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Clubes de futebol do Nordeste alertam para tragédia que mídia 'ignora'

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21/10/2019 09h50

Foto: Divulgação Bahia

*Por Juliana Lisboa, para a coluna ~dibres com dendê

Enquanto a mídia nacional dá pouco espaço à maior tragédia ambiental na história do litoral brasileiro, clubes nordestinos estão unindo forças para tornar as manchas de óleo no Nordeste uma pauta de impacto para o Brasil inteiro.

Hoje, Bahia e Ceará se enfrentam em Pituaçu na conclusão da 27ª rodada da Série A. Os jogadores do tricolor baiano vão usar camisas especiais, manchadas como estão as praias da Bahia, numa forma de protesto.

No site do clube, há um texto questionando o porquê dessa tragédia, que atingiu 187 praias dos nove estados nordestinos: Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe.

As camisas especiais do Bahia serão leiloadas e o valor será distribuído para entidades e associações que estão cuidando da limpeza das praias.

A Baía de Todos os Santos, maior do Brasil, foi atingida por manchas. A maior parte das praias da capital baiana está imprópria para banho por conta do desastre. Balneários como Praia do Forte, Morro de São Paulo e Itacaré também registraram a presença de petróleo.

Já o Ceará informou que está preparando uma ação especial para o próximo jogo em casa, no sábado, contra o Vasco, mas não adiantou detalhes.

Jericoacoara, Praia do Futuro e Canoa Quebrada foram algumas das principais praias cearenses afetadas pelas manchas de óleo. A praia de Iracema, na capital Fortaleza, foi palco de uma intensa mobilização popular para limpeza das manchas.

O primeiro clube nordestino a se posicionar sobre esse tema foi o CSA: o azulão publicou nas redes sociais um serviço para quem identificar manchas de óleo nas praias junto com números de contato dos órgãos públicos competentes.

Em Alagoas, as manchas chegaram a praias paradisíacas, como Maragogi e Japaratinga, próximo ao santuário do peixe-boi.

Pernambuco segue como o estado mais atingido. A Praia dos Carneiros, próxima à badalada Porto de Galinhas já registrou manchas. É esperado que o litoral do Recife receba hoje as primeiras manchas.

Cerca de 2,5 mil km de litoral foram tomados por petróleo. Não se sabe ainda qual o dano que esse desastre vai deixar ou se algumas consequências dele serão irreversíveis. Por enquanto, a vida marinha – entre corais, tartarugas, peixes – está ameaçada.

A economia das cidades turísticas, também. E muitos dos que tiram do mar seu sustento – pescadores e donos de barraca de praia, por exemplo, estão sem poder trabalhar.

Nesse momento, o futebol se posiciona como um poder externo, capaz de pautar a mídia e chamar atenção para o público (e, quem sabe, as autoridades?) para um problema que precisa ser tratado com a magnitude e urgência que merece.

Sobre as autoras

Renata Mendonça é jornalista, são-paulina, e apaixonada por esporte desde que se conhece por gente. Foi em um ~dibre desses da vida que conseguiu unir trabalho e paixão sendo jornalista esportiva. Hoje, sua luta é para que mais mulheres consigam ocupar esse espaço. Angélica Souza é publicitária, de bem com a vida e tem um senso de humor que, na maioria das vezes, faz as pessoas rirem. Alucinada por futebol - daquelas que não pode ver uma bola que já sai chutando - sabe da importância e responsabilidade de ser uma mulher com essa paixão. Nas costas, gosta da 10, e no peito, o coração é verde e branco e bate lá na Turiassú. Roberta Nina é aquariana por essência, são-paulina por escolha e jornalista de formação. Tem por vocação dar voz às mulheres no esporte.

Sobre o blog

Futebol não é coisa de mulher. Rugby? Vocês não têm força para jogar... Lugar de mulher é na cozinha, não no campo, na quadra, na arquibancada. Já ouviu isso muitas vezes, né?! Mas o ~dibradoras surgiu para provar justamente o contrário. Mulher pode gostar, entender e praticar o esporte que quiser. E quem achar que não, a gente ~dibra ;)

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