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30 milhões viram Brasil x França, a maior audiência da história da Copa

Renata Mendonça

25/06/2019 08h03

Foto: CBF

Está ficando cada vez mais difícil para os 'haters' que insistem em dizer que "futebol feminino não dá audiência". Esta Copa do Mundo feminina veio como um marco para comprovar que, quando há divulgação e visibilidade, os números evidenciam que um jogo de mulheres pode, sim, ter grande interesse do público.

O Ibope divulgou os números de audiência do jogo entre Brasil e França, pelas oitavas de final da Copa do Mundo feminina. A partida aconteceu no último domingo, às 16h, e teve mais de 30 milhões de espectadores ligados na TV para acompanhar a seleção feminina.

Somando a transmissão de Globo, Band e SporTV, foram 35,245 milhões de pessoas assistindo à partida. Somando todas as TVs do país que estavam ligadas em um canal aberto, 53% delas estavam na Globo durante a transmissão do jogo.

Esse número é simplesmente a maior audiência da história das Copas do Mundo de futebol feminino no mundo inteiro. Antes, o detentor do recorde era os Estados Unidos, que registraram 25,6 milhões de espectadores assistindo à final do Mundial em 2015, quando as americanas derrotaram o Japão e conquistaram o tricampeonato.

Foto: Museu do Futebol

Para se ter uma ideia do crescimento de uma Copa para a outra no Brasil, em 2015 o SporTV também transmitiu os jogos da seleção feminina, mas naquela época havia pouquíssima divulgação – por parte dos próprios canais que estavam transmitindo – sobre os horários dos jogos e qualquer coisa relacionada ao Mundial. Os números de audiência, obviamente, foram bem menos expressivos naquele ano. Em 2015, o jogo entre Brasil x Austrália nas oitavas de final da Copa teve apenas 0,82 ponto de audiência no SporTV (a Globo nem transmitiu) e, neste ano, a mesma fase do torneio teve uma audiência 300% maior, chegando a 3,26 pontos.

Na Globo, a audiência também foi aumentando gradativamente nos jogos do Brasil. O primeiro, contra a Jamaica, superou os 19 milhões de espectadores. O último da primeira fase, contra a Itália, também chamou a atenção por ter batido os 22 milhões, mesmo numa terça-feira à tarde. E as oitavas, no "horário nobre do futebol" no domingo, o número superou todas as expectativas, ultrapassado 30 milhões.

Foto: CBF

É importante ressaltar que a Band tradicionalmente transmitia os Mundiais femininos, mas nunca houve uma audiência tão expressiva por dois motivos principais: 1 – nunca se falou tanto sobre uma Copa feminina, o que fez com que as pessoas finalmente soubessem que o torneio estava acontecendo. 2 – a maior emissora do país não estava transmitindo, e isso faz diferença porque amplia muito o número de pessoas acompanhando.

Não foram poucas as vezes que ouvimos pessoas dizendo que essa seria a "primeira Copa do Mundo feminina" da história. Isso porque elas não tinham ideia de que acontecia um Mundial das mulheres de quatro em quatro anos desde 1991. E não tinham ideia porque realmente não havia qualquer divulgação.

 

Claro que sempre existiram páginas independentes e amantes do futebol feminino que falavam do torneio com frequência – Planeta Futebol Feminino, a jornalista Lu Castro, o jornalista Edu Pontes, a página "Vitrine do Futebol Feminino", o Joga Miga, e as próprias dibradoras, que surgiram em 2015 para falar disso -, mas o impacto é muito diferente quando os principais veículos de imprensa passam a divulgar o torneio. E quando os jogos da seleção são transmitidos na maior emissora do país, os números comprovam o interesse: são pelo menos 30 milhões de pessoas que pararam para ver a seleção feminina jogando. Isso não é pouca coisa.

Foto: CBF

É importante ressaltar que essa conquista é também de todos esses veículos menores, que ajudaram a criar um movimento em prol do futebol feminino e a alertar a grande mídia sobre a necessidade de dar visibilidade às mulheres no futebol. Não foi "por acaso" que a Globo se interessou em transmitir a Copa feminina este ano.

