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Após oito meses sem atuar, Brasil goleia Equador e mostra repertório

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27/11/2020 22h46

Foto: CBF

A seleção brasileira voltou a campo nesta sexta-feira após 8 meses sem atuar e, diante do Equador, conseguiu uma vitória por 6 a 0 com gols marcados por Debinha (três), Valéria, Rafaelle e Duda. Jogando na Neo Química Arena, o Brasil enfrentou pela primeira vez sua ex-treinadora, Emily Lima, que fazia sua estreia no comando da seleção equatoriana.

Esses dois amistosos foram marcados para as datas Fifa de novembro, as primeiras que a seleção conseguiu aproveitar para enfrentar algum adversário. Desde a parada do futebol, em março, o Brasil conseguiu apenas se reunir duas vezes para uma semana de treinos – a primeira na Granja Comary, apenas com atletas que atuavam no Brasil, e a segunda em Portugal, com atletas que atuavam na Europa e em outros países.

O adversário, inicialmente, seria a Argentina, que acabou cancelando sua ida para o Brasil por conta do aumento de casos da pandemia de coronavírus. Sendo assim, a CBF buscou outro oponente para não perder a oportunidade de entrar em campo.

Contra o Equador, a seleção brasileira, como era esperado, assumiu todo o protagonismo da partida, ficou com a bola na maior parte do tempo e quase não foi ameaçada. Ainda assim, o time comandado por Pia teve algumas dificuldade por erros de passes no setor ofensivo e também no meio-campo em alguns momentos. Mas na habilidade de Debinha, a seleção abriu o placar após cobrança de escanteio no primeiro tempo.

Foto: CBF

Na etapa final, a seleção começou mais lenta com todas as alterações que Pia Sundhage promoveu. Mas depois dos 30 minutos, o time encaixou. Com a seleção equatoriana mais cansada de uma marcação forte toda no campo de defesa, o Brasil soube aproveitar as oportunidades. Com Debinha, fez mais um construindo o gol numa troca de passes com Formiga e Nycole. Depois, em outra bela jogada de Nycole, Valéria aproveitou para ampliar. Aí Rafaelle fez o dela de cabeça.

Em mais um lance genial de Nycole, ela foi derrubada na área, e Debinha converteu a penalidade. Para fechar, Duda acertou um chutaço de fora da área e fechou a conta: 6 a 0.

Teve gol de todos os jeitos e diante de um time que passou quase 100% do tempo jogando com 11 no campo de defesa. A equipe de Pia mostrou repertório ofensivo, mesmo nos momentos de dificuldade. Circulando a bola e com movimentação, além da entrada de novidades da convocação da treinadora, o Brasil conseguiu uma atuação consistente.

Foto: CBF

O adversário era limitado, na estreia da treinadora, e claro que com muitos problemas técnicos. Mas diante de oponentes mais fracos técnicamente, é importante que a seleção saiba se impor. E foi isso que o time brasileiro fez hoje. Se o Brasil ficou mais lento por 20 ou 30 minutos no segundo tempo e também caiu na armadilha da marcação adversária no primeiro, nos 15 minutos finais a seleção soube aproveitar o cansaço das adversárias para construir sua vantagem.

Ainda há muito trabalho a fazer, mas Pia dá mostras de que há um time interessante sendo formado para os Jogos Olímpicos de Tóquio.

O jogo

O Brasil começou intenso na partida, como manda a técnica Pia. Muita marcação na saída de bola para a recuperação da posse ainda no campo de ataque. Formiga conseguiu fazer isso duas vezes em lances que viraram boas chances de ataque para o Brasil.

Ainda assim, por conta da marcação fechada da seleção equatoriana, toda postada no campo de defesa, o Brasil teve dificuldades. Com erros de passe no meio-campo e no último terço do campo, a seleção tinha a bola, mas também apresentava dificuldades para criar oportunidades claras de gol. A primeira veio com um cabeceio da baixinha Debinha, que se posicionou bem entre as defensoras adversárias e exigiu defesa da goleira equatoriana.

O gol saiu de uma bola parada. Andressa Alves cobrou escanteio, no bate-rebate, a bola caiu nos pés da mais habilidosa. Debinha aparecia sozinha na pequena área para ajeitar e fuzilar o gol equatoriano.

O placar do primeiro tempo acabou nisso mesmo, sem nenhuma finalização do Equador.

Foto: CBF

Para a etapa final, Pia entrou em campo já com quatro alterações: saiu a lateral esquerda Tamires, para a entrada da Jucinara, na mesma posição. Saiu Luana e entrou Andressinha pelo meio. Saiu a atacante Ludmila para a entrada de Nycole. E a goleira Bárbara deixou o campo para a entrada de Aline Reis – esta acabou sendo a alteração com menos efeito no jogo, já que as goleiras brasileiras mal tocaram na bola.

Nos primeiros 20 minutos do segundo tempo, a partida ficou bastante sonolenta, o Brasil errando passes, e o Equador sem saber como aproveitar esses erros. Mas aos poucos, a seleção foi encaixando. E com a habilidade de Nycole e Debinha, a seleção conseguiu furar a defesa adversária em dois gols lindos. Primeiro, foi Debinha que concluiu. Depois, Valéria apareceu livre após bela jogada de Nycole pelo lado esquerdo.

Teve também gol de cabeça, com a zagueira Rafaelle aproveitando cruzamento na medida de Andressinha. E Duda deixou o dela, num chutaço lindo de fora da área, sem chance de defesa.

Esse jogo também marcou a estrela do uniforme exclusivo da seleção feminina, que agora não tem mais as estrelas conquistadas nas Copas pela seleção masculina. Começa uma nova história para o time de Pia Sundhage, que vai embusca de suas próprias estrelas.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre as autoras

Angélica Souza é publicitária, de bem com a vida e tem um senso de humor que, na maioria das vezes, faz as pessoas rirem. Alucinada por futebol - daquelas que não pode ver uma bola que já sai chutando - sabe da importância e responsabilidade de ser uma mulher com essa paixão. Nas costas, gosta da 10, e no peito, o coração é verde e branco e bate lá na Turiassú. Renata Mendonça é apaixonada por esporte desde que se conhece por gente. Foi em um ~dibre desses da vida que conseguiu unir trabalho e paixão sendo jornalista esportiva. Hoje, sua luta é para que mais mulheres consigam ocupar esse espaço. Roberta Nina é aquariana por essência, são-paulina por escolha e jornalista de formação. Tem por vocação dar voz às mulheres no esporte.

Sobre o blog

Futebol não é coisa de mulher. Rugby? Vocês não têm força para jogar... Lugar de mulher é na cozinha, não no campo, na quadra, na arquibancada. Já ouviu isso muitas vezes, né?! Mas o ~dibradoras surgiu para provar justamente o contrário. Mulher pode gostar, entender e praticar o esporte que quiser. E quem achar que não, a gente ~dibra ;)

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