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'Futebol me deu coragem para dizer sim': o começo de Pia no Brasil

Renata Mendonça

22/10/2019 04h00

Foto: CBF

A entrevista estava marcada para 17h da última sexta-feira na sede da CBF no Rio de Janeiro. Eu subestimei o trânsito da cidade, resolvi ir de carro, notei que não chegaria a tempo, optei pelo metrô no meio do caminho e, ainda assim, me atrasei 20 minutos. Entrei na sala de Pia Sundhage envergonhada não só pelo atraso (que não é do meu feitio em compromissos profissionais), mas porque logo imaginei que aquilo só serviria para confirmar a primeira impressão de qualquer "gringo" que chega ao Brasil: os brasileiros são atrasados.

Pedi mil desculpas, ao que ela respondeu sempre com aquele sorriso generoso e contagiante. Ao longo da entrevista, quando a questionei sobre o que mais gostava e o que não gostava do "estilo brasileiro de viver" desde que se mudou para cá, para a minha surpresa ela citou o "atraso" como o mais positivo. E o negativo seria justamente o trânsito, o mesmo que me fez atrasar para aquele compromisso.

"Eu gosto do fato de os brasileiros estarem sempre atrasados", respondeu rindo. "Eu gosto mesmo. Na Suécia, se nós marcamos algo às 13h, nós chegamos 10 minutos antes, aqui as pessoas chegam 10 minutos depois. Mas eu gosto disso".

"O que eu não gosto é o trânsito. Dirijo da minha casa para a CBF e é algo que eu tenho que aprender todos os dias, estou fora da minha zona de conforto", disse.

Há que se imaginar que uma pessoa que nasceu em uma cidade minúscula chamada Ulricehamn, de menos de 8 quilômetros quadrados e só 11 mil habitantes não se sinta à vontade no trânsito carregado de uma capital onde vivem mais de 6 milhões de pessoas. Mas Pia não está exatamente desacostumada a essa "mudança de rotina" com relação ao seu padrão sueco de vida. Sua carreira de treinadora foi construída em cima de voos ousados para destinos cada vez mais distantes. Começou na China, seu primeiro desafio em uma seleção internacional como assistente técnica em 2007. Depois foi para os Estados Unidos onde ficou de 2008 a 2012. Aí voltou para a Suécia para comandar a seleção de seu país até 2017. Dali foi para o sub-15 comandar o desenvolvimento das jovens suecas no futebol e teve a certeza de que sua carreira como treinadora estava bem perto do fim. A aposentadoria viria daqui um ou dois anos. Mas aí veio uma ligação do Brasil.

"Eu sou uma pessoa que se sente bem em casa, e a minha casa é a Suécia. Mas o futebol me levou para tantos lugares e me deu a coragem para dizer 'sim'. E aí só depois eu começo a pensar: eu devo fazer isso ou não? Mas eu simplesmente disse sim. Porque no fim do dia eu sei qual é meu jogo. Não interessa se estou na China, nos Estados Unidos ou em qualquer parte do mundo, se eu estou no campo, eu me sinto segura. Eu não me sinto tão segura no escritório, ou quando estou conversando com pessoas fora, mas no campo eu me sinto em casa", contou ela.

Foi o que viu na Copa do Mundo, o talento das jogadoras brasileiras que fez Pia ter certeza de que não havia como recusar aquela oportunidade. "Era impossível (negar). Se você ama futebol, você precisa dizer sim quando aparece uma oportunidade dessas."

Foto: Dibradoras

O atraso inicial definitivamente não abalou o tempo de conversa, e o que eram para ser 30 minutos, viraram quase 50. Saímos de lá quase 19h e Pia ainda não tinha planos de ir embora tão cedo. Obcecada pelo trabalho, a treinadora fica cerca de 12h por dia pelo menos em seu escritório da CBF rodeada por planilhas e papéis colados na parede cheio de planos para os próximos passos da seleção feminina. O maior desafio, ela diz, é "elencar as prioridades", que não são poucas. Mas a treinadora garante ter paciência para ir colocando tudo em prática ao longo dos quatro anos que planeja ficar por aqui.

