Dibradoras

Esporte Interativo confirma Vivi Falconi como primeira narradora contratada

Roberta Nina

13/06/2018 15h10

O ano de 2018 já entra para a história como revolucionário no esporte brasileiro. Pela primeira vez, teremos duas mulheres narrando jogos em canais esportivos da TV fechada e integrando o time oficial de narradores das emissoras.

Primeiro foi Luciana Mariano, recém-contratada pela ESPN. Agora foi a vez do Esporte Interativo confirmar a contratação de uma mulher para o quadro de narradores do canal.

Vivi Falconi, vencedora do processo seletivo “A Narradora Lay’s” e a primeira mulher a narrar uma semifinal de Champions League in loco, foi contratada oficialmente pela emissora. Ela deve “reestrear” nos microfones em breve, e entrará na escala para todas as competições transmitidas pelo canal.

Vivi Falconi, vencedora do programa “A Narradora Lay’s” promovido pelo canal Esporte Interativo

Isso inclui o Brasileirão de Aspirantes (uma espécie de competição nacional sub-23 organizado pela CBF), a Copa do Nordeste, os campeonatos Estaduais, a Nations League (que são todos os jogos de Eliminatórias e Amistosos das Seleções Europeias), Séries C e D e, a partir de 2019, o próprio Brasileirão.

Quanto à Champions League, ainda não há definição sobre os direitos das próximas edições, então não se sabe se ela seguirá na programação do Esporte Interativo.

Em entrevista às dibradoras, Vivi Falconi disse estar ansiosa pela oportunidade.

“Estou muito feliz e ansiosa. Acho que é normal, tem que dar esse frio na barriga. Ao mesmo tempo, estou buscando me preparar muito, estudar bastante, tô lendo muita coisa sobre narração, sobre esportes de todas as modalidades porque sei também que a responsabilidade aumenta. A visibilidade vai ser maior e sei que vou enfrentar alguns tipos de comentários, então estou me preparando pra isso e para fazer um ótimo trabalho”, disse.

“Estou aproveitando pra rever tudo que aprendi durante o programa e me aperfeiçoar, assistindo bastante jogos e narrações pra poder fazer o melhor e representar as mulheres que estão aí no caminho pra conquistar cada vez mais esse espaço. Estou muito feliz mesmo com a oportunidade e espero continuar desempenhando um ótimo trabalho.”

Vivi Falconi vivendo a experiência de narrar uma partida de Champions League.

Além de ter conquistado um espaço importante, Vivi ressalta que ainda tem muito para aprender e tem se dedicado à isso. “Eu estou entrando como iniciante, nunca havia narrado antes do programa, então estou aprendendo. Estou em um lugar com grandes narradores, então quero aprender muito. Esse aprendizado me dá mais ritmo de jogo, conhecimentos técnicos, vocabulários e etc. Então é para que eu possa ir me aperfeiçoando e me tornando, cada vez mais, uma narradora melhor”, completa.

Ainda não há data confirmada para Vivi voltar aos microfones porque ela está se recuperando de uma lesão no pé. Assim que terminar a fisioterapia, deverá entrar na escala do Esporte Interativo normalmente.

“Ter mulheres no nosso elenco é uma escolha pela competência delas e não para parecer um canal que aposta em diversidade. A Vivi chega num time com outras profissionais extremamente competentes, como a Monique que está neste momento na Rússia e a Taynah que voltou de sua terceira cobertura de final de Liga dos Campeões. Nossa diversidade está em variar conteúdos, em incluir profissionais de vários lugares do Brasil, em proporcionar a eles oportunidades e experiências variadas. A Vivi vai trazer uma visão que ainda não tínhamos, não só por ser mulher, mas pelas experiências de vida que ela têm e que irão contribuir muito para o Esporte Interativo”, declarou Henrique Mazzei, gerente de elenco do canal e responsável pelo concurso “A Narradora Lay’s”.

“Ela será escalada para jogos e campeonatos que se sentir confortável e preparada para narrar. Temos convicção de que a vontade de aprender dela e nosso interesse em desenvolvê-la ajudarão na carreira da Vivi. Tudo aquilo que exibimos durante o programa: sessões de fono, treinamentos vocais e feedbacks fazem parte da rotina do nosso time. Todos os nossos narradores narraram pela primeira vez em TV aqui no Esporte Interativo. O André e o Jorge Iggor há onze anos. Luis Felipe há oito. O Octavio Neto há cinco. Assim como todos os outros que começaram aqui com a gente. Nos orgulhamos de dar essa oportunidade para profissionais que hoje são reconhecidos pelo mercado. E agora é a vez da Vivi começar a construir a sua história”, finalizou.

