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Ba-Vi histórico: quando times rivais lutam contra o machismo no futebol

Roberta Nina

12/11/2018 18h55

(Foto: Felipe Oliveira / EC Bahia)

* Por Juliana Lisboa, para a coluna ~Dibres com Dendê

O quinto e último Ba-Vi de 2018 – e que terminou em 2 a 2, com gols de Léo Ceará pelo rubro-negro e Nilton e Ramires pelo tricolor – colocou um ponto final, enfim, à violência que tanto marcou o clássico neste ano. E foi além: em vez de cartões vermelhos, pancadaria e briga de torcidas, o Ba-Vi de 11 de novembro levantou uma bandeira importante, que foi estampada nas camisas dos jogadores dos dois times: #MulheresNoFutebol.

A iniciativa faz parte de um acordo entre Bahia, Vitória e o Ministério Público da Bahia. Em 29 de outubro, representantes dos dois clubes assinaram um Termo de Cooperação Técnica com o órgão para implementar ações que fortaleçam o combate à discriminação contra a mulher no estado.

Os números dão a dimensão do problema: a Bahia tem 67 processos de violência contra a mulher abertos por dia. Em dois anos, foram 38.670 ações com base na Lei Maria da Penha, quase três por hora. E esses dados, fornecidos pelo Ministério Público, são apenas os oficiais: especialistas sugerem que boa parte das vítimas sequer presta queixa. De 2015 até 2017, foram 41 casos de feminicídio confirmados, segundo levantamento do Tribunal de Justiça da Bahia.

E o futebol, esporte que rejeita a presença feminina em tantas frentes – da arquibancada ao gramado, passando pelas cabines de imprensa e setores administrativos dos clubes – parece um lugar estratégico para levantar essa pauta.

"Sabemos todos da importância dos clubes para os torcedores e torcedoras e do grande número de pessoas que as suas ações alcançam. Às vezes, verificamos uma disseminação da discriminação contra a mulher no futebol e cabe também aos clubes agirem contra isso" , disse a procuradora-geral de Justiça Ediene Lousado no momento da assinatura do documento.

(Foto: Felipe Oliveira / EC Bahia)

Segundo dados do Bahia, 35% do público que vai à Fonte Nova é feminino. E por isso é importante fazer com que essa fatia expressiva da torcida se sinta acolhida. Para isso, o termo tem como meta tocar em pontos que são vistos como "culturais", como xingamentos machistas e homofóbicos e assédio sexual e moral nas arquibancadas.

"Embora algumas ações pareçam uma forma de violência pequena, são essas violências que naturalizam outras formas de violência", alertou ela, pontuando que a campanha é um primeiro passo para o trabalho conjunto", completou a promotora de justiça Lívia Vaz, coordenadora do Grupo de Atuação Especial em Defesa da Mulher e da População LGBT (Gedem).

Os dois clubes mantêm ações afirmativas e/ou atividades voltados para o público feminino. Na semana passada, o Bahia lançou seu tão aguardado time de futebol feminino, que entrará em vigor em 2019. A equipe é uma parceria com o Lusaca, time já estruturado e que disputa atualmente o Campeonato Baiano.

O Vitória mantém uma equipe feminina desde 2015, e, junto com o São Francisco, representa o estado na Série A1 do Campeonato Brasileiro de Futebol Feminino.

Sobre as autoras

Renata Mendonça é jornalista, são-paulina, e apaixonada por esporte desde que se conhece por gente. Foi em um ~dibre desses da vida que conseguiu unir trabalho e paixão sendo jornalista esportiva. Hoje, sua luta é para que mais mulheres consigam ocupar esse espaço. Angélica Souza é publicitária, de bem com a vida e tem um senso de humor que, na maioria das vezes, faz as pessoas rirem. Alucinada por futebol - daquelas que não pode ver uma bola que já sai chutando - sabe da importância e responsabilidade de ser uma mulher com essa paixão. Nas costas, gosta da 10, e no peito, o coração é verde e branco e bate lá na Turiassú. Roberta Nina é aquariana por essência, são-paulina por escolha e jornalista de formação. Tem por vocação dar voz às mulheres no esporte.

Sobre o blog

Futebol não é coisa de mulher. Rugby? Vocês não têm força para jogar... Lugar de mulher é na cozinha, não no campo, na quadra, na arquibancada. Já ouviu isso muitas vezes, né?! Mas o ~dibradoras surgiu para provar justamente o contrário. Mulher pode gostar, entender e praticar o esporte que quiser. E quem achar que não, a gente ~dibra ;)

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