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Time de tradição no feminino, Avaí Kindermann tem craques formadas em casa

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05/12/2020 04h00

Foto: Divulgação

*Por Mariana Pereira

Se de um lado, o Corinthians reúne algumas das principais craques do futebol feminino no país, do outro, o Avaí Kindermann aposta num projeto sem estrelas renomadas, mas com muita qualidade no jogo coletivo para buscar o título brasileiro.

Finalista em 2014 ainda sem a "camisa" do Avaí, o Kindermann sempre foi um time de muita tradição no futebol feminino. E isso aconteceu também pelo trabalho que o clube fazia no futsal. Hoje um dos principais nomes do time, Julia Bianchi começou seus ~dibres justamente nas quadras do clube catarinense.

Eleita por duas vezes a Craque da Partida nas semifinais do Brasileiro Feminino 2020 diante do São Paulo, Julia respira o Avaí Kindermann desde 2011, quando tinha apenas 14 anos. Foi no clube de Caçador que a atleta iniciou sua trajetória com a bola, só que no futsal antes de migrar para o campo.

"Eu fico muito feliz por ter sido eleita a Craque da Partida e agradecida a todos que votaram, que reconheceram meu desempenho, meu trabalho. Mas eu devo muito isso às minhas companheiras de equipe porque o futebol é coletivo, a gente não joga sozinha, então se eu consegui conquistar essa premiação individual foi graças a todo o trabalho coletivo por de trás disso", salienta a atleta.

Foto: Twitter @BRFeminino

Natural de Lajeado Grande, Santa Catarina, Julia passou por Centro Olímpico, Ferroviária e Madrid CFF antes de retornar ao Avaí Kindermann, em 2016. Ela não esteve presente na campanha de 2014, que levou o clube à final do nacional. Entretanto, o seu retorno acontece junto com a retomada do clube na modalidade, ou seja, com a chegada de Jorge Barcellos no comando do elenco.

"Para mim, particularmente, está sendo um momento bem especial. Chegar à final do Brasileirão foi extremamente importante e satisfatório porque a gente vem em um trabalho de anos aqui (no Avaí/Kindermann), tentando manter a base e contratando peças importantes que nos ajudam a melhorar nosso trabalho em equipe. Nos anos anteriores tínhamos uma formação tática e apostávamos nela durante o campeonato todo. Esse ano a gente pôde ter algumas variações táticas e acho que isso tem beneficiado a nossa equipe, tanto coletivamente quanto individualmente", explica a jogadora.

A camisa 10 cresceu junto com o Avaí Kindermann ao longo da competição e isso atraiu a atenção da técnica Pia Sundhage. Na última data FIFA, Julia não só esteve presente na convocação, como estreou pela equipe principal e fez um dos gols da vitória do Brasil por 8 a 0 diante do Equador. Uma das representantes dessa nova geração, ela faz questão de enaltecer o desenvolvimento da Seleção com o passar dos anos.

 

"Eu e outras atletas pudemos notar ao longo do campeonato que a Pia e toda a comissão observam os jogos. Isso já é uma mudança muito grande e muito importante para nós que atuamos no Brasil. Essa questão também de jogar com uma nova camisa, escudo próprio é bem positivo porque nós, quanto atletas, defendendo a seleção vamos buscar a nossa própria estrela. As mudanças vêm acontecendo dentro da seleção. Tem grande destaque toda essa gestão da CBF também, profissionalizando cada vez mais o futebol no Brasil", afirma a meia.

E não é só o trabalho na equipe brasileira que impressiona a jogadora. Uma atleta em específico encheu os olhos de Júlia durante sua passagem com a Seleção. "Nesse período em que eu tive a oportunidade de atuar com algumas jogadoras, eu fiquei muito feliz e inspirada em ver a Formiga jogar. A forma como ela conduz o trabalho dentro de campo, conversando com as demais jogadoras, orientando, é muito diferente, é bem especial. Eu já era fã do futebol da Formiga, e com certeza depois dessa convocação, sou ainda mais", exalta Júlia.

Foto: Thais Magalhaes / CBF

Em busca do seu primeiro título de Campeonato Brasileiro, a camisa 10 do Avaí Kindermann vê como trunfo da sua equipe a boa relação entre o elenco. "Claro que a gente vê no campeonato muitas equipes com jogadoras que já têm o seu nome consolidado no futebol feminino nacional e a nossa equipe não tem muitas dessas jogadoras. Então, eu acredito que muito se deve a força do nosso grupo, trabalho em equipe. A gente tem uma confiança muito grande uma na outra, uma amizade muito grande e sempre se fala 'A equipe se torna uma família' e eu consigo enxergar isso no Kindermann de uma forma muito clara, que nos tornamos uma família que uma luta pela outra dentro de campo", pontua Julia. "O trabalho em equipe ao longo do campeonato todo nos credenciou a estar nessa final", conclui.

O jogo de volta entre Corinthians e Avaí Kindermann será exibido no Twitter do BR Feminino, na Band, ESPN e também na Rádio CBN. É o futebol feminino dominando todas as plataformas!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre as autoras

Angélica Souza é publicitária, de bem com a vida e tem um senso de humor que, na maioria das vezes, faz as pessoas rirem. Alucinada por futebol - daquelas que não pode ver uma bola que já sai chutando - sabe da importância e responsabilidade de ser uma mulher com essa paixão. Nas costas, gosta da 10, e no peito, o coração é verde e branco e bate lá na Turiassú. Renata Mendonça é apaixonada por esporte desde que se conhece por gente. Foi em um ~dibre desses da vida que conseguiu unir trabalho e paixão sendo jornalista esportiva. Hoje, sua luta é para que mais mulheres consigam ocupar esse espaço. Roberta Nina é aquariana por essência, são-paulina por escolha e jornalista de formação. Tem por vocação dar voz às mulheres no esporte.

Sobre o blog

Futebol não é coisa de mulher. Rugby? Vocês não têm força para jogar... Lugar de mulher é na cozinha, não no campo, na quadra, na arquibancada. Já ouviu isso muitas vezes, né?! Mas o ~dibradoras surgiu para provar justamente o contrário. Mulher pode gostar, entender e praticar o esporte que quiser. E quem achar que não, a gente ~dibra ;)

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