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Brasil toma sustos, mas bate Polônia e mantém invencibilidade com Pia

Renata Mendonça

08/10/2019 17h24

Foto: CBF

Após a vitória inédita sobre a Inglaterra no sábado, a seleção brasileira entrou em campo novamente nesta terça-feira para enfrentar a Polônia em Kielce (POL) na Suzuki Arena. Com gols de Formiga, Tamires e Debinha, o time comandado por Pia Sundhage saiu mais uma vez vitorioso, agora com o placar de 3 a 1 (Malgorzata Mesjasz descontou de cabeça para as donas da casa).

Com esse resultado, o Brasil já soma quatro jogos sem perder desde que a treinadora sueca assumiu: vitória por 5 x 0 sobre a Argentina na estreia, empate em 0 a 0 com o Chile, vitória por 2 a 1 sobre a Inglaterra e agora 3 a 1 em cima da Polônia.

A seleção feminina voltará a campo em novembro, quando disputará o Torneio da China contra as donas da casa, a Nova Zelândia e Mianmar.

O jogo

Pia Sundhage costuma dizer que os amistosos neste momento servem para testar e conhecer o time e ela tem feito jus a esse conceito. Antes de entrar em campo nesta terça, o Brasil sob o comando dela já tinha tido em campo 26 das 30 jogadoras que ela convocou desde a primeira vez que a assumiu a equipe.

Diante da Polônia, não foi diferente. A técnica fez trocas em todos os setores. Na defesa, entrou com Poliana na lateral e Daiane compondo a dupla de Erika na zaga. No meio-campo, entraram Thaisa e Andressa Alves. E no ataque houve uma chance para Vic Albuquerque e Ludmila.

A escalação inicial foi: Barbara; Poliana, Daiane, Erika, Tamires; Formiga, Thaisa, Andressa Alves e Marta; Vic Albuquerque e Ludmila.

O Brasil começou se movimentando bem no ataque e contando com o reforço de Andressa Alves nas bolas paradas. E foi assim que saiu o primeiro gol, em cobrança de escanteio dela que encontrou Formiga livre na área para cabecear com elegância, aos 9 minutos de jogo.

Foto: CBF

O problema é que o gol logo no início fez com que a seleção diminuísse um pouco o ritmo. Com a linha de defesa mais alta, a seleção passou a tomar bolas nas costas nas enfiadas em profundidade das polonesas. Em duas oportunidades, a camisa 9 Pajor saiu cara a cara com Bárbara – melhor para a goleira nas duas oportunidades, que também foram anuladas por impedimentos duvidosos apontados pela bandeirinha.

A seleção teve dificuldade para se encontrar na defesa novamente, ficou com o lado direito praticamente anulado – já que Poliana subia para apoiar o ataque e deixava buracos nas suas costas – e criou muito pouco durante boa parte do tempo. Nos minutos finais, a seleção ainda cresceu com a chance criada por Ludmila, que foi buscar a bola no meio-campo, girou pra cima da defesa adversária, se livrou da marcação, tabelou com Marta pela esquerda e chutou cruzado para ganhar o escanteio.

O placar até ficou barato considerando alguns sustos que a seleção levou.

Na etapa final, mais uma vez muitas mudanças na equipe. Pia entrou com Debinha no lugar de Vic, Kathellen assumindo a lateral direita mais uma vez e Luana substituindo Thaisa para dar mais velocidade no meio-campo do Brasil.

Deu certo, a seleção perdeu duas oportunidades já no início do segundo tempo, apertando a saída de bola polonesa, mas desperdiçando as oportunidades com Debinha e Luana. Ainda assim, a camisa 9 brasileira logo apareceria de novo para fazer uma jogadaça pela direita deixando Tamires livre na área para empurrar para as redes: 2 a 0 Brasil.

O time ficou mais organizado com as mudanças e deu menos chances às adversárias, mas uma falta boba (e duvidosa) anotada pela arbitragem deu a oportunidade da Polônia diminuir. No cruzamento, a marcação aérea bobeou, e Malgorzata Mesjasz fez de cabeça.

O Brasil ainda tomou mais um contra-ataque com Pajor saindo na cara de Bárbara, que de novo salvou a seleção brasileira, mas ao longo do segundo tempo foi conseguindo controlar o jogo. Sem recuar em nenhum momento, a equipe canarinha seguia tentando atacar e teve mais qualidade e velocidade na saída de bola com a entrada de Luana. Marta atuou mais pela direita e também ajudou na criação – apesar de, de novo, ter tido atuação apagada – e Andessa Alves chegava pela esquerda para buscar espaços ao lado de Tamires.

Foto: CBF

E mais uma vez foi Debinha quem fazia a diferença, quebrando a compactada marcação polonesa para criar as melhores oportunidades do Brasil. Ela foi premiada com o terceiro gol, em jogada linda de Ludmila pela direita, que terminou na frente da linha, apenas para a camisa 9 colocar no fundo das redes. A bandeira tinha apontado um impedimento (que não existiu), mas logo a juíza confirmou o gol.

Nos minutos finais, o Brasil seguiu pressionando a todo momento e poderia ter chegado ao quarto gol com Bia Zaneratto em cabeceio no travessão.

O que mais chamou a atenção no jogo foi a postura corajosa e madura da seleção, de não se abalar com o gol tomado e seguir pressionando no ataque o tempo todo, sem recuar a equipe para jogar no contra-ataque. Esse estilo de jogo ofensivo é característico de Pia e é importante ver que ela está conseguindo implementar essas ideias na seleção.

Ainda há muito a evoluir, especialmente acertando a marcação defensiva e melhorando as transições do Brasil. Mas os jogos até aqui serviram para perceber que Pia não tem medo de tentar. Ela quer observar o máximo de jogadoras possíveis até encontrar a melhor formação para a seleção brasileira. As vitórias, sem dúvidas, ajudam na construção do time ideal.

Sobre as autoras

Renata Mendonça é jornalista, são-paulina, e apaixonada por esporte desde que se conhece por gente. Foi em um ~dibre desses da vida que conseguiu unir trabalho e paixão sendo jornalista esportiva. Hoje, sua luta é para que mais mulheres consigam ocupar esse espaço. Angélica Souza é publicitária, de bem com a vida e tem um senso de humor que, na maioria das vezes, faz as pessoas rirem. Alucinada por futebol - daquelas que não pode ver uma bola que já sai chutando - sabe da importância e responsabilidade de ser uma mulher com essa paixão. Nas costas, gosta da 10, e no peito, o coração é verde e branco e bate lá na Turiassú. Roberta Nina é aquariana por essência, são-paulina por escolha e jornalista de formação. Tem por vocação dar voz às mulheres no esporte.

Sobre o blog

Futebol não é coisa de mulher. Rugby? Vocês não têm força para jogar... Lugar de mulher é na cozinha, não no campo, na quadra, na arquibancada. Já ouviu isso muitas vezes, né?! Mas o ~dibradoras surgiu para provar justamente o contrário. Mulher pode gostar, entender e praticar o esporte que quiser. E quem achar que não, a gente ~dibra ;)

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