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Mambacita: a filha que seguia os passos de Kobe e fez pai voltar às quadras

Renata Mendonça

27/01/2020 10h52

Foto: Getty Images

Não há dúvidas de que Kobe Bryant foi uma das maiores lendas que o basquete já viu. Com cinco títulos da NBA, 18 passagens pelo All Star game, e sustentando o posto de quarto maior cestinha da história da liga, o ídolo do Los Angeles Lakers fez história e criou uma legião de fãs ao longo da carreira. Talvez a maior delas tenha ido embora com ele no trágico acidente que nos deixou órfãos de um dos maiores nomes do esporte mundial.

Gianna Bryant tinha só 13 anos, mas já seguia os passos do pai nas quadras e era apontada como uma grande promessa do basquete. Ela era a segunda filha mais velha entre as quatro de Kobe e da esposa Vanessa. E enquanto todo mundo dizia a ele: "você precisa ter um filho para seguir sua tradição no basquete", a própria menina ao lado dele fazia questão de responder: "hey, pode deixar, eu já estou seguindo".

Foto: Getty Images

Kobe não precisou ter um menino para poder passar seu talento e sua paixão pelo basquete ao herdeiro. Ao contrário, ele teve quatro meninas. E uma delas definitivamente atendia todas as suas expectativas nesse quesito. Gianna era vidrada na bola laranja. O próprio pai a descrevia como "diferenciada" nas quadras. A mídia americana já começava a especular sobre o futuro da garota na WNBA (a liga americana de basquete feminino) e lançava comparações sobre o talento do pai com o da menina.

Desde que se aposentou em 2016, Kobe dizia que não gostava mais de acompanhar jogos da NBA in loco. Mas recentemente ele voltou a ser presença constante na beira das quadras em diversos jogos da liga. Sempre com Gianna ao seu lado. Ele dizia que a história era diferente agora, que gostava de ver o jogo pelos olhos dela. Durante horas de ação dos times em quadra, o pai conversava com a filha e dava dicas sobre os lances da partida.

"Não era eu sentado ali como um atleta ou um jogador, sabe. Eu não gosto disso. Mas esse era um momento dela e ela estava se divertindo tanto", disse Kobe sobre a ida com Gianna a um jogo da NBA.

Conhecido como "Black Mamba", Kobe aproveitou o sucesso do seu apelido para lançar uma versão dele à Gianna. Em um post em homenagem ao aniversário dela no Instagram, o astro da NBA se referiu à filha como "Mambacita".

 

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@wnba finals rematch got us hype! A lil one on one with my baby Gigi #footwork #stringmusic #mambacita

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"Feliz aniversário de 13 anos para minha Gigi! Eu te amo além da medida #teen #daddysgirl #tauro #mambacita", foi a legenda de Kobe para Gianna em um post de maio de 2019.

Era comum também o ex-jogador postar vídeos de lances da menina no basquete. Em um deles, ela dribla a defesa e consegue uma cesta com habilidade.

O pai, orgulhoso, sempre elogiava muito a garota quando perguntado sobre ela publicamente. "Ela é muito competitiva e muito esforçada. É muito fácil ser técnico dela", dizia Kobe.

Os dois estariam no helicóptero que caiu em Los Angeles justamente a caminho de um jogo dela, que tinha o pai como técnico.

A tragédia levou embora um dos maiores ídolos do esporte e a filha que seguiria honrando seu legado. Um pai que não se limitou ao gênero para incentivar suas filhas ao esporte. Muitos homens esperam ter filhos para que possam jogar bola com eles, levá-los ao estádio e viver com eles a paixão pelo esporte. Kobe não precisou de um menino. Ele teve Gianna, que seguiu seus passos e sem dúvidas seria um grande nome do basquete feminino mundial.

 

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Gigi getting better every day #teammamba #mambacita #fade

Uma publicação compartilhada por Kobe Bryant (@kobebryant) em

Uma das coisas que o astro gostava de reforçar quando falava sobre seu "segredo" para ter tanto sucesso nas quadras era chamada de "Mamba mentality", a mentalidade do Mamba. Kobe sempre foi reconhecido por ser obcecado pelo que fazia, extremamente focado em ser cada dia melhor. E assim ele descrevia esse modo de viver:

"É ter foco e ter propósito. Acordar todo dia pensando em ser melhor do que você foi ontem. Não importa o gênero, não importa o que você faz, é pensar sempre em dar o seu melhor todos os dias."

Foto: AP

Além de todas as lições que deixou dentro de quadra, Kobe também ensinou que paixão pelo esporte também não precisa ter gênero. O incentivo nas quadras, nos campos ou em qualquer modalidade deve ser aos meninos e às meninas, sem distinção.

A tristeza da tragédia deste domingo é ainda maior pelo fato de ele ter levado pai e filha de maneira tão repentina e tão trágica. Mas ao menos Gianna e Kobe terão um ao outro para compartilhar a bola de basquete por onde quer que estejam agora.

 

Sobre as autoras

Renata Mendonça é jornalista, são-paulina, e apaixonada por esporte desde que se conhece por gente. Foi em um ~dibre desses da vida que conseguiu unir trabalho e paixão sendo jornalista esportiva. Hoje, sua luta é para que mais mulheres consigam ocupar esse espaço. Angélica Souza é publicitária, de bem com a vida e tem um senso de humor que, na maioria das vezes, faz as pessoas rirem. Alucinada por futebol - daquelas que não pode ver uma bola que já sai chutando - sabe da importância e responsabilidade de ser uma mulher com essa paixão. Nas costas, gosta da 10, e no peito, o coração é verde e branco e bate lá na Turiassú. Roberta Nina é aquariana por essência, são-paulina por escolha e jornalista de formação. Tem por vocação dar voz às mulheres no esporte.

Sobre o blog

Futebol não é coisa de mulher. Rugby? Vocês não têm força para jogar... Lugar de mulher é na cozinha, não no campo, na quadra, na arquibancada. Já ouviu isso muitas vezes, né?! Mas o ~dibradoras surgiu para provar justamente o contrário. Mulher pode gostar, entender e praticar o esporte que quiser. E quem achar que não, a gente ~dibra ;)

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