Deu tempo de falar sobre a infância, os sonhos com o futebol feminino, o encontro com Marta e as ideias para a seleção brasileira – os principais trechos estão na transcrição abaixo:

Dibradoras: Como foi sua infância? Como menina, você cresceu com a liberdade para ser o que quisesse?
Pia Sundhage: Eu tive uma infância fantástica. Meu pai sempre me disse: mantenha os pés no chão e garanta que você vai fazer o que precisa fazer. E minha mãe sempre me deu asas. Ela sempre dizia: você pode ser o que você quiser. Isso me deu uma infância segura em uma pequena vila na Suécia, porque eu queria jogar futebol.

Eu jogava na escola também, tive professores muito legais. Porque naquela época eles dividiam a classe em grupos de meninos e meninas. As meninas iam para o parque, os meninos iam para a quadra jogar futebol. Uma das minhas professoras me disse: você quer ir lá jogar com os meninos? Então eu era a única menina que ia jogar com os meninos. Essa foi a minha grande sorte. Eu sabia desde muito cedo que eu era boa. Minha melhor amiga era a bola de futebol. Eu passava todo o tempo com a bola.

Foto: CBF

Dibradoras: E conte como você ganhou o apelido de Pelé?
Pia: Eu jogava com os meninos todos os dias, mas aos domingos, quando tinha campeonato, eu não podia jogar porque eu era uma menina. Eu tive muitos adultos legais ao meu redor na época, eles viam que eu era diferente e sabiam que não era uma coisa ruim ser diferente. Meu técnico me falou: 'você quer jogar um campeonato de verdade? Com arbitragem? Com um uniforme? Então nós temos que trapacear um pouco'. Eu sabia que ninguém deveria trapacear, meus pais me ensinaram isso. Mas ele disse: 'só um pouco. Vamos mudar seu nome. Você manterá seu sobrenome, mas o primeiro nome será Pelé'. Ninguém sabia que eu era uma menina. Consegui jogar dois anos assim, até eles me pegarem. Aí não me deixaram mais jogar, mas nós mudamos de casa então deu certo.

Eu diria que em toda a minha vida como mulher no mundo do futebol, eu sempre era a única menina e eu passei por muitos obstáculos. Mas aprendi que há sempre uma forma de driblá-los, de deixar o obstáculo para trás. E eu sempre tive o apoio de pessoas ao redor para isso.

Foto: Getty

Dibradoras: Quais são as principais diferenças para uma menina que cresceu jogando bola na sua época e uma que faz isso hoje?
Pia: Eu tinha três ídolos no futebol: Cruyff, Pelé e Beckenbauer. Quando eu ganhei um cachorro, o nome dele era Cruyff-Pelé-Beckenbauer. Porque eu não conhecia nenhuma jogadora naquela época. Agora eu conheço. As crianças hoje em dia falam sobre Marta, elas têm Wambach, é uma diferença enorme se você comparar com o meu tempo. Mas a maior diferença está nas expectativas. Eu, quando jogava, eu tinha um emprego, eu acordava cedo, treinava sozinha, depois ia para o trabalho, e depois, à noite, ia treinar. Mas hoje em dia você pode ser uma jogadora profissional na Suécia. Você tem apoio. Quando eu tinha 15 anos, eu jogava na seleção principal, hoje você tem seleção sub-17, sub-20, etc. Você joga com as meninas da mesma idade. Tudo mudou, mas principalmente as expectativas. Hoje em dia, se você tem filhos, não importa se são meninos ou meninas, você tem a oportunidade de jogar com eles. Isso não era o que acontecia quando eu era criança.

Dibradoras: Quando soube que queria ser jogadora?
Pia: Eu acredito que ainda sou uma sonhadora. Eu sempre sonhei em ser uma jogadora profissional e eu não conhecia nenhuma jogadora profissional naquela época. Eu falava isso e meus irmãos davam risada. Aí em 1973, eu tinha 13 anos, e a Suécia jogou seu primeiro amistoso com o time feminino contra a Finlândia. Foi 0 a 0, e eu lembro de ter ouvido falar do jogo, ouvi no rádio e aí fiquei pensando: acho que eu posso fazer isso. Então é muito importante ter esses exemplos a seguir, mas também sonhar. Dois anos depois daquilo, eu estava jogando na seleção principal.

Nesse momento específico (1ª convocação) em que eu entrei no vestiário, vi os uniformes amarelos e azuis, os shorts, as meias, eu olhei ao redor e pensei: caramba, eu sou uma das melhores jogadoras da Suécia. Eu tinha 15 anos na época e ainda lembro que pensei: eu vou voltar.

