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Após boa campanha na A2, Ceará seguirá investindo no futebol feminino

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30/07/2019 04h00

Por Jessyka Freitas

(Foto: Mauro Jefferson)

Com o sucesso recente da Copa do Mundo, os olhos se voltaram para as possíveis mudanças que precisam ser implantadas no no futebol feminino do Brasil, desde a mudança no comando da seleção feminina até a chegada de dirigentes mais capacitados.

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Em 2019, os clubes brasileiros passaram a cumprir a obrigatoriedade imposta pela Conmebol, exigindo que as equipes tenham também uma equipe de futebol feminino. Além disso, a pressão da torcida cearense em ter a categoria fez com que o Ceará se antecipasse e o clube começou a trabalhar com a modalidade em 2018. Em parceria com o Menina Olímpica, equipe tradicional de Fortaleza, o Vovô iniciou o projeto com atletas cearenses e jovens jogadoras.

Boa campanha

Enquanto tantas mudanças vão acontecendo de forma gradual, a Série A2 do Campeonato Brasileiro Feminino definiu as equipes que disputarão a elite em 2020: Palmeiras, São Paulo, Grêmio e Cruzeiro.

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Nesta competição, o time mineiro eliminou o Ceará, equipe que recentemente voltou à categoria e já fez campanhas que mostram a seriedade do trabalho. Além do título estadual conquistado no ano passado, as Meninas do Vovô – como são conhecidas – chegaram às quartas de final do Brasileiro deste ano, parando apenas diante do Cruzeiro na A2. Caso avançassem, elas colocariam o clube na Séria A-1 pela primeira vez na história.

Foi com o título estadual de 2018 – conquistado nos dois turnos – que o alvinegro cearense garantiu vaga no Campeonato Brasileiro Série A-2 deste ano. E a campanha do alvinegro no campeonato nacional foi bem satisfatória.

Após uma liderança folgada na primeira fase, sem nenhuma derrota, com 19 gols marcados e apenas dois sofridos, a classificação para as quartas de final foi bem difícil. O Ceará enfrentou a Portuguesa e venceu o primeiro jogo no Estádio do Canindé por 3×0. Em casa, no Presidente Vargas, o Vovô foi derrotado pela Lusa por 2×0, mas ainda assim chegou na fase derradeira.

Contra as 'Cabulosas' do Cruzeiro, o Ceará perdeu os dois jogos – 2×0 em casa e 2×1 em Belo Horizonte – e se despediu de forma dolorosa da competição. No primeiro jogo, em Fortaleza, mais de 1.200 pessoas compareceram ao estádio para apoiar as alvinegras. Toda a renda dessa partida foi destinada ao tratamento da ex-goleira Vanessa, que foi diagnosticada com febre reumática, uma doença inflamatória que pode afetar as articulações, a pele e órgãos vitais, como coração e cérebro.

Ela foi uma das grandes responsáveis pelo título do campeonato cearense feminino de 2018, ao defender três cobranças de pênaltis na final do segundo turno, contra o Tiradentes.

O trabalho não vai parar

De acordo com o diretor administrativo do clube, Eduardo Arruda, o Ceará pretende aumentar o investimento no futebol feminino, mas isso passa pela manutenção da equipe masculina na Série A do Brasileirão e pela situação financeira do time.

Segundo o site Portal Alvinegro, o clube passa por uma enorme mudança de patamar nesse quesito, mas para a curva continuar sendo positiva, a bola na rede dos homens tem que continuar entrando a favor. Sem patrocinador máster em nenhuma categoria, a dificuldade para arcar com as despesas do time feminino são mais complicadas. A única renda eram os R$ 10 mil vindos da CBF para custear passagem e hospedagem.

(Foto: Mauro Jefferson)

Segundo o diretor alvinegro, o objetivo é subir de divisão na próxima temporada e conquistar o bicampeonato estadual ainda em 2019 (que está previsto para começar neste segundo semestre). Ainda dentro de campo, a meta é expandir para as categorias de base com a criação do sub-15 e 17, além da disputa de campeonatos de até 20 anos.

Nas áreas internas, o clube quer um departamento de futebol exclusivo para as mulheres. Atualmente, os médicos, parte de nutrição e outros quesitos são divididos com o masculino.

Próximos passos

Com o sexto lugar no certame nacional, o Ceará tirou aprendizados valiosos para as próximas etapas da evolução com as meninas. Burocraticamente, o Vovô é um dos únicos clubes do país que assinam a carteira de trabalho das jogadoras, além de pagar rigorosamente em dia.

(Foto: Mauro Jefferson)

Com estrutura invejável e sem parcerias – como a maioria dos outros clubes tem, inclusive atuando em outras cidades – a diretoria trabalha para fidelizar o público já existente e aumentar o interesse dos torcedores.

Com a criação das categorias de base e um maior investimento do time principal, o Ceará deve se tornar uma força da modalidade em breve.

Sobre as autoras

Renata Mendonça é jornalista, são-paulina, e apaixonada por esporte desde que se conhece por gente. Foi em um ~dibre desses da vida que conseguiu unir trabalho e paixão sendo jornalista esportiva. Hoje, sua luta é para que mais mulheres consigam ocupar esse espaço. Angélica Souza é publicitária, de bem com a vida e tem um senso de humor que, na maioria das vezes, faz as pessoas rirem. Alucinada por futebol - daquelas que não pode ver uma bola que já sai chutando - sabe da importância e responsabilidade de ser uma mulher com essa paixão. Nas costas, gosta da 10, e no peito, o coração é verde e branco e bate lá na Turiassú. Roberta Nina é aquariana por essência, são-paulina por escolha e jornalista de formação. Tem por vocação dar voz às mulheres no esporte.

Sobre o blog

Futebol não é coisa de mulher. Rugby? Vocês não têm força para jogar... Lugar de mulher é na cozinha, não no campo, na quadra, na arquibancada. Já ouviu isso muitas vezes, né?! Mas o ~dibradoras surgiu para provar justamente o contrário. Mulher pode gostar, entender e praticar o esporte que quiser. E quem achar que não, a gente ~dibra ;)

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