um dos principais candidatos ao título da NWSL, a liga americana de futebol feminino, e teve uma recepção memorável para suas atletas que representaram a seleção na conquista da Copa do Mundo feminina na França. No retorno delas para "casa", na partida contra o Houston Dash no Providence Park, a torcida lotou o estádio e gritou muito para apoiar as mulheres em campo.

Chamou a atenção inclusive, no momento em que as quatro representantes do Thorns que estiveram na França receberam sua homenagem, um canto muito forte vindo da arquibancada: "Equal Pay, Equal Pay". Assim como aconteceu na final da Copa do Mundo, quando foi possível ouvir no estádio em Lyon o grito por igualdade quando o presidente da Fifa, Gian Infantino, adentrou o campo, desta vez o pedido ecoou também nos Estados Unidos.

Foi o maior público da história do Thorns, com 22.329 torcedores presentes num estádio que tem capacidade para 25 mil pessoas. Esse é o segundo maior público da história da própria NWSL. As jogadoras que voltaram para casa com a quarta estrela para os Estados Unidos na Copa, Tobin Heath, Lindsay Horan, Emily Sonnett e Adrianna Franch, receberam homenagem e ouviram os gritos da multidão em apoio à reivindicação das jogadoras, que processam a Confederação Americana de Futebol (US Soccer) por não receberam condições de trabalho e recursos financeiros iguais aos homens da seleção americana.

 

"Normalmente prefiro falar com meus pés, mas eles me pediram para tentar dizer algumas palavras. Queremos agradecer de coração todo o carinho e apoio de vocês. Aqui nós celebramos o futebol toda semana por conta de vocês. É uma honra e um privilégio pra nós podermos fazer parte desse clube", afirmou Tobin Heath, meio-campista da equipe.

Em campo, as jogadoras corresponderam à energia da arquibancada e fizeram um jogaço com direito a goleada em cima do Houston Dash. A partida terminou em 5 a 0 para as donas da casa.

 

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5 goals and a shutout means lots of 🌹 . . #BAONPDX #NWSL #PortlandThorns

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Mas o mais importante desse retorno foi ver que a voz das jogadoras está também ecoando para além do campo. A luta por "pagamentos iguais" às mulheres da seleção americana de futebol tem ganhado cada vez mais apoiadores e o grito do estádio em Portland comprovou isso. Ainda mais no contexto dos Estados Unidos, em que a seleção feminina consegue render mais lucros para a US Soccer do que a masculina – além de ser muito mais vencedora -, não há mais nenhum argumento que sustente os pagamentos diferenciados e inferiores a elas.

O tetracampeonato na França fortaleceu ainda mais as americanas nessa reivindicação. E agora, com os estádios enchendo também para a liga local e com os torcedores apoiando essa causa, vai ficar difícil para a US Soccer não ceder.

Sobre as autoras

Renata Mendonça é jornalista, são-paulina, e apaixonada por esporte desde que se conhece por gente. Foi em um ~dibre desses da vida que conseguiu unir trabalho e paixão sendo jornalista esportiva. Hoje, sua luta é para que mais mulheres consigam ocupar esse espaço. Angélica Souza é publicitária, de bem com a vida e tem um senso de humor que, na maioria das vezes, faz as pessoas rirem. Alucinada por futebol - daquelas que não pode ver uma bola que já sai chutando - sabe da importância e responsabilidade de ser uma mulher com essa paixão. Nas costas, gosta da 10, e no peito, o coração é verde e branco e bate lá na Turiassú. Roberta Nina é aquariana por essência, são-paulina por escolha e jornalista de formação. Tem por vocação dar voz às mulheres no esporte.

Sobre o blog

Futebol não é coisa de mulher. Rugby? Vocês não têm força para jogar... Lugar de mulher é na cozinha, não no campo, na quadra, na arquibancada. Já ouviu isso muitas vezes, né?! Mas o ~dibradoras surgiu para provar justamente o contrário. Mulher pode gostar, entender e praticar o esporte que quiser. E quem achar que não, a gente ~dibra ;)

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