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Drible ou dibre? Professor Pasquale explica

Renata Mendonça

08/11/2018 10h53

O nome deste blog costuma causar grande celeuma para muitos leitores. Afinal, há um erro grave na grafia "dibradoras", segundo eles. O correto seria "dribladoras", derivada do verbo "driblar", conforme manda o dicionário.

Mas quem conhece futebol sabe bem que o "dibre" sempre existiu. Não foi "inventado" por um de seus maiores maestros, Ronaldinho Gaúcho, como dizem alguns. Ele, sim, popularizou o dibre, que sempre foi dito e repetido com fervor nas ruas, na várzea e no campo de futebol. Aliás, como bem definiu o colega jornalista Márvio dos Anjos, "a maioria dos atacantes jamais driblou na vida: os craques sempre dibraram".

falamos aqui sobre como o verbo driblar foi originado do inglês "to dribble", assim como muitas outras palavras do nosso futebolês. E que, talvez por isso, sua adaptação ao português não tenha sido a mais fácil do mundo. Porque é difícil falar "drible, driblar, driblou". São muitas consoantes juntas, conforme nos explicou o mestre Professor Pasquale, que gentilmente esclarece neste vídeo por que o "dibre" não pode ser ignorado.

"A língua portuguesa não é uma pedra. Ela é como um guarda-roupa. A gente escolhe a roupa de acordo com a situação. A língua é a mesma coisa. Deveríamos todos ter um guarda-roupa linguístico com o maior número possível de 'roupas', ou seja, de variedades linguísticas. Eu não falo em casa do jeito que falo ao vivo na televisão. Se a pessoa quiser ser formal o tempo todo, também vai ficar esquisito", afirmou às dibradoras.

Pela origem popular do futebol, a escolha do "dibre" por este blog não foi por acaso. Queremos com ele nos aproximar daqueles que amam e vivem esse esporte todos os dias. Porque futebol representa isso para nós, é para homens e mulheres, crianças e idosos, brancos e pretos, doutores e analfabetos. Não é uma consoante que poderá nos separar. Sendo assim, pedimos licença ao dicionário e à formalidade da língua para sermos "dibradoras", conforme manda o bom futebolês.

*Agradecimentos especiais à ESPN pela cessão do espaço para a gravação desse vídeo.

 

Sobre as autoras

Renata Mendonça é jornalista, são-paulina, e apaixonada por esporte desde que se conhece por gente. Foi em um ~dibre desses da vida que conseguiu unir trabalho e paixão sendo jornalista esportiva. Hoje, sua luta é para que mais mulheres consigam ocupar esse espaço. Angélica Souza é publicitária, de bem com a vida e tem um senso de humor que, na maioria das vezes, faz as pessoas rirem. Alucinada por futebol - daquelas que não pode ver uma bola que já sai chutando - sabe da importância e responsabilidade de ser uma mulher com essa paixão. Nas costas, gosta da 10, e no peito, o coração é verde e branco e bate lá na Turiassú. Roberta Nina é aquariana por essência, são-paulina por escolha e jornalista de formação. Tem por vocação dar voz às mulheres no esporte.

Sobre o blog

Futebol não é coisa de mulher. Rugby? Vocês não têm força para jogar... Lugar de mulher é na cozinha, não no campo, na quadra, na arquibancada. Já ouviu isso muitas vezes, né?! Mas o ~dibradoras surgiu para provar justamente o contrário. Mulher pode gostar, entender e praticar o esporte que quiser. E quem achar que não, a gente ~dibra ;)

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