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Paulista Feminino tem desafio após recordes e será transmitido no Facebook

Roberta Nina

13/10/2020 10h00

Corinthians campeão paulista em 2019 (Foto: Bruno Teixeira/Ag Corinthians)

O Campeonato Paulista de 2019 terminou quebrando recordes de público e de audiência com o clássico entre Corinthians e São Paulo na final. As expectativas para 2020 eram ainda maiores, já que seria a primeira edição com premiação para os campeões. Mas sem público, o desafio cresceu ainda mais.

No próximo sábado (17) começa a 23ª edição do Paulista Feminino e a boa notícia é que a visibilidade do torneio está garantida. A Federação Paulista de Futebol (FPF) fechou uma parceria inédita com o Facebook para o futebol feminino. A plataforma adquiriu os direitos de transmissão da competição que terá 12 equipes participantes e 38 partidas exibidas no Facebook Watch – os outros 12 jogos serão transmitidos pelo Mycujoo.

As transmissões serão realizadas pela FPF TV, canal da entidade, com equipe de cobertura inteiramente composta por mulheres: narradoras, comentaristas e repórteres.

A parceria engloba também o lançamento da primeira série documental sobre o futebol feminino no Brasil. "Absolutas – O futebol feminino contra-ataca" tem direção de Lili Fialho e coordenação de João Wainer, uma produção original da FPF TV com a TX Filmes, que terá 8 episódios.

Categorias de base do Centro Olímpico (Foto: Divulgação Centro Olímpico)

A série contará o processo de desenvolvimento do futebol feminino no Brasil, desde a proibição imposta no período da ditadura, abordará temas como a maternidade das atletas, o processo de revelação de jogadoras e o papel da mídia na cobertura da modalidade. A série será exibida às sextas-feiras na página da FPF e do Paulistão Feminino no Facebook. O primeiro episódio será publicado no dia 23 de outubro.

"O futebol feminino cresce a cada ano, e podemos notar esse movimento acontecendo de forma mais acelerada em São Paulo. No ano passado, no Paulistão, tivemos enorme exposição na mídia e, na final, o maior público da história do futebol feminino no Brasil. Para 2020, teremos transmissões do Paulistão, a primeira série documental da história do futebol feminino e outros conteúdos de alta qualidade. É um grande passo que FPF e Facebook dão para alavancar ainda mais a modalidade", afirmou o presidente da FPF, Reinaldo Carneiro Bastos.

Uma nova realidade durante a pandemia

Por conta da pandemia do Covid-19, o Paulista Feminino precisou ser adiado (de abril para outubro) e algumas equipes desistiram de participar da competição. Inicialmente, 16 equipes disputariam a competição, mas neste ano, o campeonato contará com 12 participantes: Corinthians, Ferroviária, Juventus, Nacional, Palmeiras, Realidade Jovem, Red Bull Bragantino, Santos, São José, São Paulo, Taboão da Serra e Taubaté.

Victoria, autora do primeiro gol e artilheira do Corinthians no Paulista (Foto: Bruno Teixeira)

Se em 2019 – impulsionado pelo sucesso de audiência da Copa do Mundo Feminina – o Paulista Feminino atingiu marcas históricas, entre elas, mais de 28 mil torcedores na grande final em Itaquera, a temporada atual tem cenário bem diferente, restrito apenas aos elencos dos clubes, jornalistas e organizadores.

Neste ano, a ideia de realizar um espetáculo nos moldes do ano passado não vai ser possível, mas a aquisição das transmissões por parte do Facebook – plataforma que também tem transmite a Libertadores da América e Champions League (ambos no masculino) – se torna um atrativo.

E Ana Lorena Marche, diretora de futebol feminino na FPF, entende que a transmissão dos jogos e a produção da web-série chegam para oferecer ao público um campeonato de alto nível.

"É uma expectativa da Federação primeiro, entregar um bom produto dentro da segurança exigida, fazer um campeonato nas condições que estamos vivendo, garantindo o máximo de segurança possível. Segundo, conseguir fazer uma entrega tão boa quanto a do ano passado, sem público. É fazer cada vez melhor esse produto, fazer essa entrega e valorizar esses clubes, principalmente aqueles que estão passando por esse momento de dificuldade. Então é o campeonato, é o lançamento oficial, é a websérie, valorizar a história e tudo o que o campeonato Paulista já fez", afirmou às dibradoras.

Santos campeão paulista em 2018 (Foto: Dibradoras)

A primeira rodada tem jogos no sábado, domingo e segunda-feira com Realidade Jovem enfrentando o Taboão da Serra na abertura e Ferroviária e Palmeiras encerrando os confrontos.

