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Quem é a mulher que irá chefiar a Premier League, liga mais rica do futebol

Renata Mendonça

14/11/2018 13h49

Susanna Dinnage assumirá o posto em 2019 (Foto: PA)

A liga de futebol mais rica e poderosa do mundo agora terá uma mulher sob seu comando. Susanna Dinnage, de 51 anos, uma grande executiva de mídia, foi apontada para assumir a chefia da Premier League, a organização responsável por um dos principais campeonatos de futebol do mundo, o inglês.

Com experiências acumuladas em 20 anos trabalhando como executiva de televisão, ela começou a carreira na MTV, trabalhou no Channel Five e na última década virou presidente do Animal Planet, onde também era responsável por negociações de TV. A expectativa é que Dinnage consiga impulsionar ainda mais os valores dos direitos de transmissão da Premier League, a principal fonte de receita da liga.

Na disputa pelo cargo, que pela primeira vez terá uma mulher, Susanna Dinnage deixou para trás dois outros candidatos: Tim Davie, responsável por comandar a BBC Studios, e Tom Betts, diretor estratégico da ITV.

"Susanna foi uma escolha fora de série, porque sua experiência gerenciando negócios complexos de televisão em meio a uma transformação desse mercado para o digital fez a diferença. Ela é uma líder da indústria de televisão, uma executiva de negócios muito competente e uma grande desenvolvedora de pessoas. Ela tem as características ideais para a função e estamos confiantes de que ela conseguirá elevar ainda mais o patamar da Premier League", afirmou Bruce Buck, presidente do Chelasea.

Susanna Dinnage tem uma carreira recheada trabalhando por trás das câmeras em negociações grandes no mundo da televisão. Em janeiro de 2009, ela começou a trabalhar no Discovery, uma rede de TV americana que abrange mais de 220 países e territórios em todo o mundo. Ela ocupou vários cargos de liderança, inclusive como presidente e diretora administrativa da Discovery Networks no Reino Unido e na Irlanda.

Em novembro de 2017, tornou-se a primeira presidente global da rede Animal Planet, ajudando a criar um novo visual e uma nova programação mundial para o canal.

Desafios

Ela já chega com um enorme desafio pela frente. Richard Scudamore, seu antecessor que ocupava o cargo há 20 anos, transformou o lucro vindo dos direitos de transmissão negociados com a TV de 212 milhões de libras por ano nos atuais 4,65 bilhões de libras anuais. Além disso, na época que ele assumiu, o turnover da Premier League (liquidez das ações dela no mercado) era de 160 milhões de libras, enquanto hoje esse valor passou para 450 milhões.

Agora a pressão será para que Dinnage mantenha esse crescimento em meio a um momento crítico da Premier League, quando os seis principais clubes do país já ameaçam negociar com outros times europeus para a formação de uma nova liga europeia de futebol – o que os tiraria do principal torneio nacional. Além disso, o Brexit deve entrar em vigor e uma das difíceis tarefas da nova chefe será viabilizar a permanência dos jogadores estrangeiros no país.

A Premier League é a liga de futebol mais rica do mundo (Foto: Getty)

Diante de todos esses desafios, pode até haver a surpresa de alguns com a indicação de uma mulher para assumir um dos cargos mais poderosos do esporte mundial. Mas Dinnage chega preparada para a função pelas suas duas décadas de experiência naquele que talvez seja o aspecto mais importante entre todas as suas tarefas na Premier League: a negociação dos direitos de transmissão.

À frente do Discovery, ela chegou a considerar montar uma proposta audaciosa para quebrar o domínio da Sky como detentora dos direitos da Premier League. Ela, inclusive, travou uma disputa com a operadora em janeiro do ano passado, quando a Discovery removeu temporariamente seus canais da plataforma Sky depois que a emissora planejou cortar as taxas pagas para suas transmissões. Enquanto Sky argumentou que o Discovery não fornecia audiência suficiente, outros disseram que a empresa estava tentando economizar dinheiro depois do acordo recorde de £ 5 bilhões fechado com a Premier League pelos direitos do campeonato.

Dinnage também se destacou pela negociação inesperada dos direitos de transmissão da Olimpíada em uma parceria com a BBC que rendeu uma movimentação de 1 bilhão de libras.

"Estou muito empolgada para assumir esse cargo fantástico. A Premier League é algo muito importante para muita gente. Representa o auge do esporte profissional e ter a oportunidade de liderar uma organização tão dinâmica e inspiradora é um grande privilégio. Com o apoio dos clubes e da equipe, eu não vejo a hora de trabalhar pelo sucesso da liga nos próximo anos que estão por vir", afirmou a nova chefe da Premier League.

Foto: Getty

Susanna Dinnage é torcedora do Fulham e todos os anos compra os "season tickets" para acompanhar os jogos (na Inglaterra, os clubes negociam carnês com todos os ingressos da temporada anualmente). Mas acima de tudo, ela é conhecida por sua ousadia nos negócios. A britânica adota um mantra que costuma repetir em suas falas: "Você tem que ser ousado, suas ideias precisam ser as mais ambiciosas e você precisa ser o primeiro."

Acostumada a responder as perguntas que sempre fazem para mulheres bem-sucedidas – como a típica "como você faz para equilibrar vida pessoal e trabalho?", que nunca é feita para os homens -, Dinnage tem a receita na ponta da língua (e que serve para ambos os gêneros, diga-se):

"Escreva uma lista no final do seu dia de trabalho de tudo o que você tem que fazer amanhã. Dessa forma, você pode parar ali e retomar de onde parou no dia seguinte", afirma.

Susanna Dinnage assumirá seu novo posto de chefe executiva da Premier League em 2019. Ainda haverá uma segunda pessoa que terá uma função não executiva atuando ao lado dela, já que o cargo de Scudamore foi dividido em dois. Ainda não há definição sobre quem ficará com a outra metade do trabalho.

Sobre as autoras

Renata Mendonça é jornalista, são-paulina, e apaixonada por esporte desde que se conhece por gente. Foi em um ~dibre desses da vida que conseguiu unir trabalho e paixão sendo jornalista esportiva. Hoje, sua luta é para que mais mulheres consigam ocupar esse espaço. Angélica Souza é publicitária, de bem com a vida e tem um senso de humor que, na maioria das vezes, faz as pessoas rirem. Alucinada por futebol - daquelas que não pode ver uma bola que já sai chutando - sabe da importância e responsabilidade de ser uma mulher com essa paixão. Nas costas, gosta da 10, e no peito, o coração é verde e branco e bate lá na Turiassú. Roberta Nina é aquariana por essência, são-paulina por escolha e jornalista de formação. Tem por vocação dar voz às mulheres no esporte.

Sobre o blog

Futebol não é coisa de mulher. Rugby? Vocês não têm força para jogar... Lugar de mulher é na cozinha, não no campo, na quadra, na arquibancada. Já ouviu isso muitas vezes, né?! Mas o ~dibradoras surgiu para provar justamente o contrário. Mulher pode gostar, entender e praticar o esporte que quiser. E quem achar que não, a gente ~dibra ;)

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