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Em temporada brilhante, Debinha vira artilheira na era Pia e vive auge

Renata Mendonça

13/12/2019 07h00

SÃO PAULO – SP – 29/08/2019 – BRASIL X ARGENTINA – Torneio Internacional de Futebol Feminino de Seleções, no Estádio do Pacaembú, em São Paulo. Foto: Mauro Horita.

Já durante a Copa do Mundo, Debinha foi talvez a grande surpresa do Brasil. Não porque ninguém sabia que ela era uma ótima jogadora, mas porque ela costumava ficar no banco da seleção brasileira. Uma contusão de Marta às vésperas do Mundial a colocou como titular do primeiro jogo e, dali em diante, ela não saiu mais.

Debinha é a típica jogadora brasileira: a do drible, do improviso, do um contra um, que parte para cima e deixa o adversário para trás. Mas na Copa do Mundo faltou uma coisa para ela: o gol. Ou os gols, afinal. Foram inúmeras tentativas de chegar nele, mas todas parava ou na goleira, ou na trave ou para fora. De lá para cá, mudou o comando técnico da seleção e mudou também a realidade de Debinha em campo: já foram cinco gols em sete jogos com a treinadora Pia Sundhage.

Não é que Debinha não se desse bem com a outra comissão. Mas é que Pia percebeu logo de cara o nível do talento da jogadora e já a chamou de canto para conversar. Debinha passou a treinar com a sueca chegar à linha de fundo e cruzar – e também entrar mais na área para finalizar dali. Logo no primeiro jogo, ela já deixou sua marca. Depois, conforme os jogos foram passando, Debinha foi mostrando sua grande fase, seja jogando no ataque, seja no meio-campo, como foi escalada nesta quinta-feira diante do México, na Arena Corinthians.

"Ela (Pia) trabalha muito focado no que ela quer, cruzamento da linha de fundo, finalização, antes do jogo a gente está sempre fazendo finalização, e claro, a confiança né. Não que com a outra comissão eu não tivesse, mas quando ela chegou, ela me deu bastante liberdade e bastante confiança, isso conta muito para um atleta", declarou às dibradoras.

SÃO PAULO – SP – 29/08/2019 – BRASIL X ARGENTINA – Torneio Internacional de Futebol Feminino de Seleções, no Estádio do Pacaembú, em São Paulo. Foto: Mauro Horita.

No jogo contra as mexicanas, Debinha saiu de campo com um gol e uma linda assistência quando o Brasil abriu o marcador. Ela deu um passe perfeito encontrando Duda avançando livre pela esquerda, e a atacante que joga na Noruega finalizar para o gol. Ainda no primeiro tempo, aproveitou a sobra da bola no meio da área para empurrá-la para o fundo das redes. Humilde, ela também ressalta que ainda precisa melhorar – e sempre no quesito finalização, que é onde Debinha (e nossa seleção como um todo) só pede.

"Além de estar jogando na liga, jogando com a seleção e tal, acho que eu tive um bom ano, e eu fico feliz. Mas isso mostra também que eu tenho muito para melhorar, muito a trabalhar na seleção também", diz. 

"Acho que o principal trabalho que ela faz é dar confiança. A gente está trabalhando muito finalização para ganhar confiança para o jogo. Acho que isso é fundamental, eu estou me sentindo bem com ela, então acho que isso ajuda no jogo".

A temporada de Debinha foi perfeita nos Estados Unidos. Ela encerrou o ano com 19 jogos, sete gols e 10 assistências. Mas esses números não foram suficientes para que entrasse na "seleção do campeonato", divulgada pela liga antes da final, que seria entre o time da brasileira, o North Carolina, contra o Chicago Red Stars. O fato de ter visto nomes que disputaram apenas quatro jogos em toda a temporada aparecerem para ocupar seu lugar nessa seleção fez com que Debinha fizesse uma comemoração de desabafo ao marcar um dos gols da final – que deu o título ao North Carolina aliás.

Foto: Getty

"Todo mundo estava me perguntando. Acho que juntou muita coisa ali. Claro que eu gostaria de estar na seleção final do campeonato, muitas meninas questionaram a seleção final, porque teve algumas atletas lá que só jogaram dois jogos, três jogos e que estavam entre as 11 e eu não estava lá. Acho que foi um pouco disso, mas primeiramente foi pelo nosso time que estava pela quarta vez disputando a final na liga, acho que acaba criando uma certa rivalidade com os outros, então fizeram enquete, estavam todos torcendo para o Chicago, e acho que não só eu, mas o time inteiro entrou com essa vontade de mostrar que a gente trabalhou o ano inteiro para isso, foi um pouco de cada coisa", disse.

Depois de uma temporada perfeita, Debinha projeta coisas ainda melhores para 2020 – não só para ela como jogadora, mas para o futebol feminino como um todo.

Foto: CBF

"A gente teve muito mais visibilidade com as emissoras, acho que é isso que a gente precisava. Claro que a gente quer mais, quer uma igualdade com o futebol masculino, mas fico feliz de ver o Corinthians, o São Paulo, as campanhas maravilhosas que fizeram. Espero que mais times possam se espelhar nesses grandes e que em 2020 a gente possa ter uma temporada melhor ainda", finalizou.

Debinha agora viaja com a seleção brasileira novamente para Araraquara para enfrentar de novo o México, no domingo, na Fonte Luminosa, às 18h3o (com transmissão do SporTV).  

 

 

 

 

Sobre as autoras

Renata Mendonça é jornalista, são-paulina, e apaixonada por esporte desde que se conhece por gente. Foi em um ~dibre desses da vida que conseguiu unir trabalho e paixão sendo jornalista esportiva. Hoje, sua luta é para que mais mulheres consigam ocupar esse espaço. Angélica Souza é publicitária, de bem com a vida e tem um senso de humor que, na maioria das vezes, faz as pessoas rirem. Alucinada por futebol - daquelas que não pode ver uma bola que já sai chutando - sabe da importância e responsabilidade de ser uma mulher com essa paixão. Nas costas, gosta da 10, e no peito, o coração é verde e branco e bate lá na Turiassú. Roberta Nina é aquariana por essência, são-paulina por escolha e jornalista de formação. Tem por vocação dar voz às mulheres no esporte.

Sobre o blog

Futebol não é coisa de mulher. Rugby? Vocês não têm força para jogar... Lugar de mulher é na cozinha, não no campo, na quadra, na arquibancada. Já ouviu isso muitas vezes, né?! Mas o ~dibradoras surgiu para provar justamente o contrário. Mulher pode gostar, entender e praticar o esporte que quiser. E quem achar que não, a gente ~dibra ;)

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