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Brasil domina e goleia México em jogo esvaziado em SP por falha da CBF

Dibradoras

12/12/2019 14h55

Foto: Lucas Figueiredo CBF

Nesta quinta-feira (12), a seleção brasileira de futebol entrou em campo para fechar a temporada de amistosos em 2019. E foi na Arena Corinthians, diante de menos de 5 mil pessoas, que o Brasil goleou o México por 6 a 0 – com gols marcados por Duda, Debinha, Bia Zaneratto (três vezes) e Millene.

A seleção volta a campo no próximo domingo (12) para o último jogo do ano diante das mesmas adversárias, mas desta vez no interior de São Paulo. Araraquara receberá o time feminino e a partida será realizada às 18h30 no estádio Fonte Luminosa (os ingressos ainda estão à venda pelo site Futebol Card).

O jogo na Arena Corinthians teve um público baixíssimo depois das inúmeras falhas da CBF em promover a partida. Não houve qualquer informações sobre ingressos para o amistoso até esta terça-feira, dois dias antes do duelo acontecer. A entidade pouco promoveu a partida, não divulgou com a devida antecedência e alegou problemas técnicos com o site para a venda dos ingressos – problema negado pela empresa que administrou a comercialização, que alegou que a CBF só a procurou na segunda-feira para viabilizar a venda das entradas.

Foto: dibradoras

Uma pena o público ter sido tão baixo, porque o jogo dentro de campo foi um espetáculo. Apesar do baixo nível técnico do México, a seleção se impôs, mostrou um futebol bonito, de triangulações, e dominou completamente a partida para fazer os 6 a 0. As mexicanas mal chegaram ao gol de Lelê, que ainda se apresentou como ótima alternativa no gol, já que ela tem uma saída de bola muito bem treinada com os pés – algo que falta à Bárbara, a goleira titular.

Uma exibição excelente do time de Pia Sundhage, que desta vez trocou muitas peças do time titular – até por não poder contar com algumas tradicionais jogadoras que atuam na Europa e não foram liberadas. Com Andressinha, Luana e Debinha atuando no meio-campo, a seleção produziu muito ofensivamente e sofreu muito pouco defensivamente.

O primeiro gol veio, aliás, de excelente passe de Debinha, que deixou Duda livre pela esquerda para finalizar de maneira perfeita, cruzado e no alto, sem chances para a defesa da goleira. Depois, a própria camisa 9 fez o dela numa bola que sobrou na área para ela chutar. No segundo tempo. Bia Zaneratto fez o terceiro após a ajeitada de cabeça da Gabi Zanotti. O quarto veio também com Bia em finalização perfeita. Depois Millene entrou na área e chutou tirando da goleira, e Bia mais uma vez fechou a conta com o sexto gol já nos minutos finais.

Retornos e estreias

Para este último teste, a treinadora Pia Sundhage pôde contar com o retorno da atacante Cristiane (que se lesionou durante a Copa do Mundo e estava em recuperação) e da meia Gabi Zanotti, que ficou de fora da equipe brasileira desde 2016. A lateral Fabi Simões também voltou a ser convocada depois de se machucar na preparação para o Mundial e a goleira Luciana, titular da equipe no Mundial do Canadá, em 2015, também foi chamada pela treinadora após ótima temporada na Ferroviária.

(Foto: Lucas Figueiredo / CBF)

Novos nomes também compõem a lista, como as goleiras Carla (São Paulo) e Gabrielli (Flamengo). Na defesa, as laterais Isabella (Palemiras), Bruna Calderan (Avaí/Kindermann), e Fernanda Palermo (Flamengo), além da atacante Duda ( Avaldsnes Il) estrearam na seleção principal.

Duda, aliás, foi uma grata surpresa no time. Ela se movimentou bastante na frente, pelos lados e pelo meio, buscou o jogo e fez um golaço para abrir o placar no primeiro tempo. Deu mostras de que vai buscar vaga na seleção de Pia. Cristiane também foi titular na partida atuando ao lado de Bia lá na frente e teve algumas oportunidades para marcar de cabeça e num chute cruzado dentro da área – esse que até entrou, mas foi anulado por suposto impedimento.

No meio-campo, Andressinha foi um dos melhores nomes do jogo, dando passes precisos, lançamentos milimétricos e cruzamentos certeiros. Ela tem uma visão de jogo diferenciada e com certeza ganhou pontos com Pia na partida.

Duda fez o primeiro gol do Brasil e o primeiro dela na estreia com a camisa da seleção (Foto: Lucas Figueiredo / CBF)

Nesse setor, a treinadora testou também Gabi Zanotti no segundo tempo. A jogadora corintiana foi bem no ataque, mas se complicou em uma bola na defesa em que foi tirar e chutou para o meio da área, gerando uma situação de perigo para as mexicanas. Ainda assim, ela se movimentou bem e deu passe para o terceiro gol do Brasil.

Defensivamente, a seleção não sofreu nenhum apuro, com o México raramente passando do meio-campo. A marcação do Brasil é alta com Pia e isso costuma gerar alguns problemas – mas desta vez as zagueiras Erika e Bruna Benites conseguiram tirar a maioria das bolas sem deixar as adversárias avançarem nas suas costas.

Um jogo muito produtivo para a seleção, que poderia ter feito um placar ainda mais elástico se não tivesse perdido tantos gols.

 

Histórico do confronto

O primeiro jogo entre Brasil e México no futebol feminino aconteceu em 1998, na US Cup. A partida aconteceu no estádio Frontier Field, em Nova Iorque e o Brasil venceu as adversárias por 11×0.

Na história dos duelos, o Brasil enfrentou o México 13 vezes, venceu 11 partidas e perdeu apenas uma. A única derrota brasileira aconteceu em 2012, em território brasileiro, por 2×1. Com o resultado de hoje, o Brasil já marcou 58 gols contra o México e sofreu apenas 9.

As cinco maiores artilheiras do Brasil diante das mexicanas são: Marta (9 gols), Pretinha (7 gols), Roseli (6 gols), Cristiane e Debinha (5 gols), e Sissi, Formiga, Rosana e Bia com três gols cada uma.

O Brasil entra em campo de novo no domingo, às 18h30, contra o mesmo México, na Fonte Luminosa em Araraquara – com transmissão do Sportv.

Sobre as autoras

Renata Mendonça é jornalista, são-paulina, e apaixonada por esporte desde que se conhece por gente. Foi em um ~dibre desses da vida que conseguiu unir trabalho e paixão sendo jornalista esportiva. Hoje, sua luta é para que mais mulheres consigam ocupar esse espaço. Angélica Souza é publicitária, de bem com a vida e tem um senso de humor que, na maioria das vezes, faz as pessoas rirem. Alucinada por futebol - daquelas que não pode ver uma bola que já sai chutando - sabe da importância e responsabilidade de ser uma mulher com essa paixão. Nas costas, gosta da 10, e no peito, o coração é verde e branco e bate lá na Turiassú. Roberta Nina é aquariana por essência, são-paulina por escolha e jornalista de formação. Tem por vocação dar voz às mulheres no esporte.

Sobre o blog

Futebol não é coisa de mulher. Rugby? Vocês não têm força para jogar... Lugar de mulher é na cozinha, não no campo, na quadra, na arquibancada. Já ouviu isso muitas vezes, né?! Mas o ~dibradoras surgiu para provar justamente o contrário. Mulher pode gostar, entender e praticar o esporte que quiser. E quem achar que não, a gente ~dibra ;)

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