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Na Champions feminina, City está na semi, e Guardiola pede ‘conselho’

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26/04/2018 10h25

O Manchester City entra em campo no próximo domingo (29/4) para disputar uma vaga na final da Champions League precisando de uma vitória simples contra o Lyon para garantir a classificação. Não, você não leu errado. O time azul de Manchester ainda pode mesmo chegar à decisão da competição europeia – feminina, porque na masculina a equipe comandada por Pep Guardiola foi eliminada nas quartas-de-final pelo rival inglês Liverpool (5 x 1 no placar agregado).

E com toda a elegância que lhe é peculiar, Guardiola valorizou o feito delas em entrevista coletiva na última semana ao ser perguntado sobre “que conselho daria para o time feminino”, que enfrentaria o poderoso Lyon, tetracampeão do torneio, pela semifinal da Champions League feminina.

“Conselho? Elas estão nas semifinais. Elas que têm que me dar conselhos, porque eu não cheguei às semifinais”, disse.

Independente de quem for dar conselho para quem, o fato é que o feito das mulheres do Manchester City precisa ser ressaltado. O time foi fundado em 1988, mas constrói uma nova história desde 2012 com uma espécie de refundação que colocou a equipe feminina sob o mesmo “guarda-chuva” da masculina. O “Manchester City Ladies” foi oficialmente “abraçado” pelo clube em agosto daquele ano e, desde então, conta com a mesma estrutura do time masculino.

Foto: The FA

Os resultados, consequentemente, têm vindo. Elas conquistaram o título da primeira divisão do Campeonato Inglês em 2016 e a Copa da Inglaterra (FA Cup) no ano passado – com direito a recorde de público na final, com mais de 35 mil pessoas comparecendo a Wembley para a final. No entanto, na Champions League, acabaram sempre esbarrando na fase eliminatória. Em 2017, o melhor resultado foi chegar à semifinal, quando foram eliminadas pelas futuras campeãs do Lyon – 3 a 2 no placar agregado.

Agora, as Ladies do City chegam de novo à semi com uma campanha impecável e cheia de goleadas. Só que as adversárias são as mesmas do ano passado, com o agravante de chegarem até essa fase após mais uma temporada fortíssima (33 gols marcados em 6 jogos) em que são favoritas ao título de novo.

O primeiro jogo contra o Lyon, em Manchester, terminou 0 a 0 e o segundo, que definirá a vaga na decisão será neste domingo, dia 29 de abril, na França, às 9h45 da manhã. Enquanto as inglesas apostam no talento em Nikita Parris, atacante de 24 anos que chegou ao clube em 2015, o Lyon acredita no potencial de sua maior artilheira, a norueguesa Ada Hegerberg, de 22 anos, que apesar da juventude já está no clube há quatro anos e virou o pesadelo das adversárias – foram 14 gols apenas nessa edição da Champions.

Do outro lado, o tradicional Wolfsburg disputa com outro time inglês, o Chelsea, a outra vaga na final. O jogo será às 12h30 deste domingo também, mas a equipe alemã já tem boa vantagem construída no primeiro jogo, que terminou com a vitória por 3 a 1 na casa das adversárias.

Lyon tem 4 títulos da Champions (Foto: FIFA)

Campanha do Manchester City na Champions League

Manchester City x St Polten (3 x 0 e 3 x 0)
Manchester Citty x Lillestrom (5 x 0 e 2 x 1)
Manchester City x  Linköping (2 x 0 e 5 x 3)
Manchester City x Lyon (0 x 0 em Manchester, segundo jogo no dia 29 de abril)

Campanha do Lyon na Champions League

Lyon x Medyk Konin (5 x 0 e 9 x 0)
Lyon x BIIK Kazygurt (7 x 0 e 9 x 0)
Lyon x Barcelona (2 x 1 e 1 x 0)

Artilharia 2017-2018

Ada Hegerberg – Lyon (14 gols)
Pernille Harder – Wolfsburg (6 gols)
Sara Bjork Gunnarsdóttir – Wolfsburg (6 gols)

História

O sonho de qualquer jogador de futebol hoje em dia, muitas vezes até mais do que ganhar uma Copa do Mundo, é conquistar a tão cobiçada “orelhuda”. A competição europeia, que surgiu em 1955 e foi ganhando importância até se tornar o principal torneio de clubes do mundo, é o ápice de todo atleta. Os meninos de hoje em dia, aliás, já sonham com o dia em que ouvirão tocar in loco aquele hino que só faz arrepiar…”THE CHAAAAAAAAMPIONNNNSSS!”.

