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Santos e Iranduba vão à semi, e Libertadores pode ter final brasileira

Renata Mendonça

27/11/2018 04h00

Foto: Pedro Ernesto Guerra / Santos FC

Uma semana após o início da Libertadores feminina em Manaus, os semifinalistas da competição estão definidos e dois dos três brasileiros que participavam do torneio avançaram (apenas o Audax acabou eliminado).

Campeão brasileiro em 2017, o Santos chegou como um dos favoritos e confirmou isso nas goleadas que aplicou logo nos primeiros dois jogos, garantindo a vaga com antecipação – no jogo desta segunda-feira, o último da primeira fase, as Sereias da Vila entraram com time misto e ainda assim venceram o Sport Girls por 3 a 0. Agora, na semifinal, a equipe paulista enfrentará o mesmo Colo Colo que derrotou por 4 a 1 na estreia – isso porque o Santos se classificou como melhor primeiro colocado da competição e agora enfrenta o melhor segundo colocado, que foi o time chileno – a partida será nesta quinta, às 20h30 de Manaus (22h30 de Brasília).

"Acho que o Brasileiro e o Paulista nos prepararam bastante para uma competição como a Libertadores. Estamos dando sequência a um modelo de jogo muito ofensivo que tem dado certo e que começamos a implantar recentemente com elas. Estamos evoluindo a cada dia, a cada jogo", afirmou a técnica do Santos, Emily Lima.

Foto: Pedro Ernesto Guerra / Santos FC

"Quando fomos eliminados do Brasileiro, as meninas já saíram com essa cabeça: 'nós não podemos jogar fora tudo o que fizemos até aqui'. Eu não gosto desse negócio de favoritismo, acho que temos que ir jogo a jogo".

Na outra chave, o Iranduba garantiu a classificação no sufoco, com uma vitória e dois empates no grupo B e agora vive a expectativa de realizar o sonho de fazer sua primeira final continental da história, com a vantagem de ainda jogar em casa com o apoio da torcida na Arena da Amazônia. O time amazonense enfrentará o Atlético Uila, da Colômbia, na próxima quinta-feira, às 18h do horário local (20h de Brasília).

Foto: DIvulgação Iranduba

"A gente tem de ter muito cuidado porque o adversário, além de marcar forte, tem um contra-ataque muito rápido. Nós temos de nos precaver muito com isso, mas estou muito confiante. Lógico, sempre respeitando o adversário, mas temos tudo pra fazer uma grande semifinal e chegar nessa final", comentou Igor Cearense, treinador do Hulk, ao jornal A Crítica, de Manaus. Ele ressaltou também os problemas do Iranduba para aproveitar as chances que cria ao longo do jogo.

"Na verdade, a gente tem criado inúmeras chances de gol, mas eu tenho detectado um problema que tem nos atrapalhado desde o início da competição que é a ansiedade. A pressa pra fazer o gol, pra definir a jogada, e isso tem nos atrapalhado", apontou o treinador.

Diante dessas circunstâncias, é possível que se tenha uma final inédita e histórica entre dois times brasileiros na Libertadores feminina. Em nove edições do torneio, nunca houve duas equipes do mesmo país disputando o título, que já foi conquistado sete vezes por equipes do Brasil. Em especial um Santos x Iranduba seria um clássico do futebol nacional, colocando frente a frente dois projetos "modelo", de clubes que investem de verdade na modalidade e que mostram ser possível ter torcida e retorno também com o trabalho feito pelo futebol delas.

Arena da Amazônia recebeu 25 mil pessoas para semifinal do Brasileiro entre Iranduba x Santos em 2017 (Foto: Divulgação Iranduba)

Além disso, existe a possibilidade de essa final ter ainda mais público caso seja entre os dois clubes brasileiros. O recorde atual do futebol feminino no país vem de um jogo justamente entre as duas equipes – foi a semifinal do Brasileiro de 2017, quando mais de 25 mil pessoas foram à arena da Amazônia para acompanhar a partida.

Agora, a expectativa é alta para Manaus, que se candidatou como cidade-sede da Libertadores neste ano com a promessa de se tornar a "capital do futebol feminino no continente". A capital amazonense já virou xodó da modalidade no país por ter "adotado" o Iranduba desde o início e ajudado o clube a construir sua história no Norte do país, onde o futebol parecia quase uma coisa de fora – já que os times preferidos dos moradores da região são cariocas ou paulistas, normalmente.

Foto: Divulgação Iranduba

Agora, a ideia é elevar o patamar da cidade e também do próprio clube, que ganhou a chance de disputar uma competição internacional pela primeira vez. Não à toa, a equipe se reforçou bem para o torneio, contratando as meio-campistas Andressinha e Camilinha e a atacante Raquel, todas da seleção brasileira, pontualmente para disputar esses jogos.

As semifinais acontecerão nesta quinta-feira e serão transmitidas pelo facebook da Conmebol.

Sobre as autoras

Renata Mendonça é jornalista, são-paulina, e apaixonada por esporte desde que se conhece por gente. Foi em um ~dibre desses da vida que conseguiu unir trabalho e paixão sendo jornalista esportiva. Hoje, sua luta é para que mais mulheres consigam ocupar esse espaço. Angélica Souza é publicitária, de bem com a vida e tem um senso de humor que, na maioria das vezes, faz as pessoas rirem. Alucinada por futebol - daquelas que não pode ver uma bola que já sai chutando - sabe da importância e responsabilidade de ser uma mulher com essa paixão. Nas costas, gosta da 10, e no peito, o coração é verde e branco e bate lá na Turiassú. Roberta Nina é aquariana por essência, são-paulina por escolha e jornalista de formação. Tem por vocação dar voz às mulheres no esporte.

Sobre o blog

Futebol não é coisa de mulher. Rugby? Vocês não têm força para jogar... Lugar de mulher é na cozinha, não no campo, na quadra, na arquibancada. Já ouviu isso muitas vezes, né?! Mas o ~dibradoras surgiu para provar justamente o contrário. Mulher pode gostar, entender e praticar o esporte que quiser. E quem achar que não, a gente ~dibra ;)

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