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Ex-técnica do Brasil, Emily Lima assume seleção equatoriana

Roberta Nina

02/12/2019 04h00

(Foto: CBF)

Emily Lima está de malas prontas e com um novo desafio. Segundo apurou o blog, no dia 05 de dezembro ela assumirá o comando da seleção equatoriana de futebol feminino. O contrato da treinadora terá duração de três anos com o intuito de classificar a equipe para a Copa do Mundo de 2023. Se o objetivo for alcançado, ela permanece no comando da seleção por mais um ano.

O site da Federação Equatoriana de Futebol já destaca que na próxima quinta-feira, ao meio-dia, será apresentado o novo corpo técnico da seleção feminina do país.

No dia 15 de novembro, a jornalista esportiva Belén Quinatoa, do Equador, divulgou a notícia em seu Twitter. No Brasil, a treinadora não se manifestou sobre o assunto, mas a reportagem confirma que, neste período, Emily já tinha conversado com os dirigentes da Federação Equatoriana e que o interesse surgiu por parte deles, dias após o pedido de demissão feito pela técnica para o Santos Futebol Clube.

Além de comandar a seleção principal do Equador, Emily Lima fará um trabalho integrado com o futebol de base e fará a coordenação das seleções. Neste início, ela será a comandante dos times Sub-20 e Sub-17 nos Campeonatos Sul-Americanos das duas categorias no ano que vem, mas a ideia da Federação é ter uma comissão técnica para cada uma das equipes posteriormente.

O melhor resultado alcançado pela seleção equatoriana foi a classificação para o Mundial de 2015, realizado no Canadá. Foi a primeira e única vez em que a equipe profissional feminina disputou uma Copa do Mundo. Já as seleções de base nunca se classificaram para o Mundial.

De jogadora à treinadora

Emily Lima tem 39 anos e foi jogadora de futebol por cerca de 15 anos. Com 13 anos, passou em um teste no SAAD, uma das equipes pioneiras do futebol feminino. Atuou como volante, ganhou diversos títulos (Torneio Primaveira, Paulista, Brasileiro e Carioca) e passou por outras equipes, como São Paulo, Palestra de São Bernardo, Barra de Teresópolis e Veranópolis.

Fora do país, jogou na Espanha (Baloncesto Estudiantes, Sporting Huelva, Puebla de la Calzada, Prainsa Zaragoza e Unió Esportiva LEstartit). Se naturalizou portuguesa e defendeu a seleção lusitana entre 2007 e 2009. Encerrou sua carreira no Napoli, da Itália, aos 29 anos por conta de uma lesão no joelho. 

Emily Lima, a primeira mulher a comandar uma seleção na CBF durou apenas 10 meses no cargo (Foto: Fernanda Coimbra/CBF)

Começou a se preparar para ser treinadora de futebol e o primeiro clube onde trabalhou foi a Portuguesa de Desportos. Entre 2011 e 2012, treinou a equipe feminina do Juventus, em São Paulo e, no ano seguinte, recebeu o convite para assumir a sub-17 da Seleção Brasileira de Futebol Feminino, e depois também o sub-15.

Como foi pouco valorizada na época, decidiu assumir o comando da equipe do São José, onde começou a se consolidar na atividade. Comandando a equipe da Águia do Vale, Emily venceu o Paulista de 2015 e os Jogos Abertos e Regionais do mesmo ano. Em 2016, foi vice-campeã da Copa do Brasil.

Em 2017, foi convidada para assumir o comando da seleção feminina do Brasil e se tornou a 1ª mulher a assumir esse cargo. Seu trabalho durou apenas 10 meses e Emily Lima foi demitida sob a justificativa de maus resultados. Após a decisão tomada pela CBF, diversas jogadoras manifestaram publicamente e foram contra a demissão da treinadora. Na época, Andréia Rosa, Maurine, Fran, Rosana e Cristiane pediram dispensa da seleção brasileira.

Emily Lima comandou o Santos (Foto: Pedro Ernesto Azevedo / Santos FC)

Em 2018, Emily assumiu o comando do Santos Futebol Clube, clube onde se tornou campeã paulista e vice-campeã da Libertadores da América no mesmo ano. Em setembro deste ano, pediu demissão após eliminação da equipe no Campeonato Brasileiro diante da Ferroviária nas quartas-de-final.

Em dezembro, a treinadora concluirá o curso chamado "Licença Pro" da CBF, a mais alta certificação para os técnicos profissionais do futebol brasileiro. Antes disso, será apresentada oficialmente como treinadora da seleção equatoriana com coletiva marcada para o próximo dia 5/12.

Sobre as autoras

Renata Mendonça é jornalista, são-paulina, e apaixonada por esporte desde que se conhece por gente. Foi em um ~dibre desses da vida que conseguiu unir trabalho e paixão sendo jornalista esportiva. Hoje, sua luta é para que mais mulheres consigam ocupar esse espaço. Angélica Souza é publicitária, de bem com a vida e tem um senso de humor que, na maioria das vezes, faz as pessoas rirem. Alucinada por futebol - daquelas que não pode ver uma bola que já sai chutando - sabe da importância e responsabilidade de ser uma mulher com essa paixão. Nas costas, gosta da 10, e no peito, o coração é verde e branco e bate lá na Turiassú. Roberta Nina é aquariana por essência, são-paulina por escolha e jornalista de formação. Tem por vocação dar voz às mulheres no esporte.

Sobre o blog

Futebol não é coisa de mulher. Rugby? Vocês não têm força para jogar... Lugar de mulher é na cozinha, não no campo, na quadra, na arquibancada. Já ouviu isso muitas vezes, né?! Mas o ~dibradoras surgiu para provar justamente o contrário. Mulher pode gostar, entender e praticar o esporte que quiser. E quem achar que não, a gente ~dibra ;)

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