Topo
Dibradoras

Dibradoras

Pia repete nomes, mas avisa: 'Precisam se esforçar para estar na seleção'

Renata Mendonça

19/09/2019 18h16

Foto: Mowa Press

A técnica Pia Sundhage anunciou a lista das 23 convocadas para os dois amistosos da seleção feminina diante de Inglaterra e Polônia nos dias 5 e 8 de outubro com poucas novidades em relação à primeira convocação. Somente cinco nomes são diferentes e, entre esses, apenas uma será estreante na equipe principal.

São elas: a goleira Lelê, a zagueira Daiane, as laterais Poliana e Giovanna e a meio-campista Maria. Todas, exceto Giovanna, já passaram pela seleção antes, sendo que três delas estiveram, inclusive, na Copa do Mundo deste ano.

 

As novidades ainda são poucas – por enquanto -, mas a treinadora já deu o recado às atletas: para estar na lista é preciso se mostrar merecedora para tanto.

"Eu quero que as jogadoras realmente sintam que precisam se esforçar para estar na seleção brasileira", afirmou a sueca logo no início da coletiva de imprensa nesta quinta-feira, na sede da CBF.

Essa foi a primeira percepção que deu para ter entre as mudanças que Pia pretende implementar na seleção brasileira. Na conversa com as atletas, elas mesmas já dizem que se sentem muito mais "cobradas" com a presença da técnica bicampeã olímpica. A zagueira Erika mencionou que ela "observa tudo" e sempre está atenta a qualquer mínimo erro que as jogadoras cometem num treino ou num jogo. "Ela vê tudo. Quando você acha que não, ela vem e te fala: aquela bola, você não correu, não pode desistir", contou a atleta corintiana em entrevista após o jogo contra a Argentina na estreia de Pia.

Foto: dibradoras

A meio-campista Andressa Alves também destacou justamente esse perfil mais "exigente" da treinadora. "Ela cobrou coisas da gente que faltavam ser cobradas. Com isso, a gente fica com pé atrás de não voltar na próxima convocação, porque tem que fazer o que ela pede. Pia é muito exigente, e isso é muito bom porque eleva o nível da seleção", disse às dibradoras.

O que dá para se tirar disso é que se a seleção convocada por Pia ainda mantém muitos dos nomes convocados anteriormente por Vadão, é bem possível que, em breve, isso possa mudar muito. Tudo vai depender de como essas atletas que estão sendo observadas pela nova comissão agora irão se comportar ou se esforçar para fazer jus a uma convocação futura. Um outro ponto positivo mencionado na coletiva foi sobre a lista de atletas que estão sendo observadas por Pia e suas auxiliares. São mais de 50, entre as que atuam dentro e fora do país.

"Nomes repetidos podem significar uma coisa boa. Significa que elas fizeram algo que agradou. Meu trabalho é fazer com que elas sejam ainda melhores. Eu também acredito que, além de ter um time experiente, a mistura que é interessante. Podemos encontrar uma química. Eu evito falar sobre um jogador só, porque eu acredito que o futebol é um esporte coletivo, é um trabalho que é construído em equipe. Não são as 11 melhores jogadoras trabalhando separadamente, mas trabalhando juntas.", pontuou Pia.

Organização

A principal palavra de Pia na seleção feminina é essa: organização. Desde que chegou, a treinadora repete que sua prioridade é formar um time que tenha o talento característico do futebol brasileiro, mas que seja organizado na maneira de atacar e de defender. Novamente, ela reforçou que quer trabalhar melhor as transições de defesa para o ataque e, de certa forma "desacelerar" o estilo mais "afobado" que muitas vezes a seleção imprimiu em campo nos jogos da Copa do Mundo.

"Vamos continuar a ser muito cuidadosos com a transição do ataque para a defesa, quando estamos correndo demais. É algo em que temos que focar. As coisas acontecem muito rápido no campo, os brasileiros têm essa característica de se arriscar bastante. E eu realmente acredito em organização nos jogos", observou.

