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Corinthians vence Palmeiras em primeiro dérbi do Brasileiro Feminino

Renata Mendonça

09/02/2020 15h57

Foto: Rodrigo Coca / Agência Corinthians

Palmeiras e Corinthians fizeram o primeiro dérbi feminino da história do Campeonato Brasileiro neste domingo em Vinhedo. As duas equipes se enfrentaram pela primeira rodada da série A1 com toda a rivalidade que esse confronto carrega e com o desafio ainda maior para o time alviverde, já que enfrentava um adversário com 45 jogos de invencibilidade.

O jogo terminou em 3 a 1 com gols de Giovanna Crivelari, Grazi e Érika para o Corinthians e Carla Nunes para o Palmeiras. Agora, o time alviverde  viaja para a Bahia para enfrentar o Vitória na quarta-feira às 19h, e o Corinthians recebe o Avaí Kindermann na quinta-feira às 20h30 no Parque São Jorge.

Foto: Rebeca Reis / Palmeiras

A torcida palmeirense compareceu em peso no estádio em Vinhedo para prestigiar o novo investimento do clube na equipe. Com oito reforços contratados, incluindo a veterana e multicampeã Rosana, e também as jovens talentosas Ary Borges, Ottilia e Angelina, o Palmeiras chegou à primeira divisão prometendo brigar pelo título, e os torcedores mostraram apoio ao novo projeto enchendo as arquibancadas neste domingo. Todos os 2.300 ingressos disponibilizadas foram esgotados e as arquibancadas estavam lotadas.

Os palmeirenses empurraram o time em campo e deu para ver que essa equipe vai dar muito trabalho ao longo da temporada. Mesmo com o desfalque de Angelina, que está na seleção sub-20, o time alviverde deu trabalho e assustou bem o rival com algumas velas chances criadas principalmente pela camisa 10, Carla Nunes.

Na partida, o técnico Ricardo Belli promoveu as estreias de Augustina, na zaga, Ary Borges, o meio e Rosana no ataque – a veterana, porém, saiu machucada ainda no primeiro tempo dando lugar a outra estreia, de Ottilia. Do lado corintiano, Andressinha vestiu pela primeira vez a camisa do Corinthians no segundo tempo, e o técnico Arthur Elias também promoveu a estreia de Gaby Portilho na etapa final. O jogo também marcou o retorno da atacante Adriana, que ficou fora por quase nove meses após ter rompido o ligamento do joelho em maio de 2019.

Foto: Rodrigo Coca / Agência Corinthians

O jogo foi bem disputado, e o Palmeiras por diversas vezes ameaçou a atuais vice-campeãs brasileiras, principalmente no segundo tempo. Mas no melhor momento do time alviverde, o Corinthians desencantou e sacramentou o marcador.

A estratégia do time da casa foi apertar a marcação, principalmente na saída de bola corintiana, característica forte do time de Arthur Elias que gosta de trabalhar o toque de bola até o ataque. Isso dificultou um pouco, mas o Corinthians conseguiu abrir o placar aos seis minutos com cabeceio de Crivelari após o bom cruzamento de Tamires.

O empate veio três minutos depois num golaço de Carla. A camisa 10 mirou um chute por cobertura e acertou o ângulo da meta de Lelê.

A partida ficou, então, equilibrada – bastante faltosa também – e com os dois times brigando pela posse de bola no meio-campo. O segundo gol corintiano saiu apenas aos 20 do segundo tempo com uma bela jogada que culminou na finalização de Grazi com muita categoria. Depois, aos 34, Tamires cobrou falta é a zagueira Érika empurrou para as redes, em lance cheio de reclamações da torcida por um suposto impedimento não marcado.

O Palmeiras teve algumas chances na cabeçada de Ary Borges, cobrança de falta de Bianca e no chute de fora da área de Karla, mas não conseguiu o gol.

A partida ficou marcada pela grande presença da torcida – muitas crianças, mulheres e famílias inteiras foram vistas na arquibancada – e pelo retorno da rivalidade do dérbi ao futebol feminino. E o Corinthians conseguiu ampliar sua sequência invicta para 46 jogos.

Histórico

Foto: Arquivo Pessoal

Esse foi o primeiro dérbi feminino de que se tem registro desde 2001. O Palmeiras mencionou uma partida de 2005 que teria sido realizada pelo Campeonato Paulista daquele ano com o placar de 9 a 0, mas naquele ano, segundo a FPF, nem Palmeiras, nem Corinthians disputaram o torneio estadual feminino. Houve uma parceria do time alviverde com o São Bernardo, mas isso não teria entrado para a estatística oficial da federação por não levar o nome do clube palmeirense.

Sendo assim, entre os registros oficiais encontrados pela FPF (pela CBF não foi encontrado nenhum e, nem Palmeiras, nem Corinthians têm dados ou fotos ou quaisquer registros desses jogos também), houve na história seis dérbis femininos, sendo cinco vitórias do Corinthians e uma do Palmeiras (na semifinal de 2001). O deste domingo, portanto, teria sido o sétimo confronto entre as duas equipes desde 1997.

Foto: Arquivo Pessoal

Pela ausência de documentação desses jogos – tanto na mídia, quanto nos clubes e entidades esportivas -, é muito difícil remontar o histórico do clássico mais tradicional do futebol paulista entre as mulheres. O que se espera é que, daqui para frente, a história não se perca e seja contada com o mesmo respeito que acontece no futebol masculino. Se foi possível encontrar informações de um jogo que aconteceu em 1917 (primeiro dérbi masculino), não deveria ser tão difícil cultivar os documentos de partidas mais recentes que marcaram o histórico desse clássico no futebol feminino. Abaixo, os registros levantados pela reportagem sobre esse confronto:

1997
Campeonato Paulista – Primeira fase
13/04/1997 Corinthians 1×0 Palmeiras
01/06/1997 Palmeiras 1×4 Corinthians

1998
Campeonato Paulista – Primeira fase
26/04/1998 Palmeiras 2×4 Corinthians – Palestra Itália
17/05/1998 Corinthians 12×1 Palmeiras – Fazendinha

2001
Campeonato Paulista – Primeira fase
14/10/2001 Palmeiras 1×2 Corinthians – Ícaro de Castro Melo
Semifinal
09/12/2001 Corinthians 1×4 Palmeiras – Ícaro de Castro Melo

Sobre as autoras

Renata Mendonça é jornalista, são-paulina, e apaixonada por esporte desde que se conhece por gente. Foi em um ~dibre desses da vida que conseguiu unir trabalho e paixão sendo jornalista esportiva. Hoje, sua luta é para que mais mulheres consigam ocupar esse espaço. Angélica Souza é publicitária, de bem com a vida e tem um senso de humor que, na maioria das vezes, faz as pessoas rirem. Alucinada por futebol - daquelas que não pode ver uma bola que já sai chutando - sabe da importância e responsabilidade de ser uma mulher com essa paixão. Nas costas, gosta da 10, e no peito, o coração é verde e branco e bate lá na Turiassú. Roberta Nina é aquariana por essência, são-paulina por escolha e jornalista de formação. Tem por vocação dar voz às mulheres no esporte.

Sobre o blog

Futebol não é coisa de mulher. Rugby? Vocês não têm força para jogar... Lugar de mulher é na cozinha, não no campo, na quadra, na arquibancada. Já ouviu isso muitas vezes, né?! Mas o ~dibradoras surgiu para provar justamente o contrário. Mulher pode gostar, entender e praticar o esporte que quiser. E quem achar que não, a gente ~dibra ;)

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