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Seis vezes melhor do mundo, Amandinha tem proposta para ir jogar no campo

Renata Mendonça

08/04/2020 04h00

Foto: Fotojump

Eleita seis vezes a melhor jogadora de futsal do mundo, Amandinha já conquistou tudo dentro de quadra. Foi tricampã mundial com a seleção brasileira, campeã da Taça Brasil e do Mundial Interclubes com o Leoas da Serra, e no auge da carreira aos 25 anos de idade, é sondada para jogar por times de futebol de campo.

Assim como aconteceu com o maior astro do futsal brasileiro, Falcão, quando aceitou o convite para vestir a camisa do São Paulo em 2005 e tentar a carreira nos gramados, Amandinha também é frequentemente sondada para fazer o mesmo. Com a evolução do mercado do futebol feminino, ela até se sente tentada com a proposta, mas não cogita aceitar por enquanto – principalmente pelo risco que isso representaria para sua carreir.a

"Já recebi convites de clubes de expressão do nosso país. Mas não é uma situação tão simples pra mim…abrir mão do que eu tenho no futsal para ir jogar campo. Infelizmente, eu não tenho a estabilidade que o Falcão tinha na época quando ele escolheu fazer o teste no São Paulo. Ele conseguiu ir, voltar e hoje ele é o maior jogador de futsal de todos os tempos. Infelizmente, eu não tenho ainda uma estabilidade de carreira pra fazer esse teste", explicou em entrevista ao blog.

Mesmo sendo a melhor jogadora do país e referência mundial na modalidade, Amandinha vive uma realidade muito distinta da do futebol e futsal masculinos. O futsal feminino ainda é uma modalidade que vem tentando se firmas nos últimos anos e começa a se consolidar principalmente com o investimento de times do sul do país. Arriscar largar a sua "certeza" no futsal para ver se daria certo no campo é algo que poderia ser irreversível para ela – e poderia, inclusive, ser prejudicial para a própria modalidade perder seu maior nome nesse momento.

"Eu amo futsal, gosto da rapidez do futsal. E me preocupa que no campo ia demorar muito pra bola chegar", brinca. "Eu já recebi muitos convites, sempre recebo. E tem também times de futsal de fora do país. Mas não é uma situação fácil. Eu sempre escolhi ficar porque, como eu me tornei simbolo do futsal, acho que seria um desperdício pra mim e pra modalidade se eu saísse do país. Eu sou muito grata a tudo que o futsal feminino me proporcionou e me proporciona. Se eu conseguir viver e viver bem ficando aqui, está tudo certo."

Com apenas 25 anos de idade, Amandinha já é bastante madura na profissão e reconhece que as realidades do futsal feminino e masculino ainda são muito diferentes. A luta dela é pela valorização da modalidade e para que mais meninas tenham a oportunidade de praticá-la no Brasil.

"A gente não deveria se comparar tanto ao masculino. Nós precisamos conquistar nossas próprias coisas. O futsal e o futebol feminino estão crescendo agora. O masculino já vem de décadas e décadas. As coisas foram crescendo pra eles, aumentou a visibilidade e é óbvio que, quanto mais você é visto, mais vc ganha. A gente não pode se comparar, a gente tem que se unir pra mostrar o nosso valor", declarou.

Sucesso no Sul

Amandinha é do subúrbio de Fortaleza, mas foi no Sul do país que estourou para o futsal. Ela saiu de casa com 15 anos de idade e viajou 4 mil quilômetros até Santa Catarina onde começou a carreira profissional no Barateiro Futsal. Depois, em 2017, foi para o Leoas da Serra em Lages, onde seguiu colecionando títulos.

O Sul do país é um dos grandes celeiros do futsal brasileiro, com equipes muito fortes e competitivas. Desde 2009, todos os campeões da Taça Brasil de futsal feminino foram de Santa Catarina (Barateiro Futsal, Unochapecó e Leoas da Serra). A explicação para tanto sucesso na modalidade está no investimento na base, como destaca Amandinha.

Foto: Arquivo Pessoal

"A atenção que eles tiveram com a base é o segredo. Em Santa Catarina, eles têm competição sub-16, sub-18, tem a Federação da Educação que organiza as competições de base. Então sempre tem menina praticando desde cedo".

Amandinha segue com as Leoas da Serra justamente por acreditar nesse projeto de alavancar a modalidade no Brasil. Para quem queria apenas jogar bola com liberdade, sem sofrer qualquer preconceito por isso, a craque já foi muito mais longe. A conquista do prêmio de melhor do mundo desta vez veio acompanhada de muita ansiedade.

"Eu já estou muito mais madura agora, mas o prêmio também te traz responsabilidade. Eu fiquei ansiosa na eleição, fiquei na expectativa. Porque eu sofri uma pressão gigantesca em 2019, só eu pra saber o que eu senti, o que eu passei. Aí quando confirmou o prêmio, desscarregou, fiquei muito feliz com mais essa conquista", contou.

"Eu nunca pensei que eu poderia ser melhor do mundo. Eu só queria jogar. Nunca pensei na referência que eu poderia me tornar para o esporte. Mas a gente tem que saber o lugar que conquistou, porque nada disso caiu do céu. É trabalho, eu trabalho muito pra isso", finalizou.

Sobre as autoras

Renata Mendonça é jornalista, são-paulina, e apaixonada por esporte desde que se conhece por gente. Foi em um ~dibre desses da vida que conseguiu unir trabalho e paixão sendo jornalista esportiva. Hoje, sua luta é para que mais mulheres consigam ocupar esse espaço. Angélica Souza é publicitária, de bem com a vida e tem um senso de humor que, na maioria das vezes, faz as pessoas rirem. Alucinada por futebol - daquelas que não pode ver uma bola que já sai chutando - sabe da importância e responsabilidade de ser uma mulher com essa paixão. Nas costas, gosta da 10, e no peito, o coração é verde e branco e bate lá na Turiassú. Roberta Nina é aquariana por essência, são-paulina por escolha e jornalista de formação. Tem por vocação dar voz às mulheres no esporte.

Sobre o blog

Futebol não é coisa de mulher. Rugby? Vocês não têm força para jogar... Lugar de mulher é na cozinha, não no campo, na quadra, na arquibancada. Já ouviu isso muitas vezes, né?! Mas o ~dibradoras surgiu para provar justamente o contrário. Mulher pode gostar, entender e praticar o esporte que quiser. E quem achar que não, a gente ~dibra ;)

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