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Ferroviária estreia com goleada de 10 a 1 na Libertadores Feminina

Renata Mendonça

11/10/2019 23h29

Nathane, à direita, fez cinco gols na partida (Foto: Tiago Pavini/ Ferroviária)

Campeã brasileira no último mês, a Ferroviária estreou com categoria nesta edição da Libertadores feminina em Quito. O time comandado por Tatiele SIlveira goleou o Mundo Futuro da Bolívia nesta sexta-feira e começou muito bem na competição.

Com gols de Nathane (2), Rosana e uma pintura de Rafa Mineira, o time de Araraquara saiu dos primeiros 45 minutos de jogo já com 4 a 0 no marcador.

Ao contrário do estilo de jogo que adotou contra o Corinthians na final do Brasileiro, na estreia da Libertadores a Ferroviária partiu para cima e ficou com a bola o tempo todo na área adversária. O primeiro gol veio aos sete minutos, numa falha da goleira adversária, que soltou a bola e Nathane aproveitou para empurrar para as redes. No minuto seguinte, a mesma Nathane fez o segundo e deixou a equipe brasileira ainda mais confortável no jogo.

O terceiro gol não foi o mais bonito, mas foi o mais simbólico da partida, sem dúvidas. A meio-campista Rosana, craque que conquistou duas pratas olímpicas e um vice-mundial com a seleção brasileira, voltou aos gramados aos 37 anos após quase um ano parada. Ela fez de cabeça e reestreou em campo mostrando que ainda tem futebol pra mostrar. Chamou a atenção o fôlego da atleta, que saiu na metade do segundo tempo, mas teve muita intensidade no jogo, mesmo aos 2.800 metros de altitude.

Rosana tem 37 anos e voltou aos gramados para jogar pela Ferroviária (Foto: API)

O gol mais bonito do jogo foi o da Rafa Mineira, logo em seguida, quando avançou pela direita, olhou para o gol e bateu cruzado por cobertura, surpreendendo todo mundo.

Se o primeiro tempo terminou com quatro gols, o segundo foi ainda mais agitado, com mais sete gols. Nathane fez mais três, Luana fez um, Aline Millene deixou o dela e Rafa Mineira completou a goleada. Pelo lado do Mundo Futuro, Emilie Doersken aproveitou bola em profundidade e conseguiu descontar para a equipe boliviana. No fim, o placar fechou em 10 a 1 para as brasileiras. 

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Situação em Quito

É importante ressaltar o caos político em que a cidade de Quito, sede da Libertadores feminina, se encontra neste momento. Em meio a dezenas de protestos diários, o governo transferiu sua sede para Guayaquil e decretou toque de recolher em diversos pontos da cidade a partir das 20h. Isso, claro, teve efeito no público do jogo – o estádio estava praticamente vazio.

Diante dessas condições, algumas delegações tiveram de mudar de hotel por questões de segurança – foi o caso do Corinthians. A Ferroviária não passou por isso, mas membros da equipe disseram que Quito parecia uma "cidade-fantasma" na região onde está hospedado o time, afastada do centro. Ninguém circula nas ruas e muitos estabelecimentos estão fechados.

Mesmo com tudo isso – e com a suspensão do Campeonato Equatoriano masculino – a Conmebol insistiu em realizar o campeonato em Quito e garantiu a segurança para todos os participantes.

Neste sábado, será a vez do Corinthians estrear contra o Clube Ñañas do Equador às 19h, com transmissão do DAZN.

Sobre as autoras

Renata Mendonça é jornalista, são-paulina, e apaixonada por esporte desde que se conhece por gente. Foi em um ~dibre desses da vida que conseguiu unir trabalho e paixão sendo jornalista esportiva. Hoje, sua luta é para que mais mulheres consigam ocupar esse espaço. Angélica Souza é publicitária, de bem com a vida e tem um senso de humor que, na maioria das vezes, faz as pessoas rirem. Alucinada por futebol - daquelas que não pode ver uma bola que já sai chutando - sabe da importância e responsabilidade de ser uma mulher com essa paixão. Nas costas, gosta da 10, e no peito, o coração é verde e branco e bate lá na Turiassú. Roberta Nina é aquariana por essência, são-paulina por escolha e jornalista de formação. Tem por vocação dar voz às mulheres no esporte.

Sobre o blog

Futebol não é coisa de mulher. Rugby? Vocês não têm força para jogar... Lugar de mulher é na cozinha, não no campo, na quadra, na arquibancada. Já ouviu isso muitas vezes, né?! Mas o ~dibradoras surgiu para provar justamente o contrário. Mulher pode gostar, entender e praticar o esporte que quiser. E quem achar que não, a gente ~dibra ;)

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