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O que esperar do São Paulo no futebol feminino em 2020?

Renata Mendonça

15/01/2020 04h00

Foto: Igor Amorim (saopaulofc.net)

Campeão da série A2 do Brasileiro e vice-campeão paulista em 2019, o São Paulo retornou ao futebol feminino já com um projeto bem-sucedido. Mesmo com atletas mais novas e pouco experientes e com uma estrutura ainda deficitária, o clube teve sucesso e agora fará sua estreia na primeira divisão nacional com grandes desafios pela frente.

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Para isso, o São Paulo apresentou reforços nesta terça-feira no CT da Barra Funda e prometeu um time competitivo neste ano. Com perdas importantes, como as da meia Ary Borges e das atacantes Cristiane, Ottilia e Valéria, o clube ficou com oito jogadoras que já estavam em 2019, subiu mais cinco da base e contratou outas oito para fechar o elenco com 26 atletas. As atacantes Glaucia (que veio do Santos) e Duda (que estava no Avaldsness da Noruega) são os principais nomes do grupo que foi apresentado à imprensa.

"O mercado se aqueceu bastante, a gente aproveitou oportunidades de mercado para trazer atletas que pudessem agregar", afirmou o técnico Lucas Piccinato.

"A gente acabou trazendo 31 atletas no ano passado, ninguém se conhecia, montamos um time do zero. Agora a gente tem uma base de 13 jogadoras que estavam aqui. Metade do elenco me conhece e conhece minha maneira de trabalhar. Estou bem ansioso, se essa equipe der liga, vai ser muito competitiva", completou.

Foto: Igor Amorim / saopaulofc.net

Apesar de contar com um bom investimento para os padrões do futebol feminino – e com carteira assinada para todas as jogadoras, algo que ainda é raridade na modalidade -, o São Paulo esbarrou numa dificuldade na hora de atrair jogadoras: o da estrutura. O clube atualmente disponibiliza o campo sintético do social para as jogadoras (que precisam dividir horários com os associados) e a academia funciona no mesmo esquema. Houve jogadoras que até ouviram propostas financeiras melhores do São Paulo para este ano, mas preferiram outros clubes por conta desse aspecto. Para amenizar a situação, o Tricolor busca encaixar treinos para as mulheres na Barra Funda e em Cotia (no CT da base).

"A gente vai usar toda a estrutura de treinamento que o São Paulo oferece, a Barra Funda, Cotia e o social, para poder dar o melhor para as atletas. Será uma questão de demanda, vamos entender quando é mais necessário um treino nessas estruturas, será uma estratégia da comissão técnica quando precisar. Sobre estádio, nós vamos usar Cotia a princípio, com a possibilidade de mandar alguns jogos maiores aqui na capital", informou o treinador.

Uma coisa que chamou a atenção também na apresentação foi a presença de apenas homens na comissão técnica da equipe – contrariando uma recomendação da própria Fifa, que chega a exigir mulheres nas comissões técnicas de suas competições femininas. Em 2019, o clube contou com o bom trabalho da ex-jogadora Nildinha na equipe técnica, mas ela acabou demitia no início deste ano.

Foto: Igor Amorim / saopaulofc.net

"Agradeço muito a passagem que a Nildinha teve aqui. A diretoria optou por fazer essa troca. Mas nós temos a intenção de trazer mulheres para essa comissão", disse Lucas.

Perguntas como essa tiveram que ser direcionadas a ele, porque ninguém entre os dirigentes do futebol feminino do clube esteve na coletiva de imprensa – nem Antonio Luiz Belardo, diretor, nem Amauri Nascimento, coordenador.

Força do elenco

Bem reforçado para o ataque, o São Paulo talvez sinta mais falta de alguns nomes no meio-campo para fazer o papel de Ary Borges na criação das jogadas ofensivas. Essa é uma posição ainda carente no elenco de Lucas, mas o treinador já vê algumas possíveis soluções – como acionar Duda para jogar no meio ou também usar mais a jovem Yayá atuando adiantada.

"Óbvio que perder uma jogadora como a Ary é muito difícil. Mas a gente está tranquilo com a Yayá, a própria Duda tem condição de fazer esse meio-campo, então acho que a gente vai conseguir solidificar uma maneira de jogar para abastecer a Glaucia", observou.

Na defesa, Bruna Cotrim e Thais Regina ganharam o reforço da jovem Lauren Leal, de apenas 17 anos, que vem de títulos na base do São Paulo para estrear no profissional neste ano.

"Tive 5 anos de base, acho que se você for perguntar para as meninas mais velhas, nenhuma delas teve isso, todas foram direto para o profissional. E esse é um processo muito importante pro atleta, onde ele realmente cresce no futebol. Agora é a realização de um sonho, jogar num time grande profissional. Aprendi muita coisa, amadureci muito nesse tempo todo, e esse vai ser um ano de muito aprendizado, quero aprender muito com as meninas mais velhas aqui", afirmou a jogadora, que tem grandes expectativas pelo sucesso que o futebol feminino tem alcançado no mundo todo.

Nova atacante do São Paulo, Duda já tinha jogado com Thais Regina no Sport (Foto: Dibradoras)

"O momento é muito bom, o mercado da bola, muitas especulações de contratações, acho que esse ano vai ser maravilhoso para o futebol feminino, com a Olimpíada também".

Se em 2019, o time do São Paulo era visto como jovem (média de idade de 23 anos), agora o clube buscou se reforçar com atletas um pouco mais experientes. O técnico Lucas disse na coletiva que esse foi um dos seus objetivos na ida ao mercado: amadurecer o elenco. E com certeza uma das melhores apostas é a atacante Glaucia, que distribuiu assistências e colecionou gols no ano passado pelo Santos.

 

"Eu não pego como pressão, porque no Santos também já tinha muita pressão. Eu tive uma aposta grande da Emily (técnica), mesmo eu não estando com a parte física tão boa. A pressão eu deixo para vocês falarem. Sei que por tudo o que eu fiz no ano passado, a expectativa é grande para esse ano, mas vou deixar as coisas acontecerem, quero fazer um ano ainda melhor agora", disse a atacante.

Além dela e de Duda, o São Paulo trouxe Mylla, Kamilla e Carol (atacantes), Thais Helena (goleira), Gislaine (zagueira) e Dani (lateral-esquerda).

A estreia do clube no Brasileiro deste ano será em 9 de fevereiro contra o Cruzeiro em Belo Horizonte.

Sobre as autoras

Renata Mendonça é jornalista, são-paulina, e apaixonada por esporte desde que se conhece por gente. Foi em um ~dibre desses da vida que conseguiu unir trabalho e paixão sendo jornalista esportiva. Hoje, sua luta é para que mais mulheres consigam ocupar esse espaço. Angélica Souza é publicitária, de bem com a vida e tem um senso de humor que, na maioria das vezes, faz as pessoas rirem. Alucinada por futebol - daquelas que não pode ver uma bola que já sai chutando - sabe da importância e responsabilidade de ser uma mulher com essa paixão. Nas costas, gosta da 10, e no peito, o coração é verde e branco e bate lá na Turiassú. Roberta Nina é aquariana por essência, são-paulina por escolha e jornalista de formação. Tem por vocação dar voz às mulheres no esporte.

Sobre o blog

Futebol não é coisa de mulher. Rugby? Vocês não têm força para jogar... Lugar de mulher é na cozinha, não no campo, na quadra, na arquibancada. Já ouviu isso muitas vezes, né?! Mas o ~dibradoras surgiu para provar justamente o contrário. Mulher pode gostar, entender e praticar o esporte que quiser. E quem achar que não, a gente ~dibra ;)

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