É preciso ressaltar a importância disso no caminho de mudanças que estamos finalmente começando a percorrer no Jornalismo Esportivo. A cabine de transmissão ainda é um espaço praticamente inacessível para as mulheres, que se multiplicam na reportagem de campo, mas ainda são raridade nos comentários e na narração de jogos. Com Vivi Falconi no EI e Luciana Mariano na ESPN, teremos mulheres narrando com frequência na televisão e isso é o primeiro passo para quebrarmos a ideia de que a voz feminina no futebol “é estranha”.

Luciana Mariano, recém contratada pela ESPN, também irá narrar jogos na emissora

“O importante de ter uma mulher na TV narrando com frequência é para que, a partir de agora, as pessoas tenham a opção de poder escolher e falar ‘cara, hoje eu quero assistir um jogo com uma mulher narrando’ e ver que isso é possível. É uma questão de ir se acostumando mesmo, é questão da nossa cultura, da gente quebrar a cultura de ouvir ‘ah, fica estranho’ (mulher narrando). Temos aí o exemplo da Luciana pela ESPN, então quanto mais mulheres tiverem, as pessoas vão ver que isso é comum”, pontuou Vivi.

“A gente sabe que terão meninas que irão narrar a Copa pela FOX, então o caminho está aberto e nós temos que fazer um ótimo trabalho para que isso permaneça e para que as pessoas possam olhar com outra visão agora, falando ‘pô, elas sabem o que estão fazendo, elas são boas e tem que ter mesmo mulher nesse canal’. Então é importante por tudo isso. Por representarmos que a mulher pode desempenhar um excelente trabalho e as pessoas, a partir de agora, terão opções de escolhas e de vozes femininas na TV, não só narrando, mas também comentando.”

Vivi ao lado de Mauro Beting, que também faz parte do Esporte Interativo

Como a própria Luciana Mariano nos disse aqui, grandes narradores(as) se fazem com experiência profissional. É a sequência do trabalho que pode dar chance de as vozes se aperfeiçoarem, as identidades ressaltarem, os jargões divertidos surgirem. Quanto mais você pratica uma atividade, mais fica “craque” nela, e logo teremos torcedores e torcedoras repetindo por aí as frases características dessas novas narradoras que estão conquistando os microfones. E o futuro? O futuro definitivamente promete ser um pouco mais inclusivo para as mulheres na narração.

“Estou bem empolgada com o futuro da narração. Tivemos aí o programa ‘A Narradora Lay’s’ que revelou grandes vozes. Nós temos talentos excelentes ali e pessoas que estão desenvolvendo trabalhos ainda, então acho que o futuro depende também do nosso trabalho e empenho. As portas se abriram e agora a gente tem que agarrar essas oportunidades pra que esse futuro seja cada vez mais constante”, afirmou Vivi.

Participantes do programa “A Narradora Lay’s” promovido pelo Esporte Interativo

“Nós que estamos hoje entrando em uma emissora para narrar, seremos reflexos para as outras que tem esse sonho e querem seguir esse caminho. Então, agora elas terão a chance de ter referências e pessoas que as inspirem para continuar na carreira. Vejo que aos poucos a gente está lapidando e construindo esse caminho para que isso se torne cada vez mais frequente. Tenho esperança de um futuro promissor e de vozes femininas surgindo para que isso seja cada vez mais comum. Mas é um trabalho de ir colocando pedra por pedra, tijolo por tijolo, pra gente construir esse muro forte e que ninguém irá derrubar.”

Sobre as autoras

Renata Mendonça é jornalista, são-paulina, e apaixonada por esporte desde que se conhece por gente. Foi em um ~dibre desses da vida que conseguiu unir trabalho e paixão sendo jornalista esportiva. Hoje, sua luta é para que mais mulheres consigam ocupar esse espaço. Angélica Souza é publicitária, de bem com a vida e tem um senso de humor que, na maioria das vezes, faz as pessoas rirem. Alucinada por futebol - daquelas que não pode ver uma bola que já sai chutando - sabe da importância e responsabilidade de ser uma mulher com essa paixão. Nas costas, gosta da 10, e no peito, o coração é verde e branco e bate lá na Turiassú. Roberta Nina é aquariana por essência, são-paulina por escolha e jornalista de formação. Tem por vocação dar voz às mulheres no esporte. Nayara Perone herdou o corinthianismo do avô. Designer, zagueira-zagueira, dibradora, corinthiana, maloqueira e sofredora. Aqui é 90 minutos cantando na arquibancada na torcida e bicuda pra frente no jogo.

Sobre o blog

Futebol não é coisa de mulher. Rugby? Vocês não têm força para jogar... Lugar de mulher é na cozinha, não no campo, na quadra, na arquibancada. Já ouviu isso muitas vezes, né?! Mas o ~dibradoras surgiu para provar justamente o contrário. Mulher pode gostar, entender e praticar o esporte que quiser. E quem achar que não, a gente ~dibra ;)

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