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5 livros sobre futebol para ler antes da Copa

Renata Mendonça

17/05/2018 13h38

Foto: Arquivo Pessoal

Estamos em ano de Copa do Mundo e a um mês do torneio mais importante do mundo, então nada mais justo do que entrar no clima do Mundial de vez com boas leituras.

Você já deve estar cansado de conhecer/ler/ouvir falar sobre livros relacionados a jogadores ou a histórias da Copa que foram escritos por autores homens – e que falam apenas sobre a história deles no futebol.

Mas apresentamos aqui uma lista diferente com obras que talvez você tenha ouvido falar pouco: são livros de autorAs que também tratam o futebol com maestria na escrita e no conhecimento.

Dá para aproveitar o período pré-Copa para já ir aquecendo com essas leituras um tanto quanto prazeirosas e também para ir além do universo do futebol masculino e conhecer um pouco a história das mulheres com a bola nos pés.

1- Tite

Em ano de Copa em que ele já é um dos grandes responsáveis por resgatar o orgulho da seleção brasileira masculina, nada mais apropriado do que mergulhar em todas as facetas de Tite nesse livro publicado pela jornalista Camila Mattoso em 2016.

Foto: Reprodução Facebook

A repórter, hoje na Folha de S. Paulo, entrevistou 84 pessoas para construir essa biografia – incluindo o então técnico do Real Madrid, Carlo Ancelotti. O livro revela o primeiro convite para a seleção recebido – e negado – por Tite e detalhes de sua vida pessoal, como a relação muito próxima que tem com a mãe e a participação da esposa no seu dia-a-dia do futebol. Além disso, a obra também expõe o lado obcecado do treinador pelas estratégias dentro das quatro linhas – uma pessoa que vê e revê jogos e esquemas táticos 24 horas por dia.

Vale a pena cada página, não só pela história do treinador mais respeitado atualmente no Brasil, mas principalmente por ter sido escrito como maestria por uma mulher de trajetória tão brilhante no jornalismo esportivo, como é Camila Mattoso. Uma das raríssimas biografias de um grande nome do futebol nacional que foi escrita por uma mulher.

2- Os Sem Copa

Em tempos de convocação para o Mundial, quando as discussões sobre as injustiças de não levar Luan ou Arthur ou de excluir Rafinha, dominam as mesas de bar, nada melhor do que relembrar os nomes dos "excluídos" da seleção brasileira na história. Craques que, por um motivo ou outro, acabaram não conseguindo colocar uma Copa do Mundo no currículo.

Foto: Divulgação

Esse livro escrito pela jornalista do Esporte Interativo, Clara Albuquerque, eterniza a memória desses jogadores ressaltando a importância que eles tiveram para o futebol brasileiro, apesar de terem sido preteridos nos Mundiais. Aliás, por que não foram? A obra também trata dos motivos pelos quais eles ficaram de fora.

O mais interessante é que a leitura não trará apenas casos recentes, como Neto ou Alex, mas resgata na história da seleção lá atrás quem também fez história, mas não teve chance de disputar uma Copa.

Desde os mais antigos, Arthur Friedenreich, Oberdan Catani, Heleno de Freitas, Eurico Lara, até os mais frescos na memória, Djalminha, Canhoteiro e Dener, Clara Albuquerque resgata a história de todos esses injustiçados em uma obra primorosa chama "Os Sem Copa", lançada em 2014.
"São 22 jogadores. A ideia foi fazer uma viagem desde o início da Seleção Brasileira, e tomei como base a primeira conquista relevante do Brasil, o Sul-Americano de 1919, até os dias atuais. Existe um espaço no último capítulo para o 23° jogador, onde o leitor pode escolher e escrever a história do seu sem-copa", disse a autora ao Blog do Menon à época do lançamento.

Pensando neste ano, quem você acrescentaria nesta lista?

3 – O dia em que mulheres viraram a cabeça dos homens

Aqui a dica vai para aproveitar o período propício em que o futebol aflora no nosso sangue para conhecer um pouco da história sofrida do futebol feminino no Brasil. O livro não foi escrito por uma mulher, mas tem elas como protagonistas em uma conquista histórica para a seleção brasileira.

Quando René Simões assumiu a seleção feminina em 2004, ele recebeu da própria CBF a lista de jogadoras que deveria convocar. Técnico acostumado a atuar no futebol masculino, René não acompanhava nada do cenário no feminino e, quando chegou, talvez soubesse nomear apenas duas ou três jogadoras – Marta, Cristiane e Formiga.

