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Após renascimento no Pan, seleção feminina de basquete busca vaga em Tóquio

Renata Mendonça

25/01/2020 04h00

Foto: Imprensa Basquete Brasil

A seleção feminina de basquete embarca neste sábado para a Europa onde disputará o último pré-olímpico em busca da tão sonhada vaga nos Jogos de Tóquio. O torneio será disputado em Bourges, na França, entre os dias 6 e 9 de fevereiro, mas antes disso o Brasil ainda fará uma parada em Belgrado para um amistoso contra a Sérvia no próximo dia 3.

Durante esta semana, a seleção fez uma preparação no Rio de Janeiro com treinos que tiveram que sofrer alteração de lugar por conta da interdição do Parque Olímpico. Inicialmente, o Brasil faria inclusive um treino aberto à torcida no Arena Carioca 2, mas com a decisão da Justiça Federal de interditar o local, foi preciso mudar os planos. O time comandado pelo técnico José Neto fez atividades em São Januário, na quadra do Vasco, no início da semana, depois usou a estrutura da Escola Americana do Rio de Janeiro na Barra da Tijuca.

O momento é importante e talvez seja o melhor da última década do basquete feminino brasileiro. Se pensarmos que há quatro anos, a seleção feminina se despedida de uma Olimpíada em casa sem sequer conseguir uma única vitória, depois dava vexame na Copa América perdendo até mesmo para Ilhas Virgens e ficando sem o bronze, que dava vaga para o Mundial (o time só havia ficado fora da disputa em 1959), a perspectiva de conseguir uma vaga para Tóquio estava bastante longínqua. Mas de lá para cá, a seleção feminina mudou o técnico, mudou a gestão e, com praticamente as mesmas atletas, conseguiu renascer.

O ouro no Pan Americano de Lima – o primeiro em 28 anos – deu um novo ânimo para essas jogadoras, que agora embarcam confiantes para confirmar a tão sonhada classificação para a Olimpíada.

"Acho que o começo de tudo foi o Pan, a gente ganhar o Pan deu uma esperança de que a gente pode um pouco mais, que a gente pode sonhar e não tem problema sonhar alto. Agora é ir atrás do que a gente a gente quer conquistar. Começou tudo ali e a gente vem trabalhando cada vez mais forte para conseguir nossos objetivos", disse às dibradoras a armadora Tainá Paixão, um dos destaques do time campeão em Lima. 

Foto: Imprensa Basquete Brasil

Os adversários do pré-olímpico serão Porto Rico, França e Austrália e, na prática, a seleção precisa vencer um jogo para garantir a vaga – são três disponíveis para os quatro times. Os últimos resultados contra Porto Rico (teoricamente o adversário mais fraco entre esses) são animadores, mas elas nem se apegam a isso.

"A gente está bem focado, sabemos da dificuldade do campeonato. Estamos treinando o máximo que podemos, com positividade, acreditando que o trabalho vai dar certo", contou a ala Isa Ramona.

Reconstrução

Todas as jogadoras destacam a conquista no Pan como o ponto de partida para esse renascimento do basquete feminino. Quando elas estrearam na competição, a expectativa estava bem longe do ouro. O Brasil iria estrear seu novo técnico lá oficialmente, elas não tinham passado por testes antes da competição e havia muitas dúvidas sobre aquela equipe, se ela realmente encaixaria dentro de quadra.

"A gente tinha treinado, mas não tinha jogado. Aí lá a gente teria ainda uma estreia contra o Canadá. A gente ficava pensando: está muito bom no treino, mas será que vai funcionar no jogo? E quando a gente ganhou do Canadá, isso deu uma injeção de ânimo em todas nós. A gente viu que estava dando certo", disse Ramona.

Foto: Getty

O técnico José Neto conta como foi o momento da virada. Ele que nunca tinha trabalhado com um time feminino, foi o nome escolhido para comandar a reconstrução do basquete das mulheres.

