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Inspirada na Leoa, estreante baiana quer estar entre as melhores no UFC

Dibradoras

01/06/2020 04h00

Foto: UFC

*Por Juliana Lisboa para a coluna ~dibres com dendê

O ano de 2020 prometia muito para Virna Jandiroba: a baiana de Serrinha tinha terminado 2019 em alta, conquistando sua primeira vitória no UFC em dezembro ao bater Mallory Martin por submissão.

Um resultado importante pra ela, que tinha perdido sua primeira luta enquanto atleta de MMA logo na sua estreia no maior evento da modalidade (ela foi superada por Carla Sparza por decisão dos árbitros). Até então, tinham sido 14 vitórias em 14 lutas.

Virna começou a lutar bem jovem: aos 12 anos treinou kung fu, e quando tinha 15 já migrou para o jiu-jítsu, onde formou-se profissional. Para poder reunir todas as habilidades adquiridas nessas modalidades e acrescentando outras, como o boxe, a ida para o MMA foi natural. Antes do UFC, Virna já tinha chegado ao auge quando venceu o Invicta FC em 2018, maior evento de MMA feminino do mundo. E dali chegou ao UFC.

Foto: Invicta FC

Com a chegada da Covid-19, a vontade de consolidar esse bom momento foi ficando mais distante da realidade. Mas mesmo com todas as dificuldades de treinar isolada em sua casa, em Feira de Santana, Virna se mostrou bastante positiva com um retorno em grande estilo.

"Eu tenho a sorte de morar com Laís Cerqueira, outra atleta de MMA, e sei que isso é um privilégio. A gente tem material, tatame… (O treino) Fica comprometido pela falta de colegas, de variedade. Fica mais ou menos em 60% ou 70% da intensidade do normal".

O UFC voltou em 9 de maio, em Jacksonville, na Flórida (EUA) após 50 dias sem atividades. De diferente, a falta de público e a obrigatoriedade de testes em todos os atletas participantes. Foi o que deixou de fora do UFC 249 Ronaldo Jacaré, por exemplo, que testou positivo. A atleta baiana vê o retorno – ainda que com tantas limitações – de forma positiva.

"Eu acho importante que essa retomada seja feita de maneira cautelosa como eles têm feito. Os eventos estão sendo lá nos EUA, com atletas que já estão treinando lá… Como uma forma de não expor as pessoas. É dessa forma que tem que ser", aponta.

O calendário de lutas continua em aberto."Ainda não sei quando vão me chamar. Acho que o que vão fazer agora é dar prioridade às lutas que estavam atrasadas, nada mais justo. Eu continuo treinando por aqui, como a atleta de alto rendimento que sou, e, quando me chamarem… Estarei pronta, como sempre estive", disse.

Outra baiana arretada

O objetivo profissional é simples: "Nunca escondi minha ambição de estar entre as melhores do UFC. Não esqueço e não escondo minha ambição de me tornar campeã da minha categoria (peso palha)".

Foto: UFC

E, para chegar lá, ela se vale de exemplos bem próximos. A atleta não esconde a admiração por outra baiana no MMA, Amanda "Leoa" Nunes, que recentemente unificou os cinturões de duas categorias do UFC.

"Tenho uma admiração muito grande por Amanda, por todos os feitos dela, já lutamos no jiu-jítsu. Uma baiana, como eu, vinda do interior também. Na minha opinião é a maior de todos os tempos do MMA. Acho que se em alguma comparação é por essa história parecida. Mas cada um tem sua identidade e deve se expressar tal como é."

Leoa e a namorada Nina (Foto: Reprodução Instagram)

E essa expressividade vem ganhando mais forma durante o isolamento: filha de pai professor e mãe comerciante, Virna é amante da literatura, do cinema e tem uma "quedinha" pela cultura nerd. Basta prestar um pouquinho de atenção nas legendas das fotos do Instagram ou das músicas que ela coloca nos treinos que compartilha com os seguidores para perceber que essa baiana tem mais camadas do que aparenta.

"É muito chato ser a mesma pessoa o tempo todo", explica, bem-humorada. "Ser atleta é só uma das nossas identidades, né?"

Sobre as autoras

Renata Mendonça é jornalista, são-paulina, e apaixonada por esporte desde que se conhece por gente. Foi em um ~dibre desses da vida que conseguiu unir trabalho e paixão sendo jornalista esportiva. Hoje, sua luta é para que mais mulheres consigam ocupar esse espaço. Angélica Souza é publicitária, de bem com a vida e tem um senso de humor que, na maioria das vezes, faz as pessoas rirem. Alucinada por futebol - daquelas que não pode ver uma bola que já sai chutando - sabe da importância e responsabilidade de ser uma mulher com essa paixão. Nas costas, gosta da 10, e no peito, o coração é verde e branco e bate lá na Turiassú. Roberta Nina é aquariana por essência, são-paulina por escolha e jornalista de formação. Tem por vocação dar voz às mulheres no esporte.

Sobre o blog

Futebol não é coisa de mulher. Rugby? Vocês não têm força para jogar... Lugar de mulher é na cozinha, não no campo, na quadra, na arquibancada. Já ouviu isso muitas vezes, né?! Mas o ~dibradoras surgiu para provar justamente o contrário. Mulher pode gostar, entender e praticar o esporte que quiser. E quem achar que não, a gente ~dibra ;)

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