Mas o técnico entrou disposto a mergulhar no universo do futebol feminino, entender as dificuldades e a luta daquelas jogadoras, o preconceito que enfrentavam e construir uma equipe forte que deixasse para trás aquele estigma de "coitadinhas". Nesse livro, ele conta a trajetória da conquista da medalha de prata histórica em Atenas com todos os bastidores das brigas que teve que ter até mesmo com a CBF para garantir melhores condições de treinamento para as atletas.

Um capítulo importante da história do futebol feminino no Brasil – e um dos poucos – que está registrado em livro e é essencial para entender a luta da modalidade até aqui.

4 – Pelada: uma volta ao mundo pelo prazer de jogar futebol

Uma ex-jogadora universitária que viajou os cinco continentes registrando o futebol como fenômeno mundial de todas as classes, de todas as cores e religiões. Gwendolyn Oxenham relata aqui a viagem que fez por 25 países ao longo de três anos contando as histórias ocultas nas peladas disputadas em campos de várzea, na rua, na madrugada, e até mesmo na prisão.

Foto: Divulgação

O Brasil foi um dos destinos visitados pela autora americana, que chegou a jogar pelo Santos e voltou à cidade para contar a história de senhores de 70 e até 80 anos que batiam uma bolinha na praia na alvorada de domingo. O futebol foi até mesmo capaz de vencer a rivalidade política e religiosa em Jerusalém, onde Gwendolyn jogou entre judeus e árabes. Na Bolívia, o desafio foi entrar em um presídio e ver como o futebol era o respiro de liberdade que os presos tinham no tempo e cárcere.

Um livro para apaixonadas(os) por futebol e para os céticos que ainda acham que isso "é apenas um jogo".

5 – Girls with Balls: The Secret History of Women's football

Esse livro ainda não tem tradução para o português, mas é uma relíquia importantíssima sobre a história do futebol feminino. Ele traz detalhes sobre como as mulheres começaram a jogar na Inglaterra ainda no final do século 19. Na época, a modalidade ficou tão popular, que a Federação Inglesa baniu partidas de futebol feminino dos campos profissionais por temer que elas "roubariam" a atenção – e o dinheiro – do futebol masculino! Quanta ironia, não é mesmo?

A obra traz trechos de jornais da época que falavam sobre quando surgiram os primeiros times formados por mulheres e as primeiras partidas foram jogadas. Uma história de luta e de superação sobre muito preconceito que existia desde aquela época.

Esse livro ainda é difícil – e caro – de se encontrar no Brasil, mas a Livraria Cultura vende por encomenda aqui.

PS: Para não parar por aqui, há outros títulos muito interessantes de livros que estão na minha estante para abrir seu apetite antes da Copa – esses escritos por homens, já que os autores de obras literárias na temática do futebol infelizmente ainda são quase que exclusivamente do sexo masculino.

1- Como o futebol explica o mundo, de Franklin Foer
2- Soccernomics, de Simon Kuper, Stefan Szymanski
3 – Sócrates, de Tom Cardoso
4 – Febre de Bola, de Nick Hornby
5 – The Story of The World Cup, de Brian Glanville

Sobre as autoras

Renata Mendonça é jornalista, são-paulina, e apaixonada por esporte desde que se conhece por gente. Foi em um ~dibre desses da vida que conseguiu unir trabalho e paixão sendo jornalista esportiva. Hoje, sua luta é para que mais mulheres consigam ocupar esse espaço. Angélica Souza é publicitária, de bem com a vida e tem um senso de humor que, na maioria das vezes, faz as pessoas rirem. Alucinada por futebol - daquelas que não pode ver uma bola que já sai chutando - sabe da importância e responsabilidade de ser uma mulher com essa paixão. Nas costas, gosta da 10, e no peito, o coração é verde e branco e bate lá na Turiassú. Roberta Nina é aquariana por essência, são-paulina por escolha e jornalista de formação. Tem por vocação dar voz às mulheres no esporte.

Sobre o blog

Futebol não é coisa de mulher. Rugby? Vocês não têm força para jogar... Lugar de mulher é na cozinha, não no campo, na quadra, na arquibancada. Já ouviu isso muitas vezes, né?! Mas o ~dibradoras surgiu para provar justamente o contrário. Mulher pode gostar, entender e praticar o esporte que quiser. E quem achar que não, a gente ~dibra ;)

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