Foto: Mowa Press

Pensando nessa organização, Pia fez sua aposta nesta convocação em uma novidade "inesperada". A lateral Giovanna, que jogou no São José e no Centro Olímpico, e hoje atua pelo Avaldsness da Noruega, é a única da lista que nunca atuou pela seleção principal. A explicação para a convocação dela veio justamente por ela trazer um estilo "norueguês" mais organizado de jogar.

"Ela atua muito bem no ataque e também na defesa. Tem características do estilo norueguês de jogo, que é mais organizado. Quero ver como ela pode se encaixar na seleção", afirmou Pia. "Para se ter sucesso no longo prazo, eu realmente acho que a organização do time em campo é a principal coisa que precisamos trabalhar", avaliou.

Perguntada sobre a preparação para a Olimpíada de 2020 e as expectativas por medalha, Pia foi mais cautelosa e disse que prefere pensar passo a passo. Ela considera que o caminho até Tóquio é mais importante do que o que efetivamente acontecerá por lá.

"Estou ansiosa para dar os próximos passos rumo às Olimpíadas. Eu gosto do progresso. Se eu só olhar para a medalha, estou perdendo alguma coisa. É a estrada que é mais importante. Eu diria que nós temos chance (em Tóquio), mas se estivermos focadas para melhorar a cada dia. A diferença entre simplesmente ter uma viagem agradável e uma viagem maravilhosa, é tentar fazer o que você diz que vai fazer. Por isso que tenho os técnicos ao meu lado e por isso que a Seleção é tão importante".

Lillie Persson foi anunciada como auxiliar de Pia (Foto: Mowa Press)

A coletiva da treinadora ainda teve o anúncio oficial de sua nova auxiliar, Lillie Persson. Também sueca, ela atuou como assistente de Pia na seleção vice-campeã olímpica de 2016 e trabalhou para a Federação Sueca de Futebol desempenhando as mais diversas funções desde 2005. Perguntamos a Lillie qual seria a maior qualidade e o maior defeito de Pia como treinadora.

"A maior qualidade é que ela tem a consciência de que sozinha, ela é inútil, mas com a ajuda dos outros, ela é a melhor do mundo. Ela tem muita experiência no futebol feminino, viveu a vida toda nisso. E o defeito é que ela é um pouco esquecida. Precisa de nós para lembrar algumas coisas", disse, aos risos.

Uma parceria que já rendeu bons frutos com a medalha de prata da Suécia na Rio-2016 e que, quem sabe, poderá render ainda mais na seleção brasileira. Com Pia, Lillie e Bia, há ótimas expectativas para o desenvolvimento do futebol feminino por aqui.

Sobre as autoras

Renata Mendonça é jornalista, são-paulina, e apaixonada por esporte desde que se conhece por gente. Foi em um ~dibre desses da vida que conseguiu unir trabalho e paixão sendo jornalista esportiva. Hoje, sua luta é para que mais mulheres consigam ocupar esse espaço. Angélica Souza é publicitária, de bem com a vida e tem um senso de humor que, na maioria das vezes, faz as pessoas rirem. Alucinada por futebol - daquelas que não pode ver uma bola que já sai chutando - sabe da importância e responsabilidade de ser uma mulher com essa paixão. Nas costas, gosta da 10, e no peito, o coração é verde e branco e bate lá na Turiassú. Roberta Nina é aquariana por essência, são-paulina por escolha e jornalista de formação. Tem por vocação dar voz às mulheres no esporte.

Sobre o blog

Futebol não é coisa de mulher. Rugby? Vocês não têm força para jogar... Lugar de mulher é na cozinha, não no campo, na quadra, na arquibancada. Já ouviu isso muitas vezes, né?! Mas o ~dibradoras surgiu para provar justamente o contrário. Mulher pode gostar, entender e praticar o esporte que quiser. E quem achar que não, a gente ~dibra ;)

Mais Dibradoras