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Santos perde nos pênaltis e deixa escapar chance de ser tri na Libertadores

Renata Mendonça

02/12/2018 23h53

Foto: Pedro Ernesto Guerra / Santos FC

O Santos entrou em campo neste domingo para enfrentar o Atlético Huila pela final da Copa Libertadores da América de futebol feminino e não precisou nem de um minuto inteiro para se colocar à frente no marcador. Com um chute de fora da área arriscado por Brena, o time da Vila Belmiro abriu vantagem diante das colombianas, mas sofreu o empate no segundo tempo e, nos pênaltis, acabou deixando escapar a chance de ser tricampeão do torneio.

Foram cinco cobranças certas das colombianas, que disputavam pela primeira vez o torneio – a equipe tem apenas dois anos de vida. Do lado santista, foram quatro cobranças, três certas, e a jovem Angelina desperdiçou o pênalti que acabou determinando a vitória do Huila.

Com isso, pela segunda vez na história um time sul-americano derrotou um brasileiro na decisão da Libertadores feminina. Isso havia acontecido antes em 2012, quando Colo Colo venceu o Foz Cataratas na final, e agora se repetiu com o Santos de maneira surpreendente, já que o time brasileiro era considerado favorito ao título.

As Sereias da Vila chegaram à decisão credenciadas pelo melhor ataque do campeonato com 16 gols marcados em quatro jogos. O ataque mortal do Santos, inclusive, tem muito a participação de Brena, a meio-campista que foi o grande destaque santista da competição, sendo crucial para a equipe comandada por Emily Lima chegar à decisão.

O jogo neste domingo em Manaus contou com uma boa participação da torcida do Alvinegro Praiano, que compareceu à Arena da Amazônia e gritou o tempo todo pelas Sereias – o público presente foi de 4.475 pessoas. E o time santista logo deu indícios de que teria diante do Huila a mesma facilidade que teve nos outros jogos, com placares elásticos. O gol de Brena saiu logo no primeiro minuto, e o Santos dominou completamente o primeiro tempo, sofrendo muito pouco na defesa e não dando espaços para as colombianas jogarem.

As Sereias ainda tiveram boas chances de ampliar com Ketlen e Maria, mas ambas acabaram errando na finalização. Com isso, o Huila acabou crescendo um pouco no jogo e chegou a ameaçar a goleira Nicole uma vez em uma falha da defesa na bola parada.

Ketlen comemora gol no primeiro minuto de jogo (Foto: Pedro Ernesto Guerra / Santos FC)

Já na segunda etapa, o jogo começou nervoso porque o Santos tomou o empate logo no início com Gavy Santos, que se aproveitou da saída errada da goleira e da falha da defesa da equipe brasileira para deixar tudo igual. Com isso, Huila passou a pressionar mais e quase virou o jogo aos 6 minutos em mais um vacilo do sistema defensivo santista. Ainda houve uma bola na trave, e o Santos de novo passou sufoco com o time todo perdido em campo, com dificuldade de reagir ao empate.

Com 20 minutos do segundo tempo – e Rosana já em campo no lugar de Ketlen no ataque -, o time santista ainda não havia conseguido ameaçar a meta adversária. Chú também entrou substituindo Brena, mas as Sereias não se encontraram em campo. A bola não chegava ao ataque, e quem teve as melhores chances foi o Huila, time que buscava o título inédito da Libertadores.

O jogo acabou sendo decidido nos pênaltis, que tiveram cobranças perfeitas das duas equipes, sem chances para as goleiras nas três primeiras penalidades para cada lado. Na quarta cobrança santista, porém, o chute de Angelina parou nas mãos da colombiana, e logo em seguida o Huila converteu sua penalidade para comemorar o título inédito.

A técnica Emily Lima lamentou a derrota e parabenizou o time colombiano pela entrega que teve em campo no segundo tempo.

 

"Nós merecemos ganhar o primeiro tempo, elas mereceram ganhar o segundo. Foi um jogo bastante igual, infelizmente a gente falhou nos pênaltis, e não poderíamos falhar. Não vai ser a última vez que passaremos por essa situação. Uma menina promissora no futebol feminino vai errar muitas vezes, perder título muitas vezes, mas vai ganhar também. As meninas acreditaram, se entregaram, acho que foi uma boa temporada em 2018, agora vamos ver o que vai acontecer no próximo ano com essa comissão e esse grupo", afirmou ela, que tem contrato com o time da Vila Belmiro até 31 de dezembro.

 

O Santos é um dos times mais tradicionais da Libertadores e poderia ter igualado o São José neste domingo como o maior campeão do torneio, com três títulos – a equipe da Vila Belmiro tem dois conquistados em 2009 (com Marta e Cristiane) e 2010. O Brasil tem sete campeões nas 10 edições da competição – as exceções foram Colo Colo em 2012, Sportivo Limpeño em 2016, e agora Atletico Huila neste ano.

Com a derrota em Manaus, as Sereias encerram 2018 com a conquista do título paulista apenas – no Brasileiro, o Santos foi eliminado pela Ferroviária nas quartas-de-final (também nos pênaltis) e agora ficou com o vice-campeonato na Libertadores.

A Arena da Amazônia ainda recebeu antes da final a disputa pelo terceiro lugar no torneio entre Iranduba e Colo Colo. O time da casa venceu as chilenas nos pênaltis e garantiu terceira colocação.

Sobre as autoras

Renata Mendonça é jornalista, são-paulina, e apaixonada por esporte desde que se conhece por gente. Foi em um ~dibre desses da vida que conseguiu unir trabalho e paixão sendo jornalista esportiva. Hoje, sua luta é para que mais mulheres consigam ocupar esse espaço. Angélica Souza é publicitária, de bem com a vida e tem um senso de humor que, na maioria das vezes, faz as pessoas rirem. Alucinada por futebol - daquelas que não pode ver uma bola que já sai chutando - sabe da importância e responsabilidade de ser uma mulher com essa paixão. Nas costas, gosta da 10, e no peito, o coração é verde e branco e bate lá na Turiassú. Roberta Nina é aquariana por essência, são-paulina por escolha e jornalista de formação. Tem por vocação dar voz às mulheres no esporte.

Sobre o blog

Futebol não é coisa de mulher. Rugby? Vocês não têm força para jogar... Lugar de mulher é na cozinha, não no campo, na quadra, na arquibancada. Já ouviu isso muitas vezes, né?! Mas o ~dibradoras surgiu para provar justamente o contrário. Mulher pode gostar, entender e praticar o esporte que quiser. E quem achar que não, a gente ~dibra ;)

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