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A importância de Marta e Toni na conscientização do câncer de mama

Renata Mendonça

02/11/2019 11h30

Foto: Reprodução Instagram

Em agosto deste ano, a jogadora do Orlando Pride e companheira de Marta, Toni Pressley, descobriu um câncer de mama e precisou se afastar dos gramados por um período.

Em uma feliz coincidência, no último dia 13 de outubro ela voltou aos gramados em pleno outubro rosa para mostrar que é, sim, possível vencer o câncer de mama. E nos últimos meses, a visibilidade que ela trouxe para a causa repercutiu ainda mais um assunto tão importante.

Na última sexta-feira, Marta esteve em uma premiação da Avon e falou com a Universa sobre a importância de não se entregar à doença.

"A nossa nutricionista passou por isso e amigas também venceram, então é acreditar e continuar lutando porque a gente consegue vencer qualquer tipo de dificuldade", afirmou a brasileira seis vezes melhor do mundo.

Juntamente com Toni, Marta abraçou o mês da conscientização sobre o câncer de mama para falar sobre isso, seja em entrevistas ou em redes sociais. E quando se tem a maior jogadora de todos os tempos na causa, a visibilidade alcançada é muito maior.

"Muito orgulho eu tenho de você, Toni. Sua história serve de inspiração para todos. Tenho certeza que irá ajudar muitas mulheres a vencer grandes batalhas na vida", escreveu Marta ao compartilhar um vídeo do Orlando Pride contando como Toni superou o diagnóstico da doença.

Desde que anunciou que estava com câncer, a jogadora americana tem falado abertamente sobre as dificuldades e todo o aprendizado que teve com tudo isso. Acima de tudo, ela usa sua experiência para conscientizar outras mulheres da importância de fazer o exame de toque nas mamas com frequência e não deixar passar qualquer sinal diferente encontrado. É importante pontuar que esse é o tipo mais comum de câncer entre as mulheres e, quando diagnosticado de forma precoce, a chance de cura aumenta 95%.

"Chegamos em outubro, mês da conscientização do câncer de mama, e eu aproveito para dizer pra vocês serem proativos com a saúde. E implorem para as pessoas ao redor fazerem o mesmo. Essa doença não discrimina ninguém. Não importa o quão saudável você pense que é, ou de onde você veio ou mesmo a sua idade. Pode acontecer com qualquer um", escreveu a americana em um post no seu instagram.

"Eu com 29 anos fui diagnosticada com um câncer de mama não invasivo. Somente na minha cirurgia que meus médicos também encontraram um pouco de câncer invasivo, o que me levou a fazer parte do estágio 1 do câncer de mama. Por causa da minha condição, tive que fazer mastectomia e reconstrução da mama. Foi difícil me acostumar com a ideia de que meu corpo seria diferente. Especialmente quando tirei o curativo. Mas depois de uma tarde depressiva, eu decidi seguir em frente. Eu tenho minha vida e sou muito grata por isso. Sou grata por ter ouvido meu corpo e minha intuição. Se eu tivesse esperado, poderia ter sido diagnosticada com um estágio bem mais grave da doença. O autoexame é vital, pode salvar sua vida – como salvou a minha".

O fato de dois nomes fortes do futebol falarem sobre a conscientização do câncer de mama traz holofotes para uma causa extremamente importante do lado de fora do campo. É comum ver os times de futebol no Brasil, por exemplo, aderirem à campanha do outubro rosa lançando camisas comemorativas, como aconteceu neste ano com Flamengo e São Paulo, ou então levando a campo bandeiras com o símbolo do combate à doença. Mas nada pode ser mais impactante do que ouvir depoimento de quem realmente já passou por isso para trazer essa conscientização.

Quando Toni conta o que passou e Marta reforça esse depoimento por ter acompanhado de perto toda a luta dela, esse discurso traz identificação e representatividade para as mulheres. É forte demais ouvir a experiência mais sincera de Toni, reconhecendo o medo e a angústia que uma doença dessas traz para uma atleta que descobre isso aos 29 anos de idade. E ver a volta dela aos gramados dois meses depois de sua cirurgia é de uma potência enorme para quem passa por essa doença. Transmite uma mensagem de esperança, de superação e de que é possível vencer o câncer de mama.

Marta, que já usa sua plataforma e visibilidade gigantesca para falar de igualdade de gênero, aproveita o momento difícil para a companheira para também abraçar outra causa importante para as mulheres: a do combate ao câncer de mama. O outubro rosa ganhou um reforço enorme neste ano por conta delas.

Sobre as autoras

Renata Mendonça é jornalista, são-paulina, e apaixonada por esporte desde que se conhece por gente. Foi em um ~dibre desses da vida que conseguiu unir trabalho e paixão sendo jornalista esportiva. Hoje, sua luta é para que mais mulheres consigam ocupar esse espaço. Angélica Souza é publicitária, de bem com a vida e tem um senso de humor que, na maioria das vezes, faz as pessoas rirem. Alucinada por futebol - daquelas que não pode ver uma bola que já sai chutando - sabe da importância e responsabilidade de ser uma mulher com essa paixão. Nas costas, gosta da 10, e no peito, o coração é verde e branco e bate lá na Turiassú. Roberta Nina é aquariana por essência, são-paulina por escolha e jornalista de formação. Tem por vocação dar voz às mulheres no esporte.

Sobre o blog

Futebol não é coisa de mulher. Rugby? Vocês não têm força para jogar... Lugar de mulher é na cozinha, não no campo, na quadra, na arquibancada. Já ouviu isso muitas vezes, né?! Mas o ~dibradoras surgiu para provar justamente o contrário. Mulher pode gostar, entender e praticar o esporte que quiser. E quem achar que não, a gente ~dibra ;)

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