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Pia Sundhage convoca atletas para Torneio na França; goleira é novidade

Renata Mendonça

18/02/2020 14h48

Foto: CBF

A técnica Pia Sundhage fez sua primeira convocação da seleção brasileira feminina em 2020 nesta terça-feira (18). A comandante divulgou a lista com 24 nomes para o primeiro desafio do ano olímpico: um torneio amistoso na França no início de março.

A principal novidade é a goleira Natascha, do Paris FC, que na visão de Pia, é uma jogadora jovem (de apenas 20 anos), muito promissora e ótima jogando com os pés. Nos demais nomes, a treinadora manteve jogadoras que já vinha chamando em outras convocações – destaque para a volta da meio-campista Thaísa e da zagueira Rafaelle, que chegou a ser convocada para os últimos amistosos de 2019, mas não entrou em campo por conta de lesão. As laterais Letícia e Jucinara também estão de volta ao elenco.

Comparando com a última convocação – feita em novembro para confronto contra México, em São Paulo – ficaram de fora destes amistosos na França a zagueira Kathellen, a lateral Fabi Simões e as atacantes Victoria Albuquerque e Millene (que está sem clube no momento).

rasil volta a encarar a seleção francesa após eliminação na Copa do Mundo de 2019 (Foto: FIFA)

A seleção feminina disputará o torneio entre 4 e 11 de março em Valenciennes e Calais, na França. A estreia será dia 4 contra a vice-campeã mundial Holanda às 15h, depois o Brasil enfrentará suas algozes da Copa do Mundo, as francesas, no dia 7 às 17h, e por último reencontrará o Canadá no dia 10 às 15h. Todos os jogos serão transmitidos pelo SporTV e a Rede Globo fará a transmissão do último jogo contra o Canadá.

"Uma das fórmula de vencer é jogar contra bons times. Não vai ser fácil, há coisas que temos que melhorar, mas teremos boas respostas após esses jogos. São adversários também bem diferentes. Saberemos o que trabalhar após esses amistosos", afirmou a treinadora, que destacou as características diferentes dos três adversários que enfrentará na França.

A sueca está invicta desde que assumiu o comando da seleção no fim de julho de 2019. De lá para cá, foram oito jogos, com seis vitórias e dois empates. No início da coletiva, os jornalistas receberam alguns dados estatísticos mostrando a evolução da seleção sob o comando de Pia. A principal melhora aconteceu no setor defensivo – e ela aponta como um dos motivos pra isso o fato de que agora toda jogadora tem função defensiva na seleção, inclusive as atacantes. Além disso, o Brasil também cresceu bastante no aproveitamento das chances de gol criadas.

A técnica foi questionada sobre as possibilidades que vislumbra de medalha para o Brasil no futebol feminino em Tóquio. "Acho que todo time que vai para os Jogos Olímpicos vai para conquistar a medalha de ouro. Pelas jogadoras que nós temos, temos chance de ganhar. Mas está tudo muito nivelado", afirmou.

Desde que chegou, Pia tem mantido muito nomes antigos na seleção brasileira e é alvo de críticas por isso. Ela não responde a questionamentos específicos sobre ausências na lista, mas quando questionada se há alguma posição em que ainda busca nomes ideais, ela disse:

"Estamos sempre observando jogadoras. Mas estou feliz com o que eu vejo hoje. Se eu pensar no meio-campo, tentamos mudar algumas coisas. Ainda busco quem será a dupla ali no meio-campo pra me dar segurança", disse.

Com a proximidade dos Jogos Olímpicos, deve se encerrar o período de testes na seleção feminina e a tendência é que as convocações se repitam até chegar aos 18 nomes que irão para Tóquio. Há muitas atletas em excelente fase atuando no Brasil – as principais críticas à convocação de Pia são sobre a defesa e o meio-campo. Ela acaba respaldada pelos números que o time tem apresentado sob seu comando, com melhoras justamente nesses setores.

Sobre a competição nacional, a sueca vê grande competitividade nessa edição. "Estava assistindo ao jogo ontem. Está ganhando muita competitividade. Tem intensidade, é o campeonato mais técnico se eu comparar com o que eu já vi. Mas ainda não dura 90 minutos. Esse talvez seja o maior problema. Nós vamos continuar observando clubes, buscando essa cooperação pra melhorar as atletas e também a liga como um todo", disse.

