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É hoje: Libertadores feminina já teve time histórico com Marta e Cristiane

Renata Mendonça

11/10/2019 12h04

Foto: Acervo Histórico Santos FC

Começa nesta sexta-feira (11), em Quito, no Equador, a 11ª edição da Libertadores feminina. Essa será a primeira vez com 16 participantes na competição, que até ano passado tinha apenas 12.

Os representantes brasileiros serão o Corinthians, campeão brasileiro de 2018, e a Ferroviária, que herdou a vaga do vice (o Rio Preto encerrou as atividades no futebol feminino, e o Flamengo/Marinha, terceiro colocado, abriu mão de participar por conta dos Jogos Mundiais Militares).

Ferroviária de Araraquara: campeã em 2016 (Foto: Conmebol)

O torneio vai acontecer mesmo diante do caos político que tomou conta de Quito nesta semana, obrigando o Corinthians a mudar de hotel por questões de segurança. A cidade instaurou toque de recolher durante a noite em alguns pontos e já não é mais sede administrativa do governo – o Equador transferiu a capital para Guayaquil diante dos inúmeros protestos. Ainda assim, a Conmebol garante que há condições de realizar a competição no local.

Tanto Corinthians, quanto Ferroviária buscam o bicampeonato – o time alvinegro foi campeão em 2017 ainda na parceria com o Audax, e a equipe de Araraquara levantou a taça em 2015. O torneio terá transmissão exclusiva do DAZN começando com a estreia das "Guerreiras Grenás" nesta sexta-feira às 21h30 contra o Mundo Futuro da Bolívia. O time alvinegro joga sábado (12) às 19h contra o Club Nañas, do Equador.

Audax/Corinthians é o atual campeão da Libertadores Feminina. (Foto: AFP)

O Brasil é o maior vencedor do torneio com 7 títulos em 10 edições e já teve times históricos na competição, como o Santos de Marta e Cristiane em 2009. Aqui relembramos algumas das equipes brasileiras que deixaram seus nomes na taça do torneio.

Santos, 2009

Se no futebol masculino, o Santos é conhecido mundialmente por ter tido um dos melhores times de todos os tempos com Pelé, Coutinho e cia, no feminino, o clube com certeza também já entrou para a história com o time formado pelas mulheres em 2009. Com Marta, Cristiane e outras craques, as chamadas "Sereias da Vila" atropelavam qualquer adversário e colecionavam goleadas jogo após jogo. 

Foto: Santos FC

Na Copa do Brasil daquele ano, o Santos fez nada menos do que 49 gols em sete jogos, somando a impressionante média de 7 gols por partida. A equipe foi campeã tomando apenas um gol em toda a competição. E foi esse time empolgante que conquistou a torcida santista e passou a pressionar a Conmebol pela organização de uma Libertadores da América – afinal, essa era a ordem natural das coisas no futebol masculino, o campeão da Copa do Brasil disputava a Libertadores.

A entidade máxima do futebol nas Américas chancelou, então o torneio, que foi praticamente todo organizado pelo próprio Santos. O clube trouxe a competição para acontecer na cidade em 4 estádios (o Ulrico Mursa e a Vila Belmiro em Santos, o Pacaembu em São Paulo e o Antônio Fernandes no Guarujá).

Foto: Santos FC

A primeira edição da Libertadores feminina teve 10 equipes na disputa que durou duas semanas. O campeão não poderia ser outro: o Santos fechou a competição com 29 gols em seis jogos. A artilheira absoluta daquela edição foi Cristiane, com 15 gols. A parceria dela com Marta em campo levava a torcida ao delírio, e juntas elas construíram ali aquele que seria o melhor ataque da história da Libertadores, com uma média de quase cinco gols por jogo. A Vila Belmiro se tornou o caldeirão para as Sereias, que chegaram a lotar o estádio na final com um público de 14.186 pessoas.

Aquele time histórico ainda conquistaria mais um título em 2010 para depois ter um desfecho melancólico com o anúncio do fim do futebol feminino no clube em 2011. O Santos só voltaria a investir nas mulheres quatro anos depois. 

São José, 2014

Até 2014, todas as Libertadores foram realizadas no Brasil, variando as cidades. Nesse ano em específico, o São José buscaria seu tricampeonato para se firmar como o maior campeão da história do torneio e um dos times mais tradicionais no futebol feminino brasileiro. A sede do torneio foi a própria cidade de São José dos Campos, localizada no interior, a menos de 100km da capital. 

O São José foi campeão em 2011 e 2013 e colecionava craques no elenco, com Formiga sendo um dos maiores destaques da equipe. Em 2012, Cristiane reforçou a equipe do interior, foi artilheira da competição, mas o São José acabou perdendo na semi e ficando com o terceiro lugar da Libertadores.

Foto: Divulgação São José

Mas 2014 talvez tenha sido um dos anos mais memoráveis para o time de São José dos Campos. Com um timaço que reunia veteranas da seleção como Formiga e Rosana, além de cultivar novatas que fariam muito sucesso depois com a amarelinha, como Andressa Alves, o São José fez uma campanha inquestionável naquele ano e levantou pela terceira vez o caneco. 

Foram 23 gols anotados e somente três gols sofridos. A final terminou em goleada para o São José por 5 a 1 sobre o Caracas como Martim Pereira lotado. E Andressa Alves terminou como uma das artilheiras da competição com 6 gols. 

Foto: Divulgação São José

Foi essa conquista que credenciou o São José a disputar o Mundial de Clubes em dezembro daquele ano em Tóquio, no Japão. O torneio foi disputado no mesmo formato do masculino e as brasileiras estrearam na semifinal contra o time da casa, Urawa Reds, vencendo por 1 a 0. A final foi contra o Arsenal, da Inglaterra, e o São José fez 2 a 0 com Rosana e Giovânia para garantir o título inédito. 

Equipe do São José – com Formiga e Andressa Alves – campeãs do mundo (Foto: Mengo do Japão/ Divulgação)

Outros títulos brasileiros

O Brasil é o maior vencedor da Libertadores feminina disparado. São três títulos para o São José, dois para o Santos, um para a Ferroviária (2015) e outro para o Audax/Corinthians (2017). Agora, esses dois times terão a chance de buscar o bi em Quito. 

Sobre as autoras

Renata Mendonça é jornalista, são-paulina, e apaixonada por esporte desde que se conhece por gente. Foi em um ~dibre desses da vida que conseguiu unir trabalho e paixão sendo jornalista esportiva. Hoje, sua luta é para que mais mulheres consigam ocupar esse espaço. Angélica Souza é publicitária, de bem com a vida e tem um senso de humor que, na maioria das vezes, faz as pessoas rirem. Alucinada por futebol - daquelas que não pode ver uma bola que já sai chutando - sabe da importância e responsabilidade de ser uma mulher com essa paixão. Nas costas, gosta da 10, e no peito, o coração é verde e branco e bate lá na Turiassú. Roberta Nina é aquariana por essência, são-paulina por escolha e jornalista de formação. Tem por vocação dar voz às mulheres no esporte.

Sobre o blog

Futebol não é coisa de mulher. Rugby? Vocês não têm força para jogar... Lugar de mulher é na cozinha, não no campo, na quadra, na arquibancada. Já ouviu isso muitas vezes, né?! Mas o ~dibradoras surgiu para provar justamente o contrário. Mulher pode gostar, entender e praticar o esporte que quiser. E quem achar que não, a gente ~dibra ;)

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