Divididos em dois grupos de seis equipes que irão se enfrentar em turno único na primeira fase, os quatro melhores times de cada chave se classificam. As oito equipes serão ranqueadas conforme as campanhas para definir os confrontos das quartas de final.

(Foto: Rafael Citro/SEEL/AD/ECTaubaté)

Com a pontuação sendo somada, o mesmo critério será utilizado para definir as semifinais. O campeonato está previsto para acabar no dia 20 de dezembro com a definição da equipe campeã.

E para aqueles que ficarem pelo caminho haverá a disputa da Copa Paulista. Os quatro times que não se classificarem para as semifinais disputam o quadrangular em outro torneio organizado pela FPF.

Histórico da competição

A primeira edição do Campeonato Paulista Feminino aconteceu em 1997 e, desde então, apenas nos anos 2002 e 2003 não houve disputa. O São Paulo foi o primeiro campeão paulista, mas o time mais copeiro da competição é o Santos, com 4 títulos: 2007, 2010, 2011 e o último em 2018.

 

(Foto: Evelson de Freitas/Folhapress)

Depois do Santos, aparecem Botucatu e São José com 3 títulos cada um. Extra/Fundesport, Portuguesa, São Paulo e Rio Preto já foram bicampeões. E o Palmeiras, a Ferroviária e o Corinthians venceram a competição uma única vez.

E por falar em Corinthians, o time do Parque São Jorge é o atual campeão do torneio. A equipe alvinegra levantou a taça pela primeira vez no ano passado de um jeito pra lá de especial.

Giovanna comemora gol marcado no Morumbi (Foto: Bruno Teixeira)

Começando pela campanha impecável com 20 jogos e 20 vitórias e uma final histórica diante do São Paulo. O primeiro jogo aconteceu no Morumbi – quebrando um jejum de 20 anos sem que o estádio recebesse o futebol feminino – com vitória do Timão por 1×0.

E o jogo decisivo aconteceu em Itaquera, diante de mais de 28 mil pessoas, um feito inédito para as mulheres do futebol. O Corinthians venceu por 3×0 e festejou muito a conquista do título inédito. A torcida foi formada apenas por corinthianos e, ainda assim, o público não deixou de tietar a atacante Cristiane, que na época defendia o rival, São Paulo. A receptividade dos torcedores com a atleta eternizou uma das imagens mais marcantes daquela final.

A maior artilheira da competição é a atacante Katia Cilene, que defendeu o São Paulo no final da década de 90. A jogadora é a primeira e a segunda maior goleadora da história do Paulista, marcando 48 gols na edição de 1999 e 35 gols na edição de 1997.

Duas jogadoras aparecem empatadas na terceira colocação: Nildinha e Grazi marcaram 26 vezes no Paulista de 2008 – mesma marca que a Grazi atingiu sozinha em 2007. Na última edição, Vic Albuquerque, do Corinthians, foi a artilheira marcando 11 gols.

Nildinha defendeu o Corinthians em 2008 e 2009 (Foto: Daniel Augusto Jr. / Agência Corinthians)

Confira data, local e horários dos jogos da primeira rodada:

Sábado, 17 de outubro
10h – Realidade Jovem x Taboão da Serra 
11h – São Paulo x Red Bull Bragantino 
14h – Taubaté x Juventus 

Domingo, 18 de outubro
11h – Santos x Nacional
14h – São José x Corinthians 

Segunda-feira, 19 de outubro
17h – Ferroviária x Palmeiras

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre as autoras

Angélica Souza é publicitária, de bem com a vida e tem um senso de humor que, na maioria das vezes, faz as pessoas rirem. Alucinada por futebol - daquelas que não pode ver uma bola que já sai chutando - sabe da importância e responsabilidade de ser uma mulher com essa paixão. Nas costas, gosta da 10, e no peito, o coração é verde e branco e bate lá na Turiassú. Renata Mendonça é apaixonada por esporte desde que se conhece por gente. Foi em um ~dibre desses da vida que conseguiu unir trabalho e paixão sendo jornalista esportiva. Hoje, sua luta é para que mais mulheres consigam ocupar esse espaço. Roberta Nina é aquariana por essência, são-paulina por escolha e jornalista de formação. Tem por vocação dar voz às mulheres no esporte.

Sobre o blog

Futebol não é coisa de mulher. Rugby? Vocês não têm força para jogar... Lugar de mulher é na cozinha, não no campo, na quadra, na arquibancada. Já ouviu isso muitas vezes, né?! Mas o ~dibradoras surgiu para provar justamente o contrário. Mulher pode gostar, entender e praticar o esporte que quiser. E quem achar que não, a gente ~dibra ;)

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