Topo

Esporte

Dibradoras

Corinthians goleia Rio Preto e conquista título inédito do Brasileiro

Renata Mendonça

26/10/2018 22h36

Uma exibição perfeita na final e uma campanha irreparável em todo o campeonato: o Corinthians terminou a temporada com a conquista merecida do título inédito no Campeonato Brasileiro de Futebol Feminino. Com a vitória sobre o Rio Preto por 4 a 0 no Parque São Jorge (5 a 0 no agregado), o time comandado pelo técnico Arthur Elias conquistou mais um troféu na vitoriosa e curta história do Corinthians no futebol feminino.

A finalíssima foi o vigésimo jogo do time alvinegro no Brasileiro em uma campanha que teve apenas uma derrota – e 15 vitórias no total.

Foto: dibradoras

Na final, o Corinthians esgotou os ingressos disponibilizados pela diretoria para o Parque São Jorge (8 mil), e a torcida fez a parte dela incentivando o time por 90 minutos. Mas nem precisou de muito. Nos primeiros segundos da partida, Millene abriu o placar. Ela que em 2017 vestia a camisa do Rio Preto, agora ampliava a vantagem corintiana na final – o primeiro jogo já havia sido 1 a 0 para o time alvinegro.

A equipe do interior até tentava reagir, mas o Corinthians não dava espaços e ampliou o placar logo em seguida em um golaço de falta de Yasmin.

A goleira Rosane, do Rio Preto, ainda fez boas defesas para impedir que as corintianas ampliassem o marcador no primeiro tempo. Mas na etapa final, ela não conseguiu impedir o gol na cobrança de pênalti de Marcela. Com 3 a 0 no placar e 4 a 0 no agregado, o time do interior teve pouco poder de reação para reverter a desvantagem – e logo veio o quarto gol corintiano no Parque São Jorge com Adriana, artilheira do time alvinegro e também ex-jogadora do Rio Preto.

Com o título, o Corinthians encerra mais uma temporada vitoriosa desde que passou a investir no futebol feminino. O início do projeto foi em 2016 ainda em parceria com o Audax, quando o time de Arthur Elias conquistou a Copa do Brasil. Depois, em 2017, a equipe alvinegra foi vice-campeã brasileira e campeã da Libertadores. E agora, no primeiro ano assumindo o controle do projeto por inteiro, sem qualquer parceria, o Corinthians conquista o Brasileiro inédito com uma campanha impressionante.

Foto: dibradoras

Do lado do Rio Preto, há que se elogiar a força de um time do interior que sempre briga por títulos. Em 2015, foram os campeões, em 2016 foram vice do Brasileiro, em 2017 campeões paulistas e semifinalistas no torneio nacional e agora mais uma vez finalistas. Uma campanha também louvável considerando que a equipe de Doroteia e Chicão (presidente e técnico do clube) perdeu 12 jogadoras entre 2017 e 2018 – incluindo Adriana e Millene, que fizeram três dos cinco gols dessas finais. "O clube tem recursos limitados e não consegue concorrer com outros times grandes para oferecer os mesmos salários às jogadoras", explicou a meio-campista Jessica em entrevista às dibradoras.

Com o título conquistado, o Corinthians se consolida como uma das novas forças do futebol feminino. O time ainda não é considerado profissional porque não assina a carteira de trabalho das atletas, mas o clube tem planos de fazer isso em 2019.

 

O técnico Arthur Elias, com mais esse troféu, agora já venceu Copa do Brasil, Libertadores e Brasileiro com o Corinthians. "Com uma campanha dessas, não tinha como ter outro final. Muito merecido o título depois do tanto que trabalhamos esse ano para isso. Elas merecem demais essa conquista, principalmente depois de uma final dessas", disse o treinador.

Foto: dibradoras

A capitã do time, Grazi, ressaltou a união do grupo que se formou no Corinthians ao longo da temporada e elogiou o trabalho da comissão técnica de Arthur Elias. "Sou suspeita para falar do Arthur porque já trabalho com ele há 4 anos. Ele foi um dos poucos a acreditar em mim, a gente está com uma certa idade no esporte e as pessoas começam a desconfiar. Mas é o comandante do nosso barco, ele nos cobra diariamente, e o resultado é esse", afirmou.

Ela ressalta também as cobranças com as quais o elenco corintiano teve de lidar ao longo do ano para conseguir chegar a levantar o troféu nesta sexta-feira e ainda reforça a esperança de que no próximo ano ainda mais times de camisa passem a investir no futebol feminino.

"É um momento especial. Nós sabemos o quanto a gente trabalha, o quanto é duro isso aqui. A gente já ouviu muito comentário por aí dizendo que é muito fácil trabalhar no Corinthians, mas a gente sabe que não é. A gente representa milhões de torcedores, essa camisa é muito pesada, a gente é muito cobrada, e o resultado não poderia ser diferente, porque tivemos um ano brilhante", disse.

"Acho importante, a modalidade está crescendo, espero que ano que vem possam vir muitos mais clubes de camisa disputar para engrandecer a modalidade", finalizou.

Com o fim do Campeonato Brasileiro, a grande maioria dos clubes entra em férias, já que não há mais competições a serem disputadas até o ano que vem no futebol feminino. No calendário, resta somente a Copa Libertadores, que acontece nas duas últimas semanas de dezembro em Manaus, e que envolve três times brasileiros: Santos, Audax e Iranduba.

 

Sobre as autoras

Renata Mendonça é jornalista, são-paulina, e apaixonada por esporte desde que se conhece por gente. Foi em um ~dibre desses da vida que conseguiu unir trabalho e paixão sendo jornalista esportiva. Hoje, sua luta é para que mais mulheres consigam ocupar esse espaço. Angélica Souza é publicitária, de bem com a vida e tem um senso de humor que, na maioria das vezes, faz as pessoas rirem. Alucinada por futebol - daquelas que não pode ver uma bola que já sai chutando - sabe da importância e responsabilidade de ser uma mulher com essa paixão. Nas costas, gosta da 10, e no peito, o coração é verde e branco e bate lá na Turiassú. Roberta Nina é aquariana por essência, são-paulina por escolha e jornalista de formação. Tem por vocação dar voz às mulheres no esporte.

Sobre o blog

Futebol não é coisa de mulher. Rugby? Vocês não têm força para jogar... Lugar de mulher é na cozinha, não no campo, na quadra, na arquibancada. Já ouviu isso muitas vezes, né?! Mas o ~dibradoras surgiu para provar justamente o contrário. Mulher pode gostar, entender e praticar o esporte que quiser. E quem achar que não, a gente ~dibra ;)