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Isabelly é a nova narradora da Band: “cada passo que uma dá, é por todas”

Roberta Nina

31/10/2020 04h00

Vanessa Riche, Isabelly Morais, Eugênio Leal e Nadine Bastos (Foto: Reprodução/Twitter)

Em junho de 2018, a mineira de Itamarandiba, Isabelly Morais, já fez história porque pela primeira vez, desde que Copa do Mundo foi criada em 1930, uma mulher abriu uma transmissão de Mundial comandando os microfones. Isabelly foi a responsável pelo feito na Fox Sports 2, canal que trouxe uma cobertura cheia de vozes femininas na Copa do Rússia.

Neste domingo ela alcança mais um feito, desta vez na TV Bandeirantes, e vai ser a voz que comandará as tardes de futebol feminino aos domingos. Ao seu lado estarão as comentaristas e ex-jogadoras, Milene Domingues e Aline Callandrini – que já faz parte do quadro de comentaristas da emissora desde o ano passado.

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Equipe 100% feminina na TV Bandeirantes: Alline Calandrini, Milene Domingues e Isabelly Morais (Foto: Reprodução/Instagram)

"Quando a gente se envolve com a narração, a gente passa a batalhar muito por mais oportunidades, por mais mulheres em plataformas e veículos distintos. E quando a Band me fez o convite, eu super topei porque se já é difícil a oportunidade de narrar em tevê aberta para um homem, pra uma mulher é muito mais difícil. Venho para essa oportunidade com o coração super aberto de que vai ser importante pra mim e pro movimento da narração de mulheres", afirmou a narradora recém-contratada às dibradoras.

E a equipe de mulheres estará no ar neste domingo (01/11), dentro da programação do "Show do Esporte", a partir das 16h, trabalhando na transmissão de Santos x São Paulo, pelas quartas de final do Brasileiro Feminino.

Mulheres rompendo um hiato de décadas

No final da década de 60, uma equipe 100% feminina cobriu o futebol masculino. Claudete Troiano narrou, e Jurema Yara e Leilah Silveira comentaram uma partida pela Rádio Mulher.

No dia 07 de novembro de 2017 – curiosamente no "Dia do Radialista" -, Isabelly virou notícia, aos 20 anos, ao narrar o jogo entre América-MG e ABC pela Série B do Campeonato Brasileiro Masculino, pela Rádio Inconfidência. Ali, ela já quebrou uma barreira ao se tornar a primeira mulher a narrar uma partida de futebol na história do rádio mineiro.

Foto: Arquivo Pessoal

Ainda em 2017, Elaine Trevisan narrou um jogo do Campeonato Brasileiro masculino diretamente do Morumbi pela Rádio Poliesportiva. Na ocasião, jogavam São Paulo x Bahia e, ao lado de Natália Santana e Juliane dos Santos, fez história em uma transmissão 100% feminina. – algo que não acontecia desde os anos 60.

No ano seguinte, a Fox Sports dedicou um canal específico com a presença feminina em comentários e em narrações durante os jogos da seleção brasileira. Isabelly Morais, Renata Silveira e Manuela Avena foram as narradoras selecionadas no processo seletivo "Narra Quem Sabe" promovido pela emissora que realizou dois meses de treinamentos e testes para que elas pudessem narrar jogos da Copa do Mundo da Rússia.

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Isabelly foi a escolhida para abrir a competição narrando Rússia x Arábia Saudita. "Rola a bola, primeira partida começa na Copa do Mundo Fifa 2018, venha conosco, Rússia e Arábia Saudita", foi assim que Isabelly abriu a transmissão para essa partida histórica. Ao lado dela, Vanessa Riche e Eugênio Leal nos comentários e Nadine Bastos para analisar a arbitragem.

"O que eu quero que aconteça daqui para frente é que as pessoas percebam que é possível sim uma mulher narrar futebol. Durante décadas, a gente que acompanha futebol se acostumou com a narração masculina, e essa voz ficou naturalizada pra gente. Nós nunca ouvimos narração de mulher, então causa uma estranheza, porque é diferente", afirmou Isabelly às dibradoras em novembro de 2017, logo após sua primeira narração na rádio.

Não foram poucas as críticas e os comentários maldosos que a jornalista teve que ler sobre sua narração na internet. Mas ela resistiu e hoje entende que seus primeiros passos foram fundamentais para adquirir experiência e amadurecer na profissão.

"Em três anos eu evolui muito como narradora, como jornalista, como pessoa. A minha experiência com narração caminhou pelo rádio e tela tevê de uma maneira muito linda. E até pela minha passagem pela Rádio Inconfidência, eu evolui muito tecnicamente falando e na própria segurança de narração", contou.

 

"Quando veio a oportunidade na Fox, a minha narração virou de cabeça pra baixo, porque eu passei a entender melhor a minha voz, entender melhor meu tom, entender melhor minha presença na narração. Foi tudo uma construção", completou.

'Entendi que precisava continuar quando olhei ao meu redor e só vi homens'

Em março deste ano, a baiana Manuela Avena também conquistou um espaço importante ao ser a primeira mulher a narrar uma partida da Copa do Nordeste pela TV Aratu, afiliada do SBT na Bahia. Ela também foi uma das narradoras selecionadas pela FOX Sports para o Mundial de 2018, na Rússia, e até narrou gol de Neymar. 

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As três narradoras do Fox Sports: Renata Silveira, Isabelly Morais e Manuela Avena (Foto: Fox/Divulgação)

Agora, Isabelly Morais faz história novamente ao ser a narradora de futebol em uma emissora de tevê aberta. "O que a gente vê hoje é um movimento muito forte de mulheres batalhando muito por mais chances, com mulheres muito capacitadas que querem ocupar esse espaço. Cada passo que uma dá, é por todas. A aceitação do público passa muito por nós em batalhar, persistir e não tirar o pé da narração. Se nas primeiras reações negativas a gente tirar o pé, aí é que as pessoas não se acostumam mesmo. E elas precisam entender que é super possível que uma mulher narre futebol, como a gente tem narrado", finaliza.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre as autoras

Angélica Souza é publicitária, de bem com a vida e tem um senso de humor que, na maioria das vezes, faz as pessoas rirem. Alucinada por futebol - daquelas que não pode ver uma bola que já sai chutando - sabe da importância e responsabilidade de ser uma mulher com essa paixão. Nas costas, gosta da 10, e no peito, o coração é verde e branco e bate lá na Turiassú. Renata Mendonça é apaixonada por esporte desde que se conhece por gente. Foi em um ~dibre desses da vida que conseguiu unir trabalho e paixão sendo jornalista esportiva. Hoje, sua luta é para que mais mulheres consigam ocupar esse espaço. Roberta Nina é aquariana por essência, são-paulina por escolha e jornalista de formação. Tem por vocação dar voz às mulheres no esporte.

Sobre o blog

Futebol não é coisa de mulher. Rugby? Vocês não têm força para jogar... Lugar de mulher é na cozinha, não no campo, na quadra, na arquibancada. Já ouviu isso muitas vezes, né?! Mas o ~dibradoras surgiu para provar justamente o contrário. Mulher pode gostar, entender e praticar o esporte que quiser. E quem achar que não, a gente ~dibra ;)

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