"Nós tivemos diversas jogadoras na Europa e agora elas voltam para o Brasil. Todas as partidas são transmitidas atualmente, o que é muito importante para mim. Desta vez passei mais tempo visitando clubes do Brasil do que da Europa".

Antes da treinadora anunciar as convocadas, o diretor de futebol feminino da CBF, Marco Aurélio Cunha, informou que a seleção ainda deverá fazer dois amistosos contra o Japão na preparação olímpica. 

Preparação para Tóquio

O foco de 2020 obviamente é a preparação olímpica para Tóquio 2020. Nesse primeiro semestre, a seleção feminina já tem cinco amistosos confirmados – os três já citados, depois um contra a Costa Rica no dia 8 de abril e outro contra as campeãs mundiais dos Estados Unidos no dia 14 do mesmo mês.

Ainda não se sabe quem serão os adversários do Brasil no caminho em busca de uma medalha em Tóquio, já que o torneio classificatório para os Jogos ainda está acontecendo em algumas regiões. África e Ásia definirão seus classificados em março e depois haverá uma repescagem da Concacaf e Conmebol em abril para determinar as últimas vagas. Só depois disso haverá o sorteio dos grupos.

São 12 seleções que disputarão as medalhas olímpicas no Japão neste ano, sendo que a campeã olímpica de 2016 já está fora – a Alemanha não chegou à semifinal da Copa do Mundo no ano passado, que era o método classificatório utilizado pela Uefa.

Aline Pellegrino, Grazi, Renata Costa e Cristiane com a medalha de prata em Atenas (Foto: Arquivo pessoal)

O Brasil tem duas medalhas de prata no histórico das edições olímpicas que acontecem no futebol feminino desde 1996 – uma conquistada em 2004 e outra em 2008.

Essa deverá ser a última Olimpíada do trio consagrado brasileiro, que levou a seleção às suas principais conquistas: Marta, Cristiane e Formiga. Enquanto a camisa 10 ainda não fala em aposentadoria, Cris já disse que não pretende jogar em 2024 e Formiga, aos 41 anos, também não permanecerá para o próximo ciclo.

Veja a lista de atletas convocadas:

Goleiras
Aline Reis (Tenerife-ESP)
Bárbara (Avaí/Kindermann-BRA)
Natascha (Paris FC-FRA)

Defensoras
Letícia Santos (Frankfurt-ALE)
Rafaelle (Changchun Dazhong-CHI)
Daiane (Tacón-ESP)
Érika (Corinthians-BRA)
Tayla (Santos-BRA)
Bruna Benites (Internacional-BRA)
Jucinara (Levante-ESP)
Tamires (Corinthians-BRA)

Meio campistas
Thaísa (Tacón-ESP)
Formiga (PSG-FRA)
Luana (PSG-FRA)
Andressinha (Corinthians-BRA)
Andressa Alves (Roma-ITA)
Debinha (North Carolina-EUA)
Duda (São Paulo-BRA)
Aline Milene (Ferroviária-BRA)

Atacantes
Bia Zanerato (Palmeiras-BRA)
Cristiane (Santos-BRA)
Ludmila (Atlético de Madri-ESP)
Marta (Orlando Pride-EUA)
Geyse (Madrid-ESP)

Sobre as autoras

Renata Mendonça é jornalista, são-paulina, e apaixonada por esporte desde que se conhece por gente. Foi em um ~dibre desses da vida que conseguiu unir trabalho e paixão sendo jornalista esportiva. Hoje, sua luta é para que mais mulheres consigam ocupar esse espaço. Angélica Souza é publicitária, de bem com a vida e tem um senso de humor que, na maioria das vezes, faz as pessoas rirem. Alucinada por futebol - daquelas que não pode ver uma bola que já sai chutando - sabe da importância e responsabilidade de ser uma mulher com essa paixão. Nas costas, gosta da 10, e no peito, o coração é verde e branco e bate lá na Turiassú. Roberta Nina é aquariana por essência, são-paulina por escolha e jornalista de formação. Tem por vocação dar voz às mulheres no esporte.

Sobre o blog

Futebol não é coisa de mulher. Rugby? Vocês não têm força para jogar... Lugar de mulher é na cozinha, não no campo, na quadra, na arquibancada. Já ouviu isso muitas vezes, né?! Mas o ~dibradoras surgiu para provar justamente o contrário. Mulher pode gostar, entender e praticar o esporte que quiser. E quem achar que não, a gente ~dibra ;)

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