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A lesão de Formiga e o drama da seleção brasileira para tentar substituí-la

Roberta Nina

2015-06-20T19:18:31

15/06/2019 18h31

Foto: CBF

*Por Roberta Nina e Renata Mendonça

No último jogo da seleção feminina na Copa do Mundo contra a Austrália, além de sentir o gosto amargo da derrota de virada por 3×2, o time brasileiro sentiu também a ausência de uma de suas líderes em campo: a camisa 8, Formiga.

A meio-campista foi substituída no intervalo da partida e muita gente acreditava que motivo da troca teria acontecido por conta do cartão amarelo que a jogadora levou no primeiro tempo. Como era seu segundo cartão na Copa, Formiga já estaria automaticamente fora do último confronto da equipe brasileira contra a Itália.

Mas, na verdade, o motivo que levou o técnico Vadão a sacá-la do time foi uma leve entorse no tornozelo esquerdo. A atleta havia sentido um incômodo no mesmo pé no primeiro jogo contra a Jamaica. Foi a campo contra Austrália e em um momento da partida, um movimento a fez sentir dor novamente e ela avisou a comissão técnica.

Esses detalhes sobre a lesão de Formiga foram relatados por Marco Aurélio Cunha, coordenador de futebol feminino na CBF, durante o treino da equipe nesta tarde de sábado, no Stade Jean Jacques, em Lille.

Formiga e Marta foram substituídas no intervalo do jogo contra a Austrália (Foto: CBF)

Foi Marco Aurélio quem acompanhou Formiga após a substituição e ficou com ela no vestiário vendo o jogo pela TV – já que o médico da comissão técnica, Nemi Sabeh, não podia deixar o banco de reservas durante o segundo tempo.

O dirigente – que também é ortopedista – revelou que aplicou uma injeção anti-inflamatória na jogadora e que se espantou ao vê-la se queixar de dor. "Eu nunca vi Formiga reclamar de dor nenhuma. Vimos o jogo juntos no vestiário e ela chegou a ficar com lágrimas nos olhos, com certa emoção, pelo momento", nos disse Marco Aurélio.

Ainda não foi feito nenhum exame para constatar o grau da lesão de Formiga, mas ela será avaliada nos próximos dias. Como a meio-campista não jogará contra a Itália, nesta terça-feira, ainda terá um tempo de recuperação, caso o Brasil avance para as oitavas-de-final.

Na coletiva de imprensa pós-treino, Bia Zaneratto falou sobre a importância de ter Formiga em campo e de se dedicarem em campo pela companheira, que disputa sua sétima e última Copa do Mundo.

"Com certeza é o pensamento de todo mundo dar um passo a mais pra continuar (na Copa) pela importância da modalidade. E com certeza a Formiga com seus 41 anos de idade e o tanto que ela corre  naquele meio de campo é impressionante, e a gente vai fazer isso por ela também e por todas as meninas que venham se aposentar depois da Copa ou não. E com o resultado positivo a gente vai poder dar seguimento e elas vão poder nos ajudar muito ainda", declarou Bia.

Como fica o Brasil sem Formiga

É muito difícil imaginar uma seleção brasileira em Copa do Mundo sem Formiga – porque desde 1995, quando disputou seu primeiro Mundial, a meio-campista é dona da posição e uma das principais jogadoras do Brasil. Jogar sem a veterana até já aconteceu em amistosos, mas em Mundiais é uma novidade com a qual o time de Vadão está tendo que se acostumar.

Com poucas opções convocadas pelo treinador para o meio-campo, não tem muito mistério sobre quem deverá entrar no lugar da camisa 8: ou será Luana, ou será Andressinha (a outra meio-campista levada por ele é Thaísa, que já é titular). As duas costumam atuar mais avançadas, diferentemente de Formiga, que joga mais recuada, protegendo a defesa e sendo a responsável pela saída de bola.

O técnico optou por Luana no jogo contra a Austrália. A jogadora tem 26 anos e tem poucas experiências atuando pela seleção principal. Ela passou pela seleção sub-20, sua primeira convocação para a equipe adulta foi nessa época, em 2012, depois teve uma chance na época que Emily Lima era treinadora, em 2017, mas não foram muitos minutos em campo. A jogadora foi titular apenas duas vezes atuando pela seleção principal em 2013, depois disso não mais.

Já Andressinha é mais jovem, mas tem mais experiência. A jogadora tem 24 anos e atuou até mesmo como titular do Brasil na Copa do Mundo de 2015, esteve na Olimpíada de 2016 – quando era reserva na equipe de Vadão – e acumula experiências em times americanos, como Houston Dash e agora Portland Thorns. Ela tem um grande potencial na bola parada – é exímia cobradora de falta – e rende muito bem jogando como articuladora no meio-campo, dando ritmo ao jogo. Com o treinador da seleção, já foi escalada para atuar mais defensivamente também.

Andressinha já foi titular durante a Copa de 2015 (Foto: CBF)

Se optar por Luana, Vadão faz uma aposta em alguém menos experiente, mas que pode render defensivamente, como atuou no jogo contra a Austrália, tentando fechar os espaços no meio-campo defensivo do Brasil. Por outro lado, há a opção de usar Andressinha, que já está um pouco mais acostumada a segurar a bronca na seleção principal e pode trazer mais qualidade e inteligência no passe e no apoio ao ataque.

De todas as formas, o cenário que se desenha sem Formiga é sempre complexo, porque a camisa 8 é fora de série e dificilmente terá qualquer substituta à altura. Quem já jogou com ela costuma dizer que a maior injustiça da história do futebol é não ter premiado Formiga como a melhor jogadora do mundo nenhuma vez. Mesmo aos 41 anos, ela exibe a melhor forma física, um fôlego invejável e uma precisão nas roubadas de bola que impressiona.

O Brasil volta a campo na terça-feira, dia 18, às 16h contra a Itália em Valenciennes, precisando vencer para garantir a classificação sem tanto drama.

Sobre as autoras

Renata Mendonça é jornalista, são-paulina, e apaixonada por esporte desde que se conhece por gente. Foi em um ~dibre desses da vida que conseguiu unir trabalho e paixão sendo jornalista esportiva. Hoje, sua luta é para que mais mulheres consigam ocupar esse espaço. Angélica Souza é publicitária, de bem com a vida e tem um senso de humor que, na maioria das vezes, faz as pessoas rirem. Alucinada por futebol - daquelas que não pode ver uma bola que já sai chutando - sabe da importância e responsabilidade de ser uma mulher com essa paixão. Nas costas, gosta da 10, e no peito, o coração é verde e branco e bate lá na Turiassú. Roberta Nina é aquariana por essência, são-paulina por escolha e jornalista de formação. Tem por vocação dar voz às mulheres no esporte.

Sobre o blog

Futebol não é coisa de mulher. Rugby? Vocês não têm força para jogar... Lugar de mulher é na cozinha, não no campo, na quadra, na arquibancada. Já ouviu isso muitas vezes, né?! Mas o ~dibradoras surgiu para provar justamente o contrário. Mulher pode gostar, entender e praticar o esporte que quiser. E quem achar que não, a gente ~dibra ;)

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