"Eu nunca tinha dirigido um time feminino, é a primeira vez, então eu nem sabia se a proposta que a gente estava colocando daria certo. Mas como eu já tinha trabalhado com esse tipo de situação em outras equipes, de reestruturar equipes no masculino, mudança de comportamento que deu certo, então pensei: vou tentar aqui também", afirmou.

A tabela do Pan assustou, mas quando as coisas começaram a dar certo, o técnico conseguiu o que mais precisava: resgatar a confiança da seleção feminina. Ele ressalta que a principal mudança não foi tática, nem técnica, mas sim de comportamento.

"Quando a gente viu a tabela (do Pan), que a estreia era contra o Canadá, campeão da última edição, depois Porto Rico, depois Paraguai para brigar por uma vaga para semifinal, era difícil. Aí quando a gente ganhou do Canadá, a gente sentiu que estava encaixando. E elas se sentiram capazes, uma coisa que acho que fazia tempo que elas não estavam sentindo. Aí foi um start muito importante para que as outras coisas pudessem dar certo. Aumentou confiança e isso foi ponto fundamental para que a gente tivesse êxito", disse José Neto. 

Foto: Imprensa Basquete Brasil

Daí em diante principalmente, as jogadoras mostraram um comprometimento fora de série com a proposta apresentada na seleção brasileira. Sabendo que haveria um pré-olímpico logo no início do ano, elas encurtaram as férias, treinaram sozinhas antes mesmo da apresentação e mostraram o quanto estão empenhadas para conquistar essa vaga.

"Acho que o mais importante foi isso, mais do que a mudança tática, de jogo, foi essa mudança de comportamento, elas entenderem que elas precisavam mudar um comportamento para ter êxito. Elas executaram isso muito bem. O maior mérito é delas", destacou José Neto. 

Caminho rumo a Tóquio

O Brasil fará um amistoso contra a Sérvia no dia 3 de fevereiro, depois estreia no pré-olímpico em Bourges no dia 6 de fevereiro naquele que é considerado o principal jogo do torneio – contra Porto Rico, o adversário mais fraco. Vencendo essa partida, o time de José Neto já coloca uma mão na vaga de Tóquio. Depois, dia 8 o Brasil enfrenta a França e dia 9 a Austrália para fechar sua participação – quem sabe já carimbando passaporte para o Japão. Mas o objetivo maior, segundo o treinador, nem é o resultado. É principalmente o projeto de resgate ao basquete feminino. 

"Desde o início, a gente colocou que o propósito seria restaurar o basquete feminino, dar um novo ânimo para o basquete feminino que teve tantas glórias no passado. Então acho que cada etapa que a gente tem de treinamento, a gente vê essa possibilidade, de fazer com que o basquete feminino tenha um espaço maior, que tenha mais visibilidade. Acho que é isso que está acontecendo. Elas estão se dedicando muito, mesmo fora da seleção, então mais do que a gente ganhar alguma coisa, o mais importante é a mudança que está acontecendo", concluiu.

Sobre as autoras

Renata Mendonça é jornalista, são-paulina, e apaixonada por esporte desde que se conhece por gente. Foi em um ~dibre desses da vida que conseguiu unir trabalho e paixão sendo jornalista esportiva. Hoje, sua luta é para que mais mulheres consigam ocupar esse espaço. Angélica Souza é publicitária, de bem com a vida e tem um senso de humor que, na maioria das vezes, faz as pessoas rirem. Alucinada por futebol - daquelas que não pode ver uma bola que já sai chutando - sabe da importância e responsabilidade de ser uma mulher com essa paixão. Nas costas, gosta da 10, e no peito, o coração é verde e branco e bate lá na Turiassú. Roberta Nina é aquariana por essência, são-paulina por escolha e jornalista de formação. Tem por vocação dar voz às mulheres no esporte.

Sobre o blog

Futebol não é coisa de mulher. Rugby? Vocês não têm força para jogar... Lugar de mulher é na cozinha, não no campo, na quadra, na arquibancada. Já ouviu isso muitas vezes, né?! Mas o ~dibradoras surgiu para provar justamente o contrário. Mulher pode gostar, entender e praticar o esporte que quiser. E quem achar que não, a gente ~dibra ;)

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