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Sob comando de Pia, Brasil vence Inglaterra pela 1ª vez na história

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05/10/2019 10h48

Foto: CBF

*Por Olga Bagatini, de Middlesbrough (ING) para as dibradoras

A seleção brasileira enfrentou a Inglaterra neste sábado em Middlesbrough, no Riverside Stadium, e no primeiro grande teste da era Pia, saiu com a vitória de 2 a 1 sobre a Inglaterra.

O Brasil abriu o placar com Debinha de cabeça aos três minutos do segundo tempo e ampliou com a mesma atacante aos 21 minutos. A Inglaterra diminuiu aos 35 com England. Essa foi a primeira vez que a seleção feminina venceu as inglesas na história.

Importante pontuar a leitura de jogo da treinadora sueca, que mudou bastante a seleção no segundo tempo após uma atuação apagada nos primeiros 45 minutos. Pia povoou o meio-campo, tirou Marta e colocou Maria para ajudar na armação, deslocou a zagueira Kathellen para a lateral, e a seleção jogou mais solta no ataque e mais segura na defesa, sem se assustar tanto com as chegadas inglesas.

Resultado importante e com a assinatura da nova treinadora, que viu o Brasil melhorar demais após suas alterações.

Foto: CBF

O jogo

A treinadora mudou um pouco a escalação com relação aos primeiro amistosos, tirou Andressa Alves e Ludmila do ataque, e apostou também na novata Giovanna para a lateral direita. Mas diante de um adversário mais forte e organizado pela primeira vez, o time de Pia sentiu muitas dificuldades na marcação e viu as inglesas chegarem na área com frequência. Fosse com a lateral direita Lucy Bronze e a atacante Parris em cima de Tamires, ou com Beth Mead avançando pela outra ponta em cima de Giovanna, as donas da casa tiveram muitas chances no primeiro tempo.

Em uma oportunidade, elas até chegaram ao gol com Taylor, mas foi anotado o impedimento.

A seleção teve dificuldades na transição da defesa para o ataque com o meio-campo muito espaçado e sem ninguém assumindo a função de armar o time. Formiga era a que mais tentava avançar, mas parava na marcação. Marta ficou recuada, mais presa pelo lado esquerdo e também não conseguiu apoiar o ataque. As poucas oportunidades que o Brasil teve foram nos chutes de fora da área de Bia Zaneratto.

Para a segunda etapa, Pia mudou completamente a seleção justamente povoando o meio-campo, que estava todo espaçado. Maria, Ludmila e Mônica entraram nos lugares de Marta, Chú e Giovanna. A treinadora puxou Kathelen pra lateral, colocou Maria pra apoiar o ataque e trouxe a velocidade de Ludmila na frente. Isso já mudou a postura do Brasil em campo, e em uma jogada de habilidade da Tamires pela esquerda, driblando a marcadora, Debinha apareceu livre pra cabecear logo nos primeiros três minutos da etapa final: 1 a 0 para a seleção.

Foto: CBF

À frente no placar, o Brasil jogou mais tranquilo e conseguindo se organizar melhor em campo. Com Kathellen na lateral direita, a seleção cedeu menos espaços para a Inglaterra atacar e deu liberdade para Maria e Debinha avançarem pelos lados.

Foi assim que saiu a jogada do segundo gol aos 21 minutos, na habilidade de Maria se livrando da marcação e encontrando Debinha na área. A atacante chutou, a bola desviou e enganou a goleira inglesa. Com isso, a seleção abriu 2 a 0 sobre uma adversária fortíssima que se viu acuada em campo.

Nos minutos finais, as inglesas pressionaram e conseguiram um gol numa bola de England pelo alto, que Mônica não conseguiu antecipar.

Foto: CBF

Ainda assim, o resultado foi excelente e mostrou um poder de reação da seleção brasileira, que fez um primeiro tempo muito ruim, mas se encontrou com as mudanças na etapa final. Mais organizado e menos afobado, o Brasil conseguiu vencer diante de um estádio lotado de torcedores apoiando a seleção inglesa – foram quase 30 mil presentes.

Mais um bom sinal de que o trabalho de Pia está em evolução.

A seleção feminina volta a campo nesta terça-feira para enfrentar a Polônia às 15h15 com transmissão do Sportv.

Sobre as autoras

Renata Mendonça é jornalista, são-paulina, e apaixonada por esporte desde que se conhece por gente. Foi em um ~dibre desses da vida que conseguiu unir trabalho e paixão sendo jornalista esportiva. Hoje, sua luta é para que mais mulheres consigam ocupar esse espaço. Angélica Souza é publicitária, de bem com a vida e tem um senso de humor que, na maioria das vezes, faz as pessoas rirem. Alucinada por futebol - daquelas que não pode ver uma bola que já sai chutando - sabe da importância e responsabilidade de ser uma mulher com essa paixão. Nas costas, gosta da 10, e no peito, o coração é verde e branco e bate lá na Turiassú. Roberta Nina é aquariana por essência, são-paulina por escolha e jornalista de formação. Tem por vocação dar voz às mulheres no esporte.

Sobre o blog

Futebol não é coisa de mulher. Rugby? Vocês não têm força para jogar... Lugar de mulher é na cozinha, não no campo, na quadra, na arquibancada. Já ouviu isso muitas vezes, né?! Mas o ~dibradoras surgiu para provar justamente o contrário. Mulher pode gostar, entender e praticar o esporte que quiser. E quem achar que não, a gente ~dibra ;)

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