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Brasil abre 2 a 0, mas tem jogadora expulsa e cede empate ao Canadá

Renata Mendonça

10/03/2020 16h51

Foto: A2M/CBF

A seleção brasileira encerrou sua participação no Torneio da França sem conseguir vencer nenhum jogo. Com um empate contra a Holanda, uma derrota para a França e um empate por 2 a 2 contra o Canadá nesta terça-feira. O Brasil chegou a abrir 2 a 0 no primeiro tempo com gols de Marta e Ludmila, mas cedeu o empate na etapa final, quando se complicou principalmente ao ficar com uma jogadora a menos.

A lateral Jucinara foi expulsa quando o time comandado por Pia Sundhage havia acabado de tomar um gol e, com 10, ficou difícil segurar o resultado. As canadenses empataram com gols de Matheson e Beckie.

Das 46 jogadoras já convocada por Pia nos sete meses de trabalho, 43 já foram a campo – somente as goleiras Carla e Gabi e a meio-campista Yaya não entraram. Há um grande equilíbrio no histórico do confronto entre Brasil e Canadá: são 22 jogos, com nove vitórias brasileiras, oito vitórias canadenses e sete empates nos últimos 24 anos. 

Ao todo, desde que Pia chegou na seleção, o time tem 11 jogos, seis vitórias, quatro empates e uma derrota.

O saldo positivo do jogo desta terça veio pela melhora ofensiva. No esquema 4-3-3 implementado no primeiro tempo, a seleção conseguiu criar mais e finalizar bastante no gol canadense. Mas a queda de rendimento na segunda etapa somada a duas falhas fatais na defesa custaram o empate canadense.

O jogo

Primeira chegada do Brasil foi aos seis minutos, com Ludmila chegando na linha de fundo pela direita e tocando para Bia no meio. A atacante fez o pivô e ajeitou para Andressinha, que chutou para fora.

Aos 7 minutos e meio, veio um belo gol do Brasil na jogada de Marta. A camisa 10 saiu pelo meio, avançou "tabelando" com as defensoras canadenses, depois tocou para Bia, que devolveu pra ela e aí a atacante finalizou perfeitamente no chute cruzado. Esse foi o gol 108 de Marta com a camisa da seleção brasileira.

Foto: A2M/CBF

O Canadá chegou na cobrança de escanteio direta aos 14 minutos, mas Bárbara fez boa defesa. Com uma nova linha de 4 na defesa, diferente da dos últimos dois jogos – desta vez, Pia utilizou Antônia e Jucinara nas laterais e Bruna Benites é Rafaelle na zaga -, a seleção seguiu mantendo boa atuação defensiva, sem tomar muitos sustos no primeiro tempo.

 

E no ataque, o time também conseguiu encaixar melhor. Com Formiga e Luana na proteção, e Andressinha mais avançada, o meio-campo conseguiu criar mais. Além disso, as atacantes Bia, Ludmila e Marta mudavam o tempo todo de posição, confundindo a defesa canadense. O segundo gol saiu assim aos 18 minutos. Em boa jogada de Lud pela esquerda, a atacante se livrou da marcação, tocou para Bia e correu para a área. A camisa 16 cruzou e Lud conseguiu empurrar para o gol depois que a goleira fez a interceptação, mas não segurou a bola.

Foto: AM2/CBF

Pia precisou gastar sua primeira substituição ainda na etapa inicial, já que Bárbara sentiu a coxa aos 20 minutos e precisou sair de campo. Com isso, a goleira Aline ganhou mais uma chance para entrar em campo (ela já havia jogado o primeiro tempo contra a Holanda).

O Brasil ainda teve um pequeno susto aos 39 quando Rose cruzou e enganou a goleira Aline, mas Bruna Benites apareceu para tirar. A zagueira foi bem nos desvios de bola aérea e das que passavam pela área brasileira no primeiro tempo. Fora isso, controle total de jogo da seleção brasileira, que teve as principais ações e abriu 2 a 0 logo nos primeiros 45 minutos.

Foto: A2M/CBF

Na segunda etapa, Pia optou por tirar Formiga e Rafaelle e colocou Cristiane na frente e Daiane na zaga. Com isso, a treinadora optou por um 442, com Cris e Bia na frente, desfazendo o 4-3-3 do primeiro tempo.

O Canadá foi em busca do seu gol e, aos 13 minutos, Sinclair deu belo passe para Prince entre as defensoras brasileiras, e Aline conseguiu fazer a defesa na boa chance canadense.

Pia mudou de novo o time colocando Andressa Alves no lugar de Ludmila e Debinha no lugar de Marta. A camisa 9 já teve sua primeira chance de finalização no primeiro minuto que entrou em campo, mas a goleira canadense fez a defesa.

Com o Brasil já mais desarrumado e numa queda de rendimento, o Canadá passou a ter mais chances e encontrar espaços para criar suas jogadas ofensivas. Em uma bobeada da lateral Jucinara do lado esquerdo, a mesma Prince acabou levando a melhor sobre ela e cruzou para Matheson fazer o gol canadense. No minuto seguinte, a mesma Jucinara acabou fazendo uma falta na entrada da área e levou o vermelho, deixando o Brasil com um a menos na partida.

Com isso, a técnica sueca colocou Tamires no jogo para suprir a ausência na lateral esquerda, e Andressinha deixou o campo.

Com uma a menos, o Brasil teve ainda mais dificuldade e acabou sofrendo o empate. Um belo passe de Matheson para Janine Beckie deixou a atacante frente a frente com Aline, deixando a zagueira Bruna Benites na saudade. A camisa 16 conseguiu finalizar no fundo das redes e deixar tudo igual no marcador.

 

A seleção diminuiu bastante o ritmo no segundo tempo, finalizou pouco e deixou o Canadá gostar do jogo. Com isso, acabou tomando o empate. No saldo do torneio, Pia conseguiu testar muitas jogadoras e várias formações e, conforme ela mesma prometeu, deverá ter as respostas que precisa para seguir a preparação rumo a Tóquio.

O Brasil volta a jogar em abril, com mais dois desafios: contra a Costa Rica no dia 8 e contra os Estados Unidos no dia 14.

Sobre as autoras

Renata Mendonça é jornalista, são-paulina, e apaixonada por esporte desde que se conhece por gente. Foi em um ~dibre desses da vida que conseguiu unir trabalho e paixão sendo jornalista esportiva. Hoje, sua luta é para que mais mulheres consigam ocupar esse espaço. Angélica Souza é publicitária, de bem com a vida e tem um senso de humor que, na maioria das vezes, faz as pessoas rirem. Alucinada por futebol - daquelas que não pode ver uma bola que já sai chutando - sabe da importância e responsabilidade de ser uma mulher com essa paixão. Nas costas, gosta da 10, e no peito, o coração é verde e branco e bate lá na Turiassú. Roberta Nina é aquariana por essência, são-paulina por escolha e jornalista de formação. Tem por vocação dar voz às mulheres no esporte.

Sobre o blog

Futebol não é coisa de mulher. Rugby? Vocês não têm força para jogar... Lugar de mulher é na cozinha, não no campo, na quadra, na arquibancada. Já ouviu isso muitas vezes, né?! Mas o ~dibradoras surgiu para provar justamente o contrário. Mulher pode gostar, entender e praticar o esporte que quiser. E quem achar que não, a gente ~dibra ;)

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