Pois esse desejo, afinal, agora não é mais “só” deles. Desde o início da década de 2000 – no ano de 2001, para ser mais precisa -, as mulheres passaram a ter a oportunidade de sonhar igual. Foi naquele ano, na temporada 2001-02, que elas tiveram pela primeira vez a chance de disputar a chamada “Women’s Champions League”, a Liga dos Campeões de futebol feminino.

Recorde de público na final da Champions em Munique

Naquela primeira edição, foram 33 clubes que, junto com a Uefa, ousaram dar o pontapé inicial para fazer o primeiro torneio europeu de futebol feminino. Dali em diante, o crescimento foi inevitável. Os 33 se tornaram 35 no ano seguinte, depois 40 em 2003-04, depois 43 em 2004-05, 45 em 2007-08 até chegarem aos incríveis 61 clubes que disputam a competição atualmente.

Somente em 2010 a Uefa decidiu aprovar prêmios para as equipes que chegassem à finalíssima do torneio – antes disso, não havia nada.

No ano seguinte, ampliou-se o “benefício”, que foi estendido para semis e quartas-de-final, apenas com alguma diferença no valor recebido. Atualmente, o campeão da Champions League fica com 250 mil euros de prêmio, o vice com 200 mil, os times perdedores das semifinais ficam com 50 mil e os que só chegaram até as quartas recebem 25 mil.

No torneio masculino, as premiações são bem distintas e bem mais altas – o campeão recebe mais de 15 milhões de euros, por exemplo.

Ainda assim, não cabe fazer comparativos aí, muito menos financeiros. A Champions masculina já é absoluta, já tem patrocinadores, estádios lotados, visibilidade nos canais de televisão do mundo inteiro. A feminina, ainda não. Ainda – porque essa realidade pode bem estar em processo de mudança.

Prova disso é que cinco anos atrás, na final do torneio de 2011-12 em Munique, mais de 50 mil pessoas encheram o Estádio Olímpico para acompanhar a decisão entre Frankfurt e Lyon. Um recorde do futebol feminino na Alemanha – e também da Champions League delas. No ano passado, a final em Cardiff teve mais de 22 mil pessoas nas arquibancadas (um público considerável para os padrões do futebol feminino).

Histórico

Clubes que mais venceram
Frankfurt: 4 títulos e 2 vices
Lyon: 4 títulos e 2 vices
Umea: 2 títulos e 3 vices.

Países com mais conquistas
Alemanha: 9 títulos, 5 vices
França: 4 títulos, 4 vices
Suécia: 3 títulos, 5 vices
Inglaterra: 1 título
Rússia: 1 vice
Dinamarca: 1 vice

Artilharia na história
Anja Mittag (Alemanha): 50
Conny Pohlers (Alemanha): 48
Marta (Brasil): 46

 

 

Sobre as autoras

Renata Mendonça é jornalista, são-paulina, e apaixonada por esporte desde que se conhece por gente. Foi em um ~dibre desses da vida que conseguiu unir trabalho e paixão sendo jornalista esportiva. Hoje, sua luta é para que mais mulheres consigam ocupar esse espaço. Angélica Souza é publicitária, de bem com a vida e tem um senso de humor que, na maioria das vezes, faz as pessoas rirem. Alucinada por futebol - daquelas que não pode ver uma bola que já sai chutando - sabe da importância e responsabilidade de ser uma mulher com essa paixão. Nas costas, gosta da 10, e no peito, o coração é verde e branco e bate lá na Turiassú. Roberta Nina é aquariana por essência, são-paulina por escolha e jornalista de formação. Tem por vocação dar voz às mulheres no esporte. Nayara Perone herdou o corinthianismo do avô. Designer, zagueira-zagueira, dibradora, corinthiana, maloqueira e sofredora. Aqui é 90 minutos cantando na arquibancada na torcida e bicuda pra frente no jogo.

Sobre o blog

Futebol não é coisa de mulher. Rugby? Vocês não têm força para jogar... Lugar de mulher é na cozinha, não no campo, na quadra, na arquibancada. Já ouviu isso muitas vezes, né?! Mas o ~dibradoras surgiu para provar justamente o contrário. Mulher pode gostar, entender e praticar o esporte que quiser. E quem achar que não, a gente ~dibra ;)

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