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De Rei Pelé para Rainha Marta: campanha quer rebatizar estádio de Alagoas

Roberta Nina

2007-03-20T19:12:00

07/03/2019 12h00

(Foto: Reprodução/Avaaz)

"Nossa Rainha já fez muito por nós, é hora de retribuir."

Esta é uma das frases que faz parte da campanha online criada na última semana que tem como objetivo renomear o estádio mais famoso de Alagoas para "Estádio Rainha Marta". Porém, para isso acontecer, o Trapichão – como é mais conhecido – precisaria mudar seu nome de batismo e assumir a nova identidade.

O nome oficial do estádio não é um nome qualquer. Ele se chama "Estádio Rei Pelé" e foi fundado na década de 70 para homenagear o maior jogador de todos os tempos.

Em 2008, já aconteceu um movimento para dar o nome de Marta ao estádio da cidade e o deputado estadual Timóteo Correia (DEM) foi quem sugeriu a alteração. Na época, o Projeto de Lei foi arquivado na Assembleia depois que recebeu o veto do governador Teotônio Vilela Filho (PSDB), mesmo com uma aprovação quase unânime entre os deputados. A ideia da homenagem à época surgiu quando Marta foi eleita a melhor jogadora de futebol do mundo pela terceira vez consecutiva.

Estádio Rei Pelé, em Alagoas (Foto: Divulgação)

Onze anos depois, o assunto voltou à tona e, desta vez, 0 deputado estadual Antônio Albuquerque (PTB-AL) é quem está por trás da iniciativa. A hashtag #EstadioRainhaMarta tem aparecido com mais frequência nas redes sociais por conta de uma petição que está no site www.estadiorainhamarta.com.br para que as pessoas possam votar a favor da mudança de nome do Trapichão. 

Para que o estádio seja rebatizado, além da aprovação dos políticos, é importante que a campanha mobilize, para além do poder público de Alagoas, o povo alagoano e, claro, o próprio Pelé. Seria interessante que o atual homenageado também aprovasse a mudança, evitando qualquer mal-entendido.

A Rainha e o Rei (Foto: Andre Borges / ComCopa)

Não há nenhuma instituição, empresa ou uma única pessoa por trás da iniciativa. A reportagem conversou com Daniel Ribeiro, um jornalista que apoia a causa e ele nos afirmou que a ideia surgiu por interesse de pessoas comuns e que concordam com a homenagem à jogadora Marta.

Há um certo cuidado para não parecer que a mudança do nome do estádio seja vista como um veto ao Rei Pelé. A ideia é reverenciar a filha genuína de Alagoas e cravar de vez seu nome no estado em que nasceu.

Se Marta sabe da iniciativa? Provavelmente, sim. Mas é claro que a campanha não a envolve e, seja lá qual for a decisão, a atleta não tem nenhuma responsabilidade sobre o assunto.

Quem decide se essa iniciativa é válida é a Assembléia Legislativa, mas o apoio popular também pode ser o grande responsável por fazer essa campanha dar certo. Até agora, pouco mais de 2 mil pessoas assinaram a petição – e nós fazemos parte disso. 

(Foto: Getty Images)

Ver um estádio receber o nome de "Rainha Marta", ainda mais em Alagoas – sua terra natal – seria uma grande homenagem para aquela que saiu ainda menina de Dois Riachos e entrou em um ônibus rumo ao Rio de Janeiro em busca de uma oportunidade no futebol.

O mundo já ser curvou aos seus pés mais de uma vez. E uma boa maneira de retribuir toda a notoriedade que seu nome deu ao Brasil – e ao futebol feminino – é apoiar a campanha para que a Rainha tenha seu próprio castelo de concreto, grama verde e duas traves para chamar de seu. E ela merece muito!

Para assinar: https://secure.avaaz.org/po/community_petitions/Governo_do_Estado_do_Alogoas_EstadioRainhaMarta/details/

Sobre as autoras

Renata Mendonça é jornalista, são-paulina, e apaixonada por esporte desde que se conhece por gente. Foi em um ~dibre desses da vida que conseguiu unir trabalho e paixão sendo jornalista esportiva. Hoje, sua luta é para que mais mulheres consigam ocupar esse espaço. Angélica Souza é publicitária, de bem com a vida e tem um senso de humor que, na maioria das vezes, faz as pessoas rirem. Alucinada por futebol - daquelas que não pode ver uma bola que já sai chutando - sabe da importância e responsabilidade de ser uma mulher com essa paixão. Nas costas, gosta da 10, e no peito, o coração é verde e branco e bate lá na Turiassú. Roberta Nina é aquariana por essência, são-paulina por escolha e jornalista de formação. Tem por vocação dar voz às mulheres no esporte.

Sobre o blog

Futebol não é coisa de mulher. Rugby? Vocês não têm força para jogar... Lugar de mulher é na cozinha, não no campo, na quadra, na arquibancada. Já ouviu isso muitas vezes, né?! Mas o ~dibradoras surgiu para provar justamente o contrário. Mulher pode gostar, entender e praticar o esporte que quiser. E quem achar que não, a gente ~dibra ;)

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