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CBF mostra descaso com seleção feminina ao vender ingresso a 2 dias do jogo

Renata Mendonça

10/12/2019 09h46

Torneio Internacional de Futebol Feminino de Seleções, no Estádio do Pacaembú, em São Paulo. Foto: Mauro Horita.

*Post atualizado às 10h48

A seleção brasileira feminina se despedirá do ano histórico de 2019 com dois amistosos no Brasil, ambos contra o México. O primeiro será nesta quinta-feira, às 21h, na Arena Corinthians, em São Paulo, e o segundo no domingo, dia 15, na Fonte Luminosa em Araraquara. Só que mesmo faltando apenas dois dias para a primeira partida, ninguém ainda conseguiu comprar ingressos para ver de perto as craques da seleção.

Isso porque a CBF só liberou a venda das entradas às 10h30 desta terça-feira. A reportagem apurou que houve um problema com o site que disponibiliza essa comercialização que só foi resolvido agora. Por conta disso, a confederação ainda não havia divulgado nada sobre como seria a venda de ingressos para as duas partidas.

Torcedores inundaram a CBF e as próprias jogadoras com mensagens perguntando sobre os detalhes para ir aos jogos. A resposta de um dos dirigentes da entidade a uma torcedora, por exemplo, evidenciou um certo descaso e até indiferença com a seleção feminina: "Amanhã estarão liberados. Não vai lotar e teremos lugares para todas".

A demora para disponibilizar a venda dos ingressos infringe a lei do Estatuto do Torcedor, que diz: "Art. 20. É direito do torcedor partícipe que os ingressos para as partidas integrantes de competições profissionais sejam colocados à venda até 72 horas antes do início da partida correspondente."

É inadmissível que se demore tanto para anunciar a venda de ingressos para um jogo da seleção brasileira. É impossível garantir a presença do público se não há qualquer divulgação sobre a entrada no estádio com alguma antecedência. E faltando pouco mais de 48h para a partida, ninguém ainda conseguia se programar para ir à Arena, porque não sabia se teria ingresso para isso.

A gente evita aqui fazer qualquer comparação com a seleção masculina porque os contextos são bem diferentes ainda, mas aqui não tem como negar que esse cenário jamais aconteceria se fosse a equipe de Neymar e companhia em campo. A dois dias de um jogo da seleção masculina, é impossível pensar que os ingressos ainda não estariam sendo comercializados.

Foto: CBF

"Ah, mas a seleção masculina sempre lota estádio". Sim, hoje em dia isso é a realidade. A seleção masculina tem 100 anos de uma história muito bonita e vencedora e é isso que a faz encher as arquibancadas por aqui. A seleção feminina, por sua vez, está começando a construir essa história agora. São apenas 30 anos de existência – aliás, de resistência, dado que elas enfrentaram proibição por lei e o desprezo da CBF por muito tempo. Agora, quando finalmente a entidade passou a investir um pouco mais, a mudança começa a acontecer.

A Copa feminina foi um sucesso de audiência, a nova treinadora Pia Sundhage já virou celebridade por onde passa e a torcida começou a conhecer e admirar também a seleção feminina. Era justamente o momento de aproveitar tudo isso para fazer um espetáculo dentro de campo e uma festa linda fora dele. Mas a desorganização – e talvez até mesmo o descaso com a equipe das mulheres – faz com que um simples problema de ingresso não seja resolvido mesmo a dois dias de um jogo. Não há como fidelizar uma torcida, trazer público para o estádio e mostrar a importância de apoiar a seleção feminina jogando em casa se não há uma divulgação com o mínimo de antecedência sobre os jogos que serão feitos aqui.

A premiação da CBF com jogadoras e jogadores lado a lado no palco foi linda e admirável. Mas é preciso ir além da festa. O que era para ser o desfecho perfeito para um ano histórico do futebol feminino com a seleção jogando no Brasil está fadado a ser um fiasco por incompetência de quem organizou esses amistosos.

OBS: Os ingressos finalmente foram liberados e as informações sobre venda estão no site da CBF.

Sobre as autoras

Renata Mendonça é jornalista, são-paulina, e apaixonada por esporte desde que se conhece por gente. Foi em um ~dibre desses da vida que conseguiu unir trabalho e paixão sendo jornalista esportiva. Hoje, sua luta é para que mais mulheres consigam ocupar esse espaço. Angélica Souza é publicitária, de bem com a vida e tem um senso de humor que, na maioria das vezes, faz as pessoas rirem. Alucinada por futebol - daquelas que não pode ver uma bola que já sai chutando - sabe da importância e responsabilidade de ser uma mulher com essa paixão. Nas costas, gosta da 10, e no peito, o coração é verde e branco e bate lá na Turiassú. Roberta Nina é aquariana por essência, são-paulina por escolha e jornalista de formação. Tem por vocação dar voz às mulheres no esporte.

Sobre o blog

Futebol não é coisa de mulher. Rugby? Vocês não têm força para jogar... Lugar de mulher é na cozinha, não no campo, na quadra, na arquibancada. Já ouviu isso muitas vezes, né?! Mas o ~dibradoras surgiu para provar justamente o contrário. Mulher pode gostar, entender e praticar o esporte que quiser. E quem achar que não, a gente ~dibra ;)

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