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Com garra e sangue no olho, Corinthians é finalista do Brasileiro Feminino

Roberta Nina

12/10/2018 11h36

(Foto: Bruno Teixeira)

O Corinthians está na final do Campeonato Brasileiro Feminino após derrotar o Flamengo/Marinha em casa por 4×2. Mas não se iluda ao olhar o placar. O jogo não foi fácil, ainda mais levando em consideração a derrota que a equipe alvinegra sofreu no jogo de ida, por 2×1 na Gávea.

No dia 26 de setembro, o treinador corinthiano Arthur Elias viu cair uma invencibilidade de quase um ano sob o comando da equipe paulista. O Corinthians não perdia uma partida há quase um ano, foram cerca de 45 jogos sem tomar conhecimento de uma derrota.

A equipe flamenguista derrotou o Corinthinas na primeira partida da semifinal por 2×1 (Lucas Figueiredo/CBF)

E foi na Gávea, na primeira partida da semifinal do Brasileiro que o time de Arthur perdeu um jogo importante na fase de mata-mata. O Flamengo/Marinha derrotou o Corinthians por 2×1 e conseguiu certa vantagem para o jogo de volta.

Ao mesmo em que jogava o Brasileirão, a equipe corinthiana também brigava pelo título Paulista. E no dia 02 de outubro, na Vila Belmiro, disputou o primeiro jogo da final com o Santos e saiu derrotado, mais uma vez, por 1×0.

O jogo de volta contra as Sereias da Vila aconteceu há uma semana e a equipe corinthiana foi em busca do resultado, abrindo o placar logo no início do jogo. Mas, mesmo jogando em casa, o Corinthians viu Santos empatar o jogo por duas vezes e, com o placar de 2×2, levantou o troféu de campeãs paulista dentro da Fazendinha.

O Corinthians perdeu o título paulista para o Santos dentro de casa (Foto: dibradoras)

Como recuperar a força e a vontade de vencer do elenco após derrotas tão duras? "As derrotas demoraram a chegar, vieram em fases decisivas, mas o que eu fiz foi mostrar pra elas que assim como nunca nos empolgamos demais na sequência de vitórias, não poderíamos sofrer tanto com as derrotas porque o tempo entre um jogo e outro é muito curto", afirmou o treinador Arthur Elias às dibradoras.

"Nosso grupo vêm fazendo um ano fantástico, com muita dedicação ao trabalho e sempre apresentando um bom futebol, temos uma maneira de jogar que as jogadoras acreditam e executam muito bem, o modelo favorece o perfil técnico delas. Sempre cobro desempenho, e estou contente por elas conseguirem manter o alto nível de jogo durante toda essa temporada extremamente desgastante", completou Arthur.

E foi unindo forças que a comissão técnica e as jogadoras do Corinthians entraram em campo nesta quinta-feira (11/10). O resultado veio com sofrimento, mas apareceu de maneira positiva dentro de campo.

O jogo 

Com cerca de 1.500 torcedores na arquibancada – segundo informação postada no twitter Portal Corinthians Feminino – a equipe feminina do Parque São Jorge precisava vencer o Flamengo/Marinha a todo custo.

A equipe corinthiana entrou em campo com Letícia; Katiuscia, Mimi, Erika e Yasmim; Grazi, Ana Vitória e Gabi Zanotti; Marcela, Adriana e Millene.

A presença da craque Gabi Nunes no banco de reservas também chamou a atenção. Após romper e operar por duas vezes o ligamento do joelho esquerdo, a jogadora de 21 anos está de volta aos gramados.

Do outro lado, o Flamengo/Marinha estava escalado com Kaká; Rayanne, Andressa, Day e Fernanda Palermo; Ju, Jane e Bárbara; Flávia, Pâmela e Dany Helena. Técnico: Ricardo Abrantes

A pressão corinthiana durou todo o primeiro tempo, mas o gol só saiu aos 37 minutos com a camisa 10, Gabi Zanotti, que receber na área após escanteio e abriu o placar. Antes de acabar os primeiros 45 minutos, Ana Vitória ainda carimbou o travessão flamenguista.

