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Recém-formada, seleção feminina de beach soccer conquista bronze em Mundial

Roberta Nina

16/10/2019 12h04

(Foto: Miriam Jeske/COB)

Após 30 anos de existência do time masculino, a seleção feminina de futebol de areia finalmente foi montada pela primeira vez. Diante da possibilidade de disputar o ANOC World Beach Games – ou Jogos Mundiais de Praia – as mulheres conquistaram o direito de vestir um uniforme oficial e representar o Brasil na competição com a chancela da Confederação de Beach Soccer do Brasil (CBSB).

E em seu primeiro torneio oficial, elas não decepcionaram. Nesta quarta-feira (16), em Doha, no Catar, o time brasileiro de futebol de areia venceu a Rússia – equipe tradicional na modalidade, bicampeãs europeias e com uma das ligas mais fortes do mundo – por 4×3 e subiu ao pódio de maneira inédita.

Com 'atraso' de 30 anos, 1ª seleção feminina de futebol de areia é formada

Natalie, Lelê Lopes, Jasna, Dani Barboza, Bárbara Colodetti, Noele, Adriele, Lelê Villar, Lorena e Nayara são as pioneiras que cravaram seu nome na história do beach soccer feminino do Brasil e que, sem dúvidas, abrirão portas para uma legião de garotas e mulheres que desejam ser como elas.

A competição

Sem nunca terem jogado juntas, as atletas embarcaram com muita alegria para o Catar. Lelê Villar – indicada entre as três melhores do mundo em 2017 – custava a acreditar que, finalmente, tinha chegado o momento de vestir a tão sonhada camisa brasileira. 

"Às vezes é até difícil de acreditar. Fico olhando as meninas aqui com o uniforme do Brasil e penso: caramba, está acontecendo. É muito emocionante. A gente não deveria lutar por direitos. Mas a gente lutou e conseguiu, é uma vitória de todas as mulheres", revelou em entrevista às dibradoras dias antes de embarcar para a competição.

Foto: Douglas Emmanuel/NB Photopress

E com muito orgulho, o Brasil estreou contra Cabo Verde e venceu por 7×2. Na sequência, enfrentou o México em um jogo equilibrado onde foi preciso muita garra para virar o placar. A seleção brasileira perdia por 4×1 mas conseguiu empatar a partida em 4×4, contando com a importante participação da goleira Lelê Lopes que defendeu um pênalti quando o placar estava 4×3 para as mexicanas.

O resultado foi decidido nas penalidades e o Brasil venceu por 4×3 com a goleira Natalie fazendo duas defesas. E assim, a equipe brasileira se classificou para a semifinal.

Na disputa pelo primeiro lugar do grupo, as brasileiras foram derrotadas pelas espanholas por 6×3 e partiram para a semifinal contra a Inglaterra. As adversárias tem uma equipe forte e competitiva, mas o Brasil começou muito bem no jogo. Abriu vantagem de 4×2 para as inglesas, mas sofreu a virada no 3º período, por 6×5, após muitos erros de marcação.

A seleção brasileira ainda teve a oportunidade de empatar nos 10 segundos finais do jogo, em cobrança de pênalti, mas a goleira inglesa defendeu a cobrança.

Brasil comemora contra a Inglaterra (Foto: Miriam Jeske/COB)

Restava brigar pelo bronze enfrentando o país que é uma potência na modalidade: a Rússia. A defensora brasileira Barbara Colodetti recentemente fez história ao ser a primeira estrangeira a atuar no campeonato russo – um dos mais fortes do mundo – e ser campeã.

Mesmo diante de uma seleção entrosada e favorita, o Brasil brigou com unhas e dentes por essa conquista histórica e ela veio. O Brasil saiu atrás no placar no primeiro período, mas marcou 4 gols no tempo seguinte, com Adriele, Lorena e dois de Dani Barboza – que aos 37 anos esbanja vigor e habilidade.

(Foto: Miriam Jeske/COB)

A conquista do bronze brasileiro nas areias de Doha representa uma luta das mulheres que, enfim, foi reconhecida. Mesmo sem uma seleção para defender, se um campeonato local consolidado para disputar, elas jamais desistiram daquilo que mais amavam.

Vitória do Brasil, mas acima de tudo, vitória histórica das resistentes mulheres da praia!

Sobre as autoras

Renata Mendonça é jornalista, são-paulina, e apaixonada por esporte desde que se conhece por gente. Foi em um ~dibre desses da vida que conseguiu unir trabalho e paixão sendo jornalista esportiva. Hoje, sua luta é para que mais mulheres consigam ocupar esse espaço. Angélica Souza é publicitária, de bem com a vida e tem um senso de humor que, na maioria das vezes, faz as pessoas rirem. Alucinada por futebol - daquelas que não pode ver uma bola que já sai chutando - sabe da importância e responsabilidade de ser uma mulher com essa paixão. Nas costas, gosta da 10, e no peito, o coração é verde e branco e bate lá na Turiassú. Roberta Nina é aquariana por essência, são-paulina por escolha e jornalista de formação. Tem por vocação dar voz às mulheres no esporte.

Sobre o blog

Futebol não é coisa de mulher. Rugby? Vocês não têm força para jogar... Lugar de mulher é na cozinha, não no campo, na quadra, na arquibancada. Já ouviu isso muitas vezes, né?! Mas o ~dibradoras surgiu para provar justamente o contrário. Mulher pode gostar, entender e praticar o esporte que quiser. E quem achar que não, a gente ~dibra ;)

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