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Maior artilheira da história do Santos, Ketlen será 1ª a chegar a 100 gols

Dibradoras

11/09/2020 04h00

Ketlen comemora seu 99º gol marcado (Foto: Pedro Ernesto Guerra)

*Por Anita Efraim

Ketlen Wiggers. Esse é o nome da maior artilheira da história das Sereias da Vila. Aos 28 anos, a jogadora está prestes a marcar o 100º gol com a camisa do Santos Futebol Clube. Antes da parada do futebol, devido ao coronavírus, a atacante tinha 97 gols. Os gols que entram na soma são os marcados nos campeonatos Paulista, Brasileiro, Copa do Brasil e Libertadores.

No duelo contra o São José, na última quarta-feira, 9, deixou mais dois. Falta um só para marcar seu nome na história do Santos – mais uma vez.

O início da artilheira

Aos 15 anos, Ketlen saiu de Rio Fortuna, no interior de Santa Catarina, para fazer uma peneira no Santos. Soube da seleção porque a mãe viu em uma revista e saiu de casa confiante de que não voltaria.

A peneira tinha 800 meninas e apenas duas passaram, uma delas era Ketlen. Em 2020, já é difícil falar em categorias de base no futebol feminino – imaginem em 2007. Assim, a menina começou no profissional aos 15 anos. É a segunda jogadora mais nova a estrear pelo Peixe, atrás apenas de Coutinho. O primeiro gol veio ainda naquele ano.

A família da jogadora apoiou que ela seguisse o sonho de ser profissional. Sempre jogou com os irmãos e com a mãe e aos 8 anos entrou na escolinha. Na pequena cidade de Rio Fortuna, com 4 mil habitantes, falava-se mais em futebol feminino do que masculino. "Nunca tive nenhum tipo de preconceito, minha família sempre me apoiou, assim como meus amigos", lembra.

Ketlen em todos os anos que jogou pelo Santos (Foto: Reprodução)

Mas quem a emociona mesmo é a avó, que nunca chegou a conhecer. "Penso muito na minha avó, não a conheci, mas minha mãe sempre me contou que ela era santista, que ela sempre escutava todos esses jogadores pelo rádio. Eu cresci sabendo dessa história toda. Quando eu cheguei no Santos, eu não imaginei poder fazer essa história toda nesse clube. Tudo que eu estou fazendo aqui, é pensando na minha vó. Ela não pôde me ver jogar, mas eu sempre vou dedicar isso a ela", conta.

Quando chegou a Santos, Ketlen foi morar com o treinador e a família dele, o que facilitou a adaptação. E foi na casa do treinador que a atacante se aproximou da religião. Evangélica, a jogadora se considera uma pessoa de fé e abençoada. "Acabei me apaixonando por isso. Sempre tive que Deus era o centro da minha vida e eu não precisava me preocupar com nada mais."

Ketlen campeã da Libertadores Feminina com o Santos (Foto: Reprodução Twitter / Santos FC)

Ketlen ficou no Santos até 2011, quando foi para o Bangu do Rio de Janeiro. Teve também passagens pelo Vitória de Santo Antão, Vithu, da Suécia, Centro Olímpico e, depois, foi jogar em Boston, nos Estados Unidos. O ano era 2015 e o Santos a convidou para voltar. "Aí o coração falou mais alto. Eu quis voltar para o Santos, era meu sonho e eu retornei em abril de 2015", relembra.

Com as Sereias da Vila, a camisa 17 já foi bicampeã paulista (2007 e 2018); campeã da Copa do Brasil (2008); campeã da Libertadores da América (2009) e campeã brasileira (2017).

Ketlen foi a autora do gol do título paulista pelo Santos, em cima do Corinthians, em 2018  (Foto: dibradoras)

Foi no futebol que Ketlen conheceu o marido, que trabalha com esporte. Ele é médico e, quando ela precisou passar por uma cirurgia, os dois se apaixonaram. O sogro é santista e presidente do fã-clube da atacante, segundo ela mesma conta. A cada jogo, ele faz um relatório sobre o desempenho dela e ajuda a melhorar.

Ketlen pensa muito no 100º gol, em como vai comemorar a marca, mas também em parar de jogar. O sonho da jogadora é ser mãe. "Não posso dizer uma data ainda, mas eu tenho o objetivo de alcançar o 100º gol, conquistar títulos pelo Santos para retomar o lugar do clube, no topo. Mas ano que vem é outra conversa", diz. "No momento exato (de parar), eu com certeza vou sentir."

No último jogo do Santos antes da pausa por causa da pandemia, as Sereias da Vila enfrentaram o Grêmio no Rio Grande do Sul. A melhor amiga de Ketlen esteve no jogo e levou o filho, que tinha apenas 5 meses na ocasião, para que a atacante entrasse com ele em campo. "Foi uma alegria muito grande. Na hora, o útero chegou a coçar", brinca.

 

Graças a uma bolsa dada pelo Santos, além de atacante, Ketlen é formada em Educação Física desde 2018. Quando voltou ao Brasil, um dos objetivos era fazer faculdade. Se o futuro será com o futebol, Ketlen ainda não sabe. O que ela mais gosta é poder trabalhar com crianças.

Na próxima rodada do Campeonato Brasileiro, as Sereias enfrentam o Minas Brasília. Dia 13 de setembro, às 15h, Ketlen pode marcar o 100º gol pelo Santos.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre as autoras

Angélica Souza é publicitária, de bem com a vida e tem um senso de humor que, na maioria das vezes, faz as pessoas rirem. Alucinada por futebol - daquelas que não pode ver uma bola que já sai chutando - sabe da importância e responsabilidade de ser uma mulher com essa paixão. Nas costas, gosta da 10, e no peito, o coração é verde e branco e bate lá na Turiassú. Renata Mendonça é apaixonada por esporte desde que se conhece por gente. Foi em um ~dibre desses da vida que conseguiu unir trabalho e paixão sendo jornalista esportiva. Hoje, sua luta é para que mais mulheres consigam ocupar esse espaço. Roberta Nina é aquariana por essência, são-paulina por escolha e jornalista de formação. Tem por vocação dar voz às mulheres no esporte.

Sobre o blog

Futebol não é coisa de mulher. Rugby? Vocês não têm força para jogar... Lugar de mulher é na cozinha, não no campo, na quadra, na arquibancada. Já ouviu isso muitas vezes, né?! Mas o ~dibradoras surgiu para provar justamente o contrário. Mulher pode gostar, entender e praticar o esporte que quiser. E quem achar que não, a gente ~dibra ;)

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