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'Estou no lugar certo, na hora certa', diz Pia sobre seleção feminina

Renata Mendonça

28/11/2019 11h47

Foto: CBF

A técnica Pia Sundhage já foi bicampeã olímpica comandando o "melhor time do mundo" nos Estados Unidos, já dirigiu a seleção de seu país natal e faturou a prata nos Jogos Olímpicos do Rio e parecia já ter conquistado tudo o que qualquer técnico de futebol poderia sonhar. Mas neste ano, surgiu o novo desafio: comandar a seleção brasileira feminina. E ela não titubeou.

O Brasil é "o país do futebol", e Pia sempre ouviu isso desde muito pequena. Cresceu ouvindo as histórias de como o time de Pelé e cia encantou os suecos mesmo faturando o título da Copa do Mundo na casa deles em 1958. E agora, o objetivo dela é fazer desse também o país do futebol feminino. Por incrível que pareça, não parece ter havido melhor momento na história do que esse para fazer isso acontecer.

"Eu estou muito orgulhosa de estar aqui. Eu tenho muita sorte. Tem muita coisa acontecendo agora no futebol feminino. Esse ano foi algo realmente inovador. Se você falar sobre Inglaterra x Alemanha em Wembley (quase 80 mil pessoas no estádio), é incrível muita gente. Mas eu penso que quando a gente fala sobre futebol feminino, a gente tinha que estar no Brasil. Eu estou no lugar certo e na hora certa. Tem muita coisa que a gente pode fazer aqui", afirmou a treinadora em coletiva de imprensa realizada nesta quarta-feira na CBF.

"Os Estados Unidos venceram muita coisa, a Alemanha também, mas a gente tem que mencionar o Brasil quando a gente fala de futebol. E agora a gente tem que adicionar aí o futebol feminino nisso. Eu estou muito feliz de estar aqui", reforçou.

Foto: CBF

Pia faz parte da mudança que está em curso no futebol feminino por aqui. Ela chegou como uma unanimidade para comandar uma seleção cheia de talentos, mas que sofria com a falta de organização tática. Além disso, é um nome vitorioso e que já tem história na modalidade, e agora veio ajudar o Brasil a conseguir suas estrelas para as mulheres. Mas o melhor de tudo é que ela veio em um momento em que a torcida brasileira finalmente teve a oportunidade de conhecer a seleção feminina e se apaixonar por ela. Por isso, não demorou muito para Pia virar celebridade por aqui. Por onde ela passa, distribui selfies e retribui carinho aos agora amantes do futebol feminino.

"É um momento diferente. Quando eu jogava pela seleção sueca na década de 1970, ninguém me perguntava se eu estava orgulhosa de vestir aquela camisa. Hoje todo mundo pergunta como eu me sinto em estar aqui. E sim, estou muito orgulhosa e feliz por estar no Brasil nesse momento."

Com os campeonatos femininos conseguindo mais visibilidade, os jogos passaram a ter um público maior, que culminou no recorde registrado na Arena Corinthians para a final do Paulista, quando quase 30 mil torcedores estiveram lá para ver Corinthians e São Paulo. Além disso, a audiência das transmissões, tanto dos torneios de clubes, quanto dos amistosos da seleção, também têm batido recordes. Tudo isso deixa Pia empolgada para o futuro – pensando inclusive na possibilidade do país sediar a Copa do Mundo feminina em 2023 (o Brasil se candidatou, mas compete com outros oito países).

"Seria sensacional se a gente tivesse a Copa do Mundo feminina aqui. Aquela garotinha, aquele garotinho, teriam a chance de assistir ao mais alto nível do futebol feminino. Isso significa muito. Quando você fala de futebol no mundo inteiro, você fala do Brasil. Seria o momento perfeito para o futebol feminino se a Copa do Mundo fosse aqui", reforçou.

(Foto: Daniela Porcelli/CBF)

Preparação olímpica

Prestes a completar quatro meses no cargo – e seguindo para sua quarta convocação -, Pia já vê alguma evolução na seleção brasileira sob seu comando, principalmente na organização defensiva. Nos próximos amistosos, que não serão em datas Fifa, a treinadora não pôde contar com atletas que atuam na Europa e deu chance para muitas outras que atuam no Brasil mostrarem seu valor. O período de treinos também vai ser maior (13 dias) e isso faz com que Pia tenha mais tempo para mostrar suas ideias ao time.

"Acho que o Brasil é muito bom em retomar a posse de bola, mas em primeiro lugar a gente falou sobre saber estar atrás da bola. Estar mais organizado, com ou sem a bola. Acho que a gente está um pouco melhor nisso. Contra o Canadá, a gente conseguiu parar a equipe delas. Se eu estou satisfeita? Não, de forma nenhuma, mas está um pouco melhor", pontuou.

Foto: Mauro Horita/CBF

Desde que chegou, a técnica reforça sempre que não quer perder a qualidade técnica do Brasil no ataque, mas sim deixar o time organizado, sabendo se defender em todos os setores.

"A gente não está falando só sobre quem está na defesa, mas do time inteiro, a defesa começa na Marta, na Bia Zaneratto. Se você melhora a defesa, você terá um ataque muito melhor. Precisamos chegar mais perto do gol. Vocês sempre vão reconhecer o Brasil técnico, só que um pouco mais organizado na defesa."

A seleção feminina terá mais dois jogos para fechar o ano – ambos contra o México, sendo o primeiro no dia 12 de dezembro, na Arena Corinthians (São Paulo) e o segundo dia 15 de dezembro na Fonte Luminosa (Araraquara). As informações sobre horários das partidas e ingressos ainda não foram divulgadas.

 

Sobre as autoras

Renata Mendonça é jornalista, são-paulina, e apaixonada por esporte desde que se conhece por gente. Foi em um ~dibre desses da vida que conseguiu unir trabalho e paixão sendo jornalista esportiva. Hoje, sua luta é para que mais mulheres consigam ocupar esse espaço. Angélica Souza é publicitária, de bem com a vida e tem um senso de humor que, na maioria das vezes, faz as pessoas rirem. Alucinada por futebol - daquelas que não pode ver uma bola que já sai chutando - sabe da importância e responsabilidade de ser uma mulher com essa paixão. Nas costas, gosta da 10, e no peito, o coração é verde e branco e bate lá na Turiassú. Roberta Nina é aquariana por essência, são-paulina por escolha e jornalista de formação. Tem por vocação dar voz às mulheres no esporte.

Sobre o blog

Futebol não é coisa de mulher. Rugby? Vocês não têm força para jogar... Lugar de mulher é na cozinha, não no campo, na quadra, na arquibancada. Já ouviu isso muitas vezes, né?! Mas o ~dibradoras surgiu para provar justamente o contrário. Mulher pode gostar, entender e praticar o esporte que quiser. E quem achar que não, a gente ~dibra ;)

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