Dibradoras: E quando começou a pensar em ser treinadora?
Pia: Eu tinha muitas opiniões sobre a forma como iríamos jogar quando era jogadora. Então técnicos ruins sofriam muito comigo. Às vezes eu era muito chata. Porque eu questionava tudo. Eu tinha 19, 20 anos naquela época, e meu técnico me dizia: 'não é fácil ser um treinador' quando eu o questionava. Aí ele me chamou para fazer o curso dele de técnicos pra eu ver o quão difícil era. E esse foi o meu dia de sorte. Porque eu fui para esses cursos e gostei tanto, que não era só sobre mim e a meio-campista que jogava comigo, era sobre o time inteiro. E aí eu achei que era muito divertido. Então pensei: quando eu parar de jogar, posso continuar com isso. Posso me tornar uma treinadora. Então eu tinha 20 anos e já estava determinada a fazer isso quando parasse de jogar.

Foto: FIFA

Dibradoras: Você começou a ser treinadora quando ainda jogava, certo?
Pia: Eu comecei a ser técnica, mas não gostava da ideia de não jogar. Falei: não posso fazer isso, futebol ainda é muito divertido pra mim. E as jogadoras me pediram pra continuar como técnica do mesmo jeito. Então por 3 anos eu fui jogadora e técnica ao mesmo tempo. Eu aprendi tanto sobre futebol, mas principalmente sobre liderança. E elas me fizeram parecer boa. Porque elas queriam que eu fosse bem-sucedida naquela função. A gente construiu uma relação. Eu uso isso até hoje.

Eu digo às jogadoras, se vocês me querem como técnica, me digam, e me digam principalmente quando eu faço coisas boas, porque aí vocês terão um impacto na minha forma de treinar. Eu aprendi isso nesse clube da Suécia e eu ainda lembro o quão importante é ter uma boa relação com as jogadoras. Não só pensar: essa é uma boa jogadora. Mas falar pra ela. Assim como quero que falem pra mim. Porque a gente faz isso junto.

Dibradoras: Você foi uma treinadora que passou por muitos países. Como foi sua adaptação a todos esses lugares?
Pia: É engraçado porque eu honestamente gosto muito da minha casa. Eu sou uma pessoa que se sente bem em casa, e a minha casa é a Suécia. Mas o futebol me levou para tantos lugares e me deu a coragem para dizer "sim". E aí eu começo a pensar: eu devo fazer isso ou não? Eu fui para a China assim em 2007 como assistente técnica e aprendi a viver numa nova cultura, isso foi logo antes da Copa. Aí voltei fiz uma entrevista nos Estados Unidos e voltei pra casa e aí eles me ligaram. Eu gritei muito na hora. Eu ia comandar o melhor time do mundo. Mas não pensei em nada na hora, eu só disse sim. Essa sou eu. Aí depois eu penso em tudo.

Porque no fim do dia eu sei qual é meu jogo. Não interessa se eu estou na China, nos EUA ou em qualquer parte do mundo, se eu estou no campo, eu me sinto segura, eu me sinto confortável, eu quero estar no campo o máximo que puder. Eu não me sinto tão segura no escritório, ou quando estou conversando com pessoas fora, mas no campo eu me sinto em casa.

Foto: CBF

E aí cinco anos depois eu recebi a oportunidade de treinar a seleção do meu próprio país. Para mim, futebol é muito mais do que vencer jogos ou conquistar títulos. É um modo de vida. E se eu posso fazer algo no meu país e colocar o futebol feminino sob holofotes lá, eu vou fazer. E nós trabalhamos muito naquele ano, foi um tempo fantástico. Nós não jogamos bem na Copa do Mundo, mas jogamos muito bem no Rio, a final olímpica lá foi muito especial. E depois disso, eu pensei: agora já treinei o melhor time do mundo e meu país, agora tem que ser algo sobre educação, e desenvolver jogadoras. Então eu comecei a cuidar do sub-15. E eu estava 100% certa de que ficaria lá por mais dois anos e depois eu encerraria a carreira e faria outra coisa, tocaria violão.

