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CBF envia apenas homens à Uefa em campanha para ser sede da Copa feminina

Renata Mendonça

02/03/2020 12h53

Divulgação CBF

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) está empenhada em trazer a Copa do Mundo feminina de 2023 para o Brasil. Em mais uma etapa da candidatura, a entidade enviou representantes à Uefa para fazer uma apresentação do projeto que o país tem a oferecer pelo Mundial.

Chamou a atenção de um jornalista do New York Times, porém, a ausência de mulheres entre os representantes brasileiros na Uefa. No Twitter, Tariq Panja questionou: "A Confederação Brasileira de Futebol veio à Uefa para tentar o direito de sediar a Copa do Mundo feminina de 2023. Só ficou faltando uma pessoa na delegação: uma mulher".

Em conversa com a reportagem, Tariq explicou que, em outros países candidatos – Colômbia, Nova Zelândia/Austrália e Japão – também sentiu que predominou a presença masculina. Apenas as japonesas foram maioria (na delegação do Japão, eram duas mulheres e um homem). Representando a Austrália, foram dois homens e uma mulher e representando a Colômbia foi apenas um homem.

 

A CBF alega que somente as pessoas diretamente envolvidas na parte técnica do projeto poderiam participar desse momento, quando o país ainda está na candidatura, e ainda não foi confirmado como sede. Somente quando há a confirmação, há a formação de um comitê para organizar o evento. Segundo a entidade, esteve apenas na Uefa o responsável pelo projeto, Ricardo Trade – antigo CEO da Copa de 2014, que agora comanda o projeto para sediar o Mundial feminino em 2023 – e o diretor de Compliance da entidade, André Megale, porque essa é a diretoria envolvida em um processo como esse. Fernando Sarney, vice-presidente da confederação, também esteve lá, mas como membro do Conselho da Fifa.

A entidade reforça ainda que há a participação de mulheres em toda a apresentação que será mostrada na Uefa, incluindo depoimentos das jogadoras Marta e Formiga, e da técnica da seleção feminina Pia Sundhage. Segundo a CBF, há muitas mulheres envolvidas no desenvolvimento do projeto para receber a Copa do Mundo feminina, mas a lista dos nomes de todas as pessoas do projeto não foi divulgada.

É claro que não haveria como envolver uma diretora na viagem, até porque a CBF não conta com representantes femininas nos cargos de diretoria – são 12 diretorias, todas elas comandadas por homens. Também não há mulheres entre os 8 vice-presidentes.

Não é que seja errado ter homens em um projeto que pretende trazer a Copa do Mundo feminina para o Brasil. Mas não ter mulheres na linha de frente de um projeto que usa, inclusive, a igualdade de gênero como um dos pilares de sua candidatura, mostra o quanto ainda estamos engatinhando quando o assunto é representatividade feminina nos principais postos de decisão do esporte brasileiro. Não era para levar mulheres apenas para "fazer figuração" numa reunião dessas, mas sim incluir mulheres de verdade na liderança de um projeto que busca trazer o principal evento mundial do futebol feminino para o Brasil.

"Apesar do progresso feito com relação ao respeito aos direitos das mulheres e à igualdade de oportunidades, ainda existem vários obstáculos para a equidade plena, incluindo questões de trabalho, saúde, educação, política e a persistência de várias violências baseadas em gênero. (…) Nós vamos continuar a ênfase em promover a igualdade de gênero e prevenir todas as formas de assédio", diz o documento da CBF enviado à Fifa pela candidatura. Talvez uma das primeiras atitudes que a entidade poderia tomar quanto a "promover a igualdade de gênero" seria incluir mulheres para comandar o projeto que visa organizar uma competição em que as protagonistas são elas.

 

Sobre as autoras

Renata Mendonça é jornalista, são-paulina, e apaixonada por esporte desde que se conhece por gente. Foi em um ~dibre desses da vida que conseguiu unir trabalho e paixão sendo jornalista esportiva. Hoje, sua luta é para que mais mulheres consigam ocupar esse espaço. Angélica Souza é publicitária, de bem com a vida e tem um senso de humor que, na maioria das vezes, faz as pessoas rirem. Alucinada por futebol - daquelas que não pode ver uma bola que já sai chutando - sabe da importância e responsabilidade de ser uma mulher com essa paixão. Nas costas, gosta da 10, e no peito, o coração é verde e branco e bate lá na Turiassú. Roberta Nina é aquariana por essência, são-paulina por escolha e jornalista de formação. Tem por vocação dar voz às mulheres no esporte.

Sobre o blog

Futebol não é coisa de mulher. Rugby? Vocês não têm força para jogar... Lugar de mulher é na cozinha, não no campo, na quadra, na arquibancada. Já ouviu isso muitas vezes, né?! Mas o ~dibradoras surgiu para provar justamente o contrário. Mulher pode gostar, entender e praticar o esporte que quiser. E quem achar que não, a gente ~dibra ;)

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