O melhor de tudo é que os números registrados neste Mundial dão suporte àquilo que sempre falamos por aqui: o interesse do público pelo futebol feminino só pode vir quando o público conhecer o futebol feminino. As pessoas não têm como se interessar por algo que não conhecem. Essa Copa do Mundo trouxe isso: fez a torcida brasileira "descobrir" a seleção feminina, as histórias de luta das jogadoras, e a realidade difícil da modalidade. E a torcida abraçou essas mulheres, acompanhou todos os jogos, vibrou, celebrou e sofreu junto com elas pela eliminação. A identificação foi tão grande, que o aeroporto de Guarulhos encheu na madrugada desta terça-feira para receber as jogadoras que voltavam da Copa do Mundo após a eliminação para a França. Imagens lindas e que arrepiam.

Recepção da seleção feminina no aeroporto de Guarulhos (Foto: Olga Bagatini)

Nas redes sociais, também foi possível notar um interesse enorme das pessoas em acompanhar a Copa feminina. No Observatório do Mundial Feminino, um monitoramento feito pela Vert Inteligência Digital em parcerias com as dibradoras, ficou claro o impacto que os jogos da seleção tiveram no Twitter, Facebook e Instagram. No jogo contra a Itália, as conversas chegaram a alcançar mais de 92 milhões de pessoas. Desta vez, no jogo contra a França, por ser num domingo, as redes sociais tiveram um impacto um pouco menor, mas ainda bem expressivo: 23 milhões de usuários. Entre os veículos que apareceram como principais emissores de informações sobre o tema, o dibradoras liderou a lista superando os veículos tradicionais como Rede Globo, Mundo ESPN e outros.

 


O crescimento do número de seguidores das atletas do Brasil nas redes sociais também é um indício sobre o aumento do interesse a respeito delas. Cristiane, por exemplo, começou essa Copa com menos de 200 mil seguidores no Instagram – hoje ela já tem 827 mil. Formiga, que teve um perfil criado por lá um pouco antes do Mundial tinha menos de 3 mil seguidores no dia da abertura, 7 de junho. Agora ela já conta com mais de 65 mil.

Todos esses números demonstram que tem muita gente querendo saber mais, ver mais e acompanhar mais o futebol das mulheres no Brasil. Se antes, muitos veículos de imprensa usavam como muleta o argumento de que "futebol feminino não dava audiência", hoje essa frase já está obsoleta. E com visibilidade, é possível atrair mais investimentos, patrocínios e finalmente fazer a modalidade crescer como merece por aqui. Talento nós temos de sobra, falta saber aproveitá-los – que essa Copa seja um marco para mudarmos de vez essa história.

 

Sobre as autoras

Renata Mendonça é jornalista, são-paulina, e apaixonada por esporte desde que se conhece por gente. Foi em um ~dibre desses da vida que conseguiu unir trabalho e paixão sendo jornalista esportiva. Hoje, sua luta é para que mais mulheres consigam ocupar esse espaço. Angélica Souza é publicitária, de bem com a vida e tem um senso de humor que, na maioria das vezes, faz as pessoas rirem. Alucinada por futebol - daquelas que não pode ver uma bola que já sai chutando - sabe da importância e responsabilidade de ser uma mulher com essa paixão. Nas costas, gosta da 10, e no peito, o coração é verde e branco e bate lá na Turiassú. Roberta Nina é aquariana por essência, são-paulina por escolha e jornalista de formação. Tem por vocação dar voz às mulheres no esporte.

Sobre o blog

Futebol não é coisa de mulher. Rugby? Vocês não têm força para jogar... Lugar de mulher é na cozinha, não no campo, na quadra, na arquibancada. Já ouviu isso muitas vezes, né?! Mas o ~dibradoras surgiu para provar justamente o contrário. Mulher pode gostar, entender e praticar o esporte que quiser. E quem achar que não, a gente ~dibra ;)

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