O Corinthians não desligou um só minuto e aos 5 minutos do segundo tempo marcou mais um. Após belo lançamento de Ana Vitória, Adriana colocou o time da Zona Leste parcialmente na final do Brasileiro.

Foi aí que a equipe carioca acordou e dificultou a vida do Timão. Aos 10 minutos, saiu o primeiro gol do Flamengo/Marinha com Ju. Fernanda empatou a partida pouco depois, aos 22 minutos. Com dois golaços, a equipe visitante estava em vantagem no placar.

Os ânimos se acirraram. O treinador corinthiano Arthur Elias foi expulso, mas 42 minutos do segundo tempo, Adriana cobrou falta na área e após desvio da zaga flamenguista, o Corinthians saiu na frente novamente, 3×2.

O resultado levava a decisão para os pênaltis, mas aos 45 minutos, houve um toque de mão da zaga flamenguista dentro da área e a juíza marcou penalidade máxima. Com muito sangue frio, Milene converteu a cobrança e colocou, de vez, o Corinthians na final do Campeonato Brasileiro.

A vitória veio na base do sofrimento, do jeito que o corinthiano gosta e está acostumado. Para o técnico Arthur Elias, sua equipe criou muitas chances e foi melhor dentro de campo praticamente o jogo todo. "Não poderíamos sair assim do campeonato, jogando como estávamos. E minhas jogadoras foram guerreiras demais. Troquei o sistema depois do segundo gol, demoramos uns 3 ou 4 minutos pra encaixar e juntar forças pra lutar. Mas depois crescemos muito, foi lindo ver elas acreditando até o final! Coloquei a Diany e ela participou do terceiro gol, o pênalti da Millene graças a Deus foi muito bem batido, porque a Kaká (goleira do Flamengo) foi no canto, aí bateu no travessão, bateu embaixo e a hora que a bola entrou foi muita emoção", contou.

As jogadoras comemoraram muito com a torcida, subiram no alambrado e fizeram a festa dentro de casa. "Sou muito grato às minhas jogadoras e comissão pelo trabalho e a união que temos. Vamos com tudo em busca desse título", reforçou Arthur que já foi campeão brasileiro em 2013 com o Centro Olímpico.

Corinthians x Rio Preto 

A final do Campeonato Brasileiro será decidida entre duas equipes de São Paulo: uma da capital e outra do interior.

O Rio Preto garantiu a vaga ao eliminar a Ferroviária (1×1 no jogo de ida e 3×2 no jogo de volta) e disputará a final com a equipe da capital paulista.

O Corinthians briga pela taça inédita. Já o Rio Preto sonha com o bicampeonato. Veja abaixo as equipes que já conquistaram o Brasileirão Feminino:

2013: ADECO Centro Olímpico (SP)
2014: Ferroviária (SP)
2015: Rio Preto (SP)
2016: Flamengo/Marinha (SP)
2017: Santos (SP)

Sobre as autoras

Renata Mendonça é jornalista, são-paulina, e apaixonada por esporte desde que se conhece por gente. Foi em um ~dibre desses da vida que conseguiu unir trabalho e paixão sendo jornalista esportiva. Hoje, sua luta é para que mais mulheres consigam ocupar esse espaço. Angélica Souza é publicitária, de bem com a vida e tem um senso de humor que, na maioria das vezes, faz as pessoas rirem. Alucinada por futebol - daquelas que não pode ver uma bola que já sai chutando - sabe da importância e responsabilidade de ser uma mulher com essa paixão. Nas costas, gosta da 10, e no peito, o coração é verde e branco e bate lá na Turiassú. Roberta Nina é aquariana por essência, são-paulina por escolha e jornalista de formação. Tem por vocação dar voz às mulheres no esporte.

Sobre o blog

Futebol não é coisa de mulher. Rugby? Vocês não têm força para jogar... Lugar de mulher é na cozinha, não no campo, na quadra, na arquibancada. Já ouviu isso muitas vezes, né?! Mas o ~dibradoras surgiu para provar justamente o contrário. Mulher pode gostar, entender e praticar o esporte que quiser. E quem achar que não, a gente ~dibra ;)

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