Mas aí recebi essa ligação do Brasil. E eu disse sim. No dia seguinte eu fiquei pensando: para o que mesmo que eu disse sim? Mas o Brasil pra mim é futebol e comparado com os Estados Unidos e com a Suécia é mais técnico e eu estou muito interessada em como a técnica do futebol brasileiro pode elevar o nível do jogo.

Dibradoras: A CBF nunca foi conhecida como uma entidade que investe no futebol feminino. Ela foi muito criticada recentemente quando trouxe uma mulher para o cargo de treinadora e dez meses depois a tirou de lá. O que te fez acreditar que agora será diferente para dizer sim?
Pia:
 Em primeiro lugar, eu pessoalmente não posso fazer nada sobre isso (que já aconteceu), é o que é. Mas eu tento mudar as coisas quando chego nos lugares. Em segundo lugar, eu não pensei sobre nada quando eu disse sim. Mas eu disse sim porque eu vi a Copa do Mundo. E se você olhar para o desempenho do Brasil no Mundial, teve vários momentos em que elas jogaram muito bem. Então eu pensei: poxa, tem tantas jogadoras tão talentosas nesse país, elas são muito técnicas e isso pode levar o jogo a um outro nível. Então eu não poderia negar essa oportunidade. Era impossível. Se você ama futebol, você precisa dizer sim quando aparece uma oportunidade dessas.

Foto: Mowa Press

Agora eu tento resolver as outras coisas. Porque aqui nós cuidamos da seleção feminina aqui de uma maneira diferente do que era nos Estados Unidos ou na Suécia. É outra cultura, é diferente. Meu trabalho é usar todos esses recursos e dar suporte às jogadoras para garantir que no fim do dia elas possam dar seu melhor. Marta ainda pode melhorar seu jogo ainda mais, e ela já foi a melhor jogadora por tantos anos. Ou Ludmila, ela não é só rápida, ela pode melhorar seu jogo. Eu mergulhei nisso e passo a passo acho que podemos melhorar. Se não acontecer hoje, será amanhã ou depois de amanhã. Eu sou paciente. Às vezes quando não funciona do jeito que eu quero, eu rio um pouco, recarrego as energias e tento resolver o problema. Mas eu quero aproveitar a chance de fazer algo que eu gosto que é melhorar o futebol feminino.

Eu posso dizer que todo esse tempo que estive aqui falando com o presidente, ele me pareceu muito otimista. E eu gostei disso, eu gosto que ele está sorrindo. Talvez não aconteça agora nos Jogos Olímpicos, mas espero ficar 4 anos. Porque temos que ir passo a passo. E se sentirmos que a CBF está tentando melhorar, se eu tiver esse sentimento, eu vou em frente.

Foto: CBF

Dibradoras: O que pretende trazer do trabalho que fez com a Suécia e com os EUA para a seleção?
Pia: Eu tento trazer organização. Na Suécia nós somos organizadas. Na defesa isso é muito bom. Algumas vezes no ataque é um pouco chato e não é tão bom, porque você precisa de criatividade também. Mas é preciso organizar. Dos Estados Unidos, elas têm esse espírito de "vai nessa", e se você olhar para trás, elas ganharam muito. Isso é contagioso. Quando a gente vence, isso é contagioso. Por exemplo, nós jogamos contra a Inglaterra, e vencemos. No primeiro tempo, não foi tão bom. Há alguns momentos do segundo tempo que foram bons, mas em vez de ser muito negativa, eu sou muito positiva, porque nós temos essa vitória para nos agarrarmos na hora de ir para o próximo passo.

Foto: Getty

Acho que nós fomos melhores que a Polônia. Elas tiveram alguns contra-ataques que nós temos que saber lidar com eles, lição para aprender, mas em vez de enfatizar demais os erros, eu sempre coloco para elas: nunca tirem da cabeça que nós ganhamos os dois jogos. E se você cria uma sequência de vitórias, tem um certo sentimento de vitória, que é exatamente o que os Estados Unidos têm há muitos anos. Elas têm algumas jogadoras que são muito boas nisso. Eu tento achar essas jogadoras no Brasil. Que realmente tentam fazer seu melhor o tempo todo. E só pra mencionar uma jogadora, eu fico muito impressionada com a Formiga. O último jogo contra a Polônia, ela jogou muito bem e ficou os 90 minutos. Tanto no ataque, quanto na defesa. E se eu consigo trazer esse tipo de jogo, espero que seja contagioso.

Foto: CBF

Dibradoras: Você falou desde o início sobre a expectativa do encontro com Marta. Como foi?
Pia:
Ela fala sueco muito bem, mas ela prefere falar inglês. Então foi um mix, mas foi muito boa a conversa. Eu acho que nós precisamos encontrar o papel dela no time. Porque ela está ficando mais velha, e se nós pudermos encontrar o melhor papel pra ela, ela vai ajudar o time demais. Comecei com dois jogos, mas tenho algumas ideias sobre o que ela pode fazer para trazer não só o seu melhor desempenho, mas o melhor desempenho das suas companheiras de equipe. Se você pensar nas oportunidades de fazer gol que ela tem, não é igual no passado. Mas ela vai ser muito importante. Isso é um pouco desafiador, porque ela pode jogar em muitas posições. Eu preciso fazer o meu melhor para garantir que ela consiga trazer seu melhor desempenho.

Dibradoras: Qual seria a melhor posição para ela no time?
Pia: Não é uma boa estratégia perguntar a ela "onde você quer jogar?". Ela sempre dirá "eu jogo em qualquer lugar". Claro. Porque ela é uma jogadora para o time. Mas aos poucos eu tento enxergar onde ela vai melhor e falar com ela sobre as situações. Agora não é só a questão de qual é a melhor posição para ela, mas onde ela vai trazer o melhor desempenho do time como um todo. Então preciso olhar para o time como um todo, não só para ela.

Dibradoras: Qual você diria que é o seu maior desafio na seleção?
Pia: Como uma técnica da seleção brasileira, nós precisamos vencer o próximo jogo ou pelo menos tentar. E melhorar o estilo de jogo. Isso significa que eu devo passar o máximo de tempo que puder assistindo aos jogos, mas também fazer o scouting, para novas jogadoras chegarem. Isso é desafiador, porque eu não vi uma quantidade suficiente de jogos aqui. Mas eu tenho assistentes e falo com eles para garantirmos que achamos as jogadoras certas.

Foto: CBF

Mas acho que elencar as prioridades é o maior desafio. E também ser paciente. Um exemplo: na Suécia, quando eu era técnica da seleção, eu tinha o calendário do ano todo. E às vezes de dois anos. Aqui não é o que acontece. Para mim, isso pode ser estressante, mas eu transformo em algo que pode ser positivo. Não temos aqui o time que vamos enfrentar, mas de repente fechamos com um excelente time. Então tenho que ser paciente e mudar minhas expectativas um pouco. Isso é uma coisa com a qual estou me acostumando.

Dibradoras: você virou uma celebridade no Brasil. E não é comum treinadores de futebol feminino atingirem esse status. Como vê isso?
Pia:
Eu amo as selfies. Porque as pessoas não estão tirando foto de mim, mas sim da seleção feminina e do futebol feminino do Brasil. Quando as pessoas pedem, eu fico muito feliz. E isso tem acontecido com frequência, e acho que é importante. Porque no passado, ninguém se importava. Quanto mais tivermos isso, melhor será para o futebol feminino.

Sobre as autoras

Renata Mendonça é jornalista, são-paulina, e apaixonada por esporte desde que se conhece por gente. Foi em um ~dibre desses da vida que conseguiu unir trabalho e paixão sendo jornalista esportiva. Hoje, sua luta é para que mais mulheres consigam ocupar esse espaço. Angélica Souza é publicitária, de bem com a vida e tem um senso de humor que, na maioria das vezes, faz as pessoas rirem. Alucinada por futebol - daquelas que não pode ver uma bola que já sai chutando - sabe da importância e responsabilidade de ser uma mulher com essa paixão. Nas costas, gosta da 10, e no peito, o coração é verde e branco e bate lá na Turiassú. Roberta Nina é aquariana por essência, são-paulina por escolha e jornalista de formação. Tem por vocação dar voz às mulheres no esporte.

Sobre o blog

Futebol não é coisa de mulher. Rugby? Vocês não têm força para jogar... Lugar de mulher é na cozinha, não no campo, na quadra, na arquibancada. Já ouviu isso muitas vezes, né?! Mas o ~dibradoras surgiu para provar justamente o contrário. Mulher pode gostar, entender e praticar o esporte que quiser. E quem achar que não, a